O Jornal da Cidade

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Desde que soube da possibilidade da vacinação em crianças contra a covid-19, a psicóloga Taís Oliveira, 33 anos, espera pelas doses das duas filhas - Maria Flor, 8, e Analu, de 1 ano e 7 meses. Antes mesmo de alguns países autorizarem, ela já tinha tentado até cadastrar a mais velha em um dos estudos com crianças voluntárias para testes dos imunizantes disponíveis.

"Comecei a pesquisar e ver a possibilidade da vacinação infantil, até que teve uma época que estavam recrutando crianças. Cadastrei minha filha em um dos sites, mas não tive resposta. Depois, acabou sendo suspenso", conta ela, que atua na área clínica-hospitalar. Como profissional de saúde, ela reforça que sabia da importância da imunização. "Se deu certo em adulto, há uma grande possibilidade de dar certo em criança. Vacinas salvam vidas independente da idade", explica.

Assim como Taís, mães, pais e responsáveis em todo o Brasil estão ainda mais ansiosos porque, nos últimos dias, duas farmacêuticas têm feito movimentos importantes para a liberação da imunização neste público: na semana passada, a Pfizer oficializou o pedido à Agência Nacional da Vigilância Sanitária (Anvisa) para vacinar crianças de 5 a 11 anos contra a covid-19. O imunizante baseado em RNA mensageiro já é usado em adolescentes. O pedido está em análise e o órgão regulatório tem 30 dias para decidir.

Além disso, há a expectativa de o Instituto Butantan fazer o mesmo a qualquer momento nas próximas semanas, para o público dos 3 aos 17 anos. Segundo a Anvisa, não há pedidos em aberto atualmente, mas o instituto deve realizar o protocolo formal solicitando a ampliação de uso apresentando estudos de eficácia e segurança, incluindo dados clínicos de fase 3 de testes.

Em agosto, o Butantan fez o primeiro pedido, que foi negado porque a Anvisa avaliou que havia limitação dos resultados apresentados na ocasião. De lá para cá, porém, a vacina já foi aplicada em mais de 70 milhões de crianças e adolescentes em países como Chile, Colômbia e China, de acordo com o Butantan, que tem se reunido com a agência nas últimas semanas. Em todo o mundo, ao menos 10 países já vacinam crianças (menores de 12 anos) contra a covid-19, incluindo Estados Unidos, Chile, China, Argentina e Emirados Árabes Unidos, com diferentes imunizantes.

Entre os especialistas, a lista de razões para vacinar crianças contra a covid-19 é longa. Para o imunologista, pediatra e alergologista Celso Sant'Anna, a primeira é a necessidade de diminuição da circulação do vírus.

"Para isso, precisamos aumentar a quantidade de pessoas vacinadas para mais de 80%, 85% da população, para reduzir circulação de cepas mutantes e diminuir, por essas cepas, o risco de hospitalizações e óbitos", explica ele, que é professor do curso de Medicina da UniFTC e da Universidade Federal da Bahia (Ufba).

Controle
Apesar de a vacina para crianças ser um dos maiores alvos de fake news, as principais entidades científicas e médicas já se posicionaram a favor da vacinação desse público. Em setembro, o Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um documento ressaltando a importância da imunização para prevenir doenças e proteger a comunidade.

No texto, a SBP afirma que, ainda que as crianças tenham frequência menor de covid-19 sintomática do que adultos, espaços frequentados por elas, como escolas e centros de esportes juvenis podem representar fontes importantes de surtos e transmissão, mesmo com a vacinação de adultos. De fato, as crianças são menos acometidas por covid-19 e costumam ter quadros mais brandos.

Em Salvador, por exemplo, só 2% dos casos foram de crianças com idades até 9 anos, mas o índice dobra na faixa etária dos 10 aos 19 anos. No entanto, não é possível desprezar as mais de duas mil mortes de crianças por covid-19 no Brasil, como reforça o pediatra Eduardo Jorge, doutor em Saúde Materno-Infantil e membro do Departamento Científico da SBP.

"Esse número é maior do que a soma de todos os óbitos de crianças nas doenças prevenidas por vacina somados. São duas mil vidas que foram perdidas e isso é algo que chama atenção. A gente também não pode esquecer a covid longa e suas consequências para o aprendizado e na parte cognitiva", explica, citando os sintomas que podem persistir por meses.

