Mais de 400 mil pessoas não retornaram para a dose de reforço em Salvador

Mais de 400 mil pessoas não retornaram para a dose de reforço em Salvador

A capital baiana, assim como outras capitais brasileiras, tem experimentado uma aceleração no número de novos casos da covid-19, deixando em alerta as equipes de saúde municipal e estadual. A preocupação dos gestores é reforçada diante do número crescente de pessoas com o calendário de imunização incompleto.

Somente em Salvador, conforme divulgado pelo secretário municipal da Saúde, Leo Prates, mais de 411 mil pessoas, com idades igual ou superior a 18 anos, estão atrasadas com a dose de reforço. Outras 223 mil não retornaram para a segunda dose.
Os faltosos também são observados na aplicação da primeira dose. Mais de 33,6 mil pessoas cadastradas no sistema da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) não compareceram aos postos de aplicação. Deste total, 17.306 são adolescentes e jovens com idades que variam de 12 a 17 anos.

Nesta quinta-feira (6), Prates utilizou as redes sociais em apelo aos faltosos e destacou que “a ausência na vacinação pode levar a uma nova onda de covid-19 e óbitos”. Mais cedo, em entrevista á TV Bahia, o secretário alertou para o avanço do fator RT, índice que mede a transmissão.

“Existe uma aceleração da doença. Você tinha um fator RT há duas semanas que estava em 0,79. Estamos com RT em 0,95. Lembrando que o RT acima de 1 é padrão de descontrole epidemiológico. Então aí a gente poderia falar de uma nova onda. Mas está se desenhando uma nova onda de Covid-19 em Salvador”.

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  • Dois meses depois de anúncio de leilão, plano para o Arquivo Público não foi definido

    A falta de casa própria sempre ameaçou a integridade do acervo do Arquivo Público da Bahia (Apeb). Sem endereço fixo, as mudanças não tinham planejamento e, em cada uma delas, perdas ocorriam. Um dia depois do aniversário de 132 anos do Arquivo, comemorado no domingo (16), a história ainda se repete. Nada se sabe sobre o futuro dele. A possibilidade de o Solar da Quinta, onde hoje os acervos estão localizados, ser leiloado ainda existe e, mesmo após determinação judicial, não há um plano de preservação.

    Foi na manhã do dia 7 de novembro do ano passado que o fantasma da falta de casa voltou a rondar o Apeb. A notícia perturbou o domingo de defensores do patrimônio histórico: o Solar da Quinta seria leiloado para quitar uma dívida da extinta Bahiatursa, transformada em Superintendência de Fomento ao Turismo da Bahia há sete anos. O anúncio da venda desencadeou uma avalanche de notas de repúdio, até que o leilão foi suspenso (Veja, no fim da reportagem, linha do tempo interativa da história do Apeb).

    O Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA) interveio com uma manifestação contrária à venda e o juiz George Alves de Assis, da 3ª Vara Cível de Salvador, acolheu a suspensão por, no mínimo, 60 dias. Na decisão, o juiz apontou que, sem um projeto de remoção do acervo, o leilão não aconteceria. Dois meses depois, tendo o prazo ultrapassado, o MP afirmou à reportagem que ainda aguarda o estado enviar o Plano de Salvaguarda e Remoção.

    O diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, diz que o governo da Bahia manterá uma "posição firme de que o acervo e o patrimônio devem continuar onde estão". Para isso, completa Araújo, "nós vamos adotar todas as medidas que forem necessárias no campo político, administrativo, jurídico, para que isso seja assegurado". Sobre o plano, em si, não explicou.

    "Com isso, nós estamos assegurando a proteção do acervo documental, a proteção do edifício arquitetônico, e, consequentemente, a proteção do patrimônio cultural da Bahia. Nós não cogitamos abrir mão daquele edifício, como não cogitamos a remoção desse acervo", afirma o diretor da fundação responsável pela administração do Apeb.

    Essa remoção de arquivo já ocorreu, pelo menos, seis vezes - a quantidade de vezes que o Arquivo Público mudou de sede. Primeiro, o Apeb foi acomodado na Academia de Belas Artes, depois improvisado no Palácio do Governo e mais adiante amontoado numa velha casa da Rua do Tesouro, no bairro do Comércio.

