Sábado, 25th Maio 2019
7:18:01am
PM e ex-PM são presos pelo assassinato de Marielle Franco

PM e ex-PM são presos pelo assassinato de Marielle Franco

A Delegacia de Homicídios (DH) da Capital e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) prenderam na manhã desta terça-feira o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, e o ex-PM Elcio Vieira de Queiroz, de 46 anos, por envolvimento no assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes. Na quinta-feira, os assassinatos completam um ano. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada pelo juiz substituto do 4º Tribunal do Júri Gustavo Kalil, após denúncia da promotoria. Segundo a denúncia do MP do Rio, Lessa teria atirado nas vítimas, e Elcio era quem dirigia o Cobalt prata usado na emboscada. O segundo acusado foi expulso da corporação.

Segundo a denúncia das promotoras Simone Sibilio e Leticia Emile, o crime foi "meticulosamente" planejado três meses antes. Além das prisões, a operação busca cumprir mandados de busca e apreensão nos endereços dos denunciados para apreender documentos, telefones celulares, notebooks, computadores, armas, acessórios, munições e outros objetos. Lessa e Elcio foram denunciados pelo assassinato e também pela tentativa de homicídio de Fernanda Chaves, assessora da vereadora que sobreviveu ao ataque. A ação foi batizada de Operação Buraco do Lume, em referência ao local no Centro de mesmo nome, na Rua São José, onde Marielle prestava contas à população sobre medidas tomadas em seu mandato. Ali ela desenvolvia também o projeto Lume Feminista. Os denunciados foram presos às 4h desta madrugada.

As promotoras pedem ainda a suspensão da remuneração e do porte de arma de fogo de Lessa. Também foi requerida a indenização por danos morais aos familiares das vítimas e a fixação de pensão em favor do filho menor do motorista Anderson até completar 24 anos de idade. Em certo trecho da denúncia, elas ressaltaram: “É inconteste que Marielle Francisco da Silva foi sumariamente executada em razão da atuação política na defesa das causas que defendia. A barbárie praticada na noite de 14 de março de 2018 foi um golpe ao Estado Democrático de Direito".

A polícia e o Gaeco chegaram às 4h desta terça-feira às casas dos investigados. O policial Lessa mora no condomínio de Vivendas da Barra, na Avenida Lúcio Costa, 3.100, por coincidência, o mesmo do presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL). Não há, porém, nenhuma ligação, a não ser o fato de serem vizinhos. O condomínio fica de frente para o mar, com seguranças na portaria.

pm prisao-12-03-2019

Suspeito acompanhava agenda de Marielle
A principal prova colhida pelos investigadores saiu da quebra do sigilo dos dados digitais de Ronnie Lessa. Ao verificar os arquivos acessados por ele pelo celular, antes do crime, armazenados na “nuvem” (dados que ficam guardados em servidor externo e podem ser vistos remotamente), eles descobriram que o suspeito monitorava a agenda de eventos que Marielle participava. Para a polícia, é um indício de que a vereadora estava tendo seus passos rastreados. Marielle, segundo a investigação, participou de pelo menos uma das agendas pesquisadas pelo suspeito.

Fonte: Jornal O Globo

 

 

 

 

 

 

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  • Morte de Marielle completa um ano com cobranças sobre mandante

    Há exatamente um ano, a vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, do PSOL, e seu motorista, Anderson Gomes, foram executados a tiros por volta das 21h30 na Rua Joaquim Palhares, no Estácio, centro da capital fluminense. A morte da parlamentar, defensora dos direitos humanos e de minorias, completa seu primeiro aniversário no aguardo da solução definitiva sobre o caso, que chocou o Brasil e o mundo.

    Na última semana, as investigações mostraram avanços, com a operação que prendeu o policial reformado Ronnie Lessa e o ex-PM, expulso da corporação, Elcio Vieira de Queiroz, suspeitos de serem os executores do crime. Lessa seria o autor dos disparos e Queiroz, o condutor do veículo.

    Ambos têm histórico de suspeitas e já foram investigados em outras situações por indícios de ligação com a contravenção, o tráfico de drogas e as milícias. A prisão dos dois, no entanto, parece longe de encerrar a questão e as cobranças por Justiça: familiares e aliados políticos seguem cobrando explicações. Se quem matou pode estar resolvido, agora cobra-se saber quem mandou matar Marielle.

    “É inaceitável que se demore um ano para termos alguma resposta. É um passo decisivo, mas o caso não está resolvido. É fundamental saber quem mandou matar e qual a motivação”, escreveu, em seu perfil no Twitter, o deputado federal Marcelo Freixo (PSOL-RJ), que era uma das pessoas politicamente mais próximas à ex-vereadora. Viúva de Marielle, a ativista Monica Benício foi na mesma linha: “Mais importante que a prisão de ratos mercenários é responder a questão mais urgente e necessária de todas: quem mandou matar Marielle? Espero não ter que aguardar mais um ano para saber quem foi o mandante disso tudo”.

    Fonte: Veja

  • Delegado responsável por investigação de Marielle fará intercâmbio na Itália, diz Witzel

    O governador Wilson Witzel (PSC) afirmou, na manhã desta quarta-feira (12), que o delegado Giniton Lages — responsável pelas investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes — vai deixar a função para estudar em outro país.

    O investigador não será exonerado do cargo e vai ficar quatro meses estudando no exterior, segundo o governador. “O delegado Giniton não está sendo afastado de nada”.

    Witzel disse que convidou o delegado a fazer um intercâmbio com a polícia da Itália após acumular muitas funções durante as investigações.

    “Convidei porque ele está cansado. Está esgotado. É uma investigação que teve um certo esgotamento da pessoa”, destacou o governador.
    “Estamos com varias intercâmbios para fazer. Como ele [Giniton] está com a experiência adquirida e nós estamos com o intercâmbio com a Itália exatamente para estudar máfia, movimentos criminosos, ele vai fazer essa troca de experiência com a polícia italiana. Ontem fiz o convite a ele, se ele poderia ser esse elemento de ligação”, disse Witzel.

    O governador explicou que o delegado “acumulou muita informação” até o momento, mas que ele “encerrou uma fase”. Outra autoridade policial, prosseguiu, deverá assumir a segunda fase da investigação: a possível descoberta da “suposta existência de um mandante do crime”.

    Para Witzel, não há problemas em substituir Giniton na investigação do caso já que “o conhecimento da investigação foi compartilhado com outros delegados”.

    “Não foi o Giniton que ficou trabalhando em cima das informações que foram colhidas. Ele foi aquele que direcionou. Neste momento, colocar outra pessoa que está até mentalmente mais tranquilo pra continuar é natural”

    Questionado sobre quem assumiria o lugar de Giniton, Wilson Witzel disse que não interfere em indicação de autoridades policiais na Secretaria de Polícia Civil. Sobre não ter recebido ainda a família da vereadora no Palácio, Witzel disse que foi apenas por uma “questão de agenda”.

    Prisões e busca e apreensão
    A informação foi divulgada nesta quarta-feira (13), mesmo dia em que a polícia cumpriu novos mandados de busca e apreensão na operação que investiga a morte de Marielle.

    No início da manhã, os agentes do Ministério Público e da Polícia Civil faziam buscas na casa do bombeiro Maxwell Simões Correa, conhecido como Suel, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da cidade.

    Na terça, foram presos Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz. O primeiro é apontado como o assassino da vereadora; o segundo, o motorista.

    Fonte: G1

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