Terça-feira, 22 de Junho 2021
8:57:12pm
Cientista de dados diz que inverno pode aumentar casos de covid-19 e prevê 3ª onda

Cientista de dados diz que inverno pode aumentar casos de covid-19 e prevê 3ª onda

Reabertura das praias, redução do horário limite do toque de recolher e volta às aulas presenciais. O aumento da mobilidade da população baiana por causa de medidas como essas chamou a atenção do cientista de dados Isaac Schrarstzhaupt, coordenador na Rede Análise Covid-19. Segundo seus cálculos, o estado ainda vive um momento que preocupa, com tendência de aumento de notificações de novos casos e uma possibilidade real de vivermos a chamada “terceira onda”, com maior circulação do vírus durante o inverno.

“Se a gente analisa com base nos dados, percebemos que o Brasil sempre teve pico de síndrome respiratória aguda grave nessa estação [inverno], pois o comportamento das pessoas muda em temperaturas baixas. No frio, não tem como deixar janela aberta ventilando no ônibus, por exemplo. Temos hábitos e comportamentos que favorecem a transmissão de doenças respiratórias”, explicou o cientista.

Natural e morador de Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul, Isaac é formado em processos gerenciais e trabalha como consultor empresarial em gestão de riscos em projetos. Começou a fazer as análises da pandemia de forma voluntária. “Era o que eu já fazia no meu trabalho”, lembra. A qualidade chamou a atenção de colegas que o convidaram a fazer parte da Rede Análise Covid-19.

“Em setembro, alertei sobre a possiblidade da segunda onda no Brasil e, em dezembro, sobre a possibilidade de o país atingir mais de 3 mil mortes diárias em 2021”, recorda. Dessa vez, ele considera a possibilidade de uma terceira onda no país como algo real. “A única maneira de não ser real é se a gente tivesse esgotado a quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus e não ter mais ninguém apto a pegar a doença”, diz.

Através de diversos dados, como a geolocalização do Google Mobility e a quantidade de pessoas reportando sintomas na rede social Facebook, ele consegue observar que o cenário na Bahia é preocupante.

“Houve um pequeno salto no número de notificações de novos casos. Isso é somado com a estabilização na velocidade oficial de notificação e aumento da mobilidade das pessoas, o que acende o alerta. É melhor uma ação agora, quando estamos vendo a fumaça, do que deixar virar um incêndio”, explica.

Quem é - Isaac Schrarstzhaupt é cientista de dados, formado em processos gerenciais e trabalha como consultor empresarial em gestão de riscos em projetos. Começou a fazer as análises de forma voluntária e foi convidado para ser coordenador na Rede Análise Covid-19, composta por cerca de 80 pessoas de diversas áreas, com o objetivo de coletar, analisar, modelar e divulgar dados relativos à covid-19. Isaac alertou, ainda em setembro de 2020, sobre a possiblidade da segunda onda no Brasil e, em dezembro, alertou sobre a possibilidade do país atingir mais de 3 mil mortes diárias em 2021.

“O que eu mais quero é estar errado, é que abra tudo e não subam os casos, mas é o dever dar o alerta. Eu tento fazer não em ritmo de pânico. É mais um alerta com base em dados públicos, disponíveis e que pode qualificar a nossa tomada de decisão”. acrescenta.

Confira a entrevista completa:
Como são feitas as análises?
Primeiro verifico a tendência de mudança na mobilidade da população através do Google Mobility, com dados anônimos coletados do Google que mostram o tráfego de pessoas. Eu uso isso para ver a tendência de mudança. Por exemplo, quando a Bahia decretou fechamento, a mobilidade cai. Na flexibilização, aumenta a mobilidade. Eu comparo isso com a velocidade de notificação oficial de novos casos por dia, o que já é um dado atrasado, infelizmente, pois não corresponde ao início dos sintomas. Mas ao menos com casos notificados eu tenho um ritmo. Eu calculo a taxa de aumento dessas notificações e vejo se tem variação na velocidade de crescimento. Se começo a notar uma aceleração ou desaceleração da queda, a gente liga um alerta.

