Terça-feira, 22 de Junho 2021
9:05:39pm
Quase metade dos baianos quebra isolamento no fim de semana de lockdown parcial

Quase metade dos baianos quebra isolamento no fim de semana de lockdown parcial

O final de semana do lockdown parcial na Bahia só conseguiu segurar pouco mais da metade da população do estado em casa. Segundo os dados da startup baiana InLoco, o índice de isolamento social no estado foi de 53,7% no domingo, 28. Antes, no sábado, foi de 46,2% e, na sexta-feira, 26, no primeiro dia de medidas mais duras para conter a disseminação do novo coronavírus no estado, o isolamento foi de apenas 31,1%, o menor desde o começo do isolamento social.

Nesta segunda-feira, 01, o governo do estado renovou o decreto do fechamento dos serviços não essenciais e as restrições passaram a valer até a quarta-feira, 03. Em 338 cidades da Bahia, apenas atividades essenciais - comercialização de alimentos e remédios e serviços de saúde, segurança e transporte - estão permitidos. A renovação do decreto também permite a venda de bebidas alcoólicas, que havia sido suspensa entre sexta e domingo. Ficam suspensas, por sua vez, todas as atividades presenciais nos órgãos estaduais não enquadrados como serviço público essencial. Os servidores passam a trabalhar de forma remota.

O cálculo do índice de isolamento é feito através do serviço de geolocalização dos dispositivos móveis como celulares e tablets. Para Angelo Loula, professor da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), pesquisador e cientista de dados do Portal Geovid-19, os números mostram que o lockdown ainda não teve o efeito esperado de fazer as pessoas se protegerem do vírus. Ele acredita que a população deixou de circular em estabelecimentos comerciais para realizar aglomerações em suas próprias casas, com vizinhos ou amigos.

“De fato, as pessoas estão se movimentando menos, pelo menos em direção aos bares, restaurantes e shoppings. Por outro lado, pouco adianta elas se manterem em casa se estão chamando visitas. Reuniões familiares, com amigos, sociais, mesmo em casa, podem ser eventos de espalhamento do vírus. Elas acham que estão seguras por estarem em casa, mas tiram a máscara, bebem, conversam e tudo isso espalha a doença”, argumenta.

Ainda assim, o índice de isolamento de 53,7% é o maior registrado no estado desde o dia 4 de abril de 2020, quando 54,6% das pessoas ficaram em casa. Para o pesquisador, isso mostra que o isolamento social tem crescido, mas está longe do ideal. “Significa uma mudança de comportamento das pessoas. É bom, mas o ideal é 70%, 80%, 90%... os efeitos disso a gente enxerga em 14 dias, com a redução de casos”, diz.

No entanto, para o especialista em produção de informações da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), Rodrigo Cerqueira, o índice acima de 50% também pode ser considerado bom. O problema é que esse percentual só consegue ser atingido em dias de domingo, quando a circulação de pessoas na rua tende a ser menor. “Há uma tendência de redução nos dias úteis, mas nós avaliamos positivamente o percentual alcançado, muito por conta das medidas mais restritivas que vão, por enquanto, até o dia 03”, aponta.

Dados

Com as medidas de isolamento, o índice baiano foi o terceiro maior de todo o Brasil, nesse domingo, perdendo apenas para Santa Catarina (55,43%) e Amazonas (53,81%). A média brasileira foi de 46,6%, o que mostra que não ficar em casa é um problema de nação. "Vários fatores contribuem para isso, como a nossa necessidade em comunicar melhor para as pessoas a gravidade do problema, as questões psicológicas e as econômicas. Não temos suporte para uma empresa ficar fechada por muito tempo e uma pessoa deixar de trabalhar", explica Loula.

Para calcular o índice, a InLoco usa uma unidade de software integrada em aplicativos de celular. “A única informação coletada dos dispositivos móveis é a sua localidade”, garantiram na época de lançamento do serviço. “Esse talvez seja o mais preciso dado sobre movimentação e isolamento social. Já tem alguns pesquisadores e governantes que os utilizam para estudos científicos e também para determinar políticas públicas. É uma forma de monitorar”, explica Rodrigo Cerqueira.

