Terça-feira, 22 de Junho 2021
9:14:01pm
Sem São João, cidades baianas chegam a perder mais de R$ 133 milhões

Sem São João, cidades baianas chegam a perder mais de R$ 133 milhões

Pelo segundo ano consecutivo, o São João não vai poder ser comemorado, por conta da pandemia do novo coronavírus. Ao todo, de 18 cidades com tradição nos festejos juninos procuradas, as perdas para a economia baiana são de mais de R$ 133 milhões. Mas, segundo o Observatório da Economia Criativa da Bahia (OBEC-BA), com base no cálculo das prefeituras do estado, estima-se que quase R$ 1 bilhão deixe de circular na Bahia sem as festas de São João.

Na avaliação do publicitário Gabriel Carvalho, criador do site São João na Bahia e especialista nesse festejo popular, há uma ‘democratização’ nos lucros das festas juninas. “É uma celebração onde todo mundo ganha. Estima-se que a movimentação financeira chegue próximo a R$ 1 bilhão na Bahia. Isso sem contar nos milhares de empregos gerados que a gente nem consegue contabilizar direito, pois envolve desde o comércio ao vendedor ambulante, passando pelas pequenas industrias, os artistas e a economia criativa”, explica.

Só em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador (RMS), são mais de R$ 60 milhões que o município deixará de ganhar. No Recôncavo, na cidade de Cruz das Almas, são mais de R$ 30 milhões perdidos. Já em Santo Antônio de Jesus, segundo estimativas do setor, a festa na cidade costuma movimentar cerca de R$ 10 milhões. Por sua vez, em Amargosa, no Vale do Jiquiriçá, em torno de R$ 20 milhões não vão circular na cidade em 2021 por causa da pandemia.

Na Bahia, em condições normais, a festa de São João acontece em mais de 300 municípios. São mais de 2 milhões de baianos circulando no próprio estado, sendo que metade disso são pessoas da capital com destino ao interior, de acordo com Gabriel Carvalho.

“Mais um ano sem São João dói muito em quem gosta e participa. E dói, principalmente, no bolso. O São João representa renda para aqueles que plantam, se apresentam no palco, vão vender sua cerveja e, também, para toda a economia do estado, de uma forma geral”, argumenta.

Tão apaixonado por São João, o próprio Gabriel Carvalho tem o costume de, desde os 16 anos, viajar para alguma cidade da Bahia no mês de junho, alternando entre Santo Antônio de Jesus, Amargosa, Ibicuí e Cruz das Almas. Ano passado, por causa da pandemia, foi a primeira vez, desde então, que ele ficou na capital. Em 2021, a programação terá que ser repetida. “O arrasta-pé vai ser aqui em casa mesmo, cumprindo o isolamento social e com comidas típicas”, disse.

Grandes cidades lamentam falta dos festejos juninos
Em Camaçari, cidade baiana que estima ter o maior prejuízo com a não-realização das festas juninas, o cálculo da prefeitura é feito com base na movimentação do comércio, da rede hoteleira, turismo, ambulantes, barraqueiros, logística de transporte e outros setores. Dos cofres municipais, o investimento era de R$ 8 milhões, se levar em conta todo o mês de junho. O retorno vinha em quase oito vezes mais: R$ 60 milhões.

Na cidade, as celebrações começam no dia de Santo Antônio, 13 de junho. Mas a grande festa mesmo era o Camaforró, entre 21 a 23 do mesmo mês. Em 2019, ela reuniu mais de 60 mil pessoas por dia. Ao todo, foram 50 shows divididos entre os três palcos. Mais da metade dos artistas eram da localidade, mas a última edição também teve Calcinha Preta, Simone e Simaria, Lambasaia e Magníficos.

No Recôncavo, Cruz das Almas chega ao segundo ano sem São João com muito a lamentar. Por lá, mesmo antes da emancipação da cidade, em 1896, a tradição junina já existia. Na época, o local era apenas um distrito do município de São Félix. As festas eram realizadas nas famílias e entre a comunidade – inclusive, com a tradicional guerra de espadas, hoje proibida.

“Estima-se que o São João movimente cerca de R$ 30 milhões na economia local, incluindo os comércios tradicionais e ambulantes. Com o grande número de turistas na cidade, há um aquecimento das compras no período junino”, explica o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Econômico da cidade, Euricles Neto.

Em condições normais, o ‘arraiá’ de Cruz das Almas atrai milhares de turistas durante quatro dias do mês de junho. Trata-se de um grande festival de música popular, com destaque para bandas de forró e outros ritmos nordestinos. Este ano, para não causar um sentimento de normalidade na população, a prefeitura optou por não decorar a cidade. Mesmo assim, a gestão municipal promete desenvolver algum projeto para manter viva a tradição nesse contexto.

Em Amargosa, palco do show virou ponto de vacinação
Se é para celebrar o São João em 2021, que seja com muita vacina! Isso, pelo menos, é o que parece estar acontecendo em Amargosa. Por lá, na praça que costuma receber os shows responsáveis por lotar a cidade, o palco deu espaço a um drive-thru de vacinação contra a covid-19. É a esperança de que, em 2022, tudo vai voltar ao normal.

