Sem detalhes sobre a morte da menina Beatriz, MP pede novas perícias

Sem detalhes sobre a morte da menina Beatriz, MP pede novas perícias

Após a Polícia Civil identificar suspeito de assassinar a facadas a menina Beatriz Angélica Mota, de 7 anos, há pouco mais de seis anos, em Petrolina, no Sertão de Pernambuco, o Ministério Público Estadual (MPPE) pediu a realização de novas perícias complementares. A informação foi repassada pela promotora Ângela Cruz, coordenadora do Grupo de Atuação Conjunta Especial (Gace), que acompanha o caso.

A promotora ressaltou ainda que o Gace está analisando minuciosamente os 24 volumes do inquérito policial a fim de compreender não apenas o crime, mas também as circunstâncias relacionadas, com base em evidências científicas robustas que permitam a realização da persecução penal e uma eventual condenação perante o Tribunal do Júri.

"O Ministério Público está devolvendo o inquérito à Polícia Civil para que sejam juntadas mais informações. Sabemos que a polícia fará o trabalho requisitado de forma responsável, com foco na apuração dos fatos. E ao receber o relatório final da investigação, o MPPE vai analisar o inquérito e apresentar, no tempo devido, a sua manifestação", destacou Ângela Cruz.

Detalhes do crime
Em uma coletiva de imprensa na sede da Secretaria de Defesa Social de Pernambuco (SDS-PE), na área central do Recife, o secretário Humberto Freire, titular da pasta, afirmou que a garota recebeu dez golpes de faca, não 42 como amplamente divulgado desde a época do crime.

Ainda de acordo com Freire, na verdade houve 42 fotografias dos ferimentos no corpo de Beatriz. "O laudo, normalmente, tem várias imagens da mesma lesão para poder ilustrar melhor. Mas o laudo indica dez ferimentos a faca, que a levaram a óbito", pontuou.

O gestor disse também que o homem apontado como autor das facadas que matou a menina agiu sozinho e sem mandante.

Embora a polícia não tenha divulgado a identidade do suspeito, segundo o portal G1, ele chama-se Marcelo da Silva, de 40 anos. Ele já estava preso em Salgueiro, no Sertão do Estado.

Motivação do crime
O secretário também informou o que motivou o crime. Segundo ele, o homem apontado como suspeito do homicídio, desferiu as facadas na menina Beatriz após ela ter se desesperado ao se deparar com o assassino.

"Temos a motivação alegada, se coadunando com a dinâmica dos fatos. Quando teve contato, a vítima se desesperou e foi silenciada pelo criminoso, com golpes de faca", contou Freire, contudo, sem explicar o contexto que teria feito a criança se desesperar.

"A escolha da vítima foi ao acaso, e, por conta do desespero dela, ele decidiu silenciá-la", disse Freire em outro momento.

O secretário disse ainda que o suspeito tem histórico de violência sexual contra crianças. Apesar disso, o gestor ressaltou que as investigações não apontaram indícios de violência sexual contra Beatriz.

Assim, não ficou completamente claro em que circunstâncias se deu o contato entre a vítima e o suposto assassino.

Relembre o caso Beatriz
Beatriz Angélica Mota foi morta no dia 10 de dezembro de 2015, aos 7 anos, durante uma festa de formatura da escola em que estudava na cidade de Petrolina, no Sertão Pernambuco. O pai da menina era professor da escola.

A criança desapareceu quando avisou à mãe que iria beber água. Após estranhar a demora da filha, as pessoas começaram a procurar pela menina, que foi encontrar morta com 42 facadas, dentro de uma sala desativada.

O caso se arrastava há mais de 6 anos. A mãe de Beatriz, Lucinha Mota, nunca desistiu de lutar por justiça pelo assassinato da filha e realizou diversas manifestações ao longo dos últimos anos.

No final de 2021, ela fez uma romaria, saindo de Petrolina até a capital pernambucana para cobrar pessoalmente ao governador de Pernambuco, Paulo Câmara, pelo desfecho do caso.

