Domingo, 29 de Novembro 2020
10:37:00am
O Jornal da Cidade

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A Bahia registrou 22 mortes e 1.919 novos casos de covid-19 (taxa de crescimento de +0,5%) em 24h, de acordo com boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) no final da tarde desta sexta-feira (27). No mesmo período, 1.649 pacientes foram considerados curados da doença (+0,4%).

Dos 394.300 casos confirmados desde o início da pandemia, 377.107 já são considerados recuperados, 8.986 encontram-se ativos.

Para fins estatísticos, a vigilância epidemiológica estadual considera um paciente recuperado após 14 dias do início dos sintomas da Covid-19. Já os casos ativos são resultado do seguinte cálculo: número de casos totais, menos os óbitos, menos os recuperados. Os cálculos são realizados de modo automático.

Os casos confirmados ocorreram em 417 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (24,84%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 100.000 habitantes foram Ibirataia (9.195,40), Aiquara (6.882,59), Itabuna (6.848,23), Madre de Deus (6.826,91), Almadina (6.789,90).

O boletim epidemiológico contabiliza ainda 794.454 casos descartados e 103.192 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17h desta sexta.

Na Bahia, 31.301 profissionais da saúde foram confirmados para covid-19.

Óbitos
O boletim epidemiológico de hoje contabiliza 22 óbitos que ocorreram em diversas datas, conforme tabela abaixo. A existência de registros tardios e/ou acúmulo de casos deve-se a sobrecarga das equipes de investigação, pois há doenças de notificação compulsória para além da covid-19.

Outro motivo é o aprofundamento das investigações epidemiológicas por parte das vigilâncias municipais e estadual a fim de evitar distorções ou equívocos, como desconsiderar a causa do óbito um traumatismo craniano ou um câncer em estágio terminal, ainda que a pessoa esteja infectada pelo coronavírus.

O número total de óbitos por Covid-19 na Bahia desde o início da pandemia é de 8.207, representando uma letalidade de 2,08%.

Perfis
Dentre os óbitos, 56,37% ocorreram no sexo masculino e 43,63% no sexo feminino. Em relação ao quesito raça e cor, 54,62% corresponderam a parda, seguidos por branca com 18,22%, preta com 14,85%, amarela com 0,72%, indígena com 0,11% e não há informação em 11,48% dos óbitos. O percentual de casos com comorbidade foi de 71,71%, com maior percentual de doenças cardíacas e crônicas (74,05%).

A base de dados completa dos casos suspeitos, descartados, confirmados e óbitos relacionados ao coronavírus está disponível em https://bi.saude.ba.gov.br/transparencia/.

Um vagão do trem do Subúrbio descarrilou na manhã desta sexta-feira (27), após sair da plataforma de Paripe, sentido Calçada.

Por meio de nota, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB),  responsável pelo transporte, informou que o trem descarrilou a 50 metros da saída da plataforma de Paripe. 

Ainda segundo a operadora, equipes foram deslocadas até o local para colocar trem no trilho e restabelecimento do tráfego, sem prazo para término do serviço. O trecho para trecho Coutos/Calçada está liberado.

Ninguém ficou ferido e o dinheiro da passagem foi devolvido aos passageiros que optaram pelo reembolso.

 

Um vagão do trem do Subúrbio descarrilou na manhã desta sexta-feira (27), após sair da plataforma de Paripe, sentido Calçada.

Por meio de nota, a Companhia de Transportes do Estado da Bahia (CTB),  responsável pelo transporte, informou que o trem descarrilou a 50 metros da saída da plataforma de Paripe. 

Ainda segundo a operadora, equipes foram deslocadas até o local para colocar trem no trilho e restabelecimento do tráfego, sem prazo para término do serviço. O trecho para trecho Coutos/Calçada está liberado.

Ninguém ficou ferido e o dinheiro da passagem foi devolvido aos passageiros que optaram pelo reembolso.

O grupo capixaba Imetame, deve investir até R$ 285 milhões na ampliação da Usina Imetame Termelétrica, no município de baiano de Camaçari. A unidade que vai produzir energia elétrica, através do gás, pretende manter os 24 empregos diretos e 60 indiretos, além de promover a geração de outros 17 postos de trabalho. A expansão consiste na instalação de nova unidade UTE Prosperidade II, que tem 37 megawatt (MW) e UTE Prosperidade III de 50MW. Somadas à capacidade instalada atual de 28 MW a termelétrica totaliza 115MW. O protocolo de intenções foi assinado pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), na quinta-feira (26).