“Dá um aperto no coração de todos nós que gostamos de São João. Particularmente, é a festa que eu mais gosto de realizar e participar, e tenho certeza de que é a preferência da população baiana e do Nordeste inteiro. Deixo um recado para que sigamos firmes, tomando todos os cuidados, para terminar este ano livre da pandemia e, em 2022, voltar à normalidade. Amargosa vai realizar o maior e melhor São João de todos os tempos, aquele com um gosto de saudade e reencontro”, promete o prefeito da cidade, Júlio Pinheiro (PT).

Segundo o gestor, no São João, a cidade que tem 37 mil habitantes dobra a sua população com a quantidade de visitantes. “Esse público ainda é ampliado por conta das pessoas de cidades circunvizinhas que vêm apenas à noite para conferir as principais atrações. A gente acredita que o público é, mais ou menos, esse: de 40 ou 50 mil pessoas”, explica.

Santo Antônio de Jesus aposta em lives e decoração da cidade durante a pandemia
Se para fazer São João tem que se reinventar, a cidade de Santo Antonio de Jesus decidiu assumir isso na prática. Em 2021, saem os grandes shows e aglomerações e entram as lives e distanciamento social. Tudo isso para manter a curtição típica do período viva no município. “É uma forma de valorizar os nossos artistas. As pessoas estão participando, contribuindo. Essa é a esperança de que esse período triste vai passar”, diz a secretária de Cultura Silvia Brito.

Lá, a festa virtual começou no dia 29 de maio, aniversário do município, que foi marcada por uma live de forró com artistas locais e, no último sábado (5), um concurso de música escolheu a melhor canção junina do ano com o tema “Plantando esperança para colher alegria em SAJ, o Melhor São João da Bahia”. Foram inscritas 24 canções inéditas, todas compostas por artistas locais. Desses, 10 foram selecionados para a grande final e os vencedores receberam os prêmios de R$ 5 mil reais para o primeiro colocado, R$ 2,5 mil para o segundo e R$ 1 mil para o terceiro colocado.

A equipe da prefeitura também está preparando uma grande live na véspera do São João para aquecer os corações dos que gostam da festa. O conjunto de iniciativas promete animar os forrozeiros de plantão que este ano não poderão dançar agarradinhos, mas terão a oportunidade de admirar apresentações e ouvir forró.

“A gente tem total expectativa de fazer uma das maiores festas da Bahia em 2022. Já estávamos nos consolidando no cenário nacional e a intenção é ter uma festa a altura”, promete a secretária de cultura.

Em Mata de São João, arrecadação de ISS caiu 75% em junho
Na Região Metropolitana de Salvador, em Mata de São João, as perdas também foram grandes, apesar de não existirem números concretos. A arrecadação de Imposto Sobre Serviço (ISS) do município, que incluem os bares, restaurantes, hotéis e pousadas, teve uma redução de 75% em junho de 2020 comparado a junho de 2019. Antes da pandemia, a cidade arrecadou mais de R$ 3,7 milhões com ISS, contra R$ 963 mil no ano passado.

A prefeitura pontua, no entanto, que, neste período de 2020, somente os serviços essenciais – mercados e farmácia - estavam abertos, e que os ambulantes não conseguem ser contabilizados, por não pagarem esse tipo de imposto. Segundo a gestão, portanto, as perdas são muito maiores.

Em Ibicuí, no Centro Sul da Bahia, os prejuízos são na ordem de R$ 5 milhões. “A população como um todo sofre sem os festejos juninos. O São João é tradição em Ibicuí e faz parte da história de muita gente. Financeiramente falando, as pessoas que trabalham com eventos, músicos, equipes de produção e montagem, comerciantes em geral, prestadores de serviços e corretores ou pessoas que alugam suas casas para o período festivo são os que mais sentem. É um serviço que deixa de acontecer e, portanto, um dinheiro que deixa de entrar pra cada uma dessas pessoas”, revela a prefeitura. Mais do a perda financeira, existe o prejuízo sentimental.

“Maior que o prejuízo financeiro, existe um prejuízo sentimental, já que todos os ibicuienses sentem uma imensa falta deste momento único O São João é o mais importante festejo para o nosso ciclo cultural, e isso desde muito tempo. Ibicuí vive profundamente a época”, acrescenta.

Por isso, pular fogueira só ano que vem, se o cenário pandêmico for viável. “O que precisamos agora é resguardar vidas, e a não comemoração do São João. Ano que vem, pensando na possibilidade de todos já estarem vacinados, faremos, com certeza, o melhor São João. Aí, sim, vamos matar a saudade acumulada nesses dois anos”, explica.

Retorno financeiro é fruto do investimento municipal nas festas
No Sul da Bahia, em Ipiaú, são cerca de R$ 400 a 500 mil que a prefeitura deixa de injetar na economia da cidade. Lá não é exatamente o São João que é comemorado, e sim o São Pedro, no dia 29 de junho. Nos três dias de festas públicas, mais de 35 mil pessoas frequentam o município, sem contar com os habitantes, que são 45 mil.

