Terça-feira, 27 de Outubro 2020
2:46:49am
Em Salvador, Polícia Federal prende dois suspeitos de tráfico internacional de drogas

Em Salvador, Polícia Federal prende dois suspeitos de tráfico internacional de drogas

Em operação para desarticular uma organização que utiliza o Porto de Salvador para escoar drogas para a Europa, a Polícia Federal prendeu preventivamente dois motoristas de caminhão suspeitos de tráfico internacional de entorpecentes e cumpriu cinco mandados de busca e apreensão na capital, em ação iniciada na última semana. Um terceiro mandado de prisão preventiva ainda está em aberto.

Os mandados são relacionados com a apreensão de 3 toneladas de cocaína no Porto de Salvador desde 2018. O primeiro suspeito foi preso na última quinta-feira (17), já o segundo foi detido na sexta (18). Os detidos são motoristas que transportavam a droga para o porto e serão indiciados pelos crimes de tráfico internacional de entorpecentes. O suspeito que ainda não foi encontrado cooptava novos condutores para o esquema. Nesta semana, foram realizadas as buscas e apreensões em Salvador.

As investigações são fruto de apreensões de drogas realizadas por meio de ações conjuntas de fiscalização da Polícia Federal com a Receita Federal no Porto de Salvador. Anteriormente, outros mandados de prisão preventiva e busca e apreensão foram cumpridos no âmbito da operação, que continua atuante mesmo após as últimas detenções. Segundo o órgão que trata do controle aduaneiro, já foram apreendidas mais de 6 toneladas de cocaína no porto da capital neste ano. Na Bahia, a quantidade já passa das 10 toneladas só em 2020.

“Já cumprimos outros mandados antes desses. É uma ação contínua para identificar os envolvidos e descapitalizar a organização criminosa. Não estamos focados apenas na apreensão da droga. Desejamos identificar o patrimônio, de recursos e a rede existente, dos traficantes para poder coibir o tráfico e reduzir o poder do grupo”, explica o delegado da Polícia Federal, Rodrigo Mota, que chefia a Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal na Bahia.

No Brasil, foram apreendidas 32,4 toneladas de cocaína nos portos até julho de 2020, segundo a PF. A quantidade já ultrapassou o total de 2018, que fechou o ano com 32,3 toneladas interceptadas. Em 2019, o total do entorpecente apreendido nos portos brasileiros foi de 66,8 toneladas.

Esquema
O esquema montado para enviar a cocaína para a Europa conta com o apoio de motoristas de caminhões que levam produtos de exportação para o porto. Primeiramente, relata o delegado da PF, os condutores são cooptados pela organização, em seguida, eles passam a informar o grupo sobre as cargas que serão transportadas. Com base no material e seu destino, é enviada a ordem para que a motorista desvie do seu caminho antes de chegar no porto para colocar a droga junto com o material legal de exportação. Em uma viagem, o motorista ganha entre R$ 50 mil e R$ 70 mil.

Em caso de êxito do esquema, a cocaína é enviada para a Europa, principalmente, para os portos de Roterdã, na Holanda, e Antuérpia, na Bélgica. De acordo com o auditor-fiscal Marconi Andrade, da Receita Federal, que é responsável por fiscalizar as importações e exportação portuárias, pelo menos, um navio sai semanalmente de Salvador em rota direta à Europa.

“Os navios que saem de Salvador seguem diretamente para algum porto da Europa ou do Marrocos, com cerca de 600 contêineres.Também existe a rota para a América do Norte, mas nesta não é encontrada muita droga. Enviar a cocaína pelo mar é uma forma de conseguir mandar uma grande remessa do entorpecente de uma só vez”, afirma o auditor-fiscal. Segundo ele, até hoje, não foi encontrada nenhum outro tipo de droga no porto de Salvador.


Parte da droga foi encontrada em caixas de frutas qeu seriam enviadas para a Europa (Foto: Divulgação/Polícia Federal)
Procurada, a Companhia das Docas do Estado da Bahia (Codeba) afirma investir na segurança portuária com “ações que envolvem atividades de inteligência, capacitação da Guarda Portuária, instalação de barreiras físicas e modernização do sistema de controle de acesso dos Portos administrados pela Companhia”. De acordo com a empresa, em média, 60 navios partem, mensalmente, do Porto de Salvador com destino a Europa.

A ação não é exclusividade soteropolitana, mas a capital está entre os três portos do Brasil na ocorrência de crimes do tipo, junto com o de Santos e de Paranaguá, informa o delegado da PF. O auditor-fiscal complementa que as organizações criminosas atuam em vários locais para escapar da fiscalização mais pesada.