Reportagem originalmente publicada no JC Online

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  • Amiga de adolescente recebeu R$ 650 para sair com médico acusado de abuso sexual

    O médico de 38 anos que foi preso em flagrante por estupro de vulnerável de uma adolescente de 13 anos, na Avenida Lucaia, no Horto Florestal, mantinha um relacionamento há cerca de um ano com a amiga da vítima, uma jovem de 18 anos. Segundo a polícia, ele conheceu a moça no Vale das Pedrinhas, onde a mãe dele mora, e eles marcaram um encontro, na quarta-feira (18). O médico negou aos policias ter tido relações com a adolescente. A polícia não divulgou os nomes dos envolvidos.

    A prisão em flagrante aconteceu por acaso. O coordenador da Operação Visão, delegado Thiago Almeida, contou que uma equipe da Delegacia de Repressão a Furtos e Roubos de Veículos (DRFRV) estava passando pela região do Lucaia quando ouviu o alarme de uma loja disparar. Ao se aproximar do local os policiais avistaram um carro Civic, com vidros escuros, motor ligado e faróis acesos.

    “A Operação Visão da Polícia Civil tem por objetivo coibir os crimes contra o patrimônio, notadamente os roubos de veículos. Pela análise da mancha criminal a região do Horto Florestal e Federação apresentavam um elevando índice desse tipo de crime, por isso as equipes estavam nessa região. Teve uma loja que acionou o alarme e ao passar pelo local percebemos o carro preto e vultos dentro do veículo”, contou o delegado.

    Ele disse que o médico percebeu a viatura e tentou fugir. “Quando a equipe se aproximou o carro tentou engatar a ré e sair, mas os policias abordaram e deram ordem de descida. Desceu o motorista do veículo, que era o médico. Aí, do banco do passageiro, desceu a mulher de 18 anos. Instantes depois, desceu a menor de 13 anos”, afirmou.

    Segundo o delegado, eles desceram do carro se vestindo. O médico procurou saber o motivo da abordagem e disse que estava sendo constrangido. O clínico geral contou para os investigadores que tinha um encontro marcado com a jovem de 18 anos e que ao chegar ao local foi apresentado a adolescente. Ele disse também que matinha um relacionamento com a mulher de 18 anos há cerca de um ano e que a conheceu quando foi visitar a mãe dele. As duas moram no mesmo bairro.

    O médico alegou que não sabia que a jovem tinha 13 anos e negou em depoimento que tenha ocorrido alguma relação sexual entre eles. A mulher de 18 anos confirmou que tinha um encontro com o médico, que os dois se relacionam há cerca de um ano e que recebia dinheiro para sair com ele. O pagamento combinado desta vez era de R$ 650. Ela disse na delegacia que era irmã da jovem, o que é mentira. Ela também negou que a adolescente estivesse sendo aliciada. A jovem ainda não foi ouvida pela polícia.

    Os investigadores apreenderam o celular do médico, solicitaram coleta de material genético no carro e vão ouvir mais pessoas antes de concluir o inquérito. O delegado explicou que o médico está respondendo por estupro de vulnerável e exploração sexual, e a mulher de 18 anos por exploração sexual e corrupção de menor.

    “Levar uma pessoa menor para presenciar um ato sexual ou libidinoso diverso expõe a isso [esses crimes]. Diante da informação de que a menor participaria ou havia a possibilidade de estar ali participando é que ela [mulher de 18 anos] foi flagranteada também”, afirmou.

    A defesa do médico informou que ele está à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos necessários. "Desde já informamos que a versão inicialmente veiculada não corresponde com a realidade dos fatos. Entretanto, em razão do sigilo inerente ao caso, ele não dará, por ora, qualquer declaração ou entrevista à imprensa e irá se restringir a provar sua inocência durante o curso da investigação", afirmou o advogado por meio de nota.

    Cajazeiras
    Ainda nesta quinta-feira (19), a polícia apresentou o resultado de outra ação para coibir o abuso sexual de crianças e adolescentes. Um treinador de futebol, que não teve o nome divulgado, foi preso em Cajazeiras acusado de abusar de jovens que eram atendidos no projeto social que ele comandava. A investigação começou há dois meses e o homem atuava há dez anos como treinador, sem licença. A polícia identificou 11 vítimas, mas acredita que existem mais.

    A titular da Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Crianças e o Adolescente (Dercca), Simone Moutinho, contou que foram cumpridos mandados de busca e apreensão na sede da instituição e na casa do treinador. Os investigadores encontraram vídeos com teor pornográfico de crianças e adolescentes em computadores, alguns deles eram jovens atendidos pelo projeto, e apreenderam computadores, celulares e documentos. No alojamento dos jogadores foram localizados mais documentos, preservativos e lubrificantes sexuais.