O diretor de cultura disse que nunca fez um levantamento de quanto seria o retorno financeiro a partir do investimento da prefeitura. Mas sabe que é maior que os R$ 500 mil investidos.

"A gente nunca fez um estudo de quanto o São João movimenta na cidade, mas a gente percebe que o comércio vende muito, fica muito aquecido. Nos dias seguintes, muitas pessoas vão fazer depósito nos bancos ou pagam boletos, então agente percebe o impacto por aí”, comenta o diretor de cultura da secretaria de educação e cultura de Ipiaú, Marcelo Batista.

Na última edição da festa de São Pedro, artistas como Saia Rodada e Marília Mendonça estiveram no palco. Não existem ainda festas privadas na cidade. De acordo com diretor, os ambulantes são os mais impactados com a impossibilidade da realização dos festejos juninos. “É toda uma rede, mas os ambulantes, que vivem da festa, para vender sua cerveja, seu churrasco, hoje estão impedidos pelo combate ao vírus”, acredita.

Mercado informal do interior pode ser o mais prejudicado, aponta gestores
O diretor de cultura, esporte e lazer de Jaguarari, Leandro Silva, está preocupado com o mercado informal que dependia dos sete dias de festas de São João que tinha na cidade. “Os vendedores ambulantes sofreram muito, porque temos muito movimento durantes esses dias de festa, então dá para eles se manterem por mais seis meses. Além das 25 barracas que montamos, temos em torno de 100 pessoas que vendem acarajé, tapioca, cachorro quente, chapéu, maçã do amor... Eles estão todos sem poder vender seus produtos e não têm renda, porque não têm renda fixa”, expõe Silva.

Na cidade, o prejuízo sem a festa é de R$ 2 a R$ 2,5 milhões. “A gente tinha uma base de investimento em torno de R$ 700 mil a R$ 1 milhão e uma rentabilidade de R$ 2 a 2,5 milhões, com a movimentação na rede hoteleira, dos barraqueiros e com os patrocínios”, explica. Em torno de 8 a 10 mil pessoas, incluindo os moradores, frequentavam as festas quando eram realizadas. Bandas como Calypso, Calcinha Preta, Limão com Mel e o cantor Leonardo já tocaram por lá.

Em Euclides da Cunha, no Nordeste da Bahia, o prejuízo da não realização do Arraiá do Cumbe, como a festa é chamada, é de R$ 5 mihões. A prefeitura investia R$ 2 milhões na realização do evento, que teve um público de cerca de 30 mil pessoas por dia entre 21 e 24 de junho de 2019. Na época, dentre as principais atrações que passaram pelo município, estavam Alcymar Monteiro, Jonas Esticado e Gatinha Manhosa.

“Levando em consideração a movimentação que o Arraiá do Cumbe traz para a cidade, quem mais sentiu os efeitos do cancelamento das últimas edições do São João (2020 e 2021) são: hotéis, vendedores ambulantes, restaurantes, distribuidoras de bebidas, artistas locais, mercados e postos de combustíveis, nessa ordem”, apontou a prefeitura, em nota.

Alguns municípios não conseguiram estimar o tamanho do prejuízo
Em Mucugê, na Chapada Diamantina, a prefeitura não soube informar as perdas. “Ainda não temos como estimar, está muito cedo. Teremos uma perda de receita com certeza, mas os hotéis estão com boa ovulação, mesmo sem festas. Então fica difícil fazer esta estimativa, porque até a data e, dependendo dos novos decretos estaduais, tudo pode mudar”, diz a secretária de turismo de Mucugê, Fabiana Profeta. Ela assegura que não terá festas de São João, mas como o feriado “ainda é muito forte” e “as pessoas querem viajar mesmo sem festa”, não pode prevê a movimentação na cidade.

A prefeitura de Piritiba, no Centro Norte, disse que, no mês de maio, já estaria com todos os hotéis e pousadas lotados. “Com toda certeza é um grande prejuízo financeiro para o município, pois durante o período junino tínhamos mais de 30 arraiás entre povoados e nas ruas da sede do município, além do tradicional Arraial Capim Guiné. No entanto, é um momento de se pensar no coletivo e na vida humana que é o bem mais precioso que existe”, afirma a prefeitura, por meio de nota.

Em Irecê, a prefeitura também não soube informar o quanto o São João movimenta na economia da cidade. Mas por lá, a gestão municipal costuma investir cerca de R$ 3,5 milhões de recursos próprios, além da arrecadação de cerca de R$ 1 milhão com patrocínios.

“Sem a festa, o município perde na atração de turistas, o comércio deixa de vender e, como consequência, deixa de contratar. Tem também a perda cultural e das opções de lazer que são geradas neste período”, lamenta a prefeitura, em nota.