Mesmo assim, o professor Angelo Loula destaca que, para analisar esses dados, é importante levar em consideração possíveis inconsistências. “Os dados mais recentes ainda podem variar nos próximos dias, mas não significativamente. Isso acontece, pois algumas informações demoram para atualizar. Também tem o fato de que, se um vizinho visitar outro no próprio condomínio, possa ser que isso não seja capitado. E não são todos os celulares do Brasil que a empresa tem dados e sim cerca de 60 milhões de aparelhos”, relata.

Outro problema apontado pelo professor é que a população mais pobre menos tem acesso à internet e aparelhos eletrônicos. Isso pode dificultar a representatividade nos dados. “Nós temos menos informações sobre as pessoas sem poder aquisitivo, que são as mais vulneráveis. Tem locais onde o sinal de internet é ruim e eles simplesmente não conseguem captar. A InLoco, portanto, dá uma ideia do quanto estamos de isolamento social, não uma precisão”, diz.

Cidades
Ainda segundo os dados da plataforma, das cidades baianas, 32 registraram índice de isolamento abaixo de 30%. O município de Cocos, no Extremo Oeste, a 665 quilômetros de Salvador, teve o percentual alcançado de apenas 9,5%. Tanque Novo, no Centro-Sul baiano e Nova Fátima, no Nordeste, são logo em seguida as cidades que menos pessoas ficaram em casa, com 17,4% e 19% registrados, respectivamente. Esses dados são referentes à última atualização municipal, feita no sábado (27).

No entanto, o professor Angelo Loula acredita que esse índice em municípios pequenos é pouco confiável, justamente pelas particularidades do cálculo. “A cidade é pequena, de baixa renda. Uma parcela pequena da população foi captada, provavelmente a de poder aquisitivo maior. Se for com muita zona rural, é ainda mais difícil capturar informação confiável”, aponta.

Com mais de 50 mil habitantes, três cidades despontam com o índice de isolamento abaixo de 30%. Tratam-se de Bom Jesus da Lapa, com 28,3% e cerca de 70 mil habitantes, Conceição do Coité, com 29,7% e também 70 mil habitantes, e Teixeira de Freitas, com 29,8% e 162 mil habitantes. Por serem cidades grandes, aqui os dados são mais confiáveis.

“A verdade é que tá muito difícil manter o povo em casa. Nós seguimos o decreto do estado. Aqui os comércios não essenciais estão fechados. Mas Coité tem muitos bancos e é referência para os municípios vizinhos. A gente recebe muitas pessoas diariamente. Hoje mesmo as filas estavam absurdas. Tivemos que dobrar a equipe de vigilância, aumentar a fiscalização e assistência na saúde. Tô com pacientes há quatro dias esperando regulação e sem nenhuma perspectiva. Se as pessoas não se conscientizaram, vai ficar muito difícil”, desabafou a secretária de saúde de Conceição do Coité, Jamile da Silva Sena.

O CORREIO procurou as prefeituras de Bom Jesus da Lapa e Teixeira de Freitas, mas não obteve retorno. Até a tarde dessa segunda-feira (01), os dados de isolamento por município estavam sendo atualizados periodicamente na plataforma InfoVis Bahia, da SEI. No entanto, segundo o especialista em produção de informações do órgão, o contrato que o Governo do Estado tinha com a InLoco venceu em dezembro e esses dados específicos tiveram que sair do ar. “A gente entrou em contato para tentar renovar, mas ainda não avançou”, disse. Já os dados estaduais podem ser acessados de forma detalhada no site mapabrasileirodacovid.inloco.com.br/pt/.

Sem lockdown
Teixeira de Freitas é uma das cidades baianas que descumpriram o lockdown parcial na Bahia imposto pelo Governo do Estado. Por lá, através de um decreto municipal, a venda de bebidas alcoólicas foi liberada durante todo o final de semana. Além disso, o comércio não essencial – bares e restaurantes -, igrejas e templos religiosos puderam funcionar das 05h às 20h.