Outro índice que colabora são os dados da Universidade de Maryland em conjunto com o Facebook. Eles fazem uma pesquisa mundial. Aleatoriamente, sorteiam usuários da plataforma e fazem perguntas relacionadas com a pandemia, como se as pessoas estão sentindo sintomas, quais são e desde quando. Se ela diz que tem tosse, febre e falta de ar, esse dado entra instantaneamente. Não há atraso de notificação. Se começa a aumentar muito o número de pessoas reportando sintomas, ajuda a fortalecer o alerta. No Rio Grande do Sul, por exemplo, que teve um surto forte em fevereiro, o primeiro local que a gente viu o cenário de caos foi nos números de internação em leitos clínicos, que aumentou primeiro do que as notificações de casos. É mais rápido notificar internação. Isso foi em meados de 12 de fevereiro. Já com os dados do Facebook, esse mesmo aumento já tinha aparecido em 30 de janeiro, 13 dias antes.

Por que a situação da Bahia é preocupante?
A Bahia teve um pequeno salto no número de notificações de novos casos. Isso é somado com a estabilização na velocidade oficial de notificação e aumento da mobilidade das pessoas, o que acende o alerta. No caso da velocidade de notificação, que a gente percebe que estabilizou, normalmente, esse é o primeiro passo pré-crescimento. Quando percebo a junção de todos os fatores, vale a pena avisar. É melhor tomar uma ação agora, quando estamos vendo a fumaça, do que deixar virar um incêndio.

Esses dados de mobilidade do Google e a pesquisa do Facebook costumam ser usados na tomada de decisão do poder público?
Eu sei dizer que, no Rio Grande do Sul, eles usam os dados de mobilidade e aparece inclusive no boletim oficial do estado. Eles usam bastante isso. Mas não sei dizer se todos os estados estão usando, pois na maioria dos boletins a gente realmente não vê. E esses dados ajudam bastante. Ele não é necessariamente um modelo epidemiológico, mas um modelo que a gente consegue, através da conjunção de fatores, perceber que uma ameaça está se aproximando.

Mas a vacinação não pode ser um fator que impeça essa ameaça de se concretizar?
A cobertura vacinal tá bem baixinha, insuficiente para evitar uma explosão de casos. Eu torço pela vacina. Precisamos vacinar, mas de forma acelerada. A cobertura vacinal é muito baixa e tem muitas pessoas não cobertas que podem fazer a transmissão. O caso do Chile é um exemplo prático disso. Eles aceleraram a vacinação de maneira absurda, imunizou com as duas doses 95% dos idosos. Só que esses idosos não moram numa cidade isolada. Eles estão misturados numa sociedade com outras pessoas que não estão vacinadas. Ai lá aumentou a mobilidade e houve um surto gigantesco, colapso de hospitais. A diferença é que na faixa etária dos idosos os números não subiram tanto quanto nas outras faixas, mas o sistema de saúde colapsou de todo modo. Não deu para evitar só com a vacina. É bom acelerar, mas a cobertura é baixa para achar que a vacina sozinha vai resolver o problema, uma vez que a gente ainda deixa o vírus trafegar.

Na Bahia, vivemos a abertura do comércio e, consequentemente, aumento da mobilidade. Com base no seu alerta, o que você acha que o poder público deveria fazer?
Infelizmente, foi deixado crescer muito o número de novos casos. O que tem que ser feito é reduzir isso baixando a taxa de transmissão. Tudo que vinha sendo feito para baixar a taxa tinha que continuar até que o número de novos casos fique tão baixo a ponto da vigilância epidemiológica do município e estado conseguir controlar a doença com teste e rastreamento. Por exemplo, o Reino Unido fez isso. Lá aumentou muito os números, eles tiveram que ficar fechados, os índices caíram e agora eles estão flexibilizando, abrindo com calma, com o número de casos baixo, de modo que é possível controlar com teste e rastreamento. Se a gente deixa um número altíssimo de caso e não temos a mínima condição de saber onde estão os doentes, quem são e os contatos deles, e eu aumento a mobilidade, dou chance dos vírus se espalhar e até criar novas variantes, que podem inclusive escapar da vacina.

