Hotéis e pousadas da Bahia têm até 100% de ocupação no feriadão da Independência

Hotéis e pousadas da Bahia têm até 100% de ocupação no feriadão da Independência

A pousada Sobrado da Vila, em Praia do Forte, distrito de Mata de São João, teve todos os 27 apartamentos ocupados durante o feriadão da Independência. “Estamos voltando ao normal e, finalmente, conseguindo pagar as dívidas de quando a ocupação estava baixa”, diz Firmo de Azevedo, 75 anos, dono do espaço. Esse é o reflexo do momento vivido pelo turismo baiano. Depois de ser um dos mais impactados pela pandemia, o setor retoma as atividades com toda força, impulsionada pela queda dos casos de covid-19 e aceleração da vacinação.

“As pessoas estão se sentindo mais seguras, pois foram vacinadas. Tem agora uma terceira dose que começou a ser aplicada e tudo isso é esperança para os clientes, que querem sair, e para mim, que já espera um bom verão, se Deus quiser”, projeta, esperançoso, o empresário. De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Hotéis Regional Bahia (ABIH-BA), esse foi o melhor desempenho do turismo desde o Réveillon de 2021, quando o país estava nas vésperas da chegada da segunda onda de contaminações e a rede hoteleira baiana teve ocupação média de 82,5%.

“A gente teve no final do ano passado uma ocupação elevada, pois Réveillon é uma data que muita gente viaja e os índices de contaminação estavam reduzidos. Alguns projetavam até o fim da pandemia naquele momento”, diz Luciano Lopes, presidente da entidade. Segundo o mesmo, a média de ocupação nos hotéis baianos foi de 79,5% neste feriadão, chegando a atingir o pico de 90% no sábado (4).

"Temos percebido uma movimentação muito grande por ser um feriado prolongado e as pessoas, aos poucos, estão retomando a prática do turismo na medida em que a covid-19 tem sido mais controlada", conta Lopes, ressaltando que, antes de pandemia, um feriado como esse representaria uma taxa de ocupação entre 95% e 100%. Por outro lado, no ano passado, apenas 36,5% dos leitos disponíveis estavam ocupados no Sete de Setembro.

Já Silvio Pessoa, presidente da Federação Baiana de Turismo e Hospitalidade do Estado da Bahia (Fetur-BA), disse que a ocupação média do feriadão foi de 70%, com pico de 77% no sábado. “Antes da crise, a gente atingia 85% e ano passado não chegamos a 50%”, lamenta. Para o representante da categoria, essa foi uma das melhores ocupações de toda a pandemia.

“Em janeiro, auge do verão, não atingimos 50% de ocupação. Só agora os números tão começando a crescer, mas de forma lenta. Nós só recebemos turistas locais e nacionais. Os internacionais não estão vindo e, infelizmente, vão demorar para chegar”, relata. O lamento de Silvio é por causa de alguns países, como o Reino Unido, por exemplo, considerarem o Brasil como local de alto contágio da covid-19, o que desestimula o turismo internacional na Bahia.

Empresários comemoram ocupação

Localizada em Lençóis, na Chapada Diamantina, a pousada Vila Almm vive o melhor momento na pandemia. Dos 16 leitos do espaço, todos já estavam reservados para serem ocupados no Sete de Setembro desde o início de agosto. “Teve muita gente que ligou querendo reservar, mas não tinha mais espaço e tivemos que recusar”, lembra Liliane da Silva Sodré, proprietária do espaço.

“Eu estou muito feliz com essa nossa realidade, pois está voltando tudo ao normal, estamos conseguindo pagar as contas e está dando até para contratar alguém para ajudar no serviço, ou seja, ganha todo mundo com essa retomada”, aponta.

Já Andilma Cardoso, gerente do hotel Costa dos Coqueiros, localizado em Imbassaí, distrito de Mata de São João, teve as expectativas superadas nesse feriadão e também viveu o melhor momento desde o início da pandemia. A previsão era que, no domingo (5), a ocupação chegasse em 92%, mas acabou atingindo os 100%.

“Imbassaí lotou de um jeito que não tinha visto nessa pandemia. Na segunda, nossa ocupação caiu para 90% e só hoje que o povo começou a ir embora, mas de manhã ainda estavam nas praias”, relata.