O empresário João Espíndola é até a favor da decisão da prefeitura, mas reconhece que os índices de isolamento na cidade estão bem baixos. “Tem bastante gente circulando nas ruas. Na noite então, a galera acaba não respeitando nada do toque de recolher, mesmo sabendo que aqui está com muitos casos. Tem também muita gente fazendo festa em casa. O decreto é necessário para a saúde econômica do município, mas a população tinha que ser mais consciente”, defende.

Atualmente, a cidade do Extremo-Sul baiano tem mais de 11 mil casos confirmados, 128 desses são ativos, sendo 38 pessoas internadas. 159 habitantes já morreram por causa da covid-19. O município possui apenas 15 leitos de UTI, todos no Hospital Municipal. Até às 18h dessa segunda-feira (1), 11 leitos estavam ocupados, o que representa uma taxa de ocupação de 73%. Em todo o Extremo-Sul esse índice é de 84%.

“O decreto do prefeito passa a mensagem de que lá está tudo bem. Mensagens conflitantes são muito ruins. O prefeito diz uma coisa, o governador diz outra, o presidente outra e as pessoas não sabem quem seguir. Isso só favorece a doença. O impacto depois no sistema de saúde não é apenas na cidade. Se lota a UTI em Teixeira, ela começa a pressionar outros municípios baianos”, lembra o pesquisador Angelo Loula, ao criticar o baixo índice de isolamento na cidade.

Outras prefeituras baianas que fizeram decretos conflitantes à decisão de lockdown na Bahia foram Alagoinhas, Caravelas e Itamaraju. Sem êxito, a União de Municípios da Bahia (UPB) foi convidada a se manifestar sobre o assunto.

Relembre as restrições:
O que não pode:

*Gente nas ruas - Circulação noturna de pessoas das 20h às 5h, até 8 de março;
*Comércio - Lojas de rua tem de ficar fechadas até 3 de março;
*Sair para comer - Bares, restaurantes, pizzarias, lojas de conveniência e similares não funcionam até 3 de março (podem fazer delivery até 0h);
*Compras - Shoppings e centros comerciais não podem receber clientes até 3 de março (podem funcionar por Drive Thru - cliente compra em site e retira no local - das 10h às 19h)
*Aglomeração - Continuam proibidos até 8 de março, eventos e atividades, independentemente do número de participantes, desportivos coletivos e amadores, religiosos, cerimônias de casamento, eventos recreativos públicos ou privados, circos, eventos científicos e formaturas; bem como aulas em academias de dança e ginástica;
*Hospitais - Não podem ocorrer até 8 de março procedimentos cirúrgicos eletivos não urgentes ou emergenciais, nos hospitas públicos e privados
*Esportes - Até dia 8 também não ocorrem atividades esportivas coletivas amadoras, sendo permitidas práticas individuais, desde que sem aglomerações;
*Serviços - Até dia 03, estão suspensas as atividades presen- ciais de órgãos e entidades da Administração Pública Estadual não enquadrados como serviços públicos essenciais;
*SAC - Não pode fazer atendimento presencial até às 5h do dia 3 de março;

O que é permitido

*Comida - Além do delivery dos bares e restaurantes até 0h, os mercados e padarias podem abrir até às 20h;
*Feiras Livres - Podem funcionar, desde que em local aberto e com distância entre uma barraca e outra;
*Transportes - Ônibus metropolitanos encerram as operações das 20h30 às 5h e o metrô das 20h às 5h, até 8 de março. O ferry boat e as lanchinhas seguem suspensas até 5h do dia 3 de março. Os ônibus intermunicipais poderão circular normalmente e os transportes por aplicativo e táxis
*Câncer - Procedimentos cirúrgicos eletivos oncológicos e cardiológicos podem ocorrer, bem como cirurgias em clínicas e hospitais dia;
*Farmácias - Pode ter delivery

 

Itens relacionados (por tag)

  • Produtos juninos têm alta variação de preços

    As comemorações de São João acontecem amanhã e quinta-feira. Quem vai festejar, mesmo dentro de casa, já está indo às compras. O CORREIO também foi à feira ontem e percorreu seis locais de Salvador para saber quanto estão custando os produtos típicos da ceia junina. E nesse momento de crise, o consumidor vai precisar ficar atento na hora de escolher os produtos, afinal, as variações foram altas. Itens tradicionais como licor (214%), laranja (130%), espiga de milho (102%) e amendoim (50,5%) aparecem entre os que mais tiveram preços bem distintos a depender do local.

