Bahia perde o equivalente a 2 mi de campos de futebol em vegetação

Bahia perde o equivalente a 2 mi de campos de futebol em vegetação

Imagine o desaparecimento de um patrimônio que não pode ser encontrado em qualquer outro lugar do planeta. A extinção de animais, plantas e produções que só existem em uma região. É para este cenário que o Brasil, em especial o Nordeste, caminha através do desmatamento da Caatinga, bioma exclusivamente nacional. A Bahia já perdeu territórios que somam a extensão de 2 milhões de campos de futebol. O valor traduz a maior redução de hectares das formações savânicas da Caatinga entre todos os estados, de 1985 a 2020, segundo a rede colaborativa MapBiomas.

No total, a Bahia representa 16,96% do total de área queimada entre os nove estados em que o bioma se encontra - Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e norte de Minas Gerais. De acordo com um estudo da rede, dos 10 municípios que mais perderam vegetação natural na Caatinga, oito são baianos.

O município de Campo Formoso, localizado no norte da Bahia, lidera a lista, com perda de 80 mil hectares, seguido de Serra do Ramalho, Bom Jesus da Lapa, Itaberaba, Rodelas, Macururé, Queimadas e Jeremoabo. Completam a lista Petrolina, em Pernambuco, e Jaíba, em Minas Gerais. Segundo o Ministério do Meio Ambiente (MMA), a extensão do bioma é de 844.453 km².

Em busca de esperança, pesquisadores das federais do Rio Grande do Norte, do ABC e da USP procuraram mapear áreas prioritárias de restauração da Caatinga. O estudo, desenvolvido entre 2014 e 2021, foi publicado neste ano. O foco foi buscar locais importantes para o ecossistema, tanto em termos de proteção de espécies de plantas ameaçadas de extinção, quanto para facilitar a movimentação das espécies no bioma.

Na pesquisa, 939 das bacias da Caatinga são consideradas de alta prioridade para restauração, sendo 86 de prioridade máxima. A Chapada Diamantina é uma das áreas prioritárias citadas no estudo. Para o autor sênior do estudo e professor associado do Departamento de Ecologia da UFRN, Carlos Roberto Fonseca, a região é “uma das áreas mais importantes de toda Caatinga”. Isso porque, das 350 espécies de plantas ameaçadas do bioma no Brasil, muitas se encontram no território baiano. Uma única microrregião na Chapada abriga 106 espécies ameaçadas de extinção, explica.

“Em termos de números impactantes para a Bahia, descobrimos que uma pequena bacia hidrográfica perto da Chapada Diamantina tem 106 plantas ameaçadas de extinção. E esta área deve ter toda a atenção do governo estadual”, aponta.

Segundo o professor, o Boqueirão das Onças, parque nacional situado na Bahia, é um ponto positivo, sendo “a área mais íntegra da Caatinga como um todo''. O local está em posição favorável, quando comparada aos exemplos da pesquisa, que são meio-termo entre a desertificação, estágio avançado de degradação, e o processo natural de sucessão vegetal, quando a vegetação ainda é capaz de se recuperar naturalmente.

O pesquisador José Alves Siqueira, doutor em biologia vegetal pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), concorda. “É a última grande área selvagem de todas as caatingas do Nordeste brasileiro”. “Pesquisas iniciadas em 2006 apresentam uma flora rica, com mais de 900 espécies de plantas reunidas em 120 famílias botânicas, com espécies endêmicas da Caatinga, ameaçadas de extinção e até novas espécies que serão apresentadas brevemente à comunidade científica e que já se encontram no limiar da extinção”, informou Siqueira.

A extinção é um dos efeitos do desmatamento. Caso as áreas apontadas não sejam restauradas, haverá o empobrecimento do solo e desaparecimento da Caatinga. “São plantas micro endêmicas, só ocorrem em uma pequena região, espécies únicas que a gente tem que tomar cuidado. Se não fizermos nenhuma ação, vamos ver o desaparecimento dessas espécies. Com as mudanças globais as espécies não vão conseguir se movimentar e vão estar desaparecendo”, afirma Carlos Roberto Fonseca.

As comunidades locais também são afetadas. Sobretudo, os donos de pequenas propriedades cuja plantação é a principal fonte de renda. A trabalhadora rural, Cátia Machado, de 58 anos, vive da agricultura familiar em Uibaí, norte da Bahia, e é prejudicada pelo processo de queimada que atinge seu plantio. “Eu vivo um choque. É uma situação complicada, principalmente, quando começam a colocar fogo aqui na roça da gente. Queima a mata todo e tem prejuízo porque o fogo sobe”, afirma.