O CORREIO também procurou as cidades de Senhor do Bonfim, Alagoinhas, Cachoeira, Ipirá, Juazeiro e Itaberaba, mas não obteve retorno até o fechamento do texto. Já a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais (SEI) informou não possuir estudo relacionado ao São João na Bahia, mas que algo deve ser lançado em breve.

Banda Paixão di Vaqueiro, de Jaguarari, teve que vender van durante a pandemia
Um reflexo dos problemas enfrentados no cancelamento do São João está nos artistas locais. De Jaguarari, a banda Paixão di Vaqueiro, que tem sete anos de estrada, teve que se desfazer da van que usava para transportar os músicos no show.

O empresário Binho Marques conta que ainda tentou durante seis meses manter a estrutura do grupo como era antes da pandemia, mas sem nenhuma receita financeira, a solução encontrada foi demitir todos os 18 funcionários até que shows possam ser realizados novamente.

“Todo o nosso setor vem sofrendo, pois não tem uma resposta definitiva de quanto vai ter um retorno. Estamos de mãos atadas, forçados até a entrar em outros ramos para sobreviver. Mas graças a Deus a banda tá unida e de pé. Tivemos que fazer a demissão, mas todos tem certeza de que vão retornar aos seus postos quando tudo voltar ao normal”, explica.

Binho conta que, para sobreviver, alguns músicos da banda passaram a atuar como taxistas, mototaxistas e até empresários. “A maioria parou com a música. Infelizmente, nós não podemos fazer nada, a não ser tocar em casa”, lembra.

Em 2020, a banda Paixão di Vaqueiro até realizou algumas lives para arrecadar dinheiro para os músicos, mas não há nada programado para 2021. “Um dos nossos principais faturamentos era o mês de junho. Já chegamos a fazer 25 shows e faturar quase R$ 500 mil reais. Hoje estamos mesmo de mãos atadas, esperando tudo isso acabar”, diz Marques.

Grandes festas privadas de São João na Bahia seguem canceladas
Se no início da pandemia, em março de 2020, alguém dissesse a Diego Lomanto, um dos realizadores do Forró do Piu-Piu, que a festa não iria ser realizada naquele ano, ele iria duvidar. “Nunca passou pela minha cabeça que a pandemia fosse chegar a esse ponto. A gente nem imaginava que em 2020 não iria ter São João. A nossa expectativa era de que tudo tivesse normalizado agora, mas seguimos sem horizonte”, lamenta o empresário.

Assim como foi no ano passado, o Forró do Piu-Piu, realizado tradicionalmente em Amargosa, segue cancelado. Em condições normais, cerca de 12 mil pessoas eram atraídas pelos shows, que beneficiava não só os realizadores. “Entre empregos diretos e indiretos, gerávamos mil postos de trabalho, a maioria de pessoas da própria Amargosa”, explica.

Para Lomanto, não há condições de uma festa como a sua ser realizada antes de que a maioria da população já esteja vacinada. “Só passa pela minha cabeça fazer um evento como esse quando a maior parte das pessoas tiver tomado sua vacina e houver segurança. Não adianta eu querer fazer uma festa e o poder público não estar alinhado com isso. Nós estamos em total diálogo com a prefeitura e o governo do estado”, diz.

Em Ibicuí, o Forró Brega Light também segue cancelado. Cassio Andrade, um dos diretores do show que atrai 15 mil pessoas por dia, aponta que quase mil empregos diretos são gerados pelo evento. “Para a cidade, está sendo muito complicado, pois é uma festa que movimenta muito a economia. São muitos moradores que alugam suas casas, por exemplo”, conta.

No ano passado, para lidar com a ausência dos shows, o Brega Light até realizou uma live, mas isso não deve acontecer esse ano. “Nós tivemos mais trabalho para fazer a live do que a festa, pois demanda muito tempo e uma boa estrutura de internet”, lembra. O jeito, para o empresário, é esperar chegar 2022.

“Se Deus quiser, vamos voltar com tudo. E estamos projetando muitas melhorias na festa, muita coisa boa. Queremos que o Brega Light seja um festival referência no Brasil inteiro. Vamos tirar da pandemia uma oportunidade de se reinventar, se planejar e melhorar mais ainda”, promete.

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  • Produtos juninos têm alta variação de preços

    As comemorações de São João acontecem amanhã e quinta-feira. Quem vai festejar, mesmo dentro de casa, já está indo às compras. O CORREIO também foi à feira ontem e percorreu seis locais de Salvador para saber quanto estão custando os produtos típicos da ceia junina. E nesse momento de crise, o consumidor vai precisar ficar atento na hora de escolher os produtos, afinal, as variações foram altas. Itens tradicionais como licor (214%), laranja (130%), espiga de milho (102%) e amendoim (50,5%) aparecem entre os que mais tiveram preços bem distintos a depender do local.

    Vale ressaltar que a venda de bebidas alcoólicas em Salvador e RMS está permitida só até às 20h de amanhã. Depois disso, está suspensa, inclusive por delivery, até às 5h do dia 28. A medida faz parte do decreto do Governo do Estado que visa conter as aglomerações do período junino.

