Sexta-feira, 19th Julho 2019
2:32:13pm
Visitada por Mick Jagger e Janis Joplin, aldeia hippie de Arembepe faz 50 anos e mantém viva a filosofia da paz e amo

Visitada por Mick Jagger e Janis Joplin, aldeia hippie de Arembepe faz 50 anos e mantém viva a filosofia da paz e amo

"Eu tenho que comemorar isso: que eu ainda estou vivendo essa filosofia de paz e amor". As palavras são de Maurício, um dos moradores que fazem parte da aldeia hippie de Arembepe, localidade que pertence à cidade de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, e que resiste aos tempos modernos, mantendo acesa a chama da paz e amor.

O reduto fica a cerca de 50 quilômetros do Aeroporto Internacional de Salvador, em uma imensa área cercada por dunas e cheia de coqueiros, margeada de um lado pela praia e do outro pelo rio Capivara. Entre os anos 60 e 70, foi frequentada pelos maiores "doidões" que cambaleavam pelo planeta Terra, de Mick Jagger a Janis Joplin, passando por Roman Polanski, Jack Nicholson, Novos Baianos, Gil, Caetano, Rita Lee e outros.

A data exata da fundação da aldeia é um mistério, entretanto, oficialmente, a prefeitura da cidade celebrou os 50 anos do local neste ano. No dia 30 de março, um show foi realizado em Arembepe, com apresentações dos Novos Baianos, Saulo e outros artistas.

As décadas passaram, o milênio virou e a badalação na aldeia terminou, contudo, meio século após os primeiros hippies chegarem ao local, cerca de 30 a 40 pessoas ainda vivem na aldeia, mantendo vivo o espírito de paz, amor, liberdade e harmonia com a natureza.

Em maioria, são artesãos, músicos, escritores e artistas diversos, que têm no local o paraíso que não encontram nos centro das metrópoles.

Um deles é Maurício [por lá, os moradores se conhecem pelo apelido ou primeiro nome. Esqueça sobrenomes], artesão que há 30 anos escolheu a aldeia hippie de Arembepe como lar.

"É só você olhar em volta. O que me faz ficar e amar tanto esse lugar está em volta da gente. A natureza, a paz... Isso é que me faz ficar no lugar há 30 anos", afirma.

Isso não quer dizer que os moradores vivam grudados à aldeia. Pelo contrário, muitos colocam a mochila nas costas e saem Brasil afora, trabalhando para conseguir a próxima refeição ou a carona que vai levá-los à próxima cidade. Mas, no final da jornada, todos voltam para casa.

Por falar em casa, a aldeia possui algumas espalhadas pelo enorme terreno. São espécies de bangalôs, com algumas garrafas de vidro no lugar dos tijolos, enquanto outras são feitas de madeira, barro ou palha. Quem chega no local pode alugar barracas disponíveis em algumas das casas, e quem não tem como pagar em dinheiro, paga em trabalho.

A aldeia já possui água encanada e energia elétrica, entretanto não é todo dia que o abastecimento está regular. Por isso, eletrodomésticos são quase inexistentes, e todo o serviço que precisa ser feito, de construção de casas até a manutenção da rede elétrica, é realizado pelos próprios moradores.

Origem

Não há um consenso de quando o primeiro hippie chegou ou quando a aldeia foi fundada, mas no próprio local há um cartaz descrevendo a provável origem do reduto hippie em Arembepe. O texto foi retirado do livro "naquele Tempo, em Arembepe", de Beto Hoisel.

"Quando e como começou a aldeia hippie, não se sabe. Possivelmente, fins dos anos sessenta algum chincheiro curtidor chegou e resolveu ficar. Fez casinha com palha de coqueiro, e ninguém reclamou. Arrumou - ou tinha - companheira e foi ficando. Encontrou outro maluco fazedor de colares e pulseiras em Itapuã ou no Mercado Modelo, onde vez em quando ia vender seu produto, e espalhou discretamente a descoberta. Foram aparecendo outros e outras, fazendo casinhas e ficando, sem ninguém reclamar. Tudo deserto, ninguém para encher o saco, natureza limpa, a praia, o rio, o pôr-do-sol e o nascer da lua, os coqueiros fornecendo material de construção e coco à vontade a fome a sede. Arembepe logo ali, para um apoio imediato. E principalmente, ninguém. Ninguém para reclamar dos trajes ou da falta deles, ninguém para fiscalizar os comportamentos assumidos. Silêncio e paz. Lugar ideal para o amor, ao som discreto das guitarras, flautas e bongôs. Liberdade. Li-ber-da-de! estava fundado o paraíso".