O proprietário rural, Gutemberg Paiva, de 60 anos e também de Uibaí, conta que teve 40% da área destruída pelo fogo. “A situação da Caatinga na nossa região é crítica; Há muito desmatamento. As queimadas [acontecem] praticamente todos os anos e o pessoal que queima não é punido. Por volta do mês de agosto de 2020 [a propriedade] pegou fogo que queimou praticamente toda minha área. Tudo que é vegetação e ser vivo da Caatinga foram embora”, reclama.

A queimada, ato de colocar fogo em plantio como preparação do solo é feita por produtores vizinhos de Cátia. Sem controle, as chamas atingem outras produções e ainda empobrecem o solo, dificultando o processo de recomposição vegetal e se associando ao desmatamento da Caatinga.

Para Ricardo Dobrovolski, professor no Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia e doutor em Ecologia e Evolução, a recuperação também é dificultosa pois sua taxa de crescimento é lenta até mesmo pela restrição da água. “A região de Irecê, onde teve historicamente a produção de feijão, hoje é muito impactada. Produz muito pouco [porque] sofreu colapso ambiental pela forma que a agricultura foi desenvolvida”, exemplifica.

O impacto da agropecuária

O processo de degradação ambiental é histórico e acentuado desde a colonização portuguesa. No entanto, práticas ainda reverberam o costume. A exemplo do pastoreio com carga excessiva e agricultura escalonada. Segundo especialistas, a agropecuária é a principal causa do desmatamento na Caatinga. Nas últimas 3 décadas houve incremento em áreas de uso agropecuário nas áreas naturais do bioma. Ao analisar a cobertura e uso de terra da vegetação, um estudo do Mapbiomas quantificou um aumento de 1456% da área de agricultura entre 1985 e 2020

O autor sênior do estudo, Carlos Fonseca, lembra que “boa parte das áreas prioritárias de restauração [citadas na pesquisa] estão dentro de propriedades privadas", ressalta acerca da degradação presente nas terras de grandes proprietários pecuaristas.

“A agricultura é a maior responsável pela remoção da vegetação nativa. Isso é válido para todos ambientes terrestres no mundo. No Brasil por exemplo já desmatou aproximadamente 30% da vegetação nativa”, salienta Ricardo Dobrovolski.

Para Fonseca, o ideal seria o apoio e respeito dos proprietários às terras. Ambientalistas, no entanto, acreditam que este cenário só será possível com maior apoio do governo na fiscalização. Coordenador no MapBiomas Caatinga, Washignton Rocha atenta para o monitor de fiscalização de desmatamento do projeto, disponível para Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Pará e São Paulo. Através do monitoramento é possível que a sociedade civil exerça pressão nos representantes públicos.

Atuação pública

O Coordenador do grupo interdisciplinar de estudos sobre a Caatinga, Aurélio de Lacerda denuncia a falta de fiscalização governamental e desinteresse na proteção ambiental. "A Constituição de 1988 tratou dos outros biomas, como Pantanal, Cerrado, Mata Atlântica, mas não constitucionalizou a Caatinga. Já é uma irresponsabilidade das forças políticas. Falta proteção", diz.

Para entender quais atividades estão sendo feitas para cuidado com a Caatinga, a reportagem entrou em contato com o Centro de Apoio Operacional do Meio Ambiente e Urbanismo (Ceama) e as prefeituras das oito cidades com destaque negativo na região baiana - Campo Formoso, Bom Jesus da Lapa, Itaberaba, Rodelas, Macururé, Queimadas, Jeremoabo e Serra do Ramalho. Apenas a última retornou o contato.

“A Secretaria do Meio Ambiente tem projetos de recuperação de áreas degradadas na Caatinga e no alagadiço. Temos o viveiro Semeia com mudas nativas do nosso bioma. As mudas são doadas aos produtores rurais para que sejam plantadas em seus lotes. [Além disso], temos o banco de sementes no município”, diz o diretor do Meio Ambiente, José Nunes.

Iniciativas de conservação

De acordo com informações do Centro Nordestino de Informações sobre Plantas da Associação Plantas do Nordeste são 27 unidades de conservação na Bahia. Do total, 12 se encontram na depressão sertaneja meridional, 8 no complexo da Chapada Diamantina e o restante está espalhado pelo estado. Para especialistas, é preciso mais incentivos do governo federal, estadual e de cada município.