    Mesmo assim, quem procurar o licor vai precisar pesquisar bem. No Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha, o produto foi encontrado por até R$ 22. Já na Feira de São Joaquim, tinha feirante vendendo por R$ 7. Apesar dos inúmeros sabores, o de jenipapo, como sempre, é o mais pedido.

    Nos supermercados da cidade, não é comum encontrar os licores tradicionais de São João, achando normalmente os importados, que são mais caros. Mas, na Cesta do Povo, algumas unidades estavam disponíveis e sendo vendidas por R$ 12,49. O valor é ainda mais barato que na quinta-feira passada, dia 17, quando estava sendo vendido a R$ 15,99.

    Em São Joaquim, era possível encontrar os licores cremosos por R$ 20 e os mais tradicionais por R$ 7. Segundo os feirantes, a procura não está das melhores e a tendência é que o preço vá diminuindo. Seu Bira já fez isso. Ele disse que começou vendendo por R$ 15, baixou para R$ 12 e, agora, está vendendo por R$ 10. “Se não tem muita gente comprando, a gente vai descendo os preços. Fazer o quê, né?”, lamenta.

    Ceia junina

    No ramo das comidas, a laranja (do tipo pêra) foi o produto com maior variação de preço: 130%, de R$1,69 o kg, na Cesta do Povo, a R$3,89, no Super Bompreço. Na Feira de São Joaquim, estava sendo vendida no saco, que saía por R$10,00.

    Queridinho número um do São João, o amendoim teve variação de preço de 50,5%, entre R$9,90, na Cesta do Povo, e R$14,90 o kg, no Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha. Na Feira de São Joaquim, está sendo vendido por saco, no valor de R$25,00.

    Outro campeão de vendas é o milho. O preço da espiga variou 102%, de R$0,99, na Feira de São Joaquim, a R$2,00, no Mercado do Rio Vermelho. Também foi possível encontrar a bandeja, para quem não quer ter trabalho, com cinco unidades, sendo vendida a R$9,90, no Mercado do Rio Vermelho, antiga Ceasinha.

    O jenipapo não foi tão fácil de encontrar. Nos três supermercados percorridos (Super Bompreço, Cesta do Povo e Extra), apenas o Super Bompreço ofertava o produto. Por lá, ele estava sendo vendido na bandeja a R$17,99 o kg. Cada uma, com quatro unidades de jenipapo, saiu por cerca de R$12,50.

    Nos demais locais, o produto era mais em conta. No Mercado do Rio Vermelho, o valor era de R$12,00 o kg. Na Feira de São Joaquim, três unidades saíram por R$2,00 e, na Sete Portas, a mesma quantidade custou R$5,00. Nem todos os boxes vendem o produto, então vale perguntar e pedir indicação. Colocando na ponta do lápis, o preço da unidade variou em 106%.

    Já o coco era encontrado aos montes. Nos mercados, o preço variou em 123%, de R$2,99, na Cesta do Povo, a R$6,69 o kg, no Extra. Já nas duas feiras, de R$2,00 até R$5,00 a unidade, a depender do tamanho. Para esse produto, a vantagem do Mercado do Rio Vermelho, da Feira das Sete Portas e da Feira de São Joaquim é que o cliente pode pedir para o vendedor ralar o coco na hora. Alguns deles não cobram nada a mais pelo serviço.

    Utilizadas, principalmente, para os tradicionais bolos juninos, as massas de tapioca, carimã e aipim, assim como o jenipapo, exigem uma persistência maior para encontrar. Nenhum dos três supermercados percorridos vendem os produtos. A massa de tapioca teve variação de 100% no preço, a de carimã, 66%, e a de aipim, também 100%.

    O Mercado do Rio Vermelho foi o local com mais opções de boxes e, por lá, os três produtos estavam saindo por R$10,00 o pacote. Na Feira das Sete Portas, eles foram encontrados com os menores preços. A massa de aipim e a de tapioca estavam custando R$5,00 e, a de carimã, R$6,00. Em São Joaquim, os três produtos custavam R$6,00 cada.

    Está faltando dinheiro

    Os dias 23 e 24 se aproximam, mas os feirantes ainda não estão animados. No lugar do vai e vem de clientes e da agitação do período junino nos mercados e feiras de Salvador, apenas alguns interessados nos produtos típicos. Para os comerciantes, a tendência do brasileiro de deixar para a última hora pode nem acontecer este ano, já que os clientes reclamam da falta de dinheiro e dos altos preços dos produtos.

    Nos supermercados, nenhum cliente foi encontrado incrementando a cesta ou o carrinho com os produtos juninos. Na Sete Portas, os vendedores reclamavam da baixa procura. Segundo Dona Terezinha de Jesus, uma das comerciantes do local, o movimento está ainda mais fraco do que no ano passado. “O pessoal não está procurando muito, tem muita gente comprando tudo já pronto também. Mas, às vezes, tem gente que deixa para a última hora. Talvez ainda melhore um pouco”, diz ela.