“Quando aperta em um porto, eles migram para outro. Essa é uma atividade muito rentável. A organização criminosa não busca apenas a vulnerabilidade do porto, mas também a logística dele, como ele funciona e quais rotas atende”, explica Andrade.

Fiscalização
O trabalho de fiscalização no Porto de Salvador vem se intensificando nos últimos dois anos, garante o delegado da PF. O aumento na fiscalização permitiu que mais cocaína pudesse ser apreendida na capital, mas a maior quantidade de droga interceptada também é consequência do crescimento da atuação dos traficantes.

Em 2017, segundo a receita federal, foram interceptadas 2 toneladas da droga no Porto de Salvador, a quantidade caiu para 1,5 tonelada em 2018, subindo para 2,1 em 2019, até chegar às mais de 6 toneladas neste ano.

Mesmo com toda a fiscalização, parte da droga acaba chegando na Europa, por isso, não é possível precisar a quantidade que é exportada. A Polícia Federal e a Receita Federal mantém contato direto com os agentes fiscalizadores dos portos europeus já que parte do entorpecente é interceptada ao chegar no continente.

Tecnologia
Os órgãos possuem um esquema tecnológico para conseguir impedir o envio de drogas para o exterior por meio do porto. Segundo o auditor-fiscal, um cruzamento de dados aponta quais containers possuem maior chance de carregarem as mercadorias ilegais. As cargas suspeitas passam por uma fiscalização manual. Além disso, todos os produtos enviados para a Europa e o Marrocos passam por um scanner e toda mercadoria que entra no porto é registrada. O trabalho é árduo já que 25 mil contêineres passam pelo Porto de Salvador por mês, estima a Receita Federal.

“Temos que usar um trabalho de inteligência com o apoio da tecnologia, que é a área que mais temos investido atualmente. Com isso, buscamos conseguir achar o alvo correto nesse universo gigante de containers”, afirma Andrade.

Após a apreensão da droga, as investigação ficam apenas por parte da Polícia Federal. Todas as informações sobre a carga são compartilhadas com o órgão para que seja possível identificar os suspeitos de cometer o crime.

Rota da cocaína
O Brasil não produz a cocaína, mas é principal responsável por escoar a droga para a Europa, afinal, o uso do oceano atlântico reduz as distâncias que o entorpecente deve percorrer para chegar ao velho continente. Segundo o delegado da PF, Bolívia, Peru e Colômbia são os produtores da substância, que tem na Europa seu grande mercado consumidor.

A PF acredita que se trata de vários grupos que atuam de forma separada em prol do tráfico internacional da cocaína. Ou seja, uma organização é responsável por cada passo do processo, desde a produção da droga até a distribuição para os consumidores do outro lado do Atlântico.

Além de ser um grande mercado consumidor, o envio da cocaína para a Europa permite que a droga escoe para outros continentes, como a Ásia, ressalta o auditor-fiscal. Os Estados Unidos recebem o entorpecente por outras rotas.

Apreensões de cocaína no Porto de Salvador em 2020

31 de janeiro: uma carga de mais de 1.2 toneladas de cocaína foi apreendida em meio a uma remessa de celulose com destino ao Porto de le Havre, na França.
25 de fevereiro: foram apreendidos 650 kg da droga em uma carga de limão com destino ao Porto de Roterdam, na Holanda.
20 de abril: foram interceptados 800 kg do entorpecente em um carregamento de manga, com destino ao Porto de Roterdã.
27 de abril: uma carga de 1,13 toneladas da droga foi apreendida em meio a uma remessa de manga para o Porto de Roterdã
11 de maio: uma remessa de 550 kg de cocaína foi apreendida em uma carga de uva, com destino ao porto de Roterdã
15 de junho: um carregamento de 673 kg foi apreendido em uma carga de coquinhos secos, com parada no porto de Roterdã e destino ao Egito
14 de agosto: foram apreendidos 915 kg da droga em meio a uma carga de fumo, com destino ao Porto de Antuérpia, na Bélgica
Recentemente, um carregamento de 340 kg de cocaína foi apreendida, mas a data não foi divulgada devido às investigações do caso

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  • Suspeito de matar criança de 11 anos em Feira de Santana é encontrado morto em Salvador

    Suspeito de matar com golpes de foice o menino Kaíque Soares Queiroz, 11 anos, em Feira de Santana, Adriano Sales da Silva, 20 anos, foi encontrado morto por volta das 14h12 da última quinta-feira (22) na Travessa Rússia, em frente a escada do Depósito de Pereira, em Pernambués, segundo a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). O homem foi baleado em via pública.