No seu ponto de vista, a possibilidade de uma terceira onda é real?
Sim, ela é real, pois a única maneira de não ser real é se a gente tivesse esgotado a quantidade de pessoas suscetíveis ao vírus e não ter mais ninguém apto a pegar a doença. A Índia era um local que o pessoal tinha certeza que tinha contaminado praticamente todo mundo e agora eles estão com um surto gigantesco porque eles abdicaram das medidas, tiveram um aumento fortíssimo da mobilidade, algo acompanhado inclusive com declarações do governo de que já tinham vencido a pandemia. O pessoal relaxa, baixa a guarda e dá nisso. Aqui nós temos essa possibilidade sim. Não é o momento de baixar a guarda, pois são muitos novos casos ativos por dia.

O inverno pode contribuir nessa terceira onda?
Eu sou cientista de dados e não trabalho com a parte biológica do vírus. Mas se a gente analisa com base nos dados, percebemos que o Brasil sempre teve pico de síndrome respiratória aguda grave nessa estação, pois o comportamento das pessoas muda em temperaturas baixas. No frio, não tem como deixar janela aberta ventilando no ônibus, por exemplo. Temos hábitos e comportamentos que favorecem a transmissão de doenças respiratórias. Fica mais fácil pegar e transmitir por causa do nosso comportamento. Agora, quando a gente olha a curva da covid, a gente percebe que ela estava seguindo em 2020 uma tendência e bastou aumentar a mobilidade em setembro que 30 dias depois começou a reverter a tendência de queda. Em pleno verão, o pico ficou maior do que tivemos no inverno, o que nunca acontece com a gripe, por exemplo. Então, eu acho que o outono e inverno contribuem na questão comportamental. As pessoas tem hábitos mais propensos para a transmissão da doença. Isso é um ponto que também contribui no alerta dado.

O cenário da Bahia é igual ao do Brasil como um todo?
O Brasil tá praticamente todo na mesma situação. A região que tá melhor é a Norte, pois teve um surto antes dos outros lugares. A mobilidade lá está voltando ao normal e o número de casos parou de cair, mas lá embaixo, não num nível alto, o que é bom. No Rio Grande do Sul, mal começou a cair e já apresentamos uma reversão de tendência. O Brasil como um todo está assim. Isso é preocupante, está aparecendo em vários estados, num país como um todo. A maioria tá nessa mesma onda, em patamares altos e com queda desacelerada. Reverter a tendencia de queda em patamar alto é mais perigoso, pois demora menos tempo para virar um grande surto. É mais gente infectada e demandando hospital. E a doença é rápida, avassaladora.

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  • Produtos juninos têm alta variação de preços

    As comemorações de São João acontecem amanhã e quinta-feira. Quem vai festejar, mesmo dentro de casa, já está indo às compras. O CORREIO também foi à feira ontem e percorreu seis locais de Salvador para saber quanto estão custando os produtos típicos da ceia junina. E nesse momento de crise, o consumidor vai precisar ficar atento na hora de escolher os produtos, afinal, as variações foram altas. Itens tradicionais como licor (214%), laranja (130%), espiga de milho (102%) e amendoim (50,5%) aparecem entre os que mais tiveram preços bem distintos a depender do local.

    Vale ressaltar que a venda de bebidas alcoólicas em Salvador e RMS está permitida só até às 20h de amanhã. Depois disso, está suspensa, inclusive por delivery, até às 5h do dia 28. A medida faz parte do decreto do Governo do Estado que visa conter as aglomerações do período junino.

    Mesmo assim, quem procurar o licor vai precisar pesquisar bem. No Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha, o produto foi encontrado por até R$ 22. Já na Feira de São Joaquim, tinha feirante vendendo por R$ 7. Apesar dos inúmeros sabores, o de jenipapo, como sempre, é o mais pedido.

    Nos supermercados da cidade, não é comum encontrar os licores tradicionais de São João, achando normalmente os importados, que são mais caros. Mas, na Cesta do Povo, algumas unidades estavam disponíveis e sendo vendidas por R$ 12,49. O valor é ainda mais barato que na quinta-feira passada, dia 17, quando estava sendo vendido a R$ 15,99.