Daí vem outro aspecto importante. Com o avanço da vacinação entre os adultos e adolescentes, as crianças acabam se tornando potenciais 'vetores' que facilitam a transmissão, já que não estão protegidas. "Elas podem transmitir a covid e transmitem para seus contactantes. Não será possível termos o controle da covid sem a gente ter as crianças devidamente vacinadas", reforça o médico, ressaltando que cerca de 25% da população brasileira é composta por crianças e adolescentes.

Composição
Ao contrário do que muita gente imagina, a vacina da Pfizer usada em crianças não é igual a que vem sendo aplicada em pessoas com mais de 12 anos. Enquanto a de adolescentes e adultos tem 30 µg, a de crianças terá apenas 10 µg - ou seja, um terço do imunizante original. Nos dois casos, porém, trata-se de uma imunização em duas doses com intervalo de 21 dias.

Nos testes feitos pela farmacêutica, a vacina teve eficácia de cerca de 90% com o público pediátrico. Os ensaios compararam doses maiores, mas a menor se mostrou mais segura, além de ter conseguido ativar o sistema imune e reduzido o risco de infecção, segundo a imunologista Viviane Boaventura, pesquisadora da Rede Covida e da Fiocruz.

Já a Coronavac, por sua vez, é tradicionalmente considerada uma das vacinas mais seguras do mercado, por ser feita com um vírus inativado. Ainda de acordo com Viviane, essa é uma das tecnologias mais antigas e conhecidas de desenvolvimento de imunizantes. Os estudos de fases 1 e 2 indicaram que 96% dos participantes produziram anticorpos.

"É pouco reatogênica, ou seja, causa poucos efeitos adversos, mesmo no local da aplicação. Em compensação, vacinas por vírus inativados costumam induzir níveis de proteção mais baixo que outras plataformas mais modernas como vetor viral e RNA", diz Viviane, citando ainda as vacinas como a da AstraZeneca e da Janssen, que são de vetor viral.

Riscos
Basta uma busca rápida para encontrar notícias falsas sobre a vacina em crianças que podem assustar as famílias. Só no último mês, o Comprova, projeto de checagem do qual o CORREIO faz parte, desmentiu fake news que iam desde posts enganosos sobre a eficácia do imunizante da Pfizer até que órfãos poloneses eram usados em experimentos da Pfizer e da Moderna (cuja vacina não está disponível no Brasil).

No entanto, mesmo com tanta desinformação, a imunologista Viviane Boaventura ressalta que mães, pais e responsáveis não devem ter medo. Para começar, os imunizantes contra a covid-19 estão sendo administrados em escala mundial numa escala e velocidade nunca vistos antes. Além disso, há muita atenção voltada para investigar eventuais reações adversas, que são raras.

"Minha recomendação é que confie nos estudos científicos e na competência dos órgãos regulatórios. Diferente do ano passado, finalmente temos nas nossas mãos a oportunidade de controlar essa epidemia e manter baixas as taxas de transmissão", reforça.

De acordo com o imunologista e pediatra Celso Sant’Anna, da UniFTC e da Ufba, os efeitos colaterais de qualquer uma das vacinas são mínimos.

"Elas são altamente eficazes. Ninguém sairia vacinando se não tivesse benefício coletivo. (O receio) não se justifica nesse instante em que estamos vendo várias crianças com covid-19 sendo internadas", ressalta.

Para mães como Taís Oliveira, é uma prevenção que pode trazer novas cores à vida das meninas, que foi duramente afetada pela pandemia. A mais nova, Analu, nasceu no começo dos casos. Demorou meses para que parentes próximos, como os avós, pudessem visitá-la pela primeira vez. Já a mais velha, Maria Flor, sem poder ir à escola, sofreu com a falta de socialização, como a maioria das crianças de sua geração.

A psicóloga Taís Oliveira aguarda a autorização da vacina em crianças; a mais velha, Maria Flor, tem 8 anos, enquanto a mais nova, Analu, nasceu na pandemia (Foto: Acervo pessoal)
Como profissional de saúde, ela já tomou a terceira dose do imunizante e acredita que os pais não devem ter receio de vacinar os filhos. "Anos atrás, muitas doenças não tinham cura e as pessoas morriam pela falta de vacinas. Se as pessoas têm a possibilidade hoje, que aproveitem".

