Sábado, 5 de Dezembro 2020
2:20:37pm
6 em cada 10 empresas baianas fecham antes dos cinco anos, diz IBGE

6 em cada 10 empresas baianas fecham antes dos cinco anos, diz IBGE

Abrir o próprio negócio pode ser o sonho de muitos, mas para vários baianos tem sido quase um pesadelo. É que, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 6 em cada 10 empresas no estado fecham as portas antes de completar cinco anos. Quando o tempo de vida aumenta para pelo menos uma década, o número de empresas sobreviventes cai para 2 em cada 10.

O cenário levanta o questionamento: o que leva as empresas baianas a terem uma vida tão curta?

Quem trabalha com o empreendedorismo explica que são muitas razões que podem influenciar. “Existe uma conjunção de fatores internos que não são controlados, como é o caso da própria pandemia, que demanda uma ação diferente para que a empresa não feche. Neste momento, o que contou muito para a empresa não fechar foi a capacidade de reação rápida às mudanças do mercado e do comportamento do consumidor”, opina o analista do Sebrae, Wagner Gomes.

A pandemia foi justamente a razão de Breno Marques fechar o estúdio de crossfit, oito meses após ter inaugurado em setembro de 2019. “Quando veio a pandemia, foi difícil se adaptar. As despesas foram ficando maiores que a receita e pra não se endividar muito decidimos fechar”, conta ele.

Agonia da pandemia
Também por causa da pandemia, o empresário Felipe Muñoz fechou a filial da sua barbearia: “A unidade do Rio Vermelho era dentro de um shopping de rua, que não foi nada solidário no momento de negociar o aluguel e o condomínio”. Com todo o foco na matriz, foi possível virar o jogo. “Na unidade da Pituba, a gente conseguiu 100% de desconto no aluguel, negociamos com cada fornecedor, conseguimos um empréstimo, foi possível reformar e crescer”, diz Muñoz, que tem o negócio há cinco anos.

As dificuldades dos empreendedores baianos, no entanto, são bem anteriores às mudanças provocadas pelo coronavírus. Os dados divulgados pelo IBGE nesta quinta-feira, na pesquisa Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, dizem respeito ao ano de 2018. Segundo o órgão, das 31.747 empresas locais que começaram a funcionar na época, na Bahia: 21,7% encerraram suas atividades antes de completar um ano; 57,1% fecharam as portas antes de cinco anos; e só 21,7% ainda estavam em atividade.

O estudo aponta, ainda, que em 2018, a Bahia teve o menor número de empresas entrando em atividade dos últimos dez anos, com um total de 35.718. Com mais estabelecimentos fechando do que abrindo, o setor empresarial baiano encolheu 3,0% e atingiu seu menor tamanho desde 2009, com 218.841 unidades ativas. O percentual de empresas que sobreviveram na Bahia ficou entre os 10 mais baixos do país, e é menor do que a média do país e da região Nordeste.

Para Wagner Gomes, fatores que podem acabar gerando a vida curta das empresas pode envolver falta de planejamento, dificuldade de lidar com a parte financeira do negócio, e até falta de identificação do empreendedor com aquilo que escolheu gerir. “Não dá para querer administrar à distância e só querer ver o dinheiro chegar. O empreendedor precisa estar dentro do negócio”, afirma.

No caso da empresária Gabriela Naves a identificação era forte e a dificuldade veio na falta de estudo prévio: “Comecei a fazer os doces fit para vender para amigos e quando vi já tinha comprado fogão e virado uma empresa. Mas não soube como fazer para manter o negócio viável e com qualidade”. O consultor de negócios alerta que só se identificar com um segmento não é suficiente: “Se a empresa não está organizada as coisas ficam muito mais complexas”.

