Sexta-feira, 5 de Março 2021
4:46:01pm
Após queda recorde em 2020, produção automobilística deve ir a ‘quase zero’ sem a Ford

Após queda recorde em 2020, produção automobilística deve ir a ‘quase zero’ sem a Ford

A decisão de encerramento das atividades da Ford em território brasileiro promete piorar a queda da produção da indústria de automóveis, que bateu recordes ao cair 41,6% em relação ao ano de 2019. Segundo especialistas, o fim da produção da montadora, que foi anunciado em janeiro e decretou o cessamento imediato da produção das suas fábricas, sendo uma delas em Camaçari, vai intensificar ainda mais o processo de queda de produção de veículos em território baiano.

O agravamento da queda do setor, que, segundo o IBGE, representa hoje 12 % do lucro oriundo de atividade industrial na Bahia, acontece devido ao fato da Ford ser a única montadora em atividade no estado. É isso que afirma Luiz Pimenta, economista e especialista em mercado automotivo. “Em 2021, teremos forte redução porque só tem a Ford aqui. A redução que foi de 41,6% vai passar a ser de quase 100%. Porque já acabou a fabricação, não existe mais produção de veículos aqui”, garante.

Quem também garante o impacto mais forte do que nunca nesse tipo de produção é a economista da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI). Para ela, no momento, não há possibilidade de que esse impacto seja evitado. “A Ford anunciou a sua saída do mercado baiano junto com o aviso imediato da interrupção das atividades produtivas lá em janeiro. Ou seja, toda a produção que teremos de veículos aqui será oriunda de janeiro, fazendo da queda do setor algo inevitável”, informa.

A Ford decidiu fechar as fábricas que tem no Brasil, incluindo a de Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador, em 11 de janeiro deste ano. A pandemia de covid-19 ampliou o sub uso da capacidade manufatureira da empresa, no entendimento da Ford. No país, serão mantidos apenas o Centro de Desenvolvimento de Produto, na Bahia, o Campo de Provas e sua sede regional, ambos em São Paulo.

 

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  • Com aumento de mortes, prefeitura cria mais de mil vagas em cemitério de Salvador

    No cemitério municipal de Plataforma, coveiros limpam uma área. Em breve, ali vai abrir espaço para novos corpos. É que, com o crescente número de mortes pela covid-19, a prefeitura decidiu criar 1.125 novas vagas. Os números não param de crescer. Fevereiro foi o segundo mês com mais mortes na Bahia. E, se continuar nesse ritmo, março pode ultrapassá-lo.

    A média histórica de sepultamentos anterior a pandemia era em torno de 12 por dia. Agora, 17 pessoas chegam a ser enterradas diariamente em Salvador. Marise Chastinet, secretária Municipal de Ordem Pública (Semop), avalia que esse é o pior momento da pandemia no ponto de vista funeral, pois o número de mortes está crescendo e de forma acelerada. No entanto, ela garante que a capital não corre o risco de colapso na rede.

    “Estamos nos planejando justamente para isso não ocorrer. Aumentou muito o quantitativo de mortes, tanto por covid-19 como por mortes naturais. Mas a gente escolheu o cemitério de Plataforma por lá ser o único local que tem área disponível para construir novas gavetas. A entrega deve acontecer em torno de 60 a 90 dias. A gente vai tentar acelerar para qualquer eventualidade”, diz.

    Nesse momento, os cemitérios municipais de Salvador têm apenas 1.050 vagas disponíveis para o mês de março. Dessas, 750 são gavetas já prontas para utilização imediata. As outras 300 são de covas rasas liberadas mensalmente por conta de exumações dos corpos. “A exumação acontece após três anos e meio do enterro. A família é chamada nesse momento para destinar o corpo a um lugar específico e apropriado”, explica Chastinet.