    Vale ressaltar que a venda de bebidas alcoólicas em Salvador e RMS está permitida só até às 20h de amanhã. Depois disso, está suspensa, inclusive por delivery, até às 5h do dia 28. A medida faz parte do decreto do Governo do Estado que visa conter as aglomerações do período junino.

    Mesmo assim, quem procurar o licor vai precisar pesquisar bem. No Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha, o produto foi encontrado por até R$ 22. Já na Feira de São Joaquim, tinha feirante vendendo por R$ 7. Apesar dos inúmeros sabores, o de jenipapo, como sempre, é o mais pedido.

    Nos supermercados da cidade, não é comum encontrar os licores tradicionais de São João, achando normalmente os importados, que são mais caros. Mas, na Cesta do Povo, algumas unidades estavam disponíveis e sendo vendidas por R$ 12,49. O valor é ainda mais barato que na quinta-feira passada, dia 17, quando estava sendo vendido a R$ 15,99.

    Em São Joaquim, era possível encontrar os licores cremosos por R$ 20 e os mais tradicionais por R$ 7. Segundo os feirantes, a procura não está das melhores e a tendência é que o preço vá diminuindo. Seu Bira já fez isso. Ele disse que começou vendendo por R$ 15, baixou para R$ 12 e, agora, está vendendo por R$ 10. “Se não tem muita gente comprando, a gente vai descendo os preços. Fazer o quê, né?”, lamenta.

    Ceia junina

    No ramo das comidas, a laranja (do tipo pêra) foi o produto com maior variação de preço: 130%, de R$1,69 o kg, na Cesta do Povo, a R$3,89, no Super Bompreço. Na Feira de São Joaquim, estava sendo vendida no saco, que saía por R$10,00.

    Queridinho número um do São João, o amendoim teve variação de preço de 50,5%, entre R$9,90, na Cesta do Povo, e R$14,90 o kg, no Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha. Na Feira de São Joaquim, está sendo vendido por saco, no valor de R$25,00.

    Outro campeão de vendas é o milho. O preço da espiga variou 102%, de R$0,99, na Feira de São Joaquim, a R$2,00, no Mercado do Rio Vermelho. Também foi possível encontrar a bandeja, para quem não quer ter trabalho, com cinco unidades, sendo vendida a R$9,90, no Mercado do Rio Vermelho, antiga Ceasinha.

    O jenipapo não foi tão fácil de encontrar. Nos três supermercados percorridos (Super Bompreço, Cesta do Povo e Extra), apenas o Super Bompreço ofertava o produto. Por lá, ele estava sendo vendido na bandeja a R$17,99 o kg. Cada uma, com quatro unidades de jenipapo, saiu por cerca de R$12,50.

    Nos demais locais, o produto era mais em conta. No Mercado do Rio Vermelho, o valor era de R$12,00 o kg. Na Feira de São Joaquim, três unidades saíram por R$2,00 e, na Sete Portas, a mesma quantidade custou R$5,00. Nem todos os boxes vendem o produto, então vale perguntar e pedir indicação. Colocando na ponta do lápis, o preço da unidade variou em 106%.

    Já o coco era encontrado aos montes. Nos mercados, o preço variou em 123%, de R$2,99, na Cesta do Povo, a R$6,69 o kg, no Extra. Já nas duas feiras, de R$2,00 até R$5,00 a unidade, a depender do tamanho. Para esse produto, a vantagem do Mercado do Rio Vermelho, da Feira das Sete Portas e da Feira de São Joaquim é que o cliente pode pedir para o vendedor ralar o coco na hora. Alguns deles não cobram nada a mais pelo serviço.

    Utilizadas, principalmente, para os tradicionais bolos juninos, as massas de tapioca, carimã e aipim, assim como o jenipapo, exigem uma persistência maior para encontrar. Nenhum dos três supermercados percorridos vendem os produtos. A massa de tapioca teve variação de 100% no preço, a de carimã, 66%, e a de aipim, também 100%.