Lado positivo
Apesar do cenário de redução no número de empresas existem também as estatísticas positivas. É recorde na Bahia o número de empresas que alcançaram o chamado alto crescimento, aquelas que mostram um aumento médio do pessoal ocupado assalariado de pelo menos 20% ao ano por um período de três anos seguidos e que tinham 10 ou mais trabalhadores assalariados no primeiro ano de observação.

O total de empresas de alto crescimento no estado subiu, de 2017 para 2018, 17,6%, passando de 1.980 para 2.328, o que representou incremento de 348 unidades locais dessa categoria. Quando se consideram apenas as empresas que nasceram em 2018, a Bahia teve uma taxa de 12,6%, o que significa que 27.583 empresas começaram a funcionar. O crescimento em relação ao ano anterior foi de 12,1%. Dentre as atividades econômicas, o segmento de saúde humana e serviços sociais teve a maior taxa de natalidade, em 2018: 18,2%, o que representou 2.598 empresas a mais.

Sebrae
Cumprindo com o seu propósito, o Sebrae atende às Micro e Pequenas Empresas para que elas não integrem a lista das companhias que fecharam as portas antes de completar 5 anos. Segundo Wagner Gomes, a entidade oferece atendimento com orientações empresariais, promove eventos, capacitações, entre outros. “Realizamos eventos por segmento e gerais. Temos atendimentos individuais e coletivos. Ainda promovemos capacitações, como seminários, palestras, cursos”, cita o analista técnico.

No Sebrae, os empresários também podem receber consultorias pagas em áreas. No começo da pandemia, as consultorias que tratam os aspectos digitais do negócio foram ofertadas de forma gratuita. Gomes pontua que os atendimentos realizados pela entidade foram intensificados com o coronavírus.

“A pandemia arrochou mais as empresas, tivemos entregas mais intensas. As consultorias digitais gratuitas foram voltadas para preparar os nossos clientes para a parte logística, para fazer negócios à distância, para digitalizar o formato de entrega, para lidar com as redes sociais, criar site”, afirma Gomes.

Ainda foram realizadas lives e reuniões com empresários para auxiliar as empresas durante a pandemia. “Fizemos um grande volume de eventos e atendimentos digitais. Muitas das ações foram para as empresas conseguirem ter um respiro durante esse período pandêmico. Também auxiliamos com a aplicação nas novas leis, como a da redução da carga horária”, pontua.

Oito dicas para o seu negócio não entrar na estatística

1 - Planeje para poder mudar: Quando uma empresa nasce planejada tem uma estrutura montada, pensada, e vai conseguir fazer as mudanças necessárias no percurso, tomar novos direcionamentos se necessário. Se a empresa não está organizada as coisas ficam muito mais complexas

2- Acompanhe as mudanças: Esteja atento ao que acontece no mercado e ao comportamento do consumidor para que o seu negócio consiga acompanhar as mudanças e seguir trazendo novidades para os seus clientes

3 - Estude o mercado: Antes de começar entenda o mercado para aquele negócio que você está querendo abrir. Qual a demanda? Ele existe? A demanda precisa vir dos clientes e se ela ainda não existir você precisa planejar e traçar estratégias para fazer surgir a necessidade no mercado

4 - Cuidado com a saturação: Na hora de escolher o negócio a investir perceba se o mercado já não está saturado e se ainda há espaço para mais uma empresa daquele tipo. Isso interfere também na escolha da localização do seu negócio. Você pode acabar decidindo por um negócio complementar ao primeiro onde o mercado ainda não esteja cheio.

5 - O olho do dono engorda o peixe: Não dá para querer administrar a distância e só querer ver o dinheiro chegar. O empreendedor precisa estar dentro do negócio, precisa se dedicar, estudar, dividir o tempo entre a operação do negócio que vai fazer com que ele consiga operar bem o negócio e perceber os resultados.