    Ainda houve a transferência para o Palacete Tira-Chapéu, na Rua Chile, em seguida a mudança para o prédio onde hoje funciona a Delegacia de Defesa do Consumidor, até que o Apeb foi acomodado no atual endereço: o Solar da Quinta, datado do século XVI, que já serviu de abrigo para jesuítas - o Padre Antônio Vieira escreveu lá muitos dos seus sermões e cartas - e onde também funcionou um leprosário.

    O Arquivo foi criado em 16 de janeiro de 1890, no governo de Manuel Victorino. A ideia de reunir o acervo histórico baiano num só lugar, na verdade, dividida opiniões - havia políticos que achavam desnecessário juntar em um só lugar o acervo, devido aos gastos. Venceram aqueles que defendiam a organização de um único arquivo.

    A mudança para o Solar acontece em 1980. O imóvel é tombado desde 1949 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Em todas as mudanças anteriores, perdas incalculáveis, e até desconhecidas, de acervo aconteceram. Aos 132 anos, o Arquivo e seus defensores se preparam para um novo tempo de incertezas.

    Arquivo Público serve aos quatro continentes do mundo
    O Apeb é a segunda maior instituição arquivística do país e está entre as maiores do mundo. São 40 milhões de documentos que abastecem os quatro continentes do planeta com manuscritos e impressos originais, produzidos, recebidos e acumulados quando a cidade de Salvador se distinguiu por ser a capital político-administrativa do Estado do Brasil, de 1549 a 1763. Se organizados de maneira linear no chão, os documentos formariam um caminho de sete quilômetros.

    Desde 2006, o historiador e pesquisador freelancer (faz pesquisas por encomenda) Urano Andrade, 49 anos, circula da manhã ao fim do dia pelo Arquivo Público. Na pandemia, as visitas se tornaram menos frequentes, por imposição das circunstâncias. Se Urano precisasse calcular, perderia as contas de quantos personagens e histórias simbólicos, mas completamente desconhecidos, ele encontrou no arquivo. Um dos achados é a trajetória de um africano liberto que se tornou dono de uma padaria em plena Salvador Colonial.

    Há também a história da senhora que vendeu a liberdade a uma escravizada, mas exigiu o bebê dela, ainda na barriga, em troca. Nos documentos do arquivo, Andrade revisita a perversidade do passado.

    Hoje, o pesquisador trabalha na elaboração de três bancos de dados, todos para universidades dos EUA. Um, para Universidade de Princeton, sobre escravizados libertos que retornaram para o continente africano. Outro, para a Universidade Emory, de Atlanta, em que constarão as cartas de alforria guardadas pelo Apeb. O último, que trará os testamentos de africanos, para a Universidade de Nova York.

    "O Arquivo Público é a história viva. Já trabalhei para América do Norte e Sul, Ásia, muitos países", conta Urano.

    A briga judicial pelo prédio tinha começado um ano antes do início da jornada de Urano no Arquivo. Mas a disputa começou na década anterior. O Solar da Quinta do Tanque é, desde 1990, objeto de uma ação, movida pela TGD Arquitetos, contra a Bahiatursa. O escritório de arquitetura alega que não foi pago por serviços que prestados à estatal. Foi em 2005, no entanto, que a ação foi executada e a Bahiatursa ofereceu, para penhora, o Solar. Nos corredores e salões do Arquivo, os frequentadores pouco ou nada sabiam desses detalhes.

    Durante a pandemia, as visitas precisam ser agendadas e, por dia, são permitidas dez delas, das 9h30 às 16h30. As preciosidades que podem ser visitadas incluem, detalha a Fundação Pedro Calmon, por exemplo, o livro 1º de Provisões Reais (1548), que descreve os objetos e materiais utilizados na construção da "Cidade de São Salvador", em 1549.

    Há quatro arquivos do acervo considerados pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) como memórias do mundo. São eles o Tribunal da Relação do Estado do Brasil e da Bahia (1652-1822), Registros de Entrada de Passageiros no Porto de Salvador (1855-1964), Cartas Régias (1648-1821) e da Companhia Empório Industrial do Norte (1891-1973).