Aprovação
Apesar do peso da aprovação dos Estados Unidos (tanto pelo FDA, a agência regulatória estadunidense, quanto pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças do país), no caso da vacina da Pfizer, a infectologista pediátrica Anne Galastri, membro da diretoria da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape), defende que é preciso respeitar os prazos da Anvisa.

"Mas a gente tem boas esperanças vendo outros países vacinando crianças sem outros efeitos colaterais", diz. Ainda assim, ela reforça que não é o momento de descuidar da vacinação de outros públicos, enquanto essa liberação não acontece no Brasil. "Existem inúmeras pessoas que não tomaram a primeira dose e muitas que não voltaram para a segunda. Não adianta os pais estarem desesperados para vacinar os filhos se não se vacinarem nem incentivarem outros a se vacinar. Nós temos que vacinar quem já está liberado e aguardar os outros para fazer isso progressivamente", acrescenta.

Nos últimos dias, circulou a informação de que o Ministério da Saúde já negociava a compra de 40 milhões de doses da Pfizer para crianças, mas isso não foi confirmado pelo órgão. Em nota, o ministério informou que estão previstas 350 milhões de doses de vacinas contra a covid-19 para 2022. Dessas, 134 milhões seriam remanescentes de 2021. Segundo a pasta, os recursos para a aquisição serão garantidos e a campanha de vacinação seguirá no próximo ano.

Crianças devem completar caderneta obrigatória de vacinação

Enquanto a vacina contra a covid-19 não é disponibilizada a crianças, o alerta dos pediatras é para que mães, pais e responsáveis não deixem de completar a caderneta de vacinação dos filhos - ou seja, as vacinas obrigatórias que já são ofertadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) através do Programa Nacional de Imunização (PNI). Em 2020, o Brasil não atingiu a meta de cobertura de nenhuma das vacinas para crianças.

"Precisamos reforçar a importância da vacinação em todas as faixas etárias pediátricas. Existe a carteira de cada idade, com vacinas como BCG, meningite, pneumonia e outras que estão estabelecidas há muitos anos", diz a a infectologista pediátrica Anne Galastri, membro da diretoria da Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape).

Desde 2015, o país vem registrando queda nas taxas de cobertura de vacinas. "A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Sobape estão extremamente preocupadas com isso, porque temos o risco iminente do retorno da pólio no Brasil. Já temos casos de sarampo e tudo isso se deve à não imunização com vacinas básicas, seguras e eficazes, todas disponíveis na rede pública", reforça. O retorno do sarampo aconteceu após o país ter ganhado certificado de erradicação da doença, em 2016.

A reunião que pode decidir sobre a realização do Carnaval em Salvador no próximo ano deve acontecer ainda nesta semana, segundo o prefeito Bruno Reis. Nesta segunda-feira (22), ele afirmou a data ainda não foi definida.

"A nossa expectativa é que possa ocorrer, provavelmente, essa semana", disse. O prefeito afirmou ainda que acredita que a situação está perto de ser definida. "Tenho fé de que a decisão está próxima de ser tomada. Se não for agora, vamos ver até quando pode ser adiada".

Bruno comentou sobre a manifestação que aconteceu no Farol da Barra nesse domingo, em favor da festa. "As manifestações são justas, legítimas. A gente compreende a angústia desse setor, afinal de contas já são quase 2 anos parados, sem ter renda, sem ter condição de garantir seu sustento, seu pão de cada dia. Estamos aguardando, dentro dos próximos dias, que a gente possa se reunir com o governador", disse o prefeito.

Para o vereador Claudio Tinoco (DEM), presidente da Comissão Especial de Acompanhamento da Retomada dos Eventos da Câmara Municipal de Salvador, o protesto mostrou que a festa não é importante apenas para os empresários. "A manifestação é legítima, existem pessoas de categorias que não são empresários que também dependem da festa, e essas manifestações estão ocorrendo por causa da falta de decisão", pontuou.