    Em São Joaquim, era possível encontrar os licores cremosos por R$ 20 e os mais tradicionais por R$ 7. Segundo os feirantes, a procura não está das melhores e a tendência é que o preço vá diminuindo. Seu Bira já fez isso. Ele disse que começou vendendo por R$ 15, baixou para R$ 12 e, agora, está vendendo por R$ 10. “Se não tem muita gente comprando, a gente vai descendo os preços. Fazer o quê, né?”, lamenta.

    Ceia junina

    No ramo das comidas, a laranja (do tipo pêra) foi o produto com maior variação de preço: 130%, de R$1,69 o kg, na Cesta do Povo, a R$3,89, no Super Bompreço. Na Feira de São Joaquim, estava sendo vendida no saco, que saía por R$10,00.

    Queridinho número um do São João, o amendoim teve variação de preço de 50,5%, entre R$9,90, na Cesta do Povo, e R$14,90 o kg, no Mercado do Rio Vermelho, a antiga Ceasinha. Na Feira de São Joaquim, está sendo vendido por saco, no valor de R$25,00.

    Outro campeão de vendas é o milho. O preço da espiga variou 102%, de R$0,99, na Feira de São Joaquim, a R$2,00, no Mercado do Rio Vermelho. Também foi possível encontrar a bandeja, para quem não quer ter trabalho, com cinco unidades, sendo vendida a R$9,90, no Mercado do Rio Vermelho, antiga Ceasinha.

    O jenipapo não foi tão fácil de encontrar. Nos três supermercados percorridos (Super Bompreço, Cesta do Povo e Extra), apenas o Super Bompreço ofertava o produto. Por lá, ele estava sendo vendido na bandeja a R$17,99 o kg. Cada uma, com quatro unidades de jenipapo, saiu por cerca de R$12,50.

    Nos demais locais, o produto era mais em conta. No Mercado do Rio Vermelho, o valor era de R$12,00 o kg. Na Feira de São Joaquim, três unidades saíram por R$2,00 e, na Sete Portas, a mesma quantidade custou R$5,00. Nem todos os boxes vendem o produto, então vale perguntar e pedir indicação. Colocando na ponta do lápis, o preço da unidade variou em 106%.

    Já o coco era encontrado aos montes. Nos mercados, o preço variou em 123%, de R$2,99, na Cesta do Povo, a R$6,69 o kg, no Extra. Já nas duas feiras, de R$2,00 até R$5,00 a unidade, a depender do tamanho. Para esse produto, a vantagem do Mercado do Rio Vermelho, da Feira das Sete Portas e da Feira de São Joaquim é que o cliente pode pedir para o vendedor ralar o coco na hora. Alguns deles não cobram nada a mais pelo serviço.

    Utilizadas, principalmente, para os tradicionais bolos juninos, as massas de tapioca, carimã e aipim, assim como o jenipapo, exigem uma persistência maior para encontrar. Nenhum dos três supermercados percorridos vendem os produtos. A massa de tapioca teve variação de 100% no preço, a de carimã, 66%, e a de aipim, também 100%.

    O Mercado do Rio Vermelho foi o local com mais opções de boxes e, por lá, os três produtos estavam saindo por R$10,00 o pacote. Na Feira das Sete Portas, eles foram encontrados com os menores preços. A massa de aipim e a de tapioca estavam custando R$5,00 e, a de carimã, R$6,00. Em São Joaquim, os três produtos custavam R$6,00 cada.

    Está faltando dinheiro

    Os dias 23 e 24 se aproximam, mas os feirantes ainda não estão animados. No lugar do vai e vem de clientes e da agitação do período junino nos mercados e feiras de Salvador, apenas alguns interessados nos produtos típicos. Para os comerciantes, a tendência do brasileiro de deixar para a última hora pode nem acontecer este ano, já que os clientes reclamam da falta de dinheiro e dos altos preços dos produtos.