"No começo de novembro, a Imetame Energia, empresa do grupo, responsável pela operação de toda parte de extração, tratamento e escoamento do gás, assinou protocolo de intenções conosco. A energia será produzida através do gás extraído, no qual é removido do sub-solo por método de elevação, que passa por um processo de tratamento para retirada de líquidos. O gás tratado na superfície é enviado via tubulação para Usina Termelétrica, servindo de insumo para geração de energia", explica o vice-governador João Leão, secretário de Desenvolvimento Econômico.

"A ampliação do campo de gás e da futura implantação da usina termelétrica, de forma macro, garante maior segurança ao sistema energético com mais disponibilidade de energia. E de forma local, dá oportunidade a pequenos negócios de desenvolvimento, bem como circulação e distribuição de riqueza, transformando oportunidade em prosperidade, evidenciando o município e o Estado como área produtora de gás e geradora de energia em âmbito nacional", destaca o diretor Operacional da Imetame, Giuliano Favalessa.

O prefeito ACM Neto afirmou nesta sexta-feira (27) que as testagens para covid-19 vão voltar a ser feitas nos bairros de Salvador, como estratégia de prevenção e controle da covid-19. Ele disse que nesse momento dois bairros receberão as medidas, os nomes serão divulgados até domingo (29), mas que a intenção é estender as ações para quatro regiões da cidade. Por enquanto, não haverá restrições para o comércio.

"Além das unidades básicas, além das UPAs, vamos começar a fazer novamente as testagens nos bairros, com as equipes volantes. Da mesma forma, vamos retomar o trabalho de distribuição de máscara e de higienização das ruas. Três das mais importantes ações de apoio e proteção à vida", disse.

As medidas vão entrar em vigor a partir da próxima segunda-feira (30). Antes de fazer o anúncio, ele apresentou os dados da pandemia em Salvador. Houve aumento de 21% no número de novos casos de covid-19 na capital e a taxa de ocupação dos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) está em 65%. Neto pediu a colaboração das pessoas para evitar que os números continuem crescendo.

"Nesse momento não quero nem pensar em fechar shopping, bar, restaurante, nada disso, mas esses estabelecimentos precisam cumprir as regras. No final de semana, interditamos 15 estabelecimentos. Esse trabalho vai continuar, aliás, a fiscalização será intensificada. Usar máscara, não aglomerar e respeitar os protocolos para cada atividade é o mínimo que a gente pode fazer, mas muita gente não está fazendo nem o mínimo. Depois não venham dizer que nós não avisamos", afirmou. .

Remobilização de leitos
Antes, Neto anunciou também que vai remobilizar leitos exclusivos para covid-19 e vai enviar para a Câmara Municipal um projeto de lei que permita a reativação dos leitos para que a taxa de ocupação máxima permaneça em 60%. .

Taxa de ocupação dos leitos atual:
UTI 241 de 372 - 65%
Clínicos 229 de 324 - 71%

Atualmente, Salvador tem 696 leitos clínicos e de UTI para atender pacientes com o novo coronavírus. No pico da crise, a cidade chegou a ter 1.406 acomodações. O prefeito frisou que esses leitos podem ser reativados, e que se eles ainda estivessem ativos a taxa de ocupação da UTI seria de 35% e clínico 32%.

Neto contou também que a prefeitura está elaborando um planejamento para vacinação contra covid-19, apesar de ainda não existir um imunizante aprovado. A intenção é já deixar a cidade preparada para quando a imunização estiver autorizada.

Outra novidade foi a prorrogação dos contratos Reda para profissionais de saúde. Essas contratações estavam previstas para serem encerradas em dezembro, mas serão estendidas por mais alguns meses.

Confira as medidas anunciadas pela prefeitura:
- Plano de remobilização de leitos de covid-19
- Elaboração do plano de imunização visando a logística e aplicação da vacina contra covid-19 em Salvador
- Isolar e rastrear contatos - Projeto Salvador Protege
- Renovação do reda covid-19
- Realização e acompanhamento do soroinquérito nos 12 distritos sanitários
- Acompanhamento das ações do plano de contingência
- Disponibilização da testagem domiciliar para casos específicos
- Acompanhamento das instituições de longa permanência de idosos
- Implantação de sistema tira-dúvidas (aplicativo/totem) nas unidades de saúde
- Mensagens via SMS sobre medidas de prevenção e controle do covid-19 para os casos suspeitos notificados nos sistemas Sivep Gripe e ESUS.