    “Conseguimos tomar o depoimento de 11 vítimas, mas esse é um projeto que já dura dez anos e tem muitas crianças envolvidas. A partir das oitivas e de tudo que apreendemos temos a dimensão de que existem mais vítimas. Ele ameaçava os jovens, e os pais e responsáveis não tinham conhecimento, estavam investindo no sonho dos filhos”, afirmou.

    As vítimas mais jovens tinham 12 anos. A polícia identificou crimes como estupro e corrupção de menores. O treinador também vai responder por armazenar e transmitir cenas de nudez e de natureza pornográfica envolvendo crianças e adolescentes. “Além das imagens dos alunos, ele contou que recebia pacotes com imagens de teor pornográfico envolvendo crianças e adolescentes, o que também é crime”, contou.

    Inicialmente, ele tinha um mandado de prisão temporária, mas como foi preso em flagrante com as imagens a polícia solicitou a prisão preventiva. Caso seja acatada, o homem ficará preso por tempo indeterminado. Segundo a delegada, ele negou o crime no primeiro momento, mas confessou em depoimento que fazia as imagens. Ele disse que não transmitia o conteúdo. Os jovens foram encaminhados para atendimento psicológico.

    A Operação Flor Lótus, como foi batizada, surgiu de uma denúncia crime do Ministério Público da Bahia, foi deflagrada pela Dercca e a prisão e as apreensões foram realizadas pela Coordenação de Operações Policiais (COP), do Departamento de Polícia Metropolitana (DEPOM).

    Cenário
    Os crimes contra crianças e adolescentes têm crescido na Bahia. Na quarta-feira (18), Dia de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, o CORREIO mostrou que o estado ocupa a 4º posição entre aqueles com maior número de casos de abusos sexuais praticados contra esse público no Brasil.

    Entre 1º de janeiro e 13 de maio de 2022, a Bahia registrou 2.925 denúncias, ou seja, 407 casos a mais do que os 2.518 relatados entre janeiro a junho do ano passado. Os dados são do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos e apontam crescimento de 16% no número de ocorrências.

    Todo 18 de maio é celebrado o Dia de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. A data é para lembrar os direitos humanos e fortalecer a rede de proteção desse público. Em 18 de maio de 1973, em Vitória (ES), uma menina de 8 anos foi raptada, estuprada e morta por jovens de classe média alta. O Caso Araceli chocou o país e passou a ser o símbolo da luta contra esse tipo de crime. A temática é debatida durante todo o mês pela campanha Maio Laranja.

     

  • Arrastão, morte e casa invadida: violência aumenta em bairros nobres de Salvador

    "De um tempo para cá, nem para comprar pão, saio a pé. Aqui fora, sinto que posso ser assaltada ou sofrer qualquer tipo de violência a todo momento. Até de carro, não estamos imunes", desabafa uma moradora do Itaigara, que prefere não se identificar, sobre a sensação de insegurança no bairro. Um medo que está presente por lá e em outros bairros com o metro quadrado mais caro da capital baiana como a Pituba, o Horto Florestal e o Canela. Locais antes considerados seguros e que passam por uma escalada de violência, com assaltos, invasões, cárcere privado e até troca de tiros.

    Na noite da última terça-feira (17), no Horto Florestal, um tiroteio entre suspeitos e guarnições da Polícia Militar da Bahia assustou moradores do bairro. De acordo com a PM, equipes faziam rondas na região quando a vítima do roubo informou sobre o crime.

    Os policiais começaram a busca e, ao acionarem a sirene, o suspeito que dirigia o veículo roubado - um Honda City - acelerou e foi perseguido. Já na Rua Maria Regina, em Brotas, os suspeitos abandonaram o automóvel, que ficou com uma marca de tiro, e fugiram correndo, na direção de um matagal atrás do Hospital Aristides Maltez.

    Segundo moradores, eles dormiram na mata e, às 5h15 de quarta, voltaram para roubar outro carro. A vítima era um homem que estava saindo para o trabalho. O carro dele, um Palio, que não tinha seguro, ainda não foi recuperado. Nenhum suspeito foi localizado até agora.

    Até abril deste ano, de acordo com a base de dados da Polícia Civil, em toda a Bahia, já foram roubados 4.617 carros e outros 2.028 veículos foram alvos de furtos.