O "Recaatingamento" é um plano de manejo sustentável que visa recuperar e conservar áreas da Caatinga em dez comunidades de Juazeiro. O coordenador técnico do órgão que apoia o projeto, o Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa) Luís Almeida conta que comunidades de fundo de pasto, grupos que usufruem de áreas de forma compartilhada, passaram a ter as duas principais fontes de renda impactadas pelo desmatamento. Tanto criação de pequenos ruminantes, como produção de produtos de agrobiodiversidade, a exemplo do umbu, começaram a ser afetados pelo ciclo de chuva e solo desfavorável.

O principal desafio do projeto é promover o desenvolvimento sustentável, educando essas famílias produtoras e distanciando a realidade de grandes produtores responsáveis pelo desmatamento. De acordo com Luís, 31 áreas já foram "recatingadas" ou estão em processo. As ações são feitas em parceria com o governo estaduais, empresas privadas e órgãos internacionais

O Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema) e e Secretaria do Meio Ambiente do governo da Bahia foram contatados pela reportagem acerca das atuações ecológicas, porém, não retornaram as solicitações.

Itens relacionados (por tag)

  • Municípios baianos com maiores gastos nas festas juninas serão alvos de fiscalização

    Ações conjuntas de fiscalização e de orientação dos gestores públicos sobre gastos realizados com os festejos juninos foram debatidas pelo Ministério Público estadual e Tribunais de Contas do Estado (TCE) e dos Municípios na última segunda-feira (13). Durante a reunião, o coordenador do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Proteção à Moralidade Administrativa (Caopam), promotor de Justiça Frank Ferrari, e os presidentes do TCE e TCM, respectivamente, Marcus Presidio e Plínio Carneiro, definiram que as atividades de fiscalização terão o propósito de assegurar a melhor preservação dos recursos públicos e o cumprimento das normas orçamentárias e de responsabilidade fiscal.

    A decisão é que a fiscalização deve ser feita sem perder de vista que a preservação do interesse público inclui a priorização de medidas que privilegiem a manutenção dos festejos e de seus benefícios para a economia e o lazer, assim como atenda a legítima expectativa da comunidade na preservação de sua cultura e tradição, frisam eles.

    Os órgãos também decidiram que, para melhor eficiência do trabalho de fiscalização, as ações serão concentradas nos municípios que empreguem maior volume de seus recursos na realização das festividades, e, mais especialmente, naqueles que tiveram emergência/calamidade decretada e foram beneficiários de aportes de recursos federais e/ou estaduais de transferências decorrentes dessas situações.

    Além disso, serão foco da fiscalização os municípios que não aplicaram recursos vinculados previstos, especialmente na área da saúde, e detenham elevadas dívidas previdenciárias, entre outras. Essa fiscalização, explica o promotor de Justiça Frank Ferrari, deve ser realizada com a devida cautela, pautada pela análise de custos e benefícios com vistas à mais efetiva proteção do interesse público.

    Para ele, dentre as várias formas de abordar e tratar os problemas relacionados à defesa do patrimônio público, “não há dúvidas de que a atuação preventiva de danos ao erário e de outros ilícitos é a abordagem mais econômica, possuindo menores custos sistêmicos com potencial de produção de maiores e melhores benefícios, de modo que deve ser preferida às intervenções reativas, sobretudo aquelas de natureza repressiva e sancionatória, muito mais caras para todos e em todos os sentidos possíveis”.

    O promotor de Justiça alerta, entretanto, que a prevenção será priorizada sem prejuízo da eventual adoção de medidas mais duras em face de casos mais graves, “o que esperamos seja desnecessário”. Já o presidente do TCE, Marcus Presídio, ressaltou que as instituições estão buscando “a melhor forma de preservar o interesse público, de forma a preservar os recursos financeiros sem perder de vista os interesses econômicos e culturais legítimos da população.

    "Buscaremos, sobretudo, orientar os gestores para prevenir novas ocorrências de irregularidades no futuro, aproveitando para preparar o controle externo para nos apoiar na prevenção das situações indesejadas”, disse Presídio. Ainda segundo o MP e os Tribunais de Contas, será promovida a verificação do conteúdo das decisões que fundamentaram a realização dos eventos e os valores despendidos, com a exposição clara e detalhada dos motivos, bem como as justificativas para os dispêndios com a contratação de artistas, estruturas e outros gastos relacionados.