O prefeito ACM Neto anunciou nesta sexta-feira (27) que o Carnaval de Salvador não acontecerá em fevereiro e está, no momento, suspenso por conta da pandemia de covid-19. "Trabalhei no limite do prazo para tomada dessa decisão", afirmou Neto. "E ele pode acontecer em outro momento? Tudo vai depender da vacina", afirmou o prefeito. Ele disse que a possibilidade do Carnaval acontecer em 2021 está condicionada à existência de uma vacina acessível a todos. "Não há data nesse momento prevista. Não há prazo previsto".

Neto lembrou que sempre defendeu que caso haja a vacina disponível, os prefeitos das principais cidades com Carnaval se reúnam para escolher uma data em comum para a folia. "Agora, nem eu, nem Bruno (Reis, prefeito eleito), nem ninguém, pode estabelecer uma data. Porque essa data dependerá da vacina. Não está claro para ninguém quando vamos ter essa vacina. Quando essa vacina vai ser colocada no bracinho de todos os brasileiros. E ninguém é louco de prever o Carnaval sem a segurança de uma vacina que imunize toda população", destacou.

Ele disse que esperou até o final de novembro para saber se teríamos alguma ideia do prazo para a vacina. "Ninguém será irresponsável de marcar uma data para o Carnaval sem ter essa clareza", repetiu. "Não teremos Carnaval em fevereiro. Qualquer outra coisa é especulação, é boato".

Neto chamou de "duro golpe" para Salvador a notícia da suspensão do Carnaval. "Toda uma cadeia produtiva existe por causa dele e que funciona os 365 dias do ano e está muito comprometida", disse. "Claro que não fazer o Carnaval acaba reforçando isso. Não podemos deixar de reconhecer que todo calendário de verão de Salvador está comprometido. Não haverá festa de largo".

Também presente no evento, o prefeito eleito Bruno Reis falou do combate à pandemia em Salvador. "Em nenhum momento tivemos toque de recolher ou lockdown, sempre isolamento parcial. E desde que foi possível a retomada das atividades estamos dando todo apoio ao setor produtivo da nossa cidade", avaliou. "Aqui ninguém está falando em segunda onda, se vai chegar ou não. Mas os números estão mostrando o crescimento", disse.

Bruno lembrou também que a prefeitura sempre esteve em contato com os setores que atuam no Carnaval. "(Eles sempre diziam que) Não daria para realizar um Carnaval se não fosse com três meses de antecedência. E nós sempre dissemos que iríamos ouvi-los, como fizemos", afirmou. Ele disse estar triste com a decisão de hoje. "Comunicar uma decisão como essa não é fácil, até porque sabemos a importância do Carnaval para a economia da nossa cidade. Só teremos condições de realizar o Carnaval tendo condições sanitárias para isso".

Além disso, Bruno afirmou que tendo um calendário de vacinação, vai negociar nacionalmente em busca de uma data conjunta, como defende Neto, para realização do Carnaval.

Um projeto que institui um auxílio financeiro emergencial para os permissionários e condutores do transporte escolar será encaminhado pela prefeitura de Salvador à Câmara Municipal. A proposta é de um pagamento em parcela única de R$ 2,7 mil e foi anunciada pelo prefeito ACM Neto nesta sexta-feira (27).

"Eles têm sido muito penalizados durante toda essa pandemia", afirmou o gestor, e adiantou que já encaminhou a matéria para o presidente do Legislativo, Geraldo Júnior.

A prefeitura decidiu também estender as ações do Salvador por Todos, até dezembro. A Câmara já havia autorizado o Município a fazer os pagamentos caso achasse necessário, o que foi confirmado por ACM Neto nesta sexta-feira. O decreto possibilita a ajuda de R$ 270 e mais uma cesta básica para pessoas em condição de vulnerabilidade e para estudantes da rede municipal. Serão beneficiadas as mesmas pessoas que já estavam recebendo o auxílio.

O prefeito eleito Bruno Reis disse que assim que assumir o comando da Prefeitura vai enviar um projeto para a Câmara Municipal pedindo a prorrogação do Salvador para Todos até o mês de março.

Outro projeto de lei que será enviado pelo Município autoriza a reserva remunerada de leitos de UTI de covid-19, quando a taxa de ocupação ultrapassar 60%. "Isso vai permitir a gente trabalhar com essa reserva de leitos, sempre tendo como parâmetro a taxa de 60%", explicou Neto.

O Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), cresceu 1,9 ponto de outubro para novembro deste ano. Com o resultado, a confiança do empresário da indústria brasileira chegou a 113,1 pontos, em uma escala de zero a 200 pontos, o maior valor desde outubro de 2010 (113,6 pontos).

Doze dos 19 segmentos industriais pesquisados pela FGV tiveram registraram aumento da confiança. Quinze setores estão em nível acima de fevereiro desse ano, ou seja, do período pré-pandemia. O Índice de Situação Atual, que mede a confiança no presente, aumentou 4,5 pontos e atingiu 118,2 pontos, o maior valor desde dezembro de 2007 (118,9 pontos).

Já o Índice de Expectativas, que mede a confiança no futuro, caiu 0,7 ponto, passando para 107,9 pontos.

Um dos indicadores que se destacam na pesquisa é o nível dos estoques das empresas que subiu 12 pontos, para 126,2 pontos, o maior valor da série histórica. A parcela de empresas que avaliam os estoques como insuficientes saltou de 10,6% para 15,7%, enquanto as que avaliam os estoques como excessivos caiu de 9,6% para 8,0%.

“De maneira geral, a demanda foi considerada como forte e o indicador de estoques bateu novo recorde. Pelo lado das expectativas, houve ajuste, mas a maioria dos segmentos ainda apresenta otimismo. Apesar da queda dos indicadores de produção prevista e emprego previsto, ambos permanecem em nível elevado, sugerindo que tanto a produção como o pessoal ocupado continuariam aumentando nos próximos três meses. A boa notícia é o avanço do indicador de tendência dos negócios que, embora não tenha recuperado totalmente as perdas observadas em março e abril - mostrando que ainda há cautela por parte dos empresários -, sinaliza que o setor esteja mais otimista para o início de 2021 do que estava para 2020”, disse a economista da FGV Renata de Mello Franco.

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada ficou relativamente estável ao passar de 79,8% para 79,7%.

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 14,6% no terceiro trimestre, de acordo com os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua) divulgados nesta sexta-feira, 27, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A população desocupada atingiu 14,092 milhões no período.

O resultado ficou levemente abaixo da mediana das expectativas dos analistas consultados na pesquisa do Projeções Broadcast, de 14,8%, e dentro do intervalo de previsões, que ia de 14,3% e 16,1%.

No terceiro trimestre de 2019, a taxa de desemprego medida pela Pnad Contínua estava em 11,8%. No trimestre móvel até agosto de 2020, a taxa de desocupação estava em 14,4%.

A renda média real do trabalhador foi de R$ 2.554 no terceiro trimestre. O resultado representa alta de 8,3% em relação a igual trimestre do ano anterior.

A massa de renda real habitual paga aos ocupados somou R$ 205,3 bilhões no terceiro trimestre, queda de 4,9% ante igual período do ano anterior.

O presidente da República, Jair Bolsonaro, mentiu na quinta-feira, 26, ao negar que tenha se referido à covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, como uma "gripezinha". Bolsonaro usou a palavra pelo menos duas vezes publicamente, uma delas ao responder ao jornal O Estado de S. Paulo.

Durante live no Palácio da Alvorada na quinta, o presidente lançou um desafio, pedindo que apresentassem vídeos ou áudios em que ele tenha citado o termo. Bolsonaro fez o comentário ao citar estudo de universidades brasileiras, que sugerem risco 34% menor de internação em pacientes que praticam atividade física regularmente.

"Eu falei lá atrás que no meu caso, pelo meu passado de atleta, não generalizei, se pegasse o covid não sentiria quase nada. É o que eu falei. O pessoal da mídia, grande mídia, falando que chamei de gripezinha a questão do covid. Não existe um vídeo ou áudio meu falando dessa forma. Eu falei pelo meu estado atlético, minha vida pregressa", disse o presidente no Alvorada. "Nunca fui sedentário e disse que se o vírus um dia chegasse em mim não sentiria quase nada pelo meu passado de atleta. O pessoal foi para a gozação, falaram que eu estava menosprezando as mortes, zombando."

Diferentemente do que o presidente afirma agora, porém, ele comparou, sim, os sintomas da covid-19 a uma gripe em mais de uma ocasião.