    Ainda na noite de terça, uma família foi aterrorizada por cerca de 30 minutos na Rua Professora Zahidé Machado Neto, no Itaigara, depois que três bandidos invadiram a residência da região pulando o muro. De acordo com informações da PC, os donos da casa são um casal de idosos.

    Em depoimento, as vítimas contaram que um dos assaltantes vigiou a mulher e os outros entraram com o homem nos cômodos para procurar itens de valor. Os criminosos conseguiram levar celulares, cartões de banco, um tablet e uma chave de veículo. A reportagem procurou a família para obter mais detalhes sobre o caso, sem sucesso.

    Medo constante
    O número de ocorrências e a sensação de medo nos bairros têm feito moradores alterarem a rotina, contratarem serviços e abrirem mão de hábitos diários, como conta Willian Belitardo, 24 anos, que mora no Itaigara desde que nasceu. "Tem muita gente com medo onde eu moro. O meu prédio e outros condomínios contrataram segurança particular para a área por conta desses ocorridos. Por aqui, as pessoas evitam sair o máximo que podem e só saem mesmo para coisas essenciais. [...] Eu corria e fazia caminhada, mas parei de fazer por notar movimentações estranhas em carros nas ruas", conta ele, citando também assaltos constantes a mercados.

    Outro que vive no Itaigara desde pequeno é o estudante Pedro Moraes, 25. Ele diz que a sensação de insegurança vivenciada hoje no bairro é inédita. "Nunca vi o Itaigara tão perigoso como está. Não é só meu bairro, a cidade inteira está assim de maneira geral. Só que aqui, que era mais tranquilo, está demais a insegurança. Perto do Colégio São Paulo e em vários outros pontos, tem assalto direto, está muito difícil. Não sei como vai ser se não derem um jeito", reclama ele.

    Uma moradora da Pituba, que pediu para ter o nome preservado, relata que a situação onde vive é parecida. Hoje, hábitos comuns como levar o cachorro para passear ou comprar pão são limitados por conta do medo da ação de criminosos. "Esses dias estava em casa e a gente pensou em comer algo em uma pizzaria que fica aqui perto, não dá três minutos de casa. É um lugar que a gente sempre vai por ser muito perto e bom. Porém, preferimos abrir mão do ambiente que é legal e pedir para comer em casa. Tudo para se precaver de um assalto e possíveis violências que acontecem durante esse tipo de coisa", afirma.

    Na última terça-feira (17), cerca de 150 pessoas, entre moradores, síndicos e comerciantes da Pituba, se reuniram no Centro Comunitário da Igreja Católica, com o comando da 13ª Companhia Independente da Polícia Militar para discutir ações preventivas de segurança para a região. A dinâmica do bairro, locais sensíveis, condutas preventivas, entre outros assuntos, foram abordados no encontro.

    Políticas públicas
    Ao comentar o cenário atual, Sandro Cabral, professor do Insper e da Ufba de estratégia no setor público e autor de diversos trabalhos na área de segurança pública, diz que a maior percepção dos crimes nesse bairros está ligada a um aumento das ferramentas tecnológicas que propiciam melhor identificação dos crimes e faz uma ponderação. "Há um aumento da sensação de insegurança, mas a diferença entre a sensação e o fato, não podemos afirmar. É preciso olhar os dados. Sem isso, não dá para saber se os crimes estão aumentando ou estão sendo mais filmados, noticiados", ressalta. A reportagem procurou a Secretaria de Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA) para ter acesso aos números de roubos a residências no estado, mas não conseguiu retorno até o fechamento desta reportagem.

    Cientista social e pesquisadora da rede de observatórios da segurança, Luciene Santana pontua também que a insegurança sentida nos bairros ricos e a que se vive em locais periféricos são diferentes. Enquanto nos bairros nobres, as ocorrências não costumam ter mortes, nos mais pobres as vítimas fatais se acumulam. "Nos bairros periféricos, a sensação de insegurança é a partir de uma operação policial que acontece, troca de tiros e mortes. Já nos bairros nobres, essa sensação vem a partir de roubos, assaltos e furtos", destaca.