    O promotor de Justiça e os presidentes dos Tribunais destacam que os esforços buscarão soluções que previnam que o problema volte a ocorrer futuramente, com o estabelecimento de orientações para os gestores públicos que melhor assegurem a prevenção de danos e ilícitos para os próximos anos e garantam o estabelecimento de parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade para realização desses gastos, e com a orientação da população sobre a importância de sua participação no controle social.

    No entendimento do presidente do TCM, Plínio Carneiro, prevenção e orientação são as palavras-chave quando o assunto é a fiscalização dos recursos públicos. “Em grande parte das vezes o político não está suficientemente preparado para ser gestor. E ainda há a questão da rotatividade da gestão pública, que é um processo natural da democracia. É aí que entra o nosso papel, de orientar e capacitar os gestores para que façam o controle dos gastos de forma correta. Eu vejo esta reunião como um grande avanço, principalmente no que diz respeito à orientação aos gestores”, concluiu ele.

  • Casos de covid crescem 198% na Bahia; megaeventos juninos preocupam

    O número de casos da covid-19 voltou a crescer e a estimativa de especialistas é que o São João colabore para um novo surto da doença. Segundo as informações do mais recente boletim epidemiológico da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), divulgado nesta segunda-feira (13), houve um aumento de 198% no número de contaminações em território baiano na primeira quinzena de junho. Barreiras, Itabuna e Lauro de Freitas são os municípios do interior com o maior número de casos ativos. O quadro acontece dias antes do início das festas juninas, que têm potencial para aglomerar milhares de pessoas nas cidades com tradição na festa.

    Frederico Pasche, doutor em Saúde Coletiva, alerta que a aglomeração e contato entre indivíduos de regiões diferentes devem resultar em um surto ainda maior de 21 a 28 dias após as festas juninas. Além da contaminação, a previsão é o pressionamento do sistema de saúde.

    Essa é a maior preocupação do representante comercial Nivaldo Machado, morador de Barreiras. Ele afirma que ainda não é o momento ideal para a montagem de megaestruturas do São João promovido pela cidade.

    “Quando tem aglomeração, corre o risco de voltar o aumento de casos e superlotar as vagas nos hospitais. Prefiro ir para a roça e ficar só com a minha família do que fazer aglomeração. Muita gente ainda não está vacinada”, diz preocupado com a possibilidade de seus filhos precisarem de algum atendimento e o sistema de saúde estar sobrecarregado.

    A infectologista e consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI), Raquel Stucchi classifica o cenário como “preocupante” devido às duas novas subvariantes da cepa ômicron do coronavírus - a BA.4 e BA.5 -, cuja “transmissão é 50% maior que a ômicron inicial”. Ela também cita a baixa procura pelas doses de reforço como indicativo de um novo surto.

    “Podemos considerar uma quarta onda. Não deve ter impacto tão grande quanto tivemos nas outras ondas em relação à hospitalização e mortalidade. Todos os eventos que levam à aglomeração em ambientes fechados, com muitas pessoas sem máscara e sem vacinação em dia levam ao aumento do risco de adoecimento”, alerta.

    Para o governador Rui Costa (PT), as festas não correm risco de cancelamento (leia ao lado), apesar do aumento dos casos neste mês. Em coletiva, ontem, o gestor afirmou que o governo tem monitorado o panorama de alta, no entanto, mais três critérios são considerados: número de internamentos, vagas nas UTIs e mortes.

    Frederico Pasche discorda, pois as consequências da covid-19 a longo prazo ainda são desconhecidas mesmo para quem desenvolveu sintomas leves ou foi assintomático. “Estamos numa quarta onda [...] o vírus vai procurar corpos suscetíveis; crianças não vacinadas, jovens sem ciclo vacinal completo, idosos sem quarta dose. O vírus vai encontrar corpos para se instalar. Estamos colocando essas pessoas em risco”, alerta.

    Sabendo da potência junina no estado, especialistas orientam os governos que tenham responsabilidade sanitária e que lembrem a população sobre a possibilidade de contrair o vírus em aglomerações, orientando o uso de máscaras em espaços abertos e aglomerados. Outra recomendação é realizar a testagem durante o evento.