    Dor
    Nos cemitérios públicos, os coveiros não são autorizados a dar entrevista, mas um deles aceitou falar com a reportagem sem ser identificado. “São muitas as mortes por covid-19 que temos que lidar e já passaram para a gente para nos prepararmos para um aumento. É triste, pois esse tipo de enterro é o mais difícil. Temos que usar todo o equipamento de proteção e lidar com a família que muitas vezes não aceita ou entende”.

    No momento em que o CORREIO esteva no local, uma mulher identificada apenas como Jucilene, vítima da covid-19, foi enterrada. Sua mãe, esposo e filhos acompanharam o sepultamento. Eles afirmaram à reportagem que a causa da morte não foi essa e não quiseram passar mais informações. Mesmo assim, os coveiros garantiram que tinha sido o vírus e o sepultamento teve que ser realizado com todas as restrições: sem velório, com caixão lacrado e em apenas dois minutos de duração, divididos em duas partes.

    Na primeira, o caixão foi transportado do carro da funerária até a gaveta. Nesse momento, o choro e palavras de lamentações dos familiares começam a ser ouvidos. “Eu quero minha mãe”, disse uma filha. “Eu não vou conseguir”, afirmou outra pessoa, virando-se de costas e abraçando um rapaz. Ela preferiu não olhar o momento que os coveiros colocaram rapidamente a urna na gaveta. Uma música gospel começou a ser cantada. Outro familiar passou a andar de um lado para outro, balançando a cabeça em sinal negativo.

    Depois, na segunda parte, os coveiros iniciam o fechamento da gaveta. Colocam uma placa e usam cimento para tapar. Um pastor interrompe a música para proferir uma mensagem de conforto.

    Tudo isso durou dois minutos. Após fechar a gaveta, os coveiros são os primeiros a deixar o local. Vão direto lavar os equipamentos de proteção usados no enterro: luvas, botas, macacão, dentre outros. Os familiares começam a se dispersar logo depois. Eram 33 pessoas que acompanhavam o sepultamento, embora o permitido fosse apenas 10, para não gerar aglomeração. “A gente explica para eles a limitação, mas não podemos impedir das pessoas entrarem, pois não temos poder de polícia”, explica o coveiro.

    Por mais que a família tenha negado que a causa seja covid-19, ela não reclamou pela forma como o enterro aconteceu, sem velório. Infelizmente, isso não é sempre o que acontece. “Alguns começam a questionar. Querem que seja mais demorado, que abra o caixão. Mas isso dentro do cemitério não acontece, pois é o nosso emprego que está em jogo. Tem gente que acha que nós que somos os culpados”, disse o coveiro, cujo salário é de R$ 1,1 mil. “Trabalhamos na linha de frente e expostos. Tive colegas que pegaram o vírus e ficaram afastados. Só Deus para proteger”, completou.

    Enterros

    Outra possibilidade de funeral pelo setor municipal é a cremação gratuita de corpos provenientes de mortes naturais. Isso acontece graças a um contrato firmado entre a Semop com o cemitério Jardim da Saudade. No entanto, a secretária Marise Chastinet afirma que essa opção é ainda pouco utilizada pelas pessoas. “O serviço é ofertado à medida que é solicitado. Acredito que falta divulgação”.

    Salvador tem atualmente 10 cemitérios municipais e todos eles estão aptos a atender e realizar sepultamentos por covid-19. As unidades ficam nos bairros de Brotas, Itapuã, Pirajá, Plataforma, Periperi, Paripe e nas ilhas de Bom Jesus dos Passos, de Maré, Paramana e Ponta de Nossa Senhora. Segundo a Semop, em dias de sepultamento por covid-19, equipes realizam a desinfecção com hipoclorito de sódio.

    Em nota, a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) afirmou que administra apenas uma parte do cemitério Quinta dos Lázaros, onde só faz enterros de cova rasa para corpos de indigentes (pessoas que não tem família) encaminhados pela polícia, através do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues. As outras áreas do cemitério são administradas por outras instituições.