    Já o comerciante Edson Pereira não está tão otimista. Para ele, o movimento não deve aumentar muito e os motivos são os preços elevados e falta de dinheiro no bolso do consumidor. “O pessoal está sem dinheiro, a gente está sendo a diferença que faz o auxílio emergencial porque no ano passado tivemos mais vendas. E os produtos estão mais caros mesmo”, opina o vendedor.

    Edson explica que os comerciantes estão comprando os produtos a preços mais elevados e precisam repassar os valores. “No ano passado eu comprava a saca do amendoim por 100 reais e, este ano, comprei por 200. A laranja foi a mesma coisa. Eu comprei, em 2020, 200 laranjas por 45 reais. Agora, estavam vendendo 100 por 35. Fica difícil para a gente e, muitas vezes, o cliente ainda faz a pechincha e a gente tem que vender para não perder a oportunidade”, acrescenta.

    Quem movimentava a Feira das Sete Portas estava mesmo atrás dos produtos mais comuns, para a alimentação do dia a dia. Esse foi o caso de Silvana dos Santos, que está desempregada. “Este ano não vai ter ceia junina lá em casa, estou comprando só o essencial mesmo. Fiquei desempregada e o dinheiro está pouco”, diz ela.

    No Mercado do Rio Vermelho e na Feira de São Joaquim, a procura por produtos juninos era maior, mas as questões se repetiram. A consumidora Roberta Freire diz ter notado os preços mais elevados na feira e que as compras este ano saíram em torno de 5 a 10 reais mais caras. Ela levou para casa amendoim, laranja e milho, os três produtos mais procurados, segundo os vendedores.

    “Eu vim direto aqui na Feira porque acho melhor, com mais variedade e preço melhor, mas, mesmo assim, achei os valores mais salgados mesmo. Mas a gente tem que levar, né? Vamos fazer uma reuniãozinha em casa mesmo este ano, já que não pode viajar e não tem festa, aí não pode faltar, ao menos, amendoim, milho e laranja. Comprei o básico mesmo”, conta Roberta.

    Sobe e desce dos preços

    Enquanto a baixa procura pelos produtos fez alguns preços caírem, em alguns locais os valores de alguns produtos já subiram da última semana para cá. Esse foi o caso da antiga Ceasinha. Por lá, o único produto da lista com diminuição de preço foi a laranja pêra, que passou de R$3,90 para R$3,49 nesta semana.

    O milho teve elevação de preços lá e também na Sete Portas e no Extra. Já o amendoim subiu no Mercado do Rio Vermelho, na Sete Portas, em São Joaquim, no Extra e na Cesta do Povo. Na Feira de São Joaquim, o saco do amendoim, antes encontrado por R$15,00, agora está saindo por R$25,00.

    O jenipapo, que custava R$10,00 o kg na Ceasinha, agora está sendo vendido a R$12,00. Na Sete Portas, quatro unidades eram R$5,00 e, agora, o mesmo valor vale para três unidades. O coco teve elevação de preço de R$0,90 na Ceasinha e também de R$0,80 no Extra. Segundo os comerciantes, é preciso aproveitar os últimos dias de vendas.

    “A gente começa com o preço mais elevado, para ver o que consegue. Aí fui vendo o movimento baixo e o pessoal pechinchando, então a gente já faz o desconto. Mas, agora, nos últimos dias já, é quando tem o maior movimento. Quem não vier por agora não vem mais, então dá para aumentar o preço de algumas coisas”, diz o comerciante João Silva, da Feira das Sete Portas.

    Mercado do Rio Vermelho (Ceasinha):

    Milho: R$2,00 a espiga
    Amendoim: R14,90 o kg
    Jenipapo: R$12,00 o kg
    Laranja pêra: R$3,49
    Coco: R$4,90 a unidade
    Massa de tapioca: R$10,00 o kg
    Massa de carimã: R$10,00 o kg
    Massa de aipim: R$10,00 o kg
    Licor: a partir de R$13,90

    Feira das Sete Portas:

    Milho: R$1,25 a espiga
    Amendoim: R$10,00 o kg
    Jenipapo: R$5,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: De R$2,00 a R$3,50 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$5,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$5,00 o kg
    Licor: R$15,00

    Feira de São Joaquim:

    Milho: R$1,00 a espiga
    Amendoim: R$25,00 o saco
    Jenipapo: R$2,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$10,00 o saco
    Coco: De R$2,00 a R$5,00 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$6,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$6,00 o kg
    Licor: a partir de R$7,00

    Super Bompreço (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,99 a espiga
    Amendoim: R$12,99 o kg
    Jenipapo: R$17,99 o kg (bandeja com 4 unidades por R$12,50)
    Laranja pêra: R$3,89 o kg
    Coco: R$ 5,90 o kg

    Extra (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,85 a espiga
    Amendoim: R$14,59 o kg
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: R$ 6,69 o kg

    Cesta do Povo (Ogunjá):

    Milho: R$0,99 a espiga
    Amendoim: R$9,90 o kg
    Laranja pêra: R$1,69 o kg
    Coco: R$ 2,99 o kg
    Licor: R$12,49