Tinoco disse ainda que, na sua opinião, não há mais tempo hábil para organizar a festa. Ele contou que vai a São Paulo na próxima quarta-feira para acompanhar os protocolos que vão ser implantados na cidade para realizar o Carnaval de rua. "A gente sempre conseguiu mostrar a capacidade de operação da festa e agora a gente está indo lá para ver como eles estão organizando. Isso demonstra nossa preocupação com a festa".

O presidente da República, Jair Bolsonaro, sancionou o Projeto de Lei que institui o Auxílio Gás dos brasileiros. A Lei está publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 22. O Auxílio Gás irá beneficiar famílias de baixa renda inscritas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico) do governo federal com renda familiar mensal per capita menor ou igual a meio salário mínimo nacional, ou que tenham entre seus membros residentes no mesmo domicílio quem receba o benefício de prestação continuada da assistência social.

Segundo a Lei, o auxílio será concedido preferencialmente às famílias com mulheres vítimas de violência doméstica que estejam sob o monitoramento de medidas protetivas de urgência.

As famílias com direito ao benefício receberão, a cada bimestre, o valor correspondente a uma parcela de, no mínimo, 50% da média do preço nacional de referência do botijão de 13 kg do gás de cozinha.

Em nota divulgada na manhã desta segunda-feira, a Secretaria Geral da Presidência da República informa que, para viabilizar o programa, o governo vai utilizar a estrutura do Auxílio Brasil para operacionalizar os pagamentos dos benefícios.

A prova de Linguagens do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2021 trouxe uma novidade. De acordo com o professor Aloisio Andrade, docente de literatura do Grupo Bernoulli Educação, houve uma diferença em relação aos anos mais recentes: não houve cobrança do Modernismo - nem da primeira, nem da segunda fase -, assunto que costuma ser recorrente na prova.

"Porém, caiu um texto pré-modernista e pós-modernista, o que diretamente está relacionado ao Modernismo. A surpresa, se levar em consideração também as provas recentes, é a cobrança, na primeira aplicação, de um cânone - no caso, do Romantismo - e de três questões que envolvem textos de Machado de Assis", analisa.

Já na parte de Língua Portuguesa, os assuntos que já são caros ao Enem continuaram presentes no exame. É o caso de temas como variedade linguística, de linguagem coloquial, da norma culta, das estratégias argumentativas e diversidade estética.

"Houve um destaque também para a condição feminina por meio de textos provocativos, que debatem o papel da mulher na sociedade. De maneira geral, foi uma prova dentro da expectativa, com um nível de dificuldade muito similar ao nível de dificuldade da prova de Linguagens do Enem anterior", completa.

Redação mais difícil
Neste domingo, os candidatos responderam provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação. O tema da redação, por outro lado, foi considerado mais difícil e surpreendente por professores da área. Os estudantes tiveram que escrever sobre 'Invisibilidade e registro civil: garantia de acesso à cidadania no Brasil'.

A Pfizer e Moderna anunciaram nesta sexta-feira que a Administração de Alimentos e Remédios dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) autorizou a aplicação da dose de reforço das vacinas contra a covid-19 para as pessoas maiores de 18 anos, noticiou a Associated Press. O reforço deve ser administrado pelo menos seis meses após a conclusão do ciclo primário de vacinação.

"Esta autorização de utilização de emergência surge num momento crítico à medida que entramos nos meses de inverno e enfrentamos um aumento da contagem de casos covid-19 e hospitalizações em todo o país", disse Stéphane Bancel, CEO da Moderna, em nota. "Agradecemos à FDA pela sua revisão, e estamos confiantes nas sólidas provas clínicas de que uma dose de 50 ug de mRNA-1273 induz uma forte resposta imunitária contra a covid-19."

Em outubro, a FDA autorizou para uso emergencial a dose de reforço da vacina da Moderna para pessoas com 65 anos ou mais, bem como para adultos com 18 a 64 anos com risco de o quadro da doença chegar ao caso grave.

Salvador registrou o nascimento de 29.731 crianças em 2020, o menor número desde 1974, quando 28.787 bebês nasceram e foram registrados no mesmo ano na cidade. Na época, era comum o chamado registro tardio, realizado mais de um ano após o nascimento. A queda da taxa de natalidade na capital até os moldes de 47 anos atrás é um efeito da pandemia de covid-19, que alterou a composição de várias famílias. Na outra ponta, as mortes por doenças em toda a Bahia crescem 10 vezes mais que a média anual pelo mesmo motivo.

