Decisão sobre Réveillon e Carnaval será tomada este mês; veja o que está em jogo

Decisão sobre Réveillon e Carnaval será tomada este mês; veja o que está em jogo

Para participar do Réveillon e do Carnaval de Salvador será preciso ter completado a vacinação contra a covid-19 com as duas doses. Nesta segunda-feira (04), o prefeito Bruno Reis (DEM) informou que vai exigir o certificado de vacinação nos pórticos de acesso à folia. Ele também não descarta adotar outras medidas. Apesar do anúncio, a prefeitura ainda não tem certeza se as duas festas vão ocorrer. A decisão será tomada até o final deste mês.

Bruno Reis participava da entrega de uma escola em Fazenda Grande II, região de Cajazeiras, quando foi questionado se cogita adotar protocolos de proteção contra a covid-19 no Carnaval. O gestor disse que a realização da festa ainda está em análise e vai depender do cenário da pandemia, mas adiantou que as medidas sanitárias que forem pensadas para o Carnaval também serão aplicadas ao Réveillon.

“Ainda no mês de outubro daremos início à discussão sobre as festas de Réveillon e Carnaval. Vamos exigir, para ter acesso, as duas doses da vacina. Disso não abro mão. A festa do Réveillon acontece em um espaço fechado e para as pessoas terem acesso, terão que ter as duas doses. E, no Carnaval, a gente colocará barreiras para fazer as revistas e garantir as restrições das marcas e, se for possível, serão instaladas mais cedo para exigirmos a comprovação da vacinação”, afirmou.

O prefeito disse que não descarta adotar outros protocolos e que os detalhes serão discutidos nos próximos dias. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes está otimista para a realização das duas festas e disse que vai flexibilizar as medidas de proteção. Segundo O Globo, ele afirmou, no domingo (03), que depois da vacinação a vida vai voltar ao normal.

Bruno Reis, porém, opta pela cautela. “O Rio de Janeiro nunca foi parâmetro para nossas decisões. O Rio durante a pandemia sempre teve permissividade muito maior do que a média dos outros estados e capitais. O Rio, recentemente, foi a cidade mais impactada com a variante delta. Eles restabeleceram leitos e tiveram aumento de casos. Mas, se o prefeito dá uma mensagem nesse sentido é porque a própria variante delta não trouxe as consequências que os cientistas esperavam. Mas eu discordo de não ter protocolos”, disse.

Em Salvador, o Réveillon acontecerá entre os dias 29 de dezembro e 2 de janeiro. Durante evento, em agosto, o prefeito revelou que as atrações estão confirmadas e que serão cinco dias de festa, mas frisou que tudo vai depender dos números da pandemia. Ontem, ele voltou a dizer que o comportamento da variante delta e a taxa de ocupação dos leitos serão considerados na decisão.

Cenário
Apesar da variante delta ter sido confirmada em Salvador, não houve alteração no quadro da pandemia. Atualmente, a ocupação dos leitos clínicos e de UTI na cidade está em 26%. Nos últimos dois meses, o percentual tem ficado abaixo de 30%. Em toda a Bahia, a ocupação nas UTIs também está em 26% e a dos leitos clínicos em 20%. Já os leitos pediátricos têm números maiores: 48% para clínicos e 59% para UTIs.

A vacinação é outro elemento importante na equação. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), 2 milhões de pessoas receberam a 1ª dose (93% da população com 18 anos ou mais) e 1,2 milhão recebeu a 2ª (78% do público). Já a dose de reforço aplicada em idosos e profissionais de saúde tem 52 mil registros. A Bahia tem cerca de 15 milhões de habitantes e 5,3 milhões estão completamente imunizados.

Enquanto as autoridades discutem a possibilidade de realizar o Carnaval, a estudante e manicure Ana Luísa Lima, 22, disse que já separou a roupa da folia. Apesar do evento ser em fevereiro, ela já está em contagem regressiva.

“Não aguento mais essa pandemia. Tomei minha vacina, e todo mundo lá em casa também, porque queremos voltar a ter uma vida mais tranquila. A prefeitura faz bem em pensar em algumas medidas”, opina.

No Festival Virada da passagem de 2019 para 2020, o evento reuniu 2 milhões de pessoas nos cinco dias de festa. E o administrador Daniel Ventura, 28, estava na multidão. “Saudades do que a gente já viveu. Espero que a situação melhore, que os números da pandemia caiam ainda mais e que a gente possa dizer de coração ‘adeus ano velho e feliz ano novo’. Depois de tudo o que vivemos e estamos passando, a gente merece”, afirmou.