    O Mercado do Rio Vermelho foi o local com mais opções de boxes e, por lá, os três produtos estavam saindo por R$10,00 o pacote. Na Feira das Sete Portas, eles foram encontrados com os menores preços. A massa de aipim e a de tapioca estavam custando R$5,00 e, a de carimã, R$6,00. Em São Joaquim, os três produtos custavam R$6,00 cada.

    Está faltando dinheiro

    Os dias 23 e 24 se aproximam, mas os feirantes ainda não estão animados. No lugar do vai e vem de clientes e da agitação do período junino nos mercados e feiras de Salvador, apenas alguns interessados nos produtos típicos. Para os comerciantes, a tendência do brasileiro de deixar para a última hora pode nem acontecer este ano, já que os clientes reclamam da falta de dinheiro e dos altos preços dos produtos.

    Nos supermercados, nenhum cliente foi encontrado incrementando a cesta ou o carrinho com os produtos juninos. Na Sete Portas, os vendedores reclamavam da baixa procura. Segundo Dona Terezinha de Jesus, uma das comerciantes do local, o movimento está ainda mais fraco do que no ano passado. “O pessoal não está procurando muito, tem muita gente comprando tudo já pronto também. Mas, às vezes, tem gente que deixa para a última hora. Talvez ainda melhore um pouco”, diz ela.

    Já o comerciante Edson Pereira não está tão otimista. Para ele, o movimento não deve aumentar muito e os motivos são os preços elevados e falta de dinheiro no bolso do consumidor. “O pessoal está sem dinheiro, a gente está sendo a diferença que faz o auxílio emergencial porque no ano passado tivemos mais vendas. E os produtos estão mais caros mesmo”, opina o vendedor.

    Edson explica que os comerciantes estão comprando os produtos a preços mais elevados e precisam repassar os valores. “No ano passado eu comprava a saca do amendoim por 100 reais e, este ano, comprei por 200. A laranja foi a mesma coisa. Eu comprei, em 2020, 200 laranjas por 45 reais. Agora, estavam vendendo 100 por 35. Fica difícil para a gente e, muitas vezes, o cliente ainda faz a pechincha e a gente tem que vender para não perder a oportunidade”, acrescenta.

    Quem movimentava a Feira das Sete Portas estava mesmo atrás dos produtos mais comuns, para a alimentação do dia a dia. Esse foi o caso de Silvana dos Santos, que está desempregada. “Este ano não vai ter ceia junina lá em casa, estou comprando só o essencial mesmo. Fiquei desempregada e o dinheiro está pouco”, diz ela.

    No Mercado do Rio Vermelho e na Feira de São Joaquim, a procura por produtos juninos era maior, mas as questões se repetiram. A consumidora Roberta Freire diz ter notado os preços mais elevados na feira e que as compras este ano saíram em torno de 5 a 10 reais mais caras. Ela levou para casa amendoim, laranja e milho, os três produtos mais procurados, segundo os vendedores.

    “Eu vim direto aqui na Feira porque acho melhor, com mais variedade e preço melhor, mas, mesmo assim, achei os valores mais salgados mesmo. Mas a gente tem que levar, né? Vamos fazer uma reuniãozinha em casa mesmo este ano, já que não pode viajar e não tem festa, aí não pode faltar, ao menos, amendoim, milho e laranja. Comprei o básico mesmo”, conta Roberta.

    Sobe e desce dos preços

    Enquanto a baixa procura pelos produtos fez alguns preços caírem, em alguns locais os valores de alguns produtos já subiram da última semana para cá. Esse foi o caso da antiga Ceasinha. Por lá, o único produto da lista com diminuição de preço foi a laranja pêra, que passou de R$3,90 para R$3,49 nesta semana.

    O milho teve elevação de preços lá e também na Sete Portas e no Extra. Já o amendoim subiu no Mercado do Rio Vermelho, na Sete Portas, em São Joaquim, no Extra e na Cesta do Povo. Na Feira de São Joaquim, o saco do amendoim, antes encontrado por R$15,00, agora está saindo por R$25,00.