Mick Jagger

Mick Jagger foi fotografado na aldeia, em 1969 — Foto: Divulgação/Arquivo pessoal

Um dos primeiros registros conhecidos da aldeia foi a visita de Mick Jagger, em 1969. O momento foi imortalizado com uma foto dele, com cerca de 25 anos de idade, tocando bongô, rodeado por crianças, na Casa do Sol Nascente.

"Normalmente, nessa Casa do Sol Nascente, todos eram pessoas ilustres. Tinham cineastas, cantores, médicos", explica Anderson, que nasceu em Arembepe e hoje desempenha o papel de uma espécie de assessor de comunicação da aldeia hippie.

"Essa Casa do Sol Nascente foi escolhida nessa parte mais recuada da aldeia, pelo fato do Rio Capivara ter uma parte mais sinuosa, e aí eles poderiam usar do direito deles de ficar nu, na paz e amor deles, recuado das lavadeiras, que já existam há séculos. Por respeito, eles escolheram a parte mais sinuosa e recuada do rio, para se banhar e fazer as coisas do sexo livre da época", explica Anderson.
Outra celebridade do rock que passou por lá foi a cantora Janis Joplin. Ela esteve em Arembepe em março de 1970, sete meses antes de morrer por overdose de heroína.

Nativos não gostavam

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No início, nativos de Arembepe não gostavam da presença dos hippies — Foto: Gabriel Gonçalves/G1 Bahia

Apesar da aldeia hoje ser parte importante de Arembepe e uma das principais atrações turísticas de Camaçari, os primeiros hippies que chegaram ao local, na década de 60, não encontraram boas vindas calorosas por parte dos nativos da localidade, que era uma vila de pescadores.

"Os hippies já vinham com pouca roupa, ou com roupas que não eram bem confeccionadas, no padrão, então os mais velhos contam que em 1966, 1967, quando os primeiros começaram a aparecer, eles diziam: 'Esconde os meninos, esconde as crianças, que os hippies chegaram'", conta Anderson.

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Rancho Janis Joplin é uma das paradas obrigatórias na aldeia hippie de Arembepe — Foto: Gabriel Gonçalves/G1 Bahia

 

Com a passagem do tempo, Anderson conta que os nativos começaram a perceber que muitos hippies eram médicos, doutores, pessoas graduadas que desistiram da correria das cidades grandes e buscavam levar uma vida mais tranquila.

"Depois de uns 10 anos, começou a haver uma troca: 'Olha, dizem que o hippie é médico, não quer perguntar, Não?'. E a necessidade fez com que os nativos usassem um pouco do privilégio - porque os hippies não eram besta. Os hippies eram doutores, eram pessoas formadas, cineastas, escritores, compositores, americanos, franceses. Então, alguns hippies curavam as crianças", diz.

A partir daí, os nativos de Arembepe e os hippies passaram a ter uma relação mais próxima. "Depois de um tempo, a gente teve a interação com os hippies e a evolução. A gente evoluiu com os hippies. Aí a comunidade começou a abraçar a aldeia, mas no início foi bem difícil", conta Anderson

Paz e amor

Os moradores que vivem na aldeia hippie compartilham uma filosofia que estava em voga nos anos 60, mas que, segundo eles, foi perdida ao longo dos anos: paz, amor, liberdade e harmonia com a natureza.

Um deles é Alceu, que está na aldeia há 35 anos e comanda no local o Rancho Janis Joplin, que é conhecido como o reduto da música no local.

"Eu vivo o movimento hippie, sou da ideologia, vivo há 60 anos. A minha ideologia é a paz, o amor, a liberdade de expressão e que a Terra seja leve", diz.

Fiel aos próprios valores, ele recusa o título de dono da terra onde mora. "Eu sou posseiro, não sou dono de terra. Até porque, quando eu nasci, a terra já existia, quando cheguei aqui, a terra já existia. Como é que eu sou dono disso?", questiona Alceu.

Quando você nasce, já nasce na terra. A terra não tem dono. A terra é mãe. A mãe é esplêndida, é um desabrochar da natureza. Na terra temos tudo: temos alimento, temos nós mesmos, as espécies malignas e benditas. A terra é que é nossa história", afirma.

Cacau é outro morador da aldeia hippie de Arembepe que não troca o local por nenhum outro lugar. Para ele, que nasceu em Itapuã, em Salvador, e é filho de pescador, a calmaria da aldeia não tem preço.

Ele trabalha como salva-vidas na praia de Arembepe e está construindo outra casa no terreno em que vive.

"Essa tranquilidade, que Salvador não tem. Minha rotina na aldeia é acordar 3h da manhã, começar a fazer abdominal, depois amanhece e eu começo a catar pedra, para fazer minha casa", relata.