    Segundo a SSP-BA, o sinal do celular que foi roubado da criança durante o crime foi rastreado em Pernambués, bairro onde o suspeito de cometer o crime foi encontrado morto.

    De acordo com a Polícia Civil, a morte do homem é investigada pela 2ª Delegacia de Homicídios (DH/Central). A autoria e motivação são apuradas. Já o latrocínio de Kaíke, que é a ocorrência de roubo seguido de morte, é investigado pelo delegado Felipe Ghirardelli.

    Adriano foi encontrado sem sinais de vida por uma viatura da Polícia Militar, informa a SSP. Em nota, a PM afirma que militares da 1ª Companhia Independente de Polícia Militar foram acionados pelo Cicom para atender a denúncia de disparos de arma de fogo por volta das 14h30 de quarta.

    “Quando chegou ao local a guarnição isolou a área e acionou o Serviço de Investigação em Local do Crime para realização de perícia e remoção do corpo”, escreve a corporação. O homem só foi identificado nesta sexta (23), pois não estava com seus documentos.

    Enterro da criança
    O corpo de Kaíque foi sepultado na quinta, em Feira de Santana. O clima era de comoção e revolta. Os pais e avós de Kaíque, muito emocionados, nem conseguiam falar. Todos pediam justiça pelo crime bárbaro.

    "Era um menino esforçado, muito querido por todos. Ajudava o avô nas tarefas do sítio, alimentando e cuidando dos bichos, e já tinha seu dinheirinho. Falava que ia juntar pra comprar uma moto e está todo mundo comovido com a morte dele", disse, ao Acorda Cidade, o fotógrafo Pedro Carlos, pai de uma prima de Kaíque.

    Outro, tio, Joseval dos Santos Paixão, afirmou que a família quer ver a justiça ser feita. "Ele não se deu por satisfeito em tomar o celular, a bicicleta e o dinheiro e tirou a vida da criança de uma forma tão cruel. Esperamos que a Justiça cumpra a parte dela. Um elemento desse que estava preso, saiu um dia desses e morava perto da casa de meus pais. Ele via todo o movimento da nossa família. Um dia ele pediu até uma carne e deram a ele. Muita malvadeza", contou, afirmando que Kaíque conhecia o suspeito.

     

  • Taxista e passageiro morrem após assalto no bairro da Calçada

    Um taxista e um passageiro morreram após serem baleados em um assalto, na região da Calçada, em Salvador, na noite de quarta-feira (21). O motorista, identificado como Carlos Eduardo de Souza Marques, de 39 anos, chegou a ser levado para a UPA de Roma, mas não resistiu. O passageiro, Wagner Igor Conceição Sicopira, morreu no local.

    Segundo a polícia, o motorista estaria levando Wagner e uma mulher, contudo, em um trecho da região do Caminho de Areia, homens armados pararam o veículo. A mulher foi libertada, mas as outras vítimas foram levadas pelos suspeitos. O carro do taxista foi localizado na madrugada desta quinta (22), na Avenida Barros Reis. Não se sabe se os pertences das vítimas foram levados.

    O caso é investigado na 3ª Delegacia de Homicídios (DH/BTS).

  • Meia tonelada de cocaína é apreendida e laboratório é desativado em Camaçari

    O Departamento de Repressão e Combate ao Crime Organizado (Draco) apreendeu, na tarde desta quarta-feira (21), meia tonelada de cocaína e desativou um laboratório de refino. O imóvel, usado por uma facção, fica localizado na Estrada das Cascalheiras, em Camaçari, e produzia quatro toneladas do entorpecente por mês.

    Os investigadores da Coordenação de Narcóticos desenvolviam ações de inteligência há um mês e descobriram a possível casa usada para refinar, prensar, embalar e distribuir cocaína para bairros de Salvador e Região Metropolitana. Os tabletes eram identificados com escudos de times de futebol do Brasil e da Europa.

    Em campana desde as 5h desta quarta, os investigadores perceberam a movimentação de dois suspeitos que eram monitorados. No final da tarde, quando um deles saiu do imóvel, os policiais civis fizeram a abordagem. No primeiro contato, o homem confessou que trabalhava para uma facção envolvida com tráfico, homicídios, roubos e corrupção de menores.

    Divididos em equipes, os investigadores cercaram a casa e encontraram uma mulher que também é suspeita de atuar para a organização criminosa. Dentro da casa foram apreendidos meia tonelada de cocaína, dois tabletes de maconha, três prensas (duas com capacidade para 20 toneladas e uma hidráulica com capacidade para 70 toneladas), substâncias para refinar cocaína, liquidificadores e caderno com anotações do tráfico.

    A dupla e todo o material apreendido foram apresentados no Draco.

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