Embora ainda estejamos no inverno, ela já considera que a Bahia está no Verão por causa do desempenho observado no turismo. “Eu acho que o verão começou nesse Sete de Setembro. A sensação é essa, pois o sol está forte, a cidade está cheia e, a cada final de semana, a tendência é observarmos isso”, justifica.

Rodrigo Lima, dono da pousada Charme do Dido, em Boipeba, distrito de Cairu, também atingiu os 100% de ocupação desde domingo. No entanto, lá ele afirma que isso não tem sido incomum na pandemia. “O movimento no último verão foi bom e a gente já estava sentindo que ia ser assim. Recebemos muita gente de fora da Bahia. Só agora tem pessoas de Goiás, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro”, afirma.

Hotéis em Salvador também ficaram lotados

De casa cheia e com o maior número de quartos ocupados desde o início da pandemia. É assim que esteve o Casa Di Vina Boutique Hotel durante o feriadão da independência. Localizado em Salvador, no bairro de Itapuã, o espaço teve 100% de ocupação no sábado e domingo.

"Isso é resultado da mistura da vacinação com o sol forte. As pessoas estão se sentindo mais seguras e têm procurado mais os hotéis, sobretudo para lazer”, acredita Renata Proserpio, sócia gerente do local.

Só o Dia dos Namorados, comemorado em 12 de junho, teve ocupação também de 100% no local. No entanto, o desempenho desse feriadão foi melhor por gerar mais de um dia seguido de casa cheia. “E a maioria do nosso público é de pessoas da Bahia. Só 40% é gente de estados próximos, mas nossas garagens estão cheias. Tem gente vindo de carro para fazer turismo, o que antes não era tão comum”, aponta.

No Deville Prime Salvador, também localizado em Itapuã, a ocupação atingiu os 100% nos dias mais disputados do feriadão. “Dentro da pandemia, essa é o maior índice porque temos dois dias com 100%, o que é um recorde desde a reabertura. O cenário de busca dos hotéis tem melhorado por causa dos indicadores da pandemia", informa Álvaro Garcia, gerente geral.

Expectativa alta

Não é só da Independência que viverá o trade turístico baiano em 2021. Em outubro, no dia 12, também uma terça-feira, é feriado nacional por causa das comemorações dos 304 anos da aparição de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a padroeira do país. Em novembro, no dia 2, outra terça-feira, é Dia de Finados, e no dia 15, uma segunda-feira, comemora-se a Proclamação da República, outros dois feriados nacionais que chegam antes do Natal e Réveillon.

Tudo isso deixa animado até quem não atingiu os 100% nesse feriadão. Marcos Gallani é gerente operacional do Porto Seguro Praia Resort, que teve 80% de ocupação neste feriado. A expectativa para os próximos são os 100%. “Nós já estamos nos preparando para isso, pois a quantidade de turistas aumenta gradativamente. Nosso setor tem percebido que os indicadores em queda da pandemia e o avanço da vacinação são informações que refletem positivamente na busca por reservas em nossos hotéis”, diz.

Karina Militão é gerente operacional do Hit Hotel, localizado no Porto da Barra. Ela afirma que o local teve 80% de ocupação nesse feriadão, o mesmo atingido no Dia dos Namorados.

“A expectativa está em alta, pois o verão está vindo aí. A localização do nosso espaço ajuda muito e o atendimento é maravilhoso. Já vínhamos de um agosto em que houve uma melhora e apostamos tudo para essa reta final de 2021", relata.

Para o Wish Hotel, a ocupação também foi animadora. Alejandro Vilá Geis, gerente geral do hotel, afirma que o número é resultado de um aumento progressivo das reservas no setor. "A taxa foi de 60%. Essa é, dentro da pandemia, a nossa segunda maior performance, atrás apenas do Dias dos Namorados, quando chegamos a 70%. A busca por hospedagens fica bem melhor a cada fim de semana e feriado", explica.

Outros hotéis, de um perfil diferente, não registraram tanta ocupação. O Pisa Plaza, por exemplo, que é mais voltado para eventos e negócios segundo o gerente de operações Fernando Araújo, ficou em 57% de 4 a 7 de setembro. O Grande Hotel da Barra recebeu 65% dos hóspedes que poderia. Já o Fera Palace, localizado na Rua Chile, ficou com 50% dos quartos reservados, de acordo com Tereza Pires, gerente de reservas e receitas do local.