    Para Luciene, políticas públicas são necessárias para lidar com essas diferentes formas de inseguranças registradas em bairros periféricos e em bairros ricos. Políticas que não estão apenas no enfrentamento, mas na promoção de condições adequadas para que os cidadãos ocupem os lugares. "A sensação de insegurança está envolvida com a própria ocupação do espaço público, a forma como as pessoas acessam o direito à cidade, a quantidade de equipamentos públicos em funcionamento e se essas pessoas estão em circulação ou não nesse local", detalha.

    Cabral destaca que a maior facilidade em identificar os crimes pode ser usada pelas autoridades para ter estratégias adequadas ao enfrentamento da violência, acontecendo ela em bairros nobres ou não. "É fundamental uma coordenação entre as diferentes forças de segurança. Guarda Municipal, Polícia Civil, Militar e Federal trabalhando juntas. O combate à criminalidade não está na mão de uma única organização. A escalada de violência é um problema complexo em que não cabe soluções simples como o armamento da população, como muitos sugerem", finaliza o professor.

    Relembre outros casos

    15 de janeiro - Graça

    Um assaltante atropelou uma idosa durante um roubo de um carro na tarde de sábado (15) no bairro da Graça, em Salvador. O crime aconteceu por volta das 14h, na Rua Flórida, em frente ao edifício Graça Royal. Na fuga, o suspeito ainda levou um idoso com dificuldade de locomoção que estava sentado no banco carona. Toda a ação do bandido foi flagrada pelas câmeras de segurança do prédio.

    Abril - Pituba
    Arrastões em hamburguerias e lojas de açaí e de vinho fizeram a polícia reforçar a segurança na região.

    3 de maio - Canela

    Um grupo de criminosos invadiu uma lanchonete no canela e levou pertences dos clientes que estavam no local. Segundo a polícia, o arrastão aconteceu na Rua Padre Feijó, por volta das 13h. Como o estabelecimento fica próximo ao Hospital das Clínicas e de outras unidades de saúde, médicos, enfermeiros e demais funcionários da instituição almoçavam no local no momento do ocorrido, bem como estudantes da Universidade Federal da Bahia, que possui alguns campi na região.

    17 de maio - Canela

    Um homem suspeito de furto contra uma clínica veterinária localizada no bairro do Canela, em Salvador, foi preso momentos após o crime, na madrugada de terça-feira (17). Os policiais militares faziam o patrulhamento no Largo da Graça, quando abordaram um homem, quando ele tentou esconder um objeto dos policiais. Com ele foram encontrados três notebooks, um celular, dois carregadores e um jaleco.

    12 de maio - Itaigara
    Bancária é assassinada dentro do apartamento onde morava na Rua Érico Veríssimo.

     

  • Pais desabafam sobre aulas suspensas em Cajazeiras e Águas Claras: 'Estamos apavorados'

    Medo e tensão. Esses são os sentimentos da mãe de um estudante da escola municipal localizada a menos de dois quilômetros de onde três policiais militares foram mortos no último final de semana, ao imaginar levar o filho de 10 anos para a aula.

    Sem se identificar, ela diz temer a ocorrência de confrontos durante o percurso de ida ou de volta da Escola Municipal Eduardo Campos. “O meu medo não é que ele esteja dentro da escola. Para mim, o mais preocupante é o caminho”, diz a mãe.

    Os pais de estudantes de outras duas escolas municipais da região aceitaram falar, mas também sem se identificar por temer represálias. O pai de uma estudante de 13 anos da Escola Municipal Iraci Fraga, afirma que a medida [fechamento das escolas] é importante para que o medo da violência não prejudique o aprendizado da sua filha.

    “Estamos apavorados com a violência, não deixaríamos ela ir mesmo que as aulas estivessem acontecendo. A suspensão chega a ser um alívio, porque pelo menos ela não estará perdendo conteúdo”, diz o pai.

    A mãe de outro aluno de 13 anos, desta vez da Escola Municipal Dois de Julho, falou sobre a tensão de precisar impedir que seu filho frequente a escola, por causa da falta de segurança.

    “Não temos segurança há muito tempo. Já é difícil incentivar as crianças a seguirem com os estudos, ainda chegam esses fatos para fazer a gente dizer para elas que não devem ir, que não devem aprender, porque é perigoso sair até mesmo para ir à escola”, lamenta.

    Desde a segunda-feira, 09, ao menos 19 colégios estaduais e escolas municipais estão fechadas na região de Cajazeiras e Águas Claras. Os pais dos estudantes ouvidos pela reportagem concordam com a medida por temerem pela segurança das crianças e também que a violência prejudique o aprendizado delas.