6 - Identifique-se com o que faz: O empreendedor precisa se identificar com o trabalho.Muitas vezes a pessoa quer abrir um negócio porque ouviu falar que determinada atividade rende bem financeiramente, mas se a pessoa não se identifica com aquilo é difícil manter

7 - Ouça as críticas: Não seja uma vítima da sua própria ideia e pense que só você sabe do negócio. Ouça os clientes suas sugestões e principalmente críticas para que seu negócio consiga sempre se aprimorar

8 - Esteja nas redes de forma humana: Redes sociais não são sites e uma empresa é feita de pessoas. Esteja nas redes mas crie um relacionamento humano com os seus clientes. Não use apenas para divulgar produtos e preços.

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  • 'Cira do Acarajé' morre em Salvador

    A baiana de acarajé Jaciara de Jesus, mais conhecida como Cira, morreu na madrugada desta sexta-feira (4), em Salvador. A informação foi confirmada pela presidente da Associação das Baianas de Acarajé e Mingau (Abam), Rita Santos.

    Segundo ela, a quituteira estava internada há 18 dias no Hospital São Rafael. Cira tinha problemas renais e estava fazendo hemodiálise.

    "Infelizmente perdemos mais uma estrela, de tantas que já perdemos esse ano", lamentou Rita.

    Cira é uma das baianas de aracajé mais famosas de Salvador. O seu ponto principal de vendas é no bairro de Itapuã, mas a quituteira expandiu seus negócios também montou um ponto no Largo da Mariquita, no Rio Vermelho.

    O prefeito ACM Neto lamentou a perda e ressaltou a importância da baiana para a cultura. “A Bahia perde um patrimônio, um ser humano querido e amado por todos os baianos e por todas as pessoas que visitaram Salvador nos últimos anos. Ela herdou uma tradição, todo aquele conhecimento que vem de geração em geração, e soube acrescentar o seu toque especial, tornando o seu acarajé um dos preferidos da Bahia. Neste dia de Santa Bárbara e Iansã, nós sabemos que Cira será bem-recebida por Deus. Expresso aqui os meus sentimentos. Que Deus possa confortar a todos os seus familiares e amigos”.

    Bruno Reis, prefeito eleito de Salvador, também comentou sobre a morte. "Nossa cultura e gastronomia perdem um dos maiores ícones da nossa cidade, Cira do Acarajé. Uma baiana daquelas que com seu carisma e suas delícias encantou todo mundo. Que Deus conforte a família e os amigos nesse momento de profunda dor!", escreveu nas redes sociais.

    O presidente da Fundação Gregório de Mattos, Fernando Guerreiro, também lamentou a morte de Cira. "Rainha da arte culinária da cidade, mulher de uma energia luminosa, que encantava a todos com seu talento e capacidade de trabalho. Salvador perde mais um dos seus ícones, que vai deixar saudades em todos que relaxavam ao final do dia com seus quitutes e seu sorriso", disse, em nota.

     

  • Número de casos de covid-19 na Bahia cresce 505% em novembro

    Em um mês, houve um crescimento de mais de 500% o número de registros de novos casos de covid-19 na Bahia. Segundo dados da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) no intervalo entre 02 de novembro e 02 de dezembro foram registrados 55.374 novos casos da doença. Na comparação entre o primeiro e o último dia do período, o aumento foi de 505% com registros de 533 e 3228 casos, respectivamente.

    Neste último mês, o dia com o maior número de novos casos foi o dia 28/11 que registrou 4.224 novos casos. 15 dias antes, a campanha eleitoral das eleições municipais entrava em suas últimas 24 horas provocando aglomerações por todo estado.

    Em entrevista ao CORREIO, o secretário de saúde do estado da Bahia, Fábio Vilas-Boas já reconhece que o estado chegou à segunda onda de contaminação.

    “Tecnicamente uma segunda onda acontece quando o número de novos casos é maior 50% em relação ao período anterior. Nós temos um número maior do que isso e de forma sustentada nas últimas três semanas. Nós estamos começando essa segunda onda e a expectativa é que ela seja apenas um reflexo do que aconteceu no período pré-eleitoral e que ela se extingua ao longo do próximo mês”, disse Vilas Boas.

