Sábado, 25th Maio 2019
7:20:00am
Bahia se une contra a volta do sarampo

Bahia se une contra a volta do sarampo

O coordenador de imunização da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Saeb), Ramón Saavedra, não tem meias-palavras quando o assunto é o alerta nacional para evitar a volta do sarampo ao Brasil, 19 anos depois. A doença já havia sido erradicada, mas o Ministério da Saúde divulgou números preocupantes, que revelam apenas 49% da cobertura vacinal realizada em 2018, quando a meta mínima deveria ser 95%. Para Saavedra, ampliar a cobertura vacinal requer um esforço conjunto que inclui as secretarias municipais, como forma de evitar um retrocesso indesejável da incidência desta doença.

– Urge uma mobilização de toda a sociedade para ampliarmos, já, a cobertura vacinal com uma ampla campanha de divulgação – aponta.

Na Bahia, o exemplo a ser seguido é o de municípios como São Sebastião do Passé, com 42 mil habitantes e mais de 95% de cobertura em todas as nove vacinas oferecidas, incluindo a de sarampo. Segundo Saavedra, os municípios da região oeste também estão de parabéns pelo bom desempenho, mas há muito trabalho a fazer para a Bahia recuperar o bom índice de 90% que já ostentou em 2015. Nos últimos anos, a cobertura no estado caiu seguidamente, para 85% em 2016; 76% em 2017; e chega agora a perigosos 60% no ano passado.

Risco – Para o coordenador de imunização, a população passou a ter uma percepção de risco menos apurada das doenças depois de terem sido erradicadas. Além disso, acrescentou, há o enfrentamento de falsas informações pela internet e ocorrência de grupos antivacinas.

– A população com acesso à internet, mas de pouco conhecimento, termina acreditando nestas absurdas fake news.

Fonte: A Tarde

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  • Brasil vai perder certificado de país livre do sarampo

    O Brasil vai perder o certificado de eliminação do sarampo. O Ministério da Saúde confirmou um caso da doença no dia 23 de fevereiro, completando, assim, mais de um ano de transmissão sustentada da infecção no País. Em comunicado oficial encaminhado à Organização Pan-Americana de Saúde, o governo informa que irá colocar em prática um plano para recuperar o título de país livre da doença, concedido em 2016.

    Entre as medidas analisadas estão a ampliação do turno de postos de saúde e a exigência da carteria de vacinação no momento da matrícula das crianças em escolas. A Organização Pan-Americana de Saúde avalia que a perda do certificado deverá ocorrer dentro de 2 semanas.

    O retorno do sarampo no País teve início no ano passado. Os primeiros casos foram registrados nos estados do Norte. A região recebeu um grande número de refugiados da Venezuela, país que já enfrentava um surto da doença. Especialistas são unânimes, no entanto, em afirmar que se a vacinação da população brasileira fosse adequada, não haveria condições de o ciclo da doença se estabelecer.

    Mas a região Norte, como boa parte do País, apresentava uma cobertura vacinal baixa contra a doença. Com a população suscetível e a circulação do vírus, havia condições propícias para o início de um surto do sarampo. Foi o o que ocorreu. Durante 2018, foram confirmados 10.326 casos da doença. O pico foi registrado em julho, com 3.950 infecções constatadas.

    O ciclo de transmissão permanece. Este ano já foram confirmados 48 casos da doença, a maioria deles relacionada à cadeia de transmissão iniciada no Brasil em 19 de fevereiro. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, em fevereiro já havia deixado claro o risco que o País enfrentava da perda do certificado. Na época, ele chegou a afirmar que o fim da condição de país livre da doença poderia trazer perdas econômicas para o País. A OPAS, contudo, informou que a princípio não haveria nenhum tipo de barreira, seja de trânsito de pessoas, seja para o comércio.

    Mandetta afirmou, por meio de nota, que o plano para a retomada do título de país livre de sarampo deverá passar pelo envio ao Congresso de um projeto que torne obrigatória a apresentação do certificado de vacinação no momento da matrícula. Hoje o documento já é exigido, mas de forma burocrática. Pela proposta, o calendário atrasado não impediria a matrícula da criança, mas poderia trazer algumas implicações para os responsáveis. Uma das propostas seria encaminhar o caso para o conselho tutelar.

    Não há detalhes do que poderia ser requisitado para os responsáveis, mas há consciência da equipe que casos têm de ser analisados individualmente. Isso porque há uma série de fatores que poderiam levar ao atraso na carteira que ultrapassam a responsabilidade dos pais. Entre elas, a falta da vacina no posto, a recusa de profissionais de vacinarem a criança no dia em que pais conseguem levá-la para a imunização, ou o horário restrito de funcionamento das unidades de saúde.

    Em alguns postos de saúde, a recomendação é de que não sejam abertos frascos da vacina no fim do expediente, para não perder demais doses. Muitos dos imunizantes são fornecidos em apresentações que trazem várias doses. Quando um frasco é aberto em um dia e não é utilizado, ele tem de ser descartado. Temendo questionamentos do Tribunal de Contas da União, alguns municípios recomendam que a criança retorne no dia seguinte. O problema, no entanto, é que muitos pais não têm condições de voltar.

    Quando tomou posse no cargo de ministro, Mandetta anunciou a criação de terceiro turno nas unidades de saúde, justamente para atender pais e mães que trabalham e não têm como levar seus filhos no horário comercial. De acordo com a equipe de Mandetta, a mudança deverá ser colocada em prática num curto período de tempo.

    Fonte: Estadão

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