De acordo com Luciano Lopes, da ABIH, são justamente os feriados como o de Sete de Setembro que têm dado a chance para os empresários e hotéis tentarem uma recuperação econômica depois de um período difícil. "Não é só Salvador. O litoral e interior também apresentam uma alta procura. Isso tanto no Baixo Sul, como no Litoral Norte e na região de Morro de São Paulo. Nesses locais, a média também está entre 85% e 90%. A situação tem demonstrado o aumento do interesse turístico", ressalta.

Marcos Gallani, do Porto Seguro Praia Resort, concorda com o colega e específica o impacto dessas datas para o seu hotel.

"Os feriados prolongados têm um impacto significativo na ocupação, principalmente, por causa de hóspedes que estão num raio de 700 quilômetros e aproveitam esses dias para descansar. Então, com um feriado na semana, essa rentabilidade aumenta em torno de 25% a 30%", calcula.

Para Rodrigo Lima, dono da pousada Charme do Dido, isso está acontecendo em plena pandemia devido a tendência do turismo ser realizado em locais próximos da natureza, ao ar livre e sem aglomerações, como é o caso do litoral baiano e da Chapada Diamantina. “As pessoas têm essa necessidade de viajar, de conhecer novos lugares. E, se é para fazer isso, que seja num local tranquilo e seguro”, diz.

 

Itens relacionados (por tag)

  • Comissão Bipartite se reúne sobre vacinação de adolescentes sem comorbidade

    A Comissão Intergestores Bipartite (CIB) marcou uma reunião extraordinária nesta sexta-feira (17), para tratar da vacinação de adolescentes sem comorbidade, suspensa desde a manhã dessa quinta após o recuo do Ministério da Saúde (MS), que revisou a recomendação e orientou que a imunização desse público‐alvo fosse suspensa. Duas hipóteses estão sendo levantadas como motivação: a falta de doses e a morte de uma adolescente vacinada oito dias após a aplicação da Pfizer. Nenhuma delas foi confirmada pelo ministério.

    Salvador segue com a vacinação suspensa, assim como outras cinco capitais do país, ao menos (Belém, Belo Horizonte, Maceió, Curitiba e Natal). A prefeitura informou que a estratégia seguirá com a repescagem de pessoas com 18 anos ou mais. Além disso, também segue normalmente a vacinação de gestantes e puérperas com 12 anos ou mais com o nome no site da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), bem como os jovens de 12 a 17 anos com comorbidades ou deficiência permanente previamente cadastradas. A aplicação das 2ª doses Oxford, Pfizer e Coronavac também segue normal.

    A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, órgão vinculado ao Ministério da Saúde, emitiu uma nota técnica comunicando a revisão da recomendação para imunização contra a covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades. De acordo com a nota, a vacinação deve ser restrita aos adolescentes nessa faixa etária que apresentem alguma deficiência permanente, comorbidade ou estejam privados de liberdade.

    Através das redes sociais, o secretário de saúde de Salvador, Leo Prates, questionou o motivo do Brasil não ter outros imunizantes, além da Pfizer, autorizados para esse público. “Apenas uma pergunta à Anvisa: Como o Chile tem informações para autorizar o uso da Coronavac em crianças e o Brasil não? E, segundo a imprensa internacional, com sucesso! Não precisaríamos parar a vacinação se tivéssemos com a Coronavac aprovada!”, publicou.

    Os adolescentes que estavam na expectativa para poder se vacinar contra a covid-19 vão ter que controlar a ansiedade por mais tempo. O estudante Daniel Grossi, de 15 anos, ainda não foi vacinado, mesmo já estando apto. Ele foi até um dos postos na quarta-feira (15), mas não conseguiu ser imunizado por conta das grandes filas e resolveu tentar de novo nessa quinta, na faculdade Unijorge, na Paralela. Mas a frustração aconteceu mais uma vez, dessa vez por conta da suspensão.

    “Eu estava ansioso, a fila não estava grande e andava rápido, mas, quando faltava uns 200 metros, um pessoal da vacinação veio avisar que estavam suspendendo a aplicação por conta de um jovem que morreu depois de ter recebido a vacina. Eu fiquei triste e bem confuso, mas acho que faz sentido cancelar se tem essa suspeita para poder investigar”, diz ele.