    Nos supermercados, nenhum cliente foi encontrado incrementando a cesta ou o carrinho com os produtos juninos. Na Sete Portas, os vendedores reclamavam da baixa procura. Segundo Dona Terezinha de Jesus, uma das comerciantes do local, o movimento está ainda mais fraco do que no ano passado. “O pessoal não está procurando muito, tem muita gente comprando tudo já pronto também. Mas, às vezes, tem gente que deixa para a última hora. Talvez ainda melhore um pouco”, diz ela.

    Já o comerciante Edson Pereira não está tão otimista. Para ele, o movimento não deve aumentar muito e os motivos são os preços elevados e falta de dinheiro no bolso do consumidor. “O pessoal está sem dinheiro, a gente está sendo a diferença que faz o auxílio emergencial porque no ano passado tivemos mais vendas. E os produtos estão mais caros mesmo”, opina o vendedor.

    Edson explica que os comerciantes estão comprando os produtos a preços mais elevados e precisam repassar os valores. “No ano passado eu comprava a saca do amendoim por 100 reais e, este ano, comprei por 200. A laranja foi a mesma coisa. Eu comprei, em 2020, 200 laranjas por 45 reais. Agora, estavam vendendo 100 por 35. Fica difícil para a gente e, muitas vezes, o cliente ainda faz a pechincha e a gente tem que vender para não perder a oportunidade”, acrescenta.

    Quem movimentava a Feira das Sete Portas estava mesmo atrás dos produtos mais comuns, para a alimentação do dia a dia. Esse foi o caso de Silvana dos Santos, que está desempregada. “Este ano não vai ter ceia junina lá em casa, estou comprando só o essencial mesmo. Fiquei desempregada e o dinheiro está pouco”, diz ela.

    No Mercado do Rio Vermelho e na Feira de São Joaquim, a procura por produtos juninos era maior, mas as questões se repetiram. A consumidora Roberta Freire diz ter notado os preços mais elevados na feira e que as compras este ano saíram em torno de 5 a 10 reais mais caras. Ela levou para casa amendoim, laranja e milho, os três produtos mais procurados, segundo os vendedores.

    “Eu vim direto aqui na Feira porque acho melhor, com mais variedade e preço melhor, mas, mesmo assim, achei os valores mais salgados mesmo. Mas a gente tem que levar, né? Vamos fazer uma reuniãozinha em casa mesmo este ano, já que não pode viajar e não tem festa, aí não pode faltar, ao menos, amendoim, milho e laranja. Comprei o básico mesmo”, conta Roberta.

    Sobe e desce dos preços

    Enquanto a baixa procura pelos produtos fez alguns preços caírem, em alguns locais os valores de alguns produtos já subiram da última semana para cá. Esse foi o caso da antiga Ceasinha. Por lá, o único produto da lista com diminuição de preço foi a laranja pêra, que passou de R$3,90 para R$3,49 nesta semana.

    O milho teve elevação de preços lá e também na Sete Portas e no Extra. Já o amendoim subiu no Mercado do Rio Vermelho, na Sete Portas, em São Joaquim, no Extra e na Cesta do Povo. Na Feira de São Joaquim, o saco do amendoim, antes encontrado por R$15,00, agora está saindo por R$25,00.

    O jenipapo, que custava R$10,00 o kg na Ceasinha, agora está sendo vendido a R$12,00. Na Sete Portas, quatro unidades eram R$5,00 e, agora, o mesmo valor vale para três unidades. O coco teve elevação de preço de R$0,90 na Ceasinha e também de R$0,80 no Extra. Segundo os comerciantes, é preciso aproveitar os últimos dias de vendas.

    “A gente começa com o preço mais elevado, para ver o que consegue. Aí fui vendo o movimento baixo e o pessoal pechinchando, então a gente já faz o desconto. Mas, agora, nos últimos dias já, é quando tem o maior movimento. Quem não vier por agora não vem mais, então dá para aumentar o preço de algumas coisas”, diz o comerciante João Silva, da Feira das Sete Portas.