Festas em números:

Carnaval 2020

16,5 milhões de foliões nas ruas
1,1 milhão nos bairros
2,6 mil horas de música
1.016 apresentações de trios, fanfarras, palcos e blocos
12,7 mil artistas envolvidos na programação
210 atrações em corda
Festival Virada 2019/2020

2 milhões de foliões
1 milhão de foliões no dia 31 de dezembro
49 apresentações
70 horas de música
5 dias de festa
Taxa de ocupação dos leitos:

UTI em Salvador: 26%
Clínicos em Salvador: 26%
UTI na Bahia: 26%
Clínicos na Bahia: 20%
Vacinação em Salvador:

1ª dose: 2 milhões de vacinados
2ª dose: 1,2 milhão de vacinados
3ª dose (reforço): 52 mil vacinados
Bairros com maior número de casos confirmados:

Pituba (7.752 desde o início da pandemia)
Pernambués (6.750)
Brotas (6.480)
Itapuã (5.367)
Fazenda Grande do Retiro (4.570)
Liberdade (4.232)
São Marcos (4.206)
Cabula (3.959)
São Cristóvão (3.914)
Federação (3.866)

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    Bruno comentou sobre a manifestação que aconteceu no Farol da Barra nesse domingo, em favor da festa. "As manifestações são justas, legítimas. A gente compreende a angústia desse setor, afinal de contas já são quase 2 anos parados, sem ter renda, sem ter condição de garantir seu sustento, seu pão de cada dia. Estamos aguardando, dentro dos próximos dias, que a gente possa se reunir com o governador", disse o prefeito.

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    Ele reconheceu que uma festa da proporção do Carnaval de Salvador ainda não aconteceu em nenhum lugar do mundo desde o início da pandemia. "É uma decisão que não é fácil. Salvador, diferente de outras cidades do Brasil e do mundo, tem no seu Carnaval a maior festa de rua, que nenhum outro local tem, nessa dimensão. Não há nenhum exemplo prático de um evento dessa natureza que possa servir como base", disse.

    "A prefeitura sozinha não tem condições de realizar o Carnaval, por mais que seja o principal executor. Mas não há como se falar do Carnaval sem a participação do governo do Estado. Vamos ter conversa, eu e governador, sem pressão dos setores, sem agonia dos envolvidos", acrescentou.

    Bruno destacou que entende que as pessoas que trabalham e dependem do Carnaval precisam logo dessa definição. "Compreendemos a angústia das pessoas que já estão quase 2 anos sem trabalhar, muitas desesperadas, que dependem dessa renda para sobreviver e garantir o sustento. Mas como sempre colocando a vida em primeiro lugar e com a responsabilidade que essa decisão exige. Eu e o governador iremos sentar e analisar todo cenário e tomar a melhor decisão, pensando na vida das pessoas e compreendendo a importância do Carnaval para toda economia da nossa cidade", acrescentou.

    Apesar de não haver uma data marcada para a conversa, ela deve acontecer em novembro, que é visto como o mês-chave para a definição. "O que digo: Carnaval a prefeitura tem expertise, pode organizar a festa em 30 dias. Mas os diversos atores que participam do Carnaval, não. Eles colocam que se não houver essa decisão no mês de novembro, eles não têm como participar do Carnaval. Fatalmente dentro desse prazos vamos estar conversando para tomar uma decisão, a mais acertada", disse.

    Bruno classificou de "natural" a tentativa de uma comissão da Câmara de Vereadores de conseguir uma resposta sobre o tema, afirmando que o local recebe demandas de vários setores envolvidos. "A Câmara está vendo a angústia dessas pessoas e naturalmente têm dito claramente que para poder ter tempo para produzir e comercializar seus produtos, essa decisão precisa sair o quanto antes. E cabe tanto à prefeitura e governo avaliar todos os fatores, mas levando em consideração que estamos na pandemia, fizemos esforço grande para chegar até aqui. Sempre colocamos a vida em primeiro lugar. Investimos muito para evitar um colapso na cidade, para avançar na vacinação", ressaltou.

    Ele finalizou repetindo que é uma decisão que tem que ser tomada em conjunto. "O que tenho defendido é que vamos ter que estabelecer critérios, e se for possível cumprir esses critérios, realizar o Carnaval".

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