    A estudante Alice Carneiro, de 14 anos, também bateu na trave. Ela ficou apta para se vacinar no dia 15, mas tinha planejado ir até um posto somente neste sábado. “Eu já tinha marcado com a minha mãe para ir me vacinar no sábado. O meu período era durante a tarde e ela trabalha nesse horário”, explicou. Ela diz que estava ansiosa para se vacinar e que a suspensão provocou revolta. “Fui pega de surpresa com essa notícia, fiquei revoltada porque estava muito ansiosa. Alguns colegas meus já tinham se vacinado, então eu fiquei triste que não consegui”, desabafa.

    O Ministério da Saúde alegou que o risco de complicações e mortes por covid-19 nessa faixa etária é significativamente menor que em outras. Na nota, é dito que cerca de 50% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 e 70% dos óbitos por covid-19 na população de 15 a 19 anos são de indivíduos que possuem ao menos um fator de risco.

    Uma outra nota informativa emitida pelo Ministério da Saúde argumenta que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda a vacinação de adolescentes com ou sem comorbidades, que a maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela covid-19 apresentam boa evolução do quadro, que há somente um imunizante autorizado para uso nesse público no Brasil (Pfizer), que os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão definidos e que há melhora no cenário epidemiológico do país com redução da média móvel de casos e óbitos.

    Vale destacar que a OMS não fez nenhuma contraindicação. Além disso, o Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas da OMS (SAGE, na sigla em inglês) concluiu que a vacina Pfizer/BionTech é adequada para uso em pessoas com 12 anos ou mais.

    Outro problema apontado pelo Ministério da Saúde na vacinação de adolescentes foi a ocorrência, ainda que rara, de miocardite – uma inflamação no músculo do coração – em algumas pessoas depois da imunização. Mas especialistas afirmam que não há pesquisas suficientes para relacionar a maior ocorrência da doença em adolescentes e que o problema é uma das decorrências comuns da covid-19.

    Por enquanto, o ministério recomenda que o uso das vacinas da Pfizer siga a seguinte prioridade no momento: a) População gestantes, as puérperas e as lactantes, com ou sem comorbidade, independentemente da idade dos lactentes; b) População de 12 a 17 anos com deficiências permanentes; c) População de 12 a 17 anos com presença de comorbidades; d) População de 12 a 17 anos privados de liberdade. O MS informou que, desde o dia 15 de setembro, iniciou o envio de doses destinadas aos adolescentes que se encaixam nos critérios.

    A vacinação de adolescentes a partir dos 12 anos foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no dia 10 de junho. A aprovação aconteceu após a apresentação de estudos desenvolvidos pelo laboratório que indicaram a segurança e eficácia da vacina para este grupo. Os estudos foram desenvolvidos fora do Brasil e avaliados pela Anvisa. A vacina da Pfizer foi a primeira a receber o registro definitivo para vacinas covid-19 no país.

    No Brasil, 21 estados e o Distrito Federal já iniciaram a vacinação de adolescentes. No mundo, Estados Unidos e diversos países da União Europeia também estão vacinando pessoas a partir dos 12 anos. No Chile, crianças a partir de 6 anos estão sendo vacinadas com a Coronavac. Além de Salvador, outras cidades como Natal, no Rio Grande do Norte, já suspenderam a vacina após recomendação do Ministério da Saúde.

    Possível óbito relacionado à vacina da Pfizer
    A Rede CIEVS, de Vigilância, Alerta e Resposta em Emergências em Saúde Pública, informou nesta quarta-feira (15) que recebeu do CIEVS-SP um alerta a partir da “captação de um rumor do dia 14/setembro/21, em grupos de WhatsApp”, da ocorrência de um óbito envolvendo uma adolescente de 16 anos, de São Paulo, que poderia estar relacionado à vacina da Pfizer.

    A nota informa que a adolescente recebeu a primeira dose da vacina Pfizer no dia 25 de agosto, apresentando sintomas como cansaço e falta de ar no dia 26, sendo internada no dia 27 e, posteriormente, retornando para casa. A adolescente teria procurado novamente o serviço do Hospital Coração de Jesus em Santo André e sido transferida para a UTI do Hospital e Maternidade Vida's. O óbito aconteceu no dia 2 de setembro. O caso está sendo acompanhado e investigado.