Os números de natalidade e de outros indicadores como óbitos e casamentos, foram divulgados nesta quinta-feira (18) e constam das Estatísticas do Registro Civil 2020, elaboradas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) a partir dos dados dos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais.

“Havia muito registro tardio até a década de 1990. Algumas crianças chegaram a ser registradas muitos anos depois de terem nascido”, comenta Mariana Viveiros, supervisora de disseminação de informações do IBGE.

Hoje, a situação está mais rápida. “Enquanto ainda estava no hospital, meu marido pegou meus documentos e foi até o cartório mais próximo. O hospital não estava fazendo por causa da pandemia, mas em dois dias Cecília foi registrada”, diz a jornalista Laura Fernandes, 34, que teve a filha em maio de 2020.

Laura ainda pretende ter mais filhos, embora não saiba quando. O planejamento familiar, possibilidade de homens e mulheres planejarem a chegada dos filhos, é algo que, segundo Viveiros, se tornou mais comum de 10 anos para cá e também tem contribuído para a redução da natalidade. “Essa tendência é uma realidade principalmente após o ano de 2010, tanto no estado como na capital", explica.

De acordo com o médico de família e sanitarista Washington Luiz Abreu, doutor em Saúde Pública e professor do curso de Medicina da UniFTC e da Ufba, a redução da natalidade, assim como do número de casamentos, é algo que aconteceu em outras pandemias, como a da Gripe Espanhola, no início do Século XX (entre 1918-1920).

"Os registros da época não eram tão precisos, mas os que temos mostram que houve mudanças nestes aspectos da vida das pessoas”, explica.

No caso dos casamentos, em 2020, de acordo com o IBGE, na Bahia o número de uniões caiu 31,1% frente a 2019 e chegou a seu menor patamar em 17 anos (desde 2003). Ao todo, 45.888 casamentos foram formalizados, 20.669 a menos do que no ano anterior. Já em Salvador, o número de casamentos caiu 26,9% em 2020, para 10.656 uniões registradas, 3.922 a menos do que em 2019 e o menor número desde 2006.

Para o historiador Rafael Dantas, com o fim da pandemia, a tendência é que esses números voltem a crescer. “A história nos diz isso. Sempre que tem um período de pandemia ou guerra, em um momento seguinte, geralmente tem um aumento de casamento e natalidade. Mas como as famílias estão tendo cada vez menos filho, talvez o aumento de nascimentos não seja significante, mas o de casamentos será. Pelo meu contato com as igrejas, já vejo filas de espera”, relata.

Mortes na Bahia têm crescimento recorde

A quantidade de mortes registradas em 2020 na Bahia bateu recordes. No ano passado, ocorreram 102.189 óbitos na Bahia, 13,3% a mais do que em 2019 (90.404) e o maior número desde o início da série histórica do IBGE, em 1974. Em Salvador, o aumento da mortalidade foi ainda maior. Em 2020, foram 21.139 falecimentos, 24,7% a mais do que 2019 (16.955).

Das mortes ocorridas no estado, 82% foram por causas naturais (doenças), o que impactou nos dados. Houve aumento de 13%, em comparação com 2019, na quantidade de pessoas mortas por doenças como a covid-19. Foram 9.492 mortes a mais do que no ano anterior, um aumento dez vezes maior do que o crescimento médio anual de mortes por causas naturais registrado entre 2000 e 2019.

Para os especialistas, não é difícil considerar a pandemia como principal fator que contribuiu com esses números. De acordo com a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab), até ontem, mais de 27 mil pessoas tinham morrido por covid-19 na Bahia. Só em 2020, foram 9.129 óbitos, quase a quantidade exata de mortes a mais que ocorreram no ano por causas naturais (9.492).

“A face mais cruel da pandemia é a mortalidade, pois cada pessoa que se vai gera um impacto tremendo na vida das famílias e amigos”, lamenta Rafael.
“Para evitar ser um dos afetados pela doença, as pessoas fizeram o isolamento. Para não morrer, elas evitaram o contato social e isso acabou afetando os outros índices, como a natalidade e o casamento”, explica Washington.