    Para quem prefere tudo pronto

    Outra opção é já comprar os produtos prontos, como bolos, canjica, cuscuz e mingau. Ou até mesmo o amendoim, que já pode ser comprado cozido. Para quem prefere a praticidade e pode arcar com os valores, o CORREIO separou três locais de vendas de produtos da ceia junina. Confira:

    Rancho do Bolo (site ou ifood):

    Bolo de carimã, milho, tapioca e aipim - R$25,00
    Bolo de laranja - R$10,00
    Pamonha de milho com queijo (180g) - R$10,00
    Cesta junina: bolo de rolo, pão delícia, broa de milho, bolo de aipim, bolo piscina crocante de churros, biscoito Jucurutu, amendoim, pipoca e café gourmet - R$155,90

    *É possível encomendar, comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Bolo das Meninas (site ou ifood):

    Mingau de Tapioca (250g) - R$14,00
    Pamonha de milho (2 unidades) - R$16,90
    Amendoim cozido (500g) - R$27,00
    Lelê (230g) - R$8,50
    Bolo de aipim, tapioca e carimã - R$32,00
    Bolo de laranja - R$27,00
    Canjica (250g) - R$14,00

    *É possível comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Doce Dainha (@docedainha):

    Bolo de aipim, milho, tapioca e carimã (18cm) - R$28,00 / (22cm) - R$35,00

    *Encomendas até dia 22/06

  • Cidades baianas distribuem prêmios para estimular vacinação contra a covid-19

    Já pensou ir ao posto de saúde tomar a vacina contra a covid-19 e sair de lá com um liquidificador ou batedeira? Se estiver grávida, pode levar até enxoval completo e um berço para o bebê. Em cidades baianas como Bom Jesus da Lapa e Sítio do Mato, no oeste do estado, é possível. Isso porque, para estimular a vacinação, as prefeituras dessas cidades começaram a sortear prêmios entre os imunizados.

    Em Bom Jesus da Lapa, com quase 70 mil habitantes, a iniciativa ocorre desde a quinta-feira (17) focada, inicialmente, nas gestantes. Segundo o secretário de Saúde Euler Nogueira, o município tem cerca de 850 mulheres grávidas, mas apenas 98 compareceram para tomar a 1ª dose da Pfizer. Foi então que o gestor pensou em criar o sorteio valendo o enxoval completo e um ensaio fotográfico. Três dias depois, o número de imunizadas saltou para 400.

    “As gestantes estavam com receio de receber a vacina. Tivemos dia em que nenhuma delas procurou a 1ª dose. E se elas não tomam, temos que dar vazão, vacinar outro grupo. Só que elas são prioridade e precisam ficar imunizadas”, diz o secretário, que fez contato com os comerciantes do município para conseguir os prêmios.

    “Liguei para o pessoal, pedi ajuda e ainda brinquei que só queria coisa boa. Em pouco tempo, tínhamos 20 tipos de prêmios. Depois, os próprios comerciantes começaram a aparecer para fazer doação. Arrecadamos liquidificador, batedeira, ferro de passar, espremedor de fruta, purificador de ar”, enumera.

    A participação dos comerciantes fez a ação ser ampliada para o público que não retornou para a 2ª dose. Em Bom Jesus da Lapa, havia 600 ampolas da AstraZeneca paradas aguardando as pessoas que tem direito de tomar o reforço. Com a iniciativa, qualquer um que tomar a 2ª dose na cidade pode participar do sorteio, que é semanal. O primeiro ocorre amanhã, com cinco prêmios. Já o sorteio das gestantes ocorrerá quando todas forem vacinadas ou as doses da Pfizer acabarem.

    “Por causa do show de prêmios, vacinamos até domingo 180 pessoas que estavam com a data de retorno atrasada”, aponta o secretário.

    Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), as vacinas enviadas para aplicação da segunda dose não podem ser destinadas para outra função, o que ligou o alerta da equipe de saúde para acelerar a imunização na cidade.

    Até esse domingo, 21 mil pessoas tomaram a primeira dose da vacina em Bom Jesus da Lapa, o que equivale a 31% do público alvo, mas apenas 6,6 mil pessoas (9%) tomaram a segunda dose.

    Outras cidades também realizam ações

    Segundo a prefeitura de Bom Jesus da Lapa, a iniciativa do município inspirou a vizinha Sítio do Mato a fazer o mesmo. Por lá, as gestantes e puérperas (mulheres com até 45 dias após o parto) com 18 anos ou mais que tomarem a 1ª dose da vacina concorrerão a um enxoval completo e um berço. Ainda de acordo com o que a prefeitura informou em redes sociais, a imunização pode acontecer até o dia 5 de julho no posto de vacinação da sede ou da zona rural.

    Em Ribeira do Pombal, nordeste da Bahia, não há entrega de prêmios mas, por lá, segundo a prefeitura, a vacinação segue tranquila e com participação da população. O que tem ajudado é o serviço de busca ativa lançado pela Secretaria da Saúde. Através das Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários, a equipe faz contato para informar a data de retorno para a 2ª dose.