    “A gente tem tido uma gestão, do ponto de vista das autoridades sanitárias, muito irresponsável. Não é à toa que o Brasil é um dos grandes responsáveis pelo grande número de óbitos. Os gestores não quiseram compreender efetivamente [a covid]”, aponta Pasche.

    Em Salvador, o prefeito Bruno Reis afirma que o aumento de casos não está impactando o sistema de saúde e recomenda para quem vai festejar o São João no interior: "Tomem a vacina. Ampliamos a oferta e pedimos que todos que puderem se vacinar, principalmente, aquelas pessoas que vão para o interior, que vá com o ciclo vacinal completo", afirma.

    No interior

    Segundo a prefeitura de Barreiras, ontem ocorreu reunião do Comitê de Operações de Emergência em Saúde Pública (COE) para avaliar a necessidade de medidas preventivas. As providências, no entanto, ainda não foram divulgadas. Por enquanto, a atividade é a monitoração do quadro epidemiológico. "Na última semana tivemos 56 casos de covid e seguimos com 47 pessoas em isolamento. Até então, continuamos sem pacientes internados no município”, pontua o secretário de saúde Melchisedec Neves.

    “Deveria pedir passaporte da vacinação para quem está vacinado entrar, assim como pode ter medição da temperatura”, sugere o morador Nivaldo Machado.
    A prefeitura de Itabuna tem seguido a mesma linha de monitorar os casos graves. De acordo com a administração do município, não há internamento por covid-19 na cidade e, apesar dos números de pacientes ativos, as infecções estão brandas. No período junino, é tradição em Itabuna a festa de São Pedro, que ocorre de 30 de junho a 3 de julho. Algumas das atrações confirmadas são João Gomes, Tarcísio do Acordeon e Bel Marques. A prefeitura, porém, não respondeu quais medidas pretende tomar contra a disseminação da covid no evento.

    Já a prefeitura de Lauro de Freitas, cidade que tem 95 casos, afirmou que a população deve apresentar certificado de vacinação no ‘Arraiá de Ipitanga’, mesmo com o esquema vacinal completo. A medida tem concordância com as sugestões de moradores do município, a exemplo de Carolina Lima, 19 anos, estagiária de docência.

    “Me preocupo mais com meu desempenho no trabalho, atuo com crianças que têm a imunidade baixa normalmente e trazem esses vírus. Com isso, já fiquei doente mais de 3 vezes, com amigdalite, e precisei interromper as aulas. Além do risco de contaminar minha família, já que moro com meus pais e irmãos”, conta ela, que sugere à prefeitura que cobre a terceira dose como obrigatória para entrada nos eventos. “Não acho que se o uso da máscara for obrigatório haverá fiscalização. Então, pelo menos a terceira dose obrigatória. Além de ter pontos de álcool em gel”, diz.

    Morador de Vitória da Conquista, quarta cidade do interior com mais casos ativos, o controller de 42 anos Fábio de Jesus acredita que a festa deveria ser adiada até haver controle da proliferação. “Baseado nessa questão do aumento de [cerca de] 200%, [a prefeitura] deveria rever a comemoração. Talvez diminuir a quantidade de gente em certos locais, manter uma festa com todos os cuidados possíveis. Acho muito perigosa aglomeração nesse momento. Pior que não vai ser só aqui, também vai ser em outros lugares”, lamenta.

    A prefeitura de Vitória da Conquista não retornou o contato da reportagem para responder sobre as medidas de proteção no ‘Arraiá da Conquista’.
    Na linha contrária dos moradores, a costureira Maria da Silva, 65, vai viajar para comemorar o São João em Senhor do Bonfim. Embora a cidade não apareça na lista de 10 municípios com mais casos ativos, é esperado grande fluxo por ter uma das principais festas juninas da Bahia. “Sempre frequento o forró do jegue, tradição na cidade. No entanto, é em um clube com ambiente fechado. Esse ano não vou participar. Devo ficar na varanda da casa em que vou ficar, ela fica de frente para uma praça que sempre têm atrações”

    Vacinação

    Um total de 3,6 milhões de baianos estão com a dose de reforço anticovid em atraso, informa a Sesab. No estado, apenas 48% da população já tomou a terceira injeção, seja em dia ou com algum atraso. Enquanto isso, 2,4 milhões ainda não foram tomar a segunda dose de reforço, a quarta dose, oferecida para pessoas a partir de 50 anos, profissionais de saúde, idosos e imunossuprimidos.

