Quinta-feira, 21st Março 2019
7:36:45am
"Se Bebianno me cobrar o mínimo, eu to fod...", diz Bolsonaro em novo áudio vazado

"Se Bebianno me cobrar o mínimo, eu to fod...", diz Bolsonaro em novo áudio vazado


Mais um dia, mais um áudio. Em conversa com Onyx Lorenzoni (DEM), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) pediu para que o ministro da Casa Civil negocie um acordo com Gustavo Bebianno, exonerado na segunda-feira da Secretaria-Geral da Presidência da República, de acordo com gravação divulgada nesta quarta-feira pelo jornal O Globo. Além de ex-ministro, Bebianno é advogado de Bolsonaro em processos judiciais. "Você vai conversar com ele sobre as ações?", pergunta Bolsonaro a Lorenzoni. "Se ele me cobrar individualmente o mínimo, eu estou fodido. Tem que vender uma casa minha para poder pagar", acrescentou o presidente.


No áudio, que foi obtido pelo jornal O Globo no momento da conversa após uma ligação "aparentemente acidental" - frisa o jornal - de Lorenzoni ao jornalista nesta quarta, o ministro da Casa Civil também mostra estar negociando com Bebianno uma espécie de armistício. Ele menciona informação da Folha de S. Paulo, publicada nesta quarta, que afirma que Bebianno estaria juntando documentos sobre a campanha de Bolsonaro e o período em que ficou no Governo. Lorenzoni garante ao presidente que o ex-ministro não dará mais nenhuma palavra.

"A Folha deu uma nota e o [portal] Antagonista acabou de reproduzir e ele [Bebianno] acabou de ligar e pediu para tirar. Que é o seguinte… Que ele estava preparando documentos e não sei o quê para atacar. Ele disse ao Jorge [possivelmente Jorge Oliveira, subchefe de Assuntos Jurídicos do Planalto, segundo O Globo]: 'O que eu tinha para fazer, eu fiz ontem. Eu não dou mais nenhuma palavra, acabou tudo ontem. Eu to te dando a minha palavra. Ok?' Então, agora, no fim da tarde, para tu saber, eu vou lá dar uma conversada com ele", disse Lorenzoni ao presidente.

Ao jornal O Globo Bebianno disse que não irá cobrar o presidente pelos processos judiciais. "O trabalho foi feito por acreditar na causa, ele não deve nada pra mim e nem para os advogados que engajei".

Este é o segundo dia consecutivo em que áudios de conversas de Bolsonaro são vazados para a imprensa, desta vez no mesmo dia da apresentação da reforma da Previdência para o Congresso. Na terça-feira, a revista Veja divulgou os áudios de WhatsApp entre Bebianno e Bolsonaro que comprovam que os dois conversaram durante a estadia do presidente no hospital. Carlos Bolsonaro havia chamado Bebianno de mentiroso após o então ministro afirmar que estava conversando normalmente com o presidente, apesar das denúncias da Folha de S. Paulo sobre desvio de dinheiro público para candidaturas laranjas no PSL.

Leia a transcrição do novo áudio vazado:

Onyx: A Folha deu uma nota e o Antagonista acabou de reproduzir e ele (Bebianno) acabou de ligar e pediu para tirar. Que é o seguinte… Que ele estava preparando documentos e não sei o quê para atacar. Ele disse ao Jorge (possivelmente Jorge Oliveira, subchefe de Assuntos Jurídicos do Planalto): “o que eu tinha para fazer, eu fiz ontem. Eu não dou mais nenhuma palavra, acabou tudo ontem. Eu to te dando a minha palavra. Ok?” Então, agora, no fim da tarde, para tu saber, eu vou lá dar uma conversada com ele.

Bolsonaro: Você vai conversar com ele sobre as ações?

Onyx: Vou conversar com ele sobre as ações.

Bolsonaro: Se ele me cobrar individualmente o mínimo, eu to f… Tem que vender uma casa minha para poder pagar.

Onyx: Deixa eu acertar… deixa eu acertar!

*Com informações do El País 

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  • Bebianno vai deixar governo após recusar diretoria de estatal

    O secretário-geral da Presidência, Gustavo Bebianno, vai deixar o governo. Em conversa com o presidente Jair Bolsonaro nesta sexta-feira, Bebianno foi convidado a ocupar a diretoria de uma estatal, mas não aceitou e, por isso, ficou decidido que vai sair do governo, segundo relato de auxiliares do presidente.

    A permanência de Bebianno no governo tinha sido costurada pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, mas Bolsonaro não ficou satisfeito. Queria rebaixar o auxiliar de posto, o que não foi aceito por Bebianno. O ministro teria dito que a oferta era uma demonstração de “ingratidão”.

    Segundo esses auxiliares, o presidente e seu ministro até teriam combinado uma nova conversa na segunda-feira, mas a divulgação pela imprensa da intenção de Bolsonaro de exonerá-lo teria acelerado o processo.

    Ao longo da semana, Bebianno tentou ser recebido por Bolsonaro diversas vezes, mas vinha sendo ignorado. Nesta tarde, o presidente, finalmente, resolveu atendê-lo. Em um primeiro momento, a conversa teve a participação do vice-presidente Hamilton Mourão, de Onyx e de Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional. Ao final, o ministro e o presidente se reuniram sozinhos em um diálogo ríspido, com ataques de ambos os lados.

    Envolto numa crise provocada pelo vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, que trabalha pela demissão do desafeto no governo, o ministro passou os últimos dias tentando se segurar no cargo. Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro.

    Durante a crise, Bebianno recebeu o apoio de ministros palacianos, militares do governo e parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia . Eles consideraram grave o envolvimento de familiares de Bolsonaro com o governo e atuaram para segurar Bebianno no cargo e, consequentemente, evitar a imagem de que o rumo do Palácio é ditado pelos filhos do presidente. O trio que possui cargos eletivo é apontado como um gerador de crise para Bolsonaro.

    Fonte: OGlobo

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