No mês de eclosão da pandemia, em março, o presidente citou a "gripezinha", pelo menos duas vezes, ambas gravadas em vídeos oficiais do governo federal e transmitidas ao vivo. Bolsonaro tentava evitar a paralisação de atividades econômicas e minimizava os efeitos do novo coronavírus. Só em uma delas Bolsonaro refere-se às práticas desportivas que fazia no Exército. Ele se formou em Educação Física na Força Terrestre.

A primeira vez em que Bolsonaro tratou a covid-19 como "gripezinha" foi em 20 março, durante entrevista coletiva, no Palácio do Planalto. "Depois da facada não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, tá ok?", afirmou Bolsonaro, ao responder questionamento do jornal O Estado de S. Paulo sobre o motivo pelo qual não divulgava de forma transparente o laudo completo de seus exames negativos para o coronavírus (à época, o presidente apenas dizia que não havia sido infectado, o que ocorreria mais tarde).

Quatro dias mais depois, Bolsonaro voltaria a citar a "gripezinha". Usou a expressão que minimiza os riscos da doença durante pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão, em 24 de março. Na ocasião, vinculou os sintomas à sua capacidade física. "No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho, como bem disse aquele conhecido médico daquela conhecida televisão", declarou o presidente, em referência ao doutor Dráuzio Varella, da TV Globo, cuja atuação motivou disputas de narrativa política por parte de apoiadores do bolsonarismo.

No canal do jornal O Estado de S. Paulo no YouTube, há um vídeo no qual há várias citações de Bolsonaro sobre o novo coronavírus.

 

Uma menina nascida em 2019 na Bahia tem a expectativa de viver quase 10 anos a mais do que um menino nascido no mesmo ano. Isso é, pelo menos, o que foi calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística nas Tábuas de Mortalidade 2019, divulgadas nesta quinta-feira. Segundo a pesquisa, a expectativa de vida dos homens é de menos de 70 anos (69 anos e 8 meses), enquanto das mulheres é de quase 80 anos (78 anos e 10 meses). Isso significa dizer que as baianas vivem quase uma década a mais do que os baianos. É a segunda maior diferença de expectativas de vida no país, atrás de Alagoas, com 9,5 anos.

No país como um todo e em todos os estados, as mulheres têm uma esperança de vida maior do que a dos homens: 80,1 anos para elas e 73,1 anos para ele. De acordo com a geriatra do Hospital Português, Katia Guimarães, essa diferença é explicada por múltiplos fatores, como as diferenças do organismo masculino e feminino e os hábitos de cada perfil:

“O homem possui testosterona, hormônio que o faz se arriscar mais ao perigo. Além disso, o homem tem pouquíssimo estrógeno, hormônio que a mulher tem em abundância e que a protege de várias doenças”.

No entanto, Katia não sabe explicar o motivo de na Bahia essa diferença entre a expectativa de vida de homens e mulheres ser a segunda maior do país: “Seria necessário um estudo científico que pudesse identificar o que acontece no nosso estado”.

Por esse mesmo caminho pensa Washington Luiz Abreu, doutor em saúde pública e professor de medicina nas universidades UniFTC, Bahiana e Ufba. “Essa informação é complexa. Em todas as faixas etárias, os homens morrem mais que a mulheres. O que a gente já sabe que influencia essa mortalidade masculina, em geral, é a não preocupação deles com a sua saúde no quesito prevenção. A mulher utiliza mais o serviço de saúde e adoece menos”, disse o professor, alertando também que não há um estudo específico com recorte na Bahia sobre o assunto.

Questão de genética
A aposentada Valdete Conceição tem 78 anos e 9 meses, apenas um mês a menos da idade exata calculada pelo IBGE para a expectativa de vida das baianas. Ela já é viúva e se orgulha da idade atingida, mas não se contenta com isso. Dona Valdete quer viver muito mais.

“Meu marido morreu com 76 anos. Não tem ninguém da minha família que chegou a essa idade que eu estou. Minha mãe morreu com 68 e meu pai tinha uns 70. Meus irmãos são todos mais novos e eu sempre digo para eles tomarem cuidado, pois na nossa família o povo vai embora cedo. Como sou bastante religiosa, sempre digo a Deus que eu gosto dele, mas que ainda quero ficar por aqui mais uns anos”, diz ela, com um sorriso no rosto.

Valdete classifica esse modo de levar a vida como algo que a ajudou a viver por tantos anos. “Eu fumei até quase 50 anos. Também bebia, mas socialmente. E não praticava exercícios físicos. Com a idade chegando, melhorei meus hábitos. Hoje, durmo duas vezes por dia, faço questão de andar, vou para a igreja diariamente. Só não saio mais por causa da pandemia”, relata a moradora do Cabula VI e frequentadora da Paróquia Ceia do Senhor e Santo André Apóstolo.