    A infectologista Raquel Stucchi explica que as modificações comuns e frequentes [mutações] que acontecem com os vírus podem causar sintomas dos mais leves aos mais graves ou, ainda, tentar escapar da defesa das vacinas. “É preciso, portanto, manter uma quantidade maior de anticorpos para impedir que o vírus cause a forma mais grave da doença. Essa função é exercida pelas doses de reforço”.

    A orientação do epidemiologista Paulo Petry é completar o ciclo vacinal e manter o uso de máscaras com maior poder de filtração como a cirúrgica e PFF2. "Se as pessoas estiverem aglomeradas, ainda em locais abertos nessas festas, a transmissibilidade do vírus vai ser alta. Essas novas variantes e subvariantes da ômicron são altamente transmissíveis”, ressalta.

    Já Stucchi dá instruções para quem estiver com sintomas. “As pessoas que tiverem qualquer sintoma como dor de garganta e nariz escorrendo devem fazer o teste. Se for positivo, fique em casa, se negativo e os sintomas persistirem, devem repetir o teste em 48h. Neste período [é preciso] ficar em casa ou usar máscara N95 se tiver de sair”.

    Quem seguiu o exemplo foi o estudante de comunicação, Pedro Beno, de 22 anos. O jovem testou positivo na semana passada e cancelou os planos de viajar a Lençóis, na Chapada Diamantina, para curtir o São João. “Eu estava na dúvida de viajaria para lençóis com meu pai ou ficaria em casa com minha mãe, parece que agora só vou ter uma opção”, brinca. Vacinado, o jovem desenvolveu sintomas leves, como dor de cabeça, coriza e enxaqueca.

    Municípios com mais casos ativos na Bahia (13/06):

    Salvador - 956 casos
    Barreiras - 168 casos
    Itabuna - 132 casos
    Lauro de Freitas - 95
    Vitória da Conquista - 91
    Santo Antônio de Jesus -74
    Feira de Santana - 73
    Porto Seguro - 53
    Brumado - 51
    Canápolis - 47

  • Uso de máscara volta a ser obrigatório na Uneb e na Uefs

    O crescimento do número de casos da covid-19 no estado acendeu um alerta em duas universidades estaduais. Mesmo com o decreto estadual que liberou a obrigatoriedade do uso de máscaras no estado, tanto a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) quanto a Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) voltaram a tornar obrigatório o uso nas suas dependências.

    "Considerando o aumento de casos ativos da Covid-19 nos municípios em que a Universidade do Estado da Bahia desenvolve atividades e as orientações do Comitê de Biossegurança (Cobio) da instituição, a Reitoria da Uneb recomenda o retorno do uso de máscaras dentro de todos os ambientes administrativos e acadêmicos da instituição, nas instalações do interior do estado e da capital, visando à prevenção e ao controle epidemiológico", diz comunicado divulgado pela instituição.

    A instituição destaca ainda que a Administração Central da Uneb segue promovendo uma série de ações para o acolhimento da comunidade acadêmica e para a garantia das condições de biossegurança, em todos os campi, sempre pautada pela preservação da vida e pela confiança na ciência.

    Já a Administração Central da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs) comunicou que tornou obrigatório o uso de máscaras em espaços fechados do campus universitário e também das unidades extra campus. A medida passou a valer na última quarta-feira (8) e foi recomendada pelo Comitê Emergencial para o Enfrentamento da Crise da COVID-19 e pelo Comitê do Plano de Retomada das Atividades Presenciais. A decisão está amparada no Artigo 9ºB da Resolução Consepe 042/2022, e foi oficializada por uma portaria a ser publicada no Diário Oficial do Estado na última quarta-feira.

    "A decisão foi tomada após o crescimento do número de casos e de contaminações por covid-19, no estado da Bahia e no Brasil, e tem como princípio a manutenção de ações que visem o cuidado com a vida de quem compõe a comunidade universitária. Em tempo, a Administração Central lembra que a Instituição mantém vigilância epidemiológica constante para a detecção de qualquer caso suspeito de infecção pelo SARS-CoV-2 (vírus causador da COVID- 19) com a realização de exames, na Sala de Testagem (MT 62)", diz o comunicado da Uefs.

    A universidade orientou ainda que as pessoas sintomáticas (sinais de gripe ou resfriado) ou potencialmente em contato com transmissores, devem se ausentar das atividades rotineiras e realizar teste para COVID-19. E para aqueles que ainda não completaram o esquema vacinal, fica o alerta de fazerem o quanto antes.

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