    A lista de documentos valiosos, no entanto, vai além. Lá, estão os registros da criação da Faculdade de Medicina e da vinda da família real ao Brasil, em 1808, e o acervo sobre a Revolta dos Malês, por exemplo. O acervo do Arquivo, de tão variado, já transformou em pesquisadores até antigos funcionários.

    Uma delas é Libânia Silva, 29. A historiadora trabalhou no Arquivo entre 2010 e 2019 e, no horário do almoço, passou a visitar os acervos da Conjuração Baiana. "Isso me ajudou bastante. Tive oportunidade de trabalhar com pessoas que estavam ali há 30 anos", diz.

    Hoje, Libânia cursa mestrado em Letras, na Universidade Federal da Bahia (Ufba), na área de paleografia, estudo de manuscritos históricos que é essencial para compreensão dos documentos. Alguns destes que, no Apeb, já provocaram choros na pesquisadora: de tristeza - como quando encontrou o documento que solicitava a retirada de corpos esquartejados dos mártires da Conjuração Baiana - e de emoção - pelas "letras belíssimas, resquícios de ouro, laçadas impressionantes, tão artísticas".

  • Brasil recebe 1º lote da vacina contra covid-19 da Pfizer para crianças

    O primeiro lote da vacina da Pfizer contra Covid-19 para crianças chegou ao Brasil na madrugada desta quinta-feira (13). A remessa, com 1,248 milhão de doses, desembarcou no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP).

    Na segunda-feira (10), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, informou que a Pfizer vai antecipar a entrega de 600 mil doses. Com isso, o total de vacinas previstas para chegar em janeiro passou de 3,7 milhões para 4,3 milhões. A previsão é de que as doses cheguem aos estados até essa sexta-feira (14).

    A distribuição das doses por estado e Distrito Federal, coordenada pelo Ministério da Saúde, seguirá o critério populacional. A prioridade é de crianças com comorbidades e com deficiências permanentes; indígenas e quilombolas; crianças que vivem com pessoas com riscos de evoluir para quadros graves da covid-19; e em seguida crianças sem comorbidades.

    O esquema vacinal será com duas doses, com intervalo de oito semanas entre as aplicações. O tempo é superior ao previsto na bula da vacina da Pfizer. Na indicação da marca, as duas doses do imunizante poderiam ser aplicadas com três semanas de diferença. Será preciso que a criança vá vacinar acompanhada dos pais ou responsáveis ou leve uma autorização por escrito.

    Vacina em Salvador
    Em toda a Bahia, são 1.447.163 crianças nessa faixa etária registradas no Sistema Único de Saúde (SUS), sendo 149.214 delas em Salvador. É possível consultar o nome da criança ou fazer o recadastramento através do portal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ou presencialmente, em uma das 155 unidades básicas da rede municipal, de segunda a sexta, a partir das 8h.

    No caso das crianças que não têm cartão SUS de Salvador ou estão com cadastro em outra cidade, os pais ou responsáveis devem procurar uma unidade da prefeitura-bairro para conseguir o documento ou fazer a transferência de domicílio. Para esse serviço, é preciso fazer agendamento pelo site do Hora Marcada.

    No momento da vacina, além dos originais e cópias dos documentos do adulto e da criança e do cartão de vacina, será necessário apresentar uma declaração de um dos pais autorizando a proteção. A declaração pode ser preenchida e assinada no ato da vacina ou impressa no site da SMS, para quem preferir levar pronta.

    Entenda o passo a passo:

    Antes de se dirigir ao posto de imunização confira se seu filho está registrado no SUS de Salvador, através do portal da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) ou presencialmente nas unidades.
    Caso não esteja registrado ou o registro seja de outra cidade, faça esse cadastro nas prefeituras-bairro. É necessário levar documentação dos pais e da criança, e comprovante de residência.
    No dia da vacina não esqueça: máscara, documentos dos pais, da criança, originais e cópias do cartão de vacina e uma declaração de um dos pais autorizando a proteção. A declaração pode ser assinada no ato da vacina ou impressa no site da SMS e preenchida em casa.
    A documentação exigida dos pais é a carteira de identidade, CPF, comprovante de residência e Cartão SUS. Para as crianças, é necessário apresentar certidão de nascimento e cartão SUS (se houver).
    Depois da imunização contra a covid, a criança deve esperar 15 dias para receber qualquer outro tipo de vacina. A segunda dose será aplicada oito semanas após a primeira.