    Procurados, os cemitérios Jardim da Saudade, Bosque da Paz e Campo Santo, confirmaram o aumento no sepultamento de vítimas da covid-19.

    Contêiner

    Outro sinal que expressa o aumento de mortes por covid-19 na cidade é o aluguel de contêineres refrigerados para armazenar corpos em Salvador. O Governo da Bahia já realizou o aluguel de quatro desses equipamentos, que estão espalhados nos hospitais Instituto Couto Maia, Espanhol, Ernesto Simões Filho e o de Campanha da Arena Fonte Nova.

    O CORREIO também esteve no estádio, mas não verificou o equipamento. O segurança informou que ele fica na parte de cima do local, não visível para as pessoas. Em nota, a Sesab explicou que esse contêiner é necessário pois a Fonte Nova não possui um necrotério.

    “Por ser uma estrutura adaptada para funcionar como unidade hospitalar, não possui necrotério. Sendo assim, o contêiner funciona como tal. Os corpos só ficam o tempo de serem preparados e liberados para a família/serviço funerário. Para as demais unidades, os contêineres foram colocados para o caso de a capacidade do necrotério ser excedida”.

    Como agendar sepultamentos e cremações em Salvador?
    É só entrar em contato com a Central de Agendamento pelos telefones: (71) 3322-1037, 3266-2194, 3202-5429 ou 3202-5472. O serviço funciona diariamente das 8h às 16h30 e os documentos necessários são: RG, CPF, comprovante de residência do falecido e do familiar responsável, além de certidão de óbito e guia de sepultamento ou cremação, fornecidas pelos cartórios de registro civil.

    Taxas:
    Cova Rasa Adulto: R$36
    Cova Rasa Criança: R$18
    Gaveta: R$122
    Cremação: Gratuita

     

     

    Fonte: Correio24horas

  • Covid: Sesab emite alerta sobre disseminação das variantes britânicas e de Manaus na Bahia

    A Superintendência de Vigilância e Proteção à Saúde, da Sesab, emitiu, nessa quinta-feira (4), um alerta para todas as unidades de saúde da Bahia sobre a disseminação, de forma comunitária, das variantes do coronavírus do Reino Unido e de Manaus no estado.

    De acordo com o comunicado, na quarta-feira (3), o Laboratório de Vírus Respiratórios e Sarampo do Instituto Oswaldo Cruz (lOC/Fiocruz) e a Central de Saúde Pública da Bahia (Lacen) notificaram a identificação, através de sequenciamento, de mais casos da variante Sars-CoV-2 P.1 da linhagem B.1.1.28, de Manaus, e da variante Sars-CoV-2 VOC 202012/01 da linhagem B.1.1.7, do Reino Unido, em amostras provenientes do estado da Bahia.

    As duas variantes são consideradas de risco por causa das mutações que apresentam e estão diretamente relacionadas a um aumento de transmissibilidade e maior gravidade dos quadros e risco de morte.

    O alerta da Sesab pede que unidades notificadoras fortaleçam as atividades de controle da covid-19, se mantendo atentas aos atendimentos dos casos suspeitos e realizando a notificação tanto dos suspeitos, quanto dos confirmados, atentando para o rastreamento dos contatos de todos os casos.

    A Sesab pede ainda que a população seja orientada em relação às medidas de controle e prevenção como o isolamento domiciliar da pessoa que estiver com suspeita ou em período de transmissão da doença, além de outros cuidados que já fazem parte do nosso dia a dia, mas que precisam ser sempre lembrados, como a lavagem frequente das mãos com água e sabão e/ou álcool em gel a 70%, além do uso obrigatório de máscara e o distanciamento social. O comunicado é assinado pela coordenadora do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde, Talita Moreira Urpia.