    A Anvisa publicou uma nota, nesta quinta, informando que "investiga suspeita de reação adversa grave com vacina da Pfizer". Na nota, a agência afirmou que a investigação é sobre a morte de uma adolescente de 16 anos após aplicação da vacina da Pfizer e que teria sido informada do caso na quarta (15). A morte, segundo à Anvisa, aconteceu no dia 2 de setembro. O órgão, no entanto, apontou que, até o momento, "não há uma relação causal definida entre este caso e a administração da vacina". "Com os dados disponíveis até o momento, não existem evidências que subsidiem ou demandem alterações nas condições aprovadas para a vacina", acrescenta a nota.

    A agência também ressaltou que "todas as vacinas autorizadas e distribuídas no Brasil estão sendo monitoradas continuamente pela vigilância diária das notificações de suspeitas de eventos adversos". A Anvisa ainda lembrou que aprovou a utilização da vacina da Pfizer para crianças e adolescentes entre 12 e 15 anos, em 12 de junho de 2021. "Para essa aprovação, foram apresentados estudos de fase 3, dados que demonstraram sua eficácia e segurança", apontou.

    Sobre eventos cardiovasculares, a Anvisa pontuou que foram observados casos "muito raros" de miocardite e pericardite após vacinação - 16 casos para cada 1 milhão de vacinados. Com isso - e com os dados disponíveis até o momento - não existem , avalia a agência, "evidências que subsidiem ou demandem alterações da bula aprovada, destacadamente quanto à indicação de uso da vacina da Pfizer na população entre 12 e 17 anos".

    O estudante Eduardo Faria, de 15 anos, se vacinou nesta quarta-feira (15), mas também quase ficou de fora, assim como muitos colegas. “Eu fui na terça, mas não consegui nem encontrar o final da fila. Aí voltei na quarta, faltei aula, cheguei bem cedo e consegui me vacinar. Foi por pouco que não fiquei de fora com essa suspensão, fico aliviado de ter conseguido”, diz.

    Para ele, a suspensão não faz sentido. “O Ministério da Saúde não está querendo falar o real motivo. Acredito que não é a falta de doses porque em cada cidade é diferente. Aparentemente tem a ver com a suspeita do óbito, mas acho absurdo suspender sem investigar primeiro porque causa tumulto e preocupa quem já tomou a vacina. Mas eu estou tranquilo; se a Anvisa autorizou é porque é segura”, opina.

    Falta de doses
    O Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) enviou na segunda-feira, 13, ofício ao ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pedindo que, com o atraso da AstraZeneca para a segunda dose, o Programa Nacional de Imunização (PNI) suspendesse a aplicação em adolescentes sem comorbidades enquanto os grupos prioritários não forem revacinados. O documento pedia ainda que o Ministério da Saúde priorizasse a aplicação da dose de reforço da vacina contra a covid-19 em idosos acima dos 60 anos e imunossuprimidos.

    A justificativa, segundo o Conass, seria por causa das "recentes dificuldades observadas em diversas unidades da federação de disponibilidade da vacina AstraZeneca para a realização da segunda dose" e a "persistência da notificação de casos graves na população já vacinada com 60 anos ou mais".

    Desde a semana passada, alguns estados têm sofrido com o atraso na entrega de vacinas necessárias para a segunda dose e, nesta segunda-feira, 13, alguns lugares como Rio e São Paulo passaram a aplicar a Pfizer em quem precisava tomar uma segunda dose da AstraZeneca e estava com o esquema vacinal atrasado. A Pfizer é a vacina recomendada para aplicação de terceira dose e também é a única autorizada no país para aplicação em adolescentes.

    Diante dos desdobramentos da suspensão, o Conass emitiu uma nota de esclarecimento nesta quarta-feira (15), defendendo que a vacinação de todos os adolescentes é segura e necessária, mas que a prioridade deve ser para aqueles com comorbidade, deficiência permanente e vulneráveis como os privados de liberdade e em situação de rua. “Havendo quantitativo de doses suficientes para atender a estas prioridades deve imediatamente ser iniciada a vacinação dos demais adolescentes”, diz a nota.