    Mercado do Rio Vermelho (Ceasinha):

    Milho: R$2,00 a espiga
    Amendoim: R14,90 o kg
    Jenipapo: R$12,00 o kg
    Laranja pêra: R$3,49
    Coco: R$4,90 a unidade
    Massa de tapioca: R$10,00 o kg
    Massa de carimã: R$10,00 o kg
    Massa de aipim: R$10,00 o kg
    Licor: a partir de R$13,90

    Feira das Sete Portas:

    Milho: R$1,25 a espiga
    Amendoim: R$10,00 o kg
    Jenipapo: R$5,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: De R$2,00 a R$3,50 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$5,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$5,00 o kg
    Licor: R$15,00

    Feira de São Joaquim:

    Milho: R$1,00 a espiga
    Amendoim: R$25,00 o saco
    Jenipapo: R$2,00 3 unidades
    Laranja pêra: R$10,00 o saco
    Coco: De R$2,00 a R$5,00 a depender do tamanho
    Massa de tapioca: R$6,00 o kg
    Massa de carimã: R$6,00 o kg
    Massa de aipim: R$6,00 o kg
    Licor: a partir de R$7,00

    Super Bompreço (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,99 a espiga
    Amendoim: R$12,99 o kg
    Jenipapo: R$17,99 o kg (bandeja com 4 unidades por R$12,50)
    Laranja pêra: R$3,89 o kg
    Coco: R$ 5,90 o kg

    Extra (Av. Vasco da Gama):

    Milho: R$1,85 a espiga
    Amendoim: R$14,59 o kg
    Laranja pêra: R$2,99 o kg
    Coco: R$ 6,69 o kg

    Cesta do Povo (Ogunjá):

    Milho: R$0,99 a espiga
    Amendoim: R$9,90 o kg
    Laranja pêra: R$1,69 o kg
    Coco: R$ 2,99 o kg
    Licor: R$12,49

    Para quem prefere tudo pronto

    Outra opção é já comprar os produtos prontos, como bolos, canjica, cuscuz e mingau. Ou até mesmo o amendoim, que já pode ser comprado cozido. Para quem prefere a praticidade e pode arcar com os valores, o CORREIO separou três locais de vendas de produtos da ceia junina. Confira:

    Rancho do Bolo (site ou ifood):

    Bolo de carimã, milho, tapioca e aipim - R$25,00
    Bolo de laranja - R$10,00
    Pamonha de milho com queijo (180g) - R$10,00
    Cesta junina: bolo de rolo, pão delícia, broa de milho, bolo de aipim, bolo piscina crocante de churros, biscoito Jucurutu, amendoim, pipoca e café gourmet - R$155,90

    *É possível encomendar, comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Bolo das Meninas (site ou ifood):

    Mingau de Tapioca (250g) - R$14,00
    Pamonha de milho (2 unidades) - R$16,90
    Amendoim cozido (500g) - R$27,00
    Lelê (230g) - R$8,50
    Bolo de aipim, tapioca e carimã - R$32,00
    Bolo de laranja - R$27,00
    Canjica (250g) - R$14,00

    *É possível comprar na hora no local ou ainda via delivery

    Doce Dainha (@docedainha):

    Bolo de aipim, milho, tapioca e carimã (18cm) - R$28,00 / (22cm) - R$35,00

    *Encomendas até dia 22/06

  • Cidades baianas distribuem prêmios para estimular vacinação contra a covid-19

    Já pensou ir ao posto de saúde tomar a vacina contra a covid-19 e sair de lá com um liquidificador ou batedeira? Se estiver grávida, pode levar até enxoval completo e um berço para o bebê. Em cidades baianas como Bom Jesus da Lapa e Sítio do Mato, no oeste do estado, é possível. Isso porque, para estimular a vacinação, as prefeituras dessas cidades começaram a sortear prêmios entre os imunizados.

    Em Bom Jesus da Lapa, com quase 70 mil habitantes, a iniciativa ocorre desde a quinta-feira (17) focada, inicialmente, nas gestantes. Segundo o secretário de Saúde Euler Nogueira, o município tem cerca de 850 mulheres grávidas, mas apenas 98 compareceram para tomar a 1ª dose da Pfizer. Foi então que o gestor pensou em criar o sorteio valendo o enxoval completo e um ensaio fotográfico. Três dias depois, o número de imunizadas saltou para 400.