    Procurada, a Secretaria Municipal de Educação e Cultura de Salvador (SMEC) suspendeu as aulas em 14 escolas que ficam nas regiões onde os PMs foram mortos. Essas unidades de ensino têm, no total, 2.866 alunos matriculados. De acordo com o órgão, as atividades foram suspensas em "decorrência do clima de insegurança". Uma data de retorno será definida caso seja constatado, pela pasta, o retorno da tranquilidade e segurança à região.

    Já a Secretária Estadual de Educação (SEC), informou que os colégios estaduais Edvaldo Brandão Correia, Luís José de Oliveira e Naomar Alcântara não tiveram aulas nesta terça-feira (10), mas devem voltar a funcionar normalmente nesta quarta-feira (11).

    Além das suspensões nas aulas nas unidades informadas pela SEC, a reportagem constatou a mesma situação em outros dois locais: o Colégio Estadual Santa Rita de Cássia e o Colégio Estadual Ana Bernardes. Os porteiros das instituições confirmaram o fechamento.

    "Realmente, não estamos funcionando desde ontem [segunda-feira, 09] por causa desses acontecimentos [onda de violência após a morte dos PMs", disse o porteiro do Colégio Santa Rita, informando em seguida que não tinha autorização para dar mais detalhes. "Estamos sem funcionar desde a tarde de ontem [segunda]. Mesmo com a polícia, o clima aqui está muito tenso", confirmou o funcionário do Ana Bernardes.

    A reportagem procurou saber da SEC quantos alunos estudam nas unidades, mas não obteve resposta.

    Na Escola Municipal Eduardo Campos, em Águas Claras, uma das 14 unidades que não está funcionando, a mãe de um aluno disse não haver previsão de retorno. "A gente quer que nossos filhos vão para a escola, mas sem segurança, eu prefiro que não tenha aula", acrescentou.

    Já na Escola Municipal Iraci Fraga, no mesmo bairro, a mãe de um estudante disse que o filho foi informado da suspensão das aulas pelo grupo da sala no WhatsApp, com o áudio de uma professora. "Estamos apreensivos, porque queremos os nossos filhos nas salas, mas com todo esse clima é impossível".

    Para a Associação dos Professores Licenciados do Brasil/Seção Bahia – APLB Sindicato, o fechamento das escolas é válido para garantir a segurança dos funcionários e alunos.

    “Levando em conta a situação neste momento de violência e a necessidade de proteção dos trabalhadores da educação e da comunidade escolar, é mais prudente a gente não colocar essa comunidade em risco, já que existe a real possibilidade de retaliação”, afirmou Luciano Cerqueira, que é diretor de planejamento do sindicato.

    Insegurança dificulta o aprendizado

    A sensação de segurança é importante para que os estudantes tenham vontade de frequentar a escola, afirma a psicopedagoga Aline Dunham. “A criança precisa criar um vínculo positivo com a escola e essa sensação de medo acaba afetando negativamente, porque ela vai estar sempre tensa", diz.

    A insegurança também afeta o aprendizado, acrescenta a especialista. “O medo pode gerar uma ansiedade. E quando a criança ou o adolescente não está bem emocionalmente, isso acaba refletindo negativamente na aprendizagem”, explica.

    À reportagem, a Polícia Militar informou que o policiamento nos bairros de Cajazeiras, Águas Claras e Boca da Mata se encontra intensificado e que a unidade que atende às localidades está reforçada por guarnições táticas e especializadas.

    Escolas municipais e estaduais que estão sem aula:

    Municipais
    EM Francisco Leite
    EM Fazenda Grande II Ministro Carlos Santana
    EM Oscar da Penha
    EM Maria Antonieta Alfarano
    EM Beatriz Farias
    EM Irmã Dulce
    EM Iraci Fraga
    EM São Damião
    EM Eduardo Campos
    EM Cristo Rei
    EM Ulysses Guimarães
    EM Professor Afonso Temporal
    EM Ricardo Pereira
    EM de Educação Infantil Cantinho das Crianças

    Estaduais
    EE Edvaldo Brandão Correia ,
    EE Luís José de Oliveira
    EE Naomar Alcântara
    EE Santa Rita de Cássia
    EE Ana Bernardes.

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