    Vacinação em Salvador e na Bahia
    Conforme estratégia divulgada pela prefeitura de Salvador, nesta quinta-feira (16) seriam inclusos na vacinação os adolescentes de 14 anos, nascidos até 16 de setembro de 2007. A vacinação acontecia das 8h às 16h nos drive-thrus da FBDC Brotas, Parque de Exposições (Paralela) e Barradão (Canabrava), além dos pontos fixos da USF Vista Alegre, USF Teotônio Vilela II (Fazenda Coutos II), USF Fernando Filgueiras (Cabula VI), USF Vale do Matatu, FBDC Brotas, Barradão (Canabrava).

    A vacinação teria, inclusive, horário estendido, até às 19h, nos drive-thrus da Unijorge (Paralela) e Arena Fonte Nova (Nazaré), e nos pontos fixos do Clube dos Oficiais da Polícia Militar (Dendezeiros) e Unijorge (Paralela).

    A vacinação já tinha sido iniciada na capital quando a suspensão foi informada durante a manhã. De acordo com informações da TV Bahia, em uma da unidades, no bairro dos Dendezeiros, houve um princípio de confusão, mas que foi controlado momentos depois.

    Procurada, a Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab) não informou se irá recomendar a suspensão às cidades baianas, justificando que “a operacionalização da vacinação é dos municípios”.

    De acordo com dados disponibilizados pela Sesab, dos 1.227.412 casos totais de covid-19 confirmados no estado, 145.212 são de pessoas com 19 anos ou menos (11,7%). O sistema não informa os dados referentes a faixa etária específica de 18 anos ou menos. Vale ressaltar que a maior parcela dos casos (752.096) atualmente está na faixa etária entre 20 e 49 anos. Em relação aos óbitos, dos 26.689, a Bahia registrou 171 mortes por covid-19 entre pessoas com 19 anos ou menos (0,64%). A maior parcela dos óbitos acontecem na faixa etária a partir dos 50 anos (83,13%).

    Procurados pelo CORREIO, o Ministério da Saúde e a Secretaria Municipal de Saúde de Salvador (SMS) não responderam até o fechamento da reportagem.

  • Bahia tem cerca de 1,5 milhão de títulos eleitorais cancelados

    Quem não votou nem justificou a ausência por três eleições seguidas ou deixou de comparecer à revisão eleitoral no município em que vota está com o título cancelado. Na Bahia, 1.576.023 eleitores estão nessa situação. Já em relação ao eleitorado de Salvador, 258.265 documentos foram cancelados. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) lembra ao cidadão que a regularização dos títulos é imprescindível para garantir o voto em 2022.

    Para o cidadão que pretende votar nas Eleições Gerais de 2022, o prazo para regularização é 4 de maio de 2022, data em que cadastro eleitoral será fechado. Isso porque, de acordo com o artigo 77 da Constituição Federal, o 1º turno das eleições é sempre no primeiro domingo de outubro, que - em 2022 - será dia 2.

    Já o artigo 91 da Lei das Eleições (Lei 9.504/1997) estabelece que o cadastro eleitoral ficará fechado durante os 150 dias anteriores a cada pleito. A medida permite que a Justiça Eleitoral possa apurar o eleitorado apto a votar e tomar todas as providências referentes à organização dos locais de votação e produção do material necessário para o dia da eleição, entre outros preparativos.

    Conforme a legislação eleitoral, ocorrerá o cancelamento do título quando o cidadão para quem o voto é obrigatório (18 a 70 anos) deixar de votar por três eleições consecutivas - vale lembrar que cada turno de votação é considerado uma eleição - e não justificar as ausências. O eleitor que não comparecer à revisão do eleitorado (por exemplo, a revisão biométrica) no município onde possui inscrição eleitoral também fica sujeito ao cancelamento do documento.

    Consequências
    Além de impedir o exercício da democracia pelo voto, o cancelamento do título impede o eleitor de ser empossado em concursos públicos, obter passaporte, renovar matrícula em instituições de ensino oficial, obter empréstimos em estabelecimentos de crédito mantidos pelo governo, participar de concorrência pública e praticar qualquer ato para o qual se exija quitação do serviço militar ou imposto de renda, por exemplo.