  • Casarão que pegou fogo já foi residência de personalidade famosa da Bahia

    Todo dia quando Tonico montava a banca de laranjas e começava a anunciar as mercadorias, em frente ao Fórum Ruy Barbosa, em Nazaré, precisava disputar a atenção dos clientes com o grito das crianças que corriam para a escola que funcionava em um casarão na Avenida Joana Angélica. A lembrança foi avivada enquanto o vendedor, hoje com 80 anos, observava os escombros que sobraram e a fumaça que saia do casarão que pegou fogo na noite de terça-feira (11).

    Agora, o colorido das paredes foi substituído pelos borrões pretos provocados pelas chamas. As janelas já não existem mais, são buracos que atravessam a fachada que resiste de pé e levam a um grande vão vazio. Onde antes existia teto, restou apenas o céu aberto. As paredes que sobraram apresentam rachaduras e as grades foram retorcidas pelo calor do fogo. A Defesa Civil de Salvador (Codesal) disse que a solução é demolir.

    Casarão ficou oco e sem teto (Foto: Joá Souza)
    O fogo começou na noite de terça-feira. Três lojas funcionavam na base do casarão. Um estabelecimento de venda de calçados, outro de alimentos naturais e uma empresa de empréstimos consignados. Vizinhos contaram que os dois pavimentos superiores eram usados por moradores de rua e usuários de drogas. Os bombeiros identificaram colchões, móveis de madeira e outros objetos enquanto tentavam combater as chamas.

    Era por volta das 22h quando os primeiros vizinhos perceberam a tragédia e avisaram aos bombeiros. Uma moradora do edifício Rosemar, que é separado do casarão apenas por um vão, contou que a fumaça e o clarão provocados pelo fogo deram o alerta. Ela levantou, foi até a janela e ficou assustada com o que viu. Os moradores tiveram que evacuar o prédio às pressas.

    “Só tive tempo de pegar minha bolsa e sair. Foi um corre-corre danado. O prédio tem muitos idosos, então, muitos precisaram de ajuda para sair. Ficou todo mundo na calçada esperando os bombeiros chegarem, e depois que eles chegaram assistindo ao trabalho. Eles lutaram bastante com o fogo, mas estava muito alto. Foi horrível”, contou. Ela se queixou do estado de abandono do casarão e pediu para não ser identificada.


    Moradores do edifício Rosemar (torre ao lado) saíram às pressas (Foto: Joá Souza)
    Bombeiros X chamas
    O 1º Grupamento de Bombeiros Militares (GBM) fica a 800 metros do local do incêndio, por isso, foram os primeiros a chegarem. A subcomandante, major Jamile Perrone, disse que a principal dificuldade foi conseguir alcançar o interior do prédio e controlar as chamas, porque havia muito material incendiário dentro do imóvel, como madeira, papelão e plástico. Ela contou que o fogo começou no primeiro pavimento acima do térreo e se alastrou para os outros andares.

    “O pessoal dos prédios vizinhos deu apoio e nós conseguimos montar linhas laterais, no fundo e na frente do casarão. Isso fez com que o incêndio fosse controlado mais rápido, mas tivemos focos menores que persistiram e por isso foi preciso continuar o trabalho até o dia seguinte. Não pudemos entrar no prédio porque ele tinha várias ripas de madeira e muitas delas desabaram”, contou.

    Apesar de controladas, as chamas deram trabalho para serem debeladas e estavam tão altas que foi possível avistar a tragédia de bairros vizinhos. No fotógrafo Elói Corrêa fez o registro da janela do apartamento dele, no Centro Histórico, a mais de 1 Km do local do incêndio. “Levantei para beber água e quando passei pela janela vi que um prédio estava pegando fogo. Fiz a imagens de celular. O fogo estava muito alto”, contou.