    O jenipapo, que custava R$10,00 o kg na Ceasinha, agora está sendo vendido a R$12,00. Na Sete Portas, quatro unidades eram R$5,00 e, agora, o mesmo valor vale para três unidades. O coco teve elevação de preço de R$0,90 na Ceasinha e também de R$0,80 no Extra. Segundo os comerciantes, é preciso aproveitar os últimos dias de vendas.

    “A gente começa com o preço mais elevado, para ver o que consegue. Aí fui vendo o movimento baixo e o pessoal pechinchando, então a gente já faz o desconto. Mas, agora, nos últimos dias já, é quando tem o maior movimento. Quem não vier por agora não vem mais, então dá para aumentar o preço de algumas coisas”, diz o comerciante João Silva, da Feira das Sete Portas.

    Mercado do Rio Vermelho (Ceasinha):

    Milho: R$2,00 a espiga
    Amendoim: R14,90 o kg
    Jenipapo: R$12,00 o kg
    Laranja pêra: R$3,49
    Coco: R$4,90 a unidade
    Massa de tapioca: R$10,00 o kg
    Massa de carimã: R$10,00 o kg
    Massa de aipim: R$10,00 o kg
    Licor: a partir de R$13,90

    Feira das Sete Portas:

    Milho: R$1,25 a espiga
    Amendoim: R$10,00 o kg
    Jenipapo: R$5,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: De R$2,00 a R$3,50 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$5,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$5,00 o kg
    Licor: R$15,00

    Feira de São Joaquim:

    Milho: R$1,00 a espiga
    Amendoim: R$25,00 o saco
    Jenipapo: R$2,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$10,00 o saco
    Coco: De R$2,00 a R$5,00 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$6,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$6,00 o kg
    Licor: a partir de R$7,00

    Super Bompreço (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,99 a espiga
    Amendoim: R$12,99 o kg
    Jenipapo: R$17,99 o kg (bandeja com 4 unidades por R$12,50)
    Laranja pêra: R$3,89 o kg
    Coco: R$ 5,90 o kg

    Extra (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,85 a espiga
    Amendoim: R$14,59 o kg
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: R$ 6,69 o kg

    Cesta do Povo (Ogunjá):

    Milho: R$0,99 a espiga
    Amendoim: R$9,90 o kg
    Laranja pêra: R$1,69 o kg
    Coco: R$ 2,99 o kg
    Licor: R$12,49

    Para quem prefere tudo pronto

    Outra opção é já comprar os produtos prontos, como bolos, canjica, cuscuz e mingau. Ou até mesmo o amendoim, que já pode ser comprado cozido. Para quem prefere a praticidade e pode arcar com os valores, o CORREIO separou três locais de vendas de produtos da ceia junina. Confira:

    Rancho do Bolo (site ou ifood):

    Bolo de carimã, milho, tapioca e aipim - R$25,00
    Bolo de laranja - R$10,00
    Pamonha de milho com queijo (180g) - R$10,00
    Cesta junina: bolo de rolo, pão delícia, broa de milho, bolo de aipim, bolo piscina crocante de churros, biscoito Jucurutu, amendoim, pipoca e café gourmet - R$155,90

    *É possível encomendar, comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Bolo das Meninas (site ou ifood):

    Mingau de Tapioca (250g) - R$14,00
    Pamonha de milho (2 unidades) - R$16,90
    Amendoim cozido (500g) - R$27,00
    Lelê (230g) - R$8,50
    Bolo de aipim, tapioca e carimã - R$32,00
    Bolo de laranja - R$27,00
    Canjica (250g) - R$14,00

    *É possível comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Doce Dainha (@docedainha):

    Bolo de aipim, milho, tapioca e carimã (18cm) - R$28,00 / (22cm) - R$35,00

    *Encomendas até dia 22/06

  • Cidades baianas distribuem prêmios para estimular vacinação contra a covid-19

    Já pensou ir ao posto de saúde tomar a vacina contra a covid-19 e sair de lá com um liquidificador ou batedeira? Se estiver grávida, pode levar até enxoval completo e um berço para o bebê. Em cidades baianas como Bom Jesus da Lapa e Sítio do Mato, no oeste do estado, é possível. Isso porque, para estimular a vacinação, as prefeituras dessas cidades começaram a sortear prêmios entre os imunizados.