    Por conta da pandemia de Covid-19, o atendimento no TRE-BA está sendo realizado, preferencialmente, de forma online. Os títulos cancelados podem ser regularizados pelo Título Net. O eleitor deve gerar uma Guia de Recolhimento (GRU) no site do TRE-BA ou do Tribunal Superior Eleitoral e pagar o valor devido no Banco do Brasil ou pelo PagTesouro, na internet, sem precisar ir ao banco.

    A validação do pagamento da multa é feita de maneira automática pelo banco de dados do Eleitoral baiano, mas é preciso ter atenção: só a quitação do débito não configura a regularização do título. O eleitor deve preencher os dados no Título Net e encaminhar a documentação exigida.

    Aqueles que não tiverem acesso à internet podem buscar o atendimento presencial, feito apenas com agendamento. O serviço pode ser marcado pelos seguintes meios: site do TRE-BA; telefone fixo (71 3373-7000) ou pela atendente virtual Maia, que faz parte do NAVE – Núcleo de Atendimento Virtual ao Eleitor.

    Os efeitos da ausência às urnas estão suspensos para os eleitores que deixaram de votar em 2020 e não apresentaram justificativa. A medida foi estabelecida pela Resolução TSE n° 23.637/2021, considerando a persistência da pandemia da Covid-19.

    A suspensão dos efeitos, nesses casos, permanecerá até o fim do plantão extraordinário previsto pela Resolução n°23.615/2020. Após a vigência da resolução (ainda sem prazo determinado), quem não justificar a ausência nas Eleições 2020 deverá pagar a multa ou requerer isenção ao juiz eleitoral, salvo na hipótese de aprovação, pelo Congresso Nacional, de anistia dos débitos correspondentes.

  • Salvador suspende vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades

    A Secretaria Municipal de Saúde decidiu suspender a vacinação em Salvador de adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidade, a partir desta quinta-feira. A decisão foi tomada após a Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, órgão vinculado ao Ministério da Saúde (MS), emitir uma nota técnica comunicando a revisão da recomendação para imunização contra a covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos sem comorbidades.

    De acordo com a nota técnica, a vacinação deve ser restrita aos adolescentes nessa faixa etária que apresentem alguma deficiência permanente, comorbidade ou estejam privados de liberdade.

    Entre os pontos apresentados pelo Ministério estão o fato da Organização Mundial de Saúde (OMS) ainda não recomendar imunização de crianças e adolescentes e de que somente um imunizante foi avaliado em ensaios clínicos randomizados (ECR) nessa faixa, deixando somente uma opção de vacina. Além disso, diz que há uma melhora no cenário da pandemia no país. "Os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos", acrescenta o texto.

    O Ministério da Saúde destaca também que o risco de complicações e mortes por covid-19 nessa faixa etária é significativamente menor que em outras, Na nota, é dito que dentro cerca de 50% dos casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) por covid-19 e 70% dos óbitos por covid-19 na população de 15 a 19 anos possuem ao menos um fator de risco.

    Por isso, o ministério recomenda que o uso das vacinas da Pfizer, única aprovada para menores de idade no país, sigam a seguinte prioridade no momento:

    a) População gestantes, as puérperas e as lactantes, com ou sem comorbidade,
    independentemente da idade dos lactentes;
    b) População de 12 a 17 anos com deficiências permanentes;
    c) População de 12 a 17 anos com presença de comorbidades;
    d) População de 12 a 17 anos privados de liberdade;

    Em nota, a SMS informou que seguindo esta recomendação, a Prefeitura de Salvador suspendeu imediatamente a vacinação de adolescentes fora dos critérios estabelecidos, a partir de hoje (16).

    Com isso, apenas o público dentro deste perfil continua a receber o imunizante na capital baiana. A aplicação hoje é realizada nos drives-thru situados no 5º Centro de Saúde (Barris) e Atakadão Atakarejo (Fazenda Coutos), além dos pontos fixos no 5º Centro de Saúde (Barris), UBS Virgílio de Carvalho (Bonfim), USF Cajazeiras V e USF Vila Matos (Rio Vermelho).

    A Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19 do, subsidiada pela Câmara Técnica Assessora de Imunização da covid-19 do MS, informou, ainda, que revisará, sempre que necessário, suas recomendações, com base em dados de segurança e na evolução das evidências científicas.

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