    Para o secretário, no entanto, existem fatores que tornam esse momento ainda mais preocupante do que aquele de meses atrás, apesar dos números absolutos não superarem os de meses como junho e julho.

    “No começo da pandemia, a onda foi avançando da capital para o interior e tivemos regiões que iam evoluindo ao longo do tempo. À medida que uma região apresentava novos casos, outra ia melhorando. Nesse momento, estamos com o estado da Bahia inteiro em surto, com taxas de ocupação maiores do que 70% em todas as regiões, começando a pressionar a capital, enfrentando uma dificuldade de remanejar pacientes entre as regiões. Além disso, estamos com casos de internações não covid. No começo da pandemia tínhamos acidentes de trânsito reduzidos e agora temos um novo perfil epidemiológico que é a coexistência de causas de internação covid e não covid”, explica.

    As aglomerações causadas pelo período eleitoral somadas às diversas flexibilizações ao isolamento que foram permitidas nos últimos meses é o que, segundo especialistas, pode estar por trás do aumento grande no número de contaminações.

    “São muitos os fatores que podem estar por trás, desde as aglomerações que tem várias origens, festas, eventos, campanha eleitoral, das próprias casas das pessoas que começam a relaxar seus cuidados e fazerem encontros sociais com amigos e famílias. Nesses encontros, quando acontecem, as pessoas geralmente baixam a guarda, dificilmente um neto vai falar com uma avó usando máscara. Existe um imaginário de que em família não é preciso tomar maiores medidas”, alerta Angelo Loula, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) pesquisador e cientista de dados do Portal Geovid-19.

    Sistema de saúde
    O novo cenário, já comece a refletir inclusive numa pressão maior no sistema de saúde, gerando dentre outras ações a reabertura de leitos desativados. Segundo as autoridades, no entanto, ainda não há que se falar em colapso. “Estamos preparando a rede para absorver esse volume aumentado de casos para que ninguém fique sem atendimento. Nesse momento, estamos reabrindo leitos que foram desativados dentro da própria rede estadual. Em Salvador, já foram reabertos leitos e já foi determinada a reabertura também em cidades como Porto Seguro e Juazeiro. Ainda é cedo para falar em risco de colapso, porque existem muitos leitos que podem ser reabertos ainda, se for necessário”, diz Vilas Boas.

    Para os médicos que atuam diretamente no atendimento aos pacientes, nesse momento em que as pessoas estão com as medidas de isolamento mais flexibilizadas, a atenção aos cuidados individuais precisa ser ainda maior.

    “Além da flexibilização que está acontecendo, das pessoas estarem saindo mais, elas não têm usado máscara corretamente, nem trocando a cada duas horas, deixaram de higienizar as mãos com frequência, de manter a distância mínima e tudo isso reflete no número de casos nos hospitais.. A doença é uma roleta russa e a gente não sabe como vai reagir e sabemos que agora, depois desse tempo todo, as pessoas estão tendo questões psicológicas sérias por conta do isolamento.

  • Petrobras conclui fase de negociação em processo de venda de refinaria na BA

    A Petrobras informou que concluiu a fase de negociação com o Grupo Mubadala no âmbito do processo para desinvestimento da Refinaria Landulpho Alves (Rlam), na Bahia. Conforme prevê a Sistemática de Desinvestimos da Petrobras, o processo está, atualmente, em fase de nova rodada de propostas vinculantes.

    Nesta nova rodada a Petrobras solicitou a todos os participantes que submeteram propostas vinculantes, inclusive o Grupo Mubadala, que apresentem suas ofertas finais com base nas versões negociadas dos contratos com o Mubadala.

    A estatal espera receber essas ofertas em janeiro de 2021.

    Em relação à Refinaria Lubrificantes e Derivados do Nordeste (Lubnor) e à Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), a companhia informa que também já recebeu propostas pelos dois ativos.

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