O artesão Black, que mora há 28 anos na aldeia, já passou por 19 estados brasileiros, mas sempre volta para Arembepe. Segundo ele, a liberdade que ele deseja não seria possível se tivesse que levar uma vida tradicional, nas cidades.

"Eu sempre fui artesão. E artesão qualquer lugar do mundo ele vive. Aonde chegar, ele está vendendo o trabalho dele", explica.
Com o espírito livre, os moradores da aldeia seguem mantendo em prática os valores que os hippies vêm carregando ao longo do tempo. E 50 anos depois, a aldeia de Arembepe segue como uma das últimas comunidades deste tipo no Brasil, abrigando aqueles que não se conformam com a vida tradicional nas cidades e prezam pela liberdade de estar aonde quiserem.

"Você quer ter um pouco de liberdade, viajar, e é uma coisa que um pai de família não consegue. Como é que ele vai viajar, se ele trabalha? A gente trabalha para nós mesmos. Qualquer lugar vive. Se eu cismar de ir pro Amazonas amanhã, eu vou. Pro Rio de janeiro, pro Mato Grosso... É só botar na cabeça que vai; arrumar a mochila e vai", diz Black.

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  • Cidades da BA que cancelaram shows de Devinho após denúncia de agressão anunciam atrações substitutas

    Após divulgarem o cancelamento de shows do cantor Devinho Novaes no São João, depois dele ter sido acusado de agressão pela ex-namorada, as prefeituras de Camaçari, na região metropolitana de Salvador, e Alagoinhas, a 180 quilômetros da capital, anunciaram atrações substitutas, nesta segunda-feira (10).

    Em Camaçari, onde Devinho se apresentaria no dia 22 de junho durante o "Camaforró", a banda Trio Nordestino passa a compor grade da festa junina. A atração vai se apresentar no mesmo dia e no mesmo horário em que estava previsto o show do sergipano, segundo informou ao G1 a assessoria de imprensa da cidade.

    Também vão se apresentar na festa Simone e Simaria, Marcos e Belutti, Magníficos, Amado Batista, Unha Pintada, Lambassaia e Calcinha Preta.

    Alagoinhas

    Já em Alagoinhas, a banda Harmonia do Samba foi anunciada como a nova atração da festa junina. Na cidade, Devinho iria se apresentar também no dia 22 de junho. Com o cancelamento do show dele, Bell Marques, que se apresentaria no dia 23, foi colocado no dia 22 e o Harmonia vai compor a grade no dia 23.

    Também se apresentam na cidade a Orquestra Sanfônica da Bahia, Zé Ribeiro, Adelmário Coelho, Xote Mania, Zé Duarte, Xinelo Baiano, Flavio José e Luziel. A expectativa é de que mais de 50 mil pessoas participem dos festejos juninos na cidade.

    Caso Devinho

    A ex-namorada de Devinho, a modelo Aylle Santiago, fez postagens no stories do seu perfil no Instagram, na madrugada de quarta-feira (5), relatando que, durante os nove meses que conviveu com ele, foi vítima de agressão física e verbal por parte do artista, que é natural de Sergipe e ficou famoso como o 'boyzinho do arrocha' após gravar músicas como "Alô dono do bar' e 'Como a culpa é minha'.

    Por meio de notas enviadas pela sua assessoria, Devinho nega as acusações e lamenta o que chama de "pré-julgamento que estão fazendo acerca de todas as notícias que estão circulando envolvendo seu nome". Ele ainda disse que ficou triste após saber do cancelamento dos shows.

    Aylle expôs fotos e prints de conversas entre ela e Devinho e relatou que flagrou o sergipano diversas vezes com outras mulheres, dentre elas garotas de programa.

    Em uma das postagens, a modelo ainda escreveu que foi agredida após uma cirurgia. "Eu estava operada e ele rasgou minha roupa e chutou meus seios que ainda estavam com pontos", postou. Ela não informou quando e nem onde essa agressão aconteceu.

    O que diz o artista

    A assessoria do cantor Devinho Novaes divulgou duas notas sobre o caso, uma delas assinada pela assessoria jurídica do artista. Confira abaixo as notas na íntegra.

    Primeira nota (divulgada na quinta-feira, dia 6):

    "O cantor Devinho Novaes vem a público informar que repudia com veemência as recentes polêmicas envolvendo seu nome, sobretudo no que diz respeito a fatos circunscritos à sua vida pessoal.

    Devinho confia no reestabelecimento da verdade, declara que jamais adotou tais condutas e não concorda com nenhum tipo de violência.