Guerra às drogas tem cor e endereço marcados em Salvador. É o que aponta um estudo realizado pela organização Iniciativa Negra e que será divulgado nesta sexta (19), véspera da celebração do Dia da Consciência Negra. Segundo a pesquisa, a abordagem policial varia de acordo com os bairros da capital baiana - quanto mais negro, mais letal. O relatório expõe como a violência, a partir do discurso de combate ao tráfico, organiza os territórios através da repressão.

Ao monitorar nos noticiários eventos violentos, os pesquisadores elencaram os bairros que tiveram mais casos entre junho de 2019 e fevereiro de 2021: São Cristóvão, com 118 casos; Sussuarana, com 71; Itapuã, com 62; seguidos por Mata Escura, Nordeste de Amaralina, Lobato, Pernambués, Pituba, Boca do Rio e Brotas.

Segundo a pesquisa Mesmo que me Negue Sou Parte de Você: Racialidade, Territorialidade e (r)existência em Salvador, bairros onde vivem majoritariamente pessoas negras com menos ocorrência de uso e porte de drogas têm números maiores de violência policial do que áreas da cidade onde há mais casos envolvendo substâncias ilícitas e residem pessoas majoritariamente brancas.

Um exemplo, segundo o estudo, é a Pituba, que mesmo tendo altos índices de registros de uso e porte de drogas, não registrou nenhuma morte violenta entre janeiro e dezembro de 2020. Enquanto isso, o Nordeste de Amaralina, composto por maioria negra, aparece com menor número de registros de substâncias ilícitas e mais casos de mortes violentas. Nenhum bairro onde há majoritariamente pessoas brancas aparece de forma significativa no monitoramento de notícias que foi realizado.

“Os dados que apresentamos são com base em catalogações de informações da Rede de Observatório da Segurança e da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Destacamos os dez bairros que mais apareciam nos indicadores da Rede e, a partir disso, fizemos rodadas de entrevistas com moradores.”, explica a pesquisadora Luciene Santana.

Entre os eventos violentos que apareceram na mídia e foram analisados pela pesquisa, entre junho de 2019 e fevereiro de 2021, a ‘violência, abuso e excesso por parte dos agentes do estado’ foi o mais recorrente, com 1.447 registros. Seguido por ‘policiamento’, com 663 e ‘eventos envolvendo armas de fogo’, com 244 notificações. O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou no seu anuário deste ano, inclusive, que mortes causadas por policiais cresceram 47% na Bahia, sendo que das 55 cidades brasileiras com mais mortes decorrentes de intervenções policiais, sete ficam na Bahia.

“A guerra às drogas é, na verdade, uma guerra contra as pessoas, e o resultado de um projeto de Estado que elegeu os negros como inimigos, através da negação dos direitos e do uso da violência”, afirma Dudu Ribeiro, historiador e cofundador da Iniciativa Negra.

Em setembro deste ano, um confronto entre policiais e traficantes no bairro de Brotas, que faz parte da lista dos dez mais violentos do estudo, acabou com a morte de um homem, que, segundo a polícia militar, era traficante. Já no bairro Mata Escura, entre o final de 2019 e início de 2020, quarto mais violento, seis homens foram mortos pela polícia, com menos de 20 dias de diferença entre um caso e outro. As duas ações foram decorrentes de operações contra o tráfico de drogas.

Outro dado que chama atenção na pesquisa é a dificuldade do acesso público a equipamentos de cidadania. Em áreas onde a letalidade é vertiginosa, é escassa ou nula a quantidade de equipamentos culturais. O mesmo ocorre com a saúde: bairros com maior número de notícias sobre violência sofrem com baixa cobertura de políticas públicas voltadas à saúde dos moradores. Segundo o estudo, essas ausências representam a política de exclusão e marginalização de certos locais e moradores da cidade.

“O que percebemos é uma ausência do Estado nas localidades em que há mais pessoas negras e mais ocorrências de eventos violentos. Por isso, é fundamental a aplicação de políticas públicas para que haja a prevenção da violência”, explica a pesquisadora Luciene Santana.

No texto, os pesquisadores afirmam que a violência é um fator que co-organiza a vida de moradores dos dez bairros citados no estudo: “