    “As gestantes estavam com receio de receber a vacina. Tivemos dia em que nenhuma delas procurou a 1ª dose. E se elas não tomam, temos que dar vazão, vacinar outro grupo. Só que elas são prioridade e precisam ficar imunizadas”, diz o secretário, que fez contato com os comerciantes do município para conseguir os prêmios.

    “Liguei para o pessoal, pedi ajuda e ainda brinquei que só queria coisa boa. Em pouco tempo, tínhamos 20 tipos de prêmios. Depois, os próprios comerciantes começaram a aparecer para fazer doação. Arrecadamos liquidificador, batedeira, ferro de passar, espremedor de fruta, purificador de ar”, enumera.

    A participação dos comerciantes fez a ação ser ampliada para o público que não retornou para a 2ª dose. Em Bom Jesus da Lapa, havia 600 ampolas da AstraZeneca paradas aguardando as pessoas que tem direito de tomar o reforço. Com a iniciativa, qualquer um que tomar a 2ª dose na cidade pode participar do sorteio, que é semanal. O primeiro ocorre amanhã, com cinco prêmios. Já o sorteio das gestantes ocorrerá quando todas forem vacinadas ou as doses da Pfizer acabarem.

    “Por causa do show de prêmios, vacinamos até domingo 180 pessoas que estavam com a data de retorno atrasada”, aponta o secretário.

    Segundo a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), as vacinas enviadas para aplicação da segunda dose não podem ser destinadas para outra função, o que ligou o alerta da equipe de saúde para acelerar a imunização na cidade.

    Até esse domingo, 21 mil pessoas tomaram a primeira dose da vacina em Bom Jesus da Lapa, o que equivale a 31% do público alvo, mas apenas 6,6 mil pessoas (9%) tomaram a segunda dose.

    Outras cidades também realizam ações

    Segundo a prefeitura de Bom Jesus da Lapa, a iniciativa do município inspirou a vizinha Sítio do Mato a fazer o mesmo. Por lá, as gestantes e puérperas (mulheres com até 45 dias após o parto) com 18 anos ou mais que tomarem a 1ª dose da vacina concorrerão a um enxoval completo e um berço. Ainda de acordo com o que a prefeitura informou em redes sociais, a imunização pode acontecer até o dia 5 de julho no posto de vacinação da sede ou da zona rural.

    Em Ribeira do Pombal, nordeste da Bahia, não há entrega de prêmios mas, por lá, segundo a prefeitura, a vacinação segue tranquila e com participação da população. O que tem ajudado é o serviço de busca ativa lançado pela Secretaria da Saúde. Através das Equipes de Saúde da Família e Agentes Comunitários, a equipe faz contato para informar a data de retorno para a 2ª dose.

    “Nosso objetivo é reduzir ao máximo o número de faltosos e, consequentemente, ampliar a eficácia da cobertura vacinal para a população”, explica a secretária Lakcelma Costa. Até o momento, a prefeitura aplicou 16,8 mil primeiras doses e 6,1 mil segundas. Há ainda 505 segundas doses em estoque, mas com a vacinação já programada.

    Já em Crisópolis, também no nordeste da Bahia, a prefeitura colocou um carro de som para informar à população que vive nos povoados mais afastados a data, horário, local e o público-alvo da vacinação. “O carro vai para todas as ruas, becos e vielas das áreas mais remotas ou descobertas por agentes de saúde. São, geralmente, áreas que não tem acesso a internet e o público é carente”, explica o coordenador da Vigilância Epidemiológica, Tiago Argolo. Na cidade, já foram aplicadas 5,4 mil primeiras doses e 2,2 mil segundas.

    Salvador também tem utilizado busca ativa e carro de som para estimular a vacinação e o retornaram para a segunda dose.