    Morador do Centro Histórico ficou impressionado com a altura das chamas (Foto: Elói Corrêa)
    O dia amanheceu e os bombeiros continuavam na luta para evitar que as chamas voltassem. No total, foram 12 horas de trabalho, sete viaturas empregadas, incluindo um carro-pipa e uma unidade do Salvar, e cerca de 20 homens trabalhando. Um grupo de curiosos se concentrou na calçada, do outro lado da avenida, para acompanhar os trabalhos. Um dos espectadores era o dono da loja de empréstimos consignados que funcionava no térreo, Bruno Matos.

    “É um prejuízo imensurável. Nós tínhamos 13 anos aqui e perdemos tudo, mesas, cadeiras e computadores, com nossa cartela de clientes. Ainda não calculamos o tamanho do prejuízo. A gente tem três funcionários trabalhando nessa unidade e que agora estão desamparados. Começamos o ano com essa tristeza, não dá para acreditar”, afirmou.

    Ele também reclamou do estado de abandono do casarão e disse que, no começo do mês, entrou em contato com a advogada que representa o dono do imóvel, mas que o proprietário não deu retorno às queixas. A causa do incêndio está sendo investigada.

    O engenheiro da Defesa Civil de Salvador responsável pela ocorrência, Expedito Sacramento, contou que a estrutura foi muito atingida e que a solução é a demolição parcial do casarão. “Estamos monitorando as paredes e nossa proposta é fazer a redução do segundo pavimento. Caso o risco persista a gente parte para reduzir também a parte de baixo, porque existe risco de desabamento”, afirmou.

    Seu Tonico, como quis se identificar o vendedor de laranjas do início dessa reportagem, lastimou a decisão, mas disse que concorda. “Esse era um prédio tão bonito e tão alegre. Hoje, não lembra nem de longe aquele tempo. Há mais de 30 anos ele está fechado. Sei que é melhor demolir para não acontecer um acidente, mas é o fim triste de uma história”, lamentou.

    Moradia
    Antes de servir como escola o casarão que pegou fogo foi residência de um dos principais estudiosos da Bahia, Braz do Amaral (1861–1949). Uma rua, no Bonfim, e uma escola, no Garcia, levam o nome dele. O historiador e especialista em história do patrimônio Manoel Passos contou que usou parte do material produzido pelo colega na elaboração da dissertação de mestrado dele e disse que a destruição do casarão é uma perda para a história da Bahia e do Brasil.

    “Aquela era a residência de uma das personalidades históricas mais importantes da Bahia. O historiador Braz do Amaral é autor de pesquisas sobre a guerra da independência do Brasil na Bahia, trabalhos primorosos e que todo mundo deveria ler. É muito triste que um patrimônio material, e também imaterial por ter abrigado uma personalidade tão importante, tenha se perdido por falta de cuidado”, afirmou.

    Passos contou que após a morte de Amaral foi cogitado transformar o espaço em uma biblioteca pública, através da doação de acervos pessoais para compor as estantes, mas a proposta não avançou. “Não é apenas um casarão, é uma história que está sendo perdida. A gente precisa dar um basta e exigir a restauração e preservação da nossa história. Hoje foi esse casarão. Amanhã será outro”, disse.

    O pesquisador destacou que o prédio tinha estilo eclético e foi construído entre o final do século XIX e início do século XX. O historiador e professor do Instituto Dom de Educar (Rede UniFTC), Victor Porto, contou que os casarões tinham funções específicas.

    “Foram construídos para servirem basicamente como moradia, tanto os de Nazaré como os dos bairros vizinhos do Centro Histórico. A maioria tem dois ou três pavimentos e foram pensados para serem residências. No caso de Nazaré, com o tempo houve um processo de modernização e novos prédios foram surgindo, mas ainda restaram alguns casarões”, disse.

    Ele também cobrou maior empenho do poder público. “É importante que cada prédio desse esteja protegido pelos órgãos que são responsáveis por exigir a preservação da história e do patrimônio público”, afirmou.

    O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) informaram que o casarão que pegou fogo não faz parte do conjunto tombado do Centro Histórico de Salvador e nem é tombado individualmente pelos órgãos.

    O CORREIO não conseguiu contato com o proprietário do casarão.

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