    Em Bom Jesus da Lapa, com quase 70 mil habitantes, a iniciativa ocorre desde a quinta-feira (17) focada, inicialmente, nas gestantes. Segundo o secretário de Saúde Euler Nogueira, o município tem cerca de 850 mulheres grávidas, mas apenas 98 compareceram para tomar a 1ª dose da Pfizer. Foi então que o gestor pensou em criar o sorteio valendo o enxoval completo e um ensaio fotográfico. Três dias depois, o número de imunizadas saltou para 400.

    “As gestantes estavam com receio de receber a vacina. Tivemos dia em que nenhuma delas procurou a 1ª dose. E se elas não tomam, temos que dar vazão, vacinar outro grupo. Só que elas são prioridade e precisam ficar imunizadas”, diz o secretário, que fez contato com os comerciantes do município para conseguir os prêmios.

    “Liguei para o pessoal, pedi ajuda e ainda brinquei que só queria coisa boa. Em pouco tempo, tínhamos 20 tipos de prêmios. Depois, os próprios comerciantes começaram a aparecer para fazer doação. Arrecadamos liquidificador, batedeira, ferro de passar, espremedor de fruta, purificador de ar”, enumera.

    A participação dos comerciantes fez a ação ser ampliada para o público que não retornou para a 2ª dose. Em Bom Jesus da Lapa, havia 600 ampolas da AstraZeneca paradas aguardando as pessoas que tem direito de tomar o reforço. Com a iniciativa, qualquer um que tomar a 2ª dose na cidade pode participar do sorteio, que é semanal. O primeiro ocorre amanhã, com cinco prêmios. Já o sorteio das gestantes ocorrerá quando todas forem vacinadas ou as doses da Pfizer acabarem.

    “Por causa do show de prêmios, vacinamos até domingo 180 pessoas que estavam com a data de retorno atrasada”, aponta o secretário.

    Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), as vacinas enviadas para aplicação da segunda dose não podem ser destinadas para outra função, o que ligou o alerta da equipe de saúde para acelerar a imunização na cidade.

    Até esse domingo, 21 mil pessoas tomaram a primeira dose da vacina em Bom Jesus da Lapa, o que equivale a 31% do público alvo, mas apenas 6,6 mil pessoas (9%) tomaram a segunda dose.

    Outras cidades também realizam ações

    Segundo a prefeitura de Bom Jesus da Lapa, a iniciativa do município inspirou a vizinha Sítio do Mato a fazer o mesmo. Por lá, as gestantes e puérperas (mulheres com até 45 dias após o parto) com 18 anos ou mais que tomarem a 1ª dose da vacina concorrerão a um enxoval completo e um berço. Ainda de acordo com o que a prefeitura informou em redes sociais, a imunização pode acontecer até o dia 5 de julho no posto de vacinação da sede ou da zona rural.

    Em Ribeira do Pombal, nordeste da Bahia, não há entrega de prêmios mas, por lá, segundo a prefeitura, a vacinação segue tranquila e com participação da população. O que tem ajudado é o serviço de busca ativa lançado pela Secretaria da Saúde. Através das Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários, a equipe faz contato para informar a data de retorno para a 2ª dose.

    “Nosso objetivo é reduzir ao máximo o número de faltosos e, consequentemente, ampliar a eficácia da cobertura vacinal para a população”, explica a secretária Lakcelma Costa. Até o momento, a prefeitura aplicou 16,8 mil primeiras doses e 6,1 mil segundas. Há ainda 505 segundas doses em estoque, mas com a vacinação já programada.

    Já em Crisópolis, também no nordeste da Bahia, a prefeitura colocou um carro de som para informar à população que vive nos povoados mais afastados a data, horário, local e o público-alvo da vacinação. “O carro vai para todas as ruas, becos e vielas das áreas mais remotas ou descobertas por agentes de saúde. São, geralmente, áreas que não tem acesso a internet e o público é carente”, explica o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Tiago Argolo. Na cidade, já foram aplicadas 5,4 mil primeiras doses e 2,2 mil segundas.