Já o casal Luiz Marciel Fernandes, 85, e Osvaldite Boaventura Fernandes, 79, já superaram a expectativa de vida dos baianos. Luiz, inclusive, já vive 15 anos à frente da média para os homens, segundo o IBGE. “Minha família tem uma genética boa, pois minha mãe viveu até os 91 anos, a avó materna até os 103 e outro tio chegou aos 100. Tenho também quatro tios, um homem e três mulheres, que estão vivos e já superaram os 90 anos”, conta.

De fato, segundo a médica geriatra Katia Guimarães, questões genéticas são fatores que contribui na longevidade.

“Existem estudos que apontam que 25% da expectativa de vida é determinada pela genética e o restante são hábitos saudáveis”, explica.

Para viver esses hábitos saudáveis, o casal faz pilates em casa duas vezes na semana e foca em boa alimentação.

“Eu adoro viver. Gosto de fazer tudo de bom que você pensar no mundo. Adoro viajar, comprar, sair... Pena que essa pandemia obriga a gente a ficar dentro de casa, mas isso não me altera”, diz dona Osvaldite, que tem um recado para aqueles que pretendem viver muito como ela.

“Façam tudo que aparecer e façam bem, sem criar problemas em nada. Os problemas só nos levam a uma vida infeliz. Temos que entender que tudo se resolve com paciência e fé em Deus”, conclui.

Outros números
Ainda segundo o IBGE, em 2019, a esperança de vida do baino ao nascer era de 74,2 anos. Em relação a 2018, esse número representa um aumentou em cerca de 3 meses, mas é a 10ª mais baixa do país e pouco mais de 2 anos menor que a média nacional, de 76,6 anos.

Entre 1980 e 2019, a chance de uma pessoa de 60 anos chegar aos 80 na Bahia cresceu 90,8% e cerca de seis em cada 10 idosos (580 a cada mil) passaram a ter essa possibilidade de viver mais. Isso representa uma diminuição atual na mortalidade nas idades mais avançadas em comparação com a década de 1980. Isso representou uma redução média de 276 mortes por mil idosos, em 29 anos.

Foi um aumento de sobrevida proporcionalmente maior que a média nacional. No Brasil como um todo, a probabilidade de um idoso de 60 anos chegar aos 80 passou cresceu 75,6%, o que representou menos 260 mortes por mil no período.

Segundo o doutor em saúde pública Washington Luiz Abreu, esse cálculo é importante para entender o envelhecimento da população brasileira e para que sejam criadas políticas públicas para essa categoria. “Nossa população de idosos só aumenta e não estamos preparados para acolhê-los. Obrigá-los a enfrentar uma fila é um ato de violência institucional e isso é inadmissível. Ele precisa ter acesso a alimentação saudável e renda. Só reforma da previdência não resolve o problema”, apontou.

Crianças
A taxa de mortalidade infantil na Bahia, em 2019, foi estimada em 15,4 por mil, ou seja, para cada mil crianças nascidas vivas, 15,4 morreriam antes de completar 1 ano de vida. Essa taxa é bem superior à nacional, que é de 11,9 por mil. O indicador mostra, entretanto, uma tendência progressiva de redução, já que em 2018, era de 16,0 por mil.

Mesmo com a queda, a Bahia segue tendo o 9º índice mais elevado do país. Em 2019, a menor taxa de mortalidade infantil continuou sendo a do Espírito Santo (7,8 óbitos para cada mil nascidos vivos), e a maior, do Amapá (22,6 por mil).

Dos estados do Nordeste, apenas Pernambuco, com uma taxa de 11,4 mortes por mil nascidos vivos, ficou ligeiramente abaixo da média nacional. Dentre os nove estados da região, a Bahia tem a quarta maior estimativa de mortalidade infantil, menor apenas que as verificadas no Maranhão (18,6 mortes por mil nascidos vivos), Piauí (17,5 por mil) e Alagoas (16,4 por mil).

“Todos esses dados são indicadores da qualidade do nosso sistema de saúde. Quanto menor a mortalidade infantil e maior a expectativa de vida, melhor a condição daquele país. No passado, tínhamos taxas bem piores do que a atual. No entanto, ainda temos muito a avançar”, explicou o professor Washington.

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