    Análise mostra risco maior da variante de Manaus
    Segundo o comunicado, até o dia 3 de março, foram confirmados 17 casos da variante P.1 de Manaus, na Bahia. Os casos estão relacionados com os municípios de Salvador, Amargosa, Itabuna, Santa Luz, Irecê, João Dourado e Lauro de Freitas. Ainda de acordo com o alerta, 10 casos (58,8%) precisaram de hospitalização, e três (17,6%) pacientes morreram.

    Desde o começo de fevereiro deste ano, a cepa de Manaus está presente no território baiano.

    Um estudo do final de fevereiro, coordenado pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) Amazônia, constatou que a carga viral de pacientes contaminados pela cepa P.1 é bem maior do que em pacientes com outras cepas que circulam no Amazonas.

    De acordo com a pesquisa, ainda não oficialmente publicada, mas disponível na plataforma Research Square, o aumento da quantidade de vírus no nariz e na garganta amplia a possibilidade de transmissão.

    Já em relação à variante B.1.1.7 do Reino Unido, o alerta da Sesab diz que até 3 de março de 2021, foram notificados nove casos, sendo seis confirmados e três ainda em análise. Nesse caso, os municípios que apresentaram essa variante foram Salvador, Feira de Santana, Ilhéus, Itapetinga e Lauro de Freitas.

    Ainda segundo o comunicado, nenhum dos casos confirmados pela varianre britânica necessitou de hospitalização, e todos estão curados.

    No dia 17 de fevereiro, a Sesab anunciou a detecção de transmissão comunitária na Bahia da variante britânica.

    Na ocasião, o resultado foi apresentado após o sequenciamento genético da amostra de um homem de 62 anos, residente em Salvador, sem histórico de viagem ao exterior, nem contato com pessoas com esse perfil.

  • Boletim registra mais de 21 mil casos ativos de Covid-19 na Bahia; 111 óbitos são contabilizados

    A Bahia registrou 21.486 casos ativos de Covid-19 de acordo com boletim divulgado nesta quinta-feira (4) pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab). Segundo boletim, 5.985 novos casos da doença foram confirmados nas últimas 24h.

    De acordo com a Sesab, 111 óbitos foram registrados. As mortes aconteceram em datas diversas, mas foram contabilizadas no boletim desta quinta. Ao todo, 12.251 pessoas morreram vítimas da doença na Bahia. Segundo boletim, em março, o dia com o maior número de óbitos foi no dia 3, com 11 vítimas.

    Com os novos casos, a Bahia alcançou a marca de 700.768 casos de Covid-19 desde o início da pandemia. Na Bahia, 43.353 profissionais da saúde tiveram diagnostico positivo para o vírus.

    O boletim informa também o número de vacinados na Bahia. Segundo a Sesab, 500.471 pessoas foram vacinadas contra a Covid-19, dos quais 141.951 receberam também a segunda dose até as 15h desta quinta.

    Os dados representam notificações oficiais compiladas pelo Diretoria de Vigilância Epidemiológica em Saúde da Bahia (Divep-BA), em conjunto com as vigilâncias municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17h desta quinta.

    O boletim completo está disponível no site da Sesab e em uma plataforma disponibilizada pela secretaria de saúde estadual.

    Leitos Covid-19
    Nesta quinta, dos 2.275 leitos ativos na Bahia, 1.697 estão com pacientes internados, o que representa uma taxa de ocupação geral de 75%, de acordo com a Sesab.

    Desses leitos, 1.145 são para atendimento na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) adulto e estão com ocupação de 84% (960 leitos ocupados). A taxa de ocupação dos leitos de UTI pediátrica é de 72%, com 26 das 36 unidades em utilização.

    Já as unidades de enfermaria adulto na Bahia estão com 64% da ocupação, e a pediátrica com 82%.

    Em Salvador, dos 1.079 leitos ativos, 908 estão com pacientes internados. A taxa de ocupação geral é de 84%. A taxa de ocupação da UTI adulto é de 84% e a pediátrica de 67%. Nos leitos clínicos adultos, a taxa de ocupação é de 85%, e nos leitos pediátricos, a ocupação é de 86%.

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