    O artista está à disposição das autoridades e do público para o que se fizer necessário ao esclarecimento das supostas ilações recentemente ventiladas nas redes sociais e imprensa.

    ASSESSORIA JURÍDICA"

    Segunda nota (divulgada na sexta, dia 7)

    "O cantor Devinho Novaes lamenta o pré-julgamento que estão fazendo acerca de todas as notícias que estão circulando envolvendo seu nome e agradece o apoio de todos os fãs e amigos.

    Sobre os shows que foram cancelados nas cidades de Alagoinhas/BA e Camaçari/BA, o artista recebeu a notícia com tristeza, mas acredita no restabelecimento da verdade e na justiça de Deus para que todos os fatos sejam esclarecidos e solucionados o quanto antes.

    O artista reforça que repudia as acusações e que tais condutas nunca fizeram parte do seu comportamento.

    ASSESSORIA DE IMPRENSA"

    Fonte: G1/Bahia

    Cidades da BA que cancelaram shows de Devinho após denúncia de agressão anunciam atrações substitutas

  • Camaçari inaugura Central para atender a micro e pequeno empreendedor

    Agilidade no lugar da burocracia. Essa é a ideia da Central do Empreendedor, inaugurada em Camaçari nessa quinta-feira (6). O projeto da prefeitura em parceria com o Sebrae tem como objetivo facilitar e orientar o micro e pequeno empreendedor na regularização e no crescimento do negócio.

    Coordenada pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sedec) do município, a Central conta com a atuação de outras quatro pastas: Governo, Fazenda, Saúde e Desenvolvimento Urbano. “Esse não é um projeto de uma secretaria, é um projeto da prefeitura. Queremos que Camaçari seja conhecida como uma cidade que abriu os braços para o microempreendedor. Eliminar esse ranço cultural de burocracia que era uma queixa muito ouvida”, declara Waldir Freitas, titular da Sedec.

    Com a chegada da Central, quem quiser abrir uma empresa em Camaçari terá concentrado em um único local todos os órgãos necessários para realizar a formalização do negócio. “Com certeza, agora as pessoas não vão deixar de se formalizar porque vai demorar. Estamos aqui para facilitar, ajudar o empreendedor a fazer crescer seu negócio”, disse o prefeito da cidade, Antônio Elinaldo, ao inaugurar o novo espaço.

    Facilidade
    O empreendedor que procurar a Central poderá ainda contar com consultoria contábil, jurídica e facilitação para obtenção de crédito. Os serviços prestados pela Central do Empreendedor são gratuitos.

    O espaço conta com a presença do Sebrae, que, além de ter capacitado os servidores para tirarem as dúvidas da população, oferecerá cursos e capacitações gratuitas aos usuários. O gerente regional da instituição, Rogério Teixeira, explica a importância de ter um negócio regularizado. “Quando o empreendedor sabe os riscos e oportunidades que tem, ele pode investir com segurança e isso só aumenta as chances do negócio dar certo. É isso que representa a Central. Orientação e segurança para o empreendedor”, explica.

    Fazer dar certo os negócios na cidade é, também, um dos objetos da Sedec, que encabeça o projeto. “Nós estamos confiando no empreendedor. Facilitando a abertura e vamos acompanhar a empresa também. Para que ela abra rápido e não feche rápido”, pontua Waldir Freitas.

    Antes do projeto, um processo de abertura de uma empresa em Camaçari poderia levar de seis meses a um ano. Com a Central, a meta é que uma empresa possa ser aberta em 30 minutos.

    Foi o caso de Ivair Oliveira, 46, que há 4 anos tem um mercadinho na orla da cidade. O empreendedor tentava há mais de um ano regularizar o negócio e obter o alvará de funcionamento, mas o processo estava emperrado. Na Central, Ivair conseguiu resolver todas as pendências e teve seu alvará assinado antes mesmo de completar 30 minutos de atendimento. O primeiro lavrado no espaço. “É muito positiva a ideia. Veio pra facilitar a vida do empresário e com parceiros como o Sebrae vai trazer mais oportunidade pros microempreendedores”, disse, ao comentar a experiência.

    Assim como o mercadinho de Ivair, segundo a prefeitura de Camaçari, outros 2.800 empresas têm pendências em seus processos de regularização. Apenas no primeiro dia de funcionamento, cerca de 600 já estão aptas a finalizar os trâmites, caso procurem a Central. A meta é que no final da primeira semana de trabalho, o número suba para 1.400 empreendimentos.