    “Nosso objetivo é reduzir ao máximo o número de faltosos e, consequentemente, ampliar a eficácia da cobertura vacinal para a população”, explica a secretária Lakcelma Costa. Até o momento, a prefeitura aplicou 16,8 mil primeiras doses e 6,1 mil segundas. Há ainda 505 segundas doses em estoque, mas com a vacinação já programada.

    Já em Crisópolis, também no nordeste da Bahia, a prefeitura colocou um carro de som para informar à população que vive nos povoados mais afastados a data, horário, local e o público-alvo da vacinação. “O carro vai para todas as ruas, becos e vielas das áreas mais remotas ou descobertas por agentes de saúde. São, geralmente, áreas que não tem acesso a internet e o público é carente”, explica o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Tiago Argolo. Na cidade, já foram aplicadas 5,4 mil primeiras doses e 2,2 mil segundas.

    Salvador também tem utilizado busca ativa e carro de som para estimular a vacinação e o retornaram para a segunda dose.

    “Existe vacina disponível para as pessoas tomarem. Nós vemos que, para a 1ª dose, muitos ficam na expectativa de tomar logo. Nós pedimos para que as pessoas tenham também pressa para a 2ª. Todos são bem-vindos, mas devem retornar”, diz Andréa Salvador, Diretora de Vigilância à Saúde do município.

    Noventa mil pessoas não voltaram para a 2ª dose

    Na Bahia, quase 90 mil pessoas já poderiam ter completado o esquema vacinal, mas não retornaram aos postos para a segunda dose de CoronaVac e AstraZeneca, segundo dados da Sesab. Há duas semanas, o número de faltosos no estado era praticamente o mesmo: 91 mil.

    A vacina mais preterida pelos baianos é a CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. No total, são 63.955 pessoas que deveriam ter tomado a 2ª dose do imunizante e não retornaram. Já a AstraZeneca, produzida nacionalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem 25.533 faltantes no estado. Os ausentes representam 1,1% de todas as doses de vacina recebidas pela Bahia.

    No total, 8 milhões de ampolas foram enviadas ao estado, sendo 3,1 milhões de Coronavac, que tem intervalo entre as doses de 28 dias, e 4,3 milhões da AstraZeneca, cujo período entre a 1ª dose e o reforço é de 90 dias. A Bahia ainda recebeu outras 540 mil doses da Pfizer/BioNTech, que começou a ser aplicada em 4 de maio e possui intervalo de 90 dias, ou seja, ainda não existem baianos que podem tomar a 2ª injeção.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para que a vacina tenha efeito coletivo, é preciso que cerca de 70% da população esteja imunizada com as duas doses. Uma só não basta, pois os fabricantes ponderam que só com o esquema vacinal completo é possível garantir 100% de eficácia contra casos graves.

    A Sesab também segue essa linha. “A primeira dose já garante alguma proteção, mas a imunidade completa, indicada pelo fabricante, só com a segunda”, diz o órgão.

    Infectologista da SMS, Adielma Nizarala enxerga outros problemas associados ao ato de não tomar a 2ª dose da vacina.

    “Tem gente com menos de 18 anos que precisa se vacinar e não pode. A chance dela ficar protegida é a imunidade coletiva vinda com a vacinação. A pessoa que não toma as duas doses não vai estar completamente imunizada e protegida para os casos graves, mas também não estará contribuindo para a imunização coletiva, contribuindo para que toda sociedade seja beneficiada”, explica.

    Nizarala também diz que guardar a 2ª dose, por enquanto, é a única alternativa do poder público. “E nós temos que arcar com essa logística de armazenamento. Se a pessoa não aparecer, essa dose pode ser perdida, a não ser que haja determinação futura. Mas hoje, a primeira dose só pode ser usada como primeira e a segunda somente como segunda. É verba pública que pode ser perdida e nós, como cidadãos, precisamos de mais conscientização”.

  • Após 4h de paralisação, ônibus voltam a circular por Salvador

    Os ônibus voltaram a circular por volta das 7h40 desta terça-feira (22) após o término de uma paralisação de 4 horas promovida pelo Sindicato dos Rodoviários. O ato estava previsto para terminar às 8h, mas teve o fim antecipado em 20 minutos.

    A paralisação de 80% da frota ocorreu pois os rodoviários cobram o cumprimento de uma cláusula do acordo fechado com os patrões, referente a depósito de adiantamento salarial.

    A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, segundo o qual o adiantamento – que corresponde a 40% do salário de motoristas, cobradores e outros funcionários – deveria ter sido pago até o dia 20.

    O Consórcio Integra enviou comunicado à entidade sindical informando que não teria como fazer os depósitos nesta segunda (21), prevendo esse pagamento apenas para o início de julho.

    De acordo com Pedro Celestino, advogado do Sindicato dos Rodoviários, caso não ocorra uma resposta positiva por parte do patronato, “outras manifestações, talvez mais contundentes, poderão acontecer”. Ele não especificou quais.

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