    Salvador também tem utilizado busca ativa e carro de som para estimular a vacinação e o retornaram para a segunda dose.

    “Existe vacina disponível para as pessoas tomarem. Nós vemos que, para a 1ª dose, muitos ficam na expectativa de tomar logo. Nós pedimos para que as pessoas tenham também pressa para a 2ª. Todos são bem-vindos, mas devem retornar”, diz Andréa Salvador, Diretora de Vigilância à Saúde do município.

    Noventa mil pessoas não voltaram para a 2ª dose

    Na Bahia, quase 90 mil pessoas já poderiam ter completado o esquema vacinal, mas não retornaram aos postos para a segunda dose de CoronaVac e AstraZeneca, segundo dados da Sesab. Há duas semanas, o número de faltosos no estado era praticamente o mesmo: 91 mil.

    A vacina mais preterida pelos baianos é a CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. No total, são 63.955 pessoas que deveriam ter tomado a 2ª dose do imunizante e não retornaram. Já a AstraZeneca, produzida nacionalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem 25.533 faltantes no estado. Os ausentes representam 1,1% de todas as doses de vacina recebidas pela Bahia.

    No total, 8 milhões de ampolas foram enviadas ao estado, sendo 3,1 milhões de Coronavac, que tem intervalo entre as doses de 28 dias, e 4,3 milhões da AstraZeneca, cujo período entre a 1ª dose e o reforço é de 90 dias. A Bahia ainda recebeu outras 540 mil doses da Pfizer/BioNTech, que começou a ser aplicada em 4 de maio e possui intervalo de 90 dias, ou seja, ainda não existem baianos que podem tomar a 2ª injeção.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para que a vacina tenha efeito coletivo, é preciso que cerca de 70% da população esteja imunizada com as duas doses. Uma só não basta, pois os fabricantes ponderam que só com o esquema vacinal completo é possível garantir 100% de eficácia contra casos graves.

    A Sesab também segue essa linha. “A primeira dose já garante alguma proteção, mas a imunidade completa, indicada pelo fabricante, só com a segunda”, diz o órgão.

    Infectologista da SMS, Adielma Nizarala enxerga outros problemas associados ao ato de não tomar a 2ª dose da vacina.

    “Tem gente com menos de 18 anos que precisa se vacinar e não pode. A chance dela ficar protegida é a imunidade coletiva vinda com a vacinação. A pessoa que não toma as duas doses não vai estar completamente imunizada e protegida para os casos graves, mas também não estará contribuindo para a imunização coletiva, contribuindo para que toda sociedade seja beneficiada”, explica.

    Nizarala também diz que guardar a 2ª dose, por enquanto, é a única alternativa do poder público. “E nós temos que arcar com essa logística de armazenamento. Se a pessoa não aparecer, essa dose pode ser perdida, a não ser que haja determinação futura. Mas hoje, a primeira dose só pode ser usada como primeira e a segunda somente como segunda. É verba pública que pode ser perdida e nós, como cidadãos, precisamos de mais conscientização”.

  • Após 4h de paralisação, ônibus voltam a circular por Salvador

    Os ônibus voltaram a circular por volta das 7h40 desta terça-feira (22) após o término de uma paralisação de 4 horas promovida pelo Sindicato dos Rodoviários. O ato estava previsto para terminar às 8h, mas teve o fim antecipado em 20 minutos.

    A paralisação de 80% da frota ocorreu pois os rodoviários cobram o cumprimento de uma cláusula do acordo fechado com os patrões, referente a depósito de adiantamento salarial.

    A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, segundo o qual o adiantamento – que corresponde a 40% do salário de motoristas, cobradores e outros funcionários – deveria ter sido pago até o dia 20.

    O Consórcio Integra enviou comunicado à entidade sindical informando que não teria como fazer os depósitos nesta segunda (21), prevendo esse pagamento apenas para o início de julho.

    De acordo com Pedro Celestino, advogado do Sindicato dos Rodoviários, caso não ocorra uma resposta positiva por parte do patronato, “outras manifestações, talvez mais contundentes, poderão acontecer”. Ele não especificou quais.

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