    MEI
    Aqueles que querem dar os primeiros passos na formalização de um negócio também podem pedir ajuda ao novo espaço da prefeitura. Com 11 mil microempreendedores individuais (MEI), a meta do município é, em pouco tempo, triplicar o número

    Uma das novas microempreendedoras, que formalizou seu MEI no primeiro dia de Central, foi Ariane Nascimento, 27, que começou no início deste ano, em casa, um negócio com produtos de limpeza caseiros. Nos primeiros meses do negócio, a empreendedora consegue um lucro mensal de R$ 1 mil. “Agora resolvi formalizar. Se não tivesse um local centralizado, ia passar muito tempo até poder oficializar. Ter que bater de porta em porta em vários órgãos. Assim é muito mais fácil”, comentou. Com o MEI já regular, a ideia de Ariane é abrir uma loja física e triplicar o lucro do negócio. “Regularizados a gente até contribui para a economia da cidade”, opina Igor Oliveira, 31, que foi acompanhar a esposa Ariane na visita à Central.

    Assim como ela, quem poderá utilizar os serviços do novo órgão para estar cada vez mais profissional são os artesãos. Em um levantamento da Sedec, foram cadastrados 350 pessoas que trabalham com artesanato na cidade. Eles são um dos públicos-alvos da iniciativa e eram maioria na plateia das palestras que antecederam a inauguração da sala durante a tarde. “A Central aponta um novo olhar para o trabalho dos artesãos, que vão aprender como gerir seus negócios, se profissionalizar, sem deixar de ser artesão”, acredita Sineide Lopes, coordenadora de economia solidária da Sedec.

    Fonte: Correio24horas

  • Camaçari: Autoescola é condenada a indenizar família por morte de aluna em aula

    A família de uma jovem que morreu em um acidente de moto será indenizada em R$ 200 mil por uma autoescola de Camaçari. O acidente aconteceu em maio de 2015. Ela fazia aula prática de motocicleta próximo ao Espaço 2000, em um local onde iniciantes costumavam treinar. A vítima acelerou demais a moto, invadiu a pista principal da Avenida Jorge Amado e foi atingida por um carro modelo Fiat Strada. Ela chegou a ser resgatada com vida, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu no Hospital Geral do Estado.

    A família da aluna, na ação, afirma que a culpa do acidente é da autoescola, e indica que houve “negligência, imprudência ou imperícia”. A família disse o local para as aulas não era próprio para o ensino automobilístico. Além de indenização por danos morais, pediu reparação material de R$ 1,2 mil pelo serviço da autoescola, além de R$ 2,5 mil por despesas funerárias. O centro de formação de condutores, em sua defesa, afirma que no local sempre foi permitido ministrar aulas, tanto que outras instituições de ensino também levavam alunos para praticar a direção no Espaço 2000. Ainda alegou que não poderia ser culpada pelo acidente.

    De acordo com a juíza Marina Rodamilans, da 1ª Vara de Relações Comerciais e Cíveis de Camaçari, a vítima e o centro de formação de condutores possuíam vínculo contratual de serviços, o que presume sua responsabilidade sobre os fatos. A magistrada requereu da autoescola uma comprovação de que estava autorizada pelos órgãos públicos competentes para ministrar aulas no Espaço 2000, entretanto a empresa não cumpriu a ordem no prazo previsto. A juíza assinala que o Código Brasileiro de Trânsito só permite a ministração de aulas práticas em locais autorizados por órgãos de trânsito, mas constatou que a autoescola não detinha tal autorização. “Portanto, entendo que a parte ré coloca-se em risco ao ministrar suas aulas em local não permitido, agindo de forma negligente no que tange a inobservância do dever previsto na lei”, escreveu a juíza na sentença. Desta forma, a autoescola foi condenada a indenizar a família da vítima em R$ 200 mil, além dos danos materiais.

    A empresa recorreu da decisão. O caso foi relatado pela desembargadora Lígia Ramos, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). No acórdão, a relatora afirma que, ainda que a autoescola tivesse autorização para ministrar aulas no local, sua culpa não poderia ser afastada, pois o acidente aconteceu durante a prestação de um serviço para a vítima. Ademais, salientou que também ficou configurada culpa do centro de formação de condutores por “negligência e imprudência”, ao deixar de observar os “cuidados exigidos ao ministrar aulas”, e apontou que a empresa não detinha alvará de funcionamento pelo Município. A relatora refutou que a culpa do acidente foi exclusiva da vítima. Para Lígia Ramos, a reparação por dano moral é devida “face à dor e constrangimentos sofridos pelos autores” com a morte da filha. Ela manteve o valor da indenização de R$ 200 mil por entender que repara a dor da família, além de ser uma forma de “coibir a reiteração da prática danosa” por parte da empresa.

    Fonte: Bahia Notícias

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