    “Existe vacina disponível para as pessoas tomarem. Nós vemos que, para a 1ª dose, muitos ficam na expectativa de tomar logo. Nós pedimos para que as pessoas tenham também pressa para a 2ª. Todos são bem-vindos, mas devem retornar”, diz Andréa Salvador, Diretora de Vigilância à Saúde do município.

    Noventa mil pessoas não voltaram para a 2ª dose

    Na Bahia, quase 90 mil pessoas já poderiam ter completado o esquema vacinal, mas não retornaram aos postos para a segunda dose de CoronaVac e AstraZeneca, segundo dados da Sesab. Há duas semanas, o número de faltosos no estado era praticamente o mesmo: 91 mil.

    A vacina mais preterida pelos baianos é a CoronaVac, produzida no Brasil pelo Instituto Butantan. No total, são 63.955 pessoas que deveriam ter tomado a 2ª dose do imunizante e não retornaram. Já a AstraZeneca, produzida nacionalmente pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), tem 25.533 faltantes no estado. Os ausentes representam 1,1% de todas as doses de vacina recebidas pela Bahia.

    No total, 8 milhões de ampolas foram enviadas ao estado, sendo 3,1 milhões de Coronavac, que tem intervalo entre as doses de 28 dias, e 4,3 milhões da AstraZeneca, cujo período entre a 1ª dose e o reforço é de 90 dias. A Bahia ainda recebeu outras 540 mil doses da Pfizer/BioNTech, que começou a ser aplicada em 4 de maio e possui intervalo de 90 dias, ou seja, ainda não existem baianos que podem tomar a 2ª injeção.

    Segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações (Sbim), para que a vacina tenha efeito coletivo, é preciso que cerca de 70% da população esteja imunizada com as duas doses. Uma só não basta, pois os fabricantes ponderam que só com o esquema vacinal completo é possível garantir 100% de eficácia contra casos graves.

    A Sesab também segue essa linha. “A primeira dose já garante alguma proteção, mas a imunidade completa, indicada pelo fabricante, só com a segunda”, diz o órgão.

    Infectologista da SMS, Adielma Nizarala enxerga outros problemas associados ao ato de não tomar a 2ª dose da vacina.

    “Tem gente com menos de 18 anos que precisa se vacinar e não pode. A chance dela ficar protegida é a imunidade coletiva vinda com a vacinação. A pessoa que não toma as duas doses não vai estar completamente imunizada e protegida para os casos graves, mas também não estará contribuindo para a imunização coletiva, contribuindo para que toda sociedade seja beneficiada”, explica.

    Nizarala também diz que guardar a 2ª dose, por enquanto, é a única alternativa do poder público. “E nós temos que arcar com essa logística de armazenamento. Se a pessoa não aparecer, essa dose pode ser perdida, a não ser que haja determinação futura. Mas hoje, a primeira dose só pode ser usada como primeira e a segunda somente como segunda. É verba pública que pode ser perdida e nós, como cidadãos, precisamos de mais conscientização”.

  • Após 4h de paralisação, ônibus voltam a circular por Salvador

    Os ônibus voltaram a circular por volta das 7h40 desta terça-feira (22) após o término de uma paralisação de 4 horas promovida pelo Sindicato dos Rodoviários. O ato estava previsto para terminar às 8h, mas teve o fim antecipado em 20 minutos.

    A paralisação de 80% da frota ocorreu pois os rodoviários cobram o cumprimento de uma cláusula do acordo fechado com os patrões, referente a depósito de adiantamento salarial.

    A informação foi confirmada pelo vice-presidente do Sindicato dos Rodoviários, Fábio Primo, segundo o qual o adiantamento – que corresponde a 40% do salário de motoristas, cobradores e outros funcionários – deveria ter sido pago até o dia 20.

    O Consórcio Integra enviou comunicado à entidade sindical informando que não teria como fazer os depósitos nesta segunda (21), prevendo esse pagamento apenas para o início de julho.

    De acordo com Pedro Celestino, advogado do Sindicato dos Rodoviários, caso não ocorra uma resposta positiva por parte do patronato, “outras manifestações, talvez mais contundentes, poderão acontecer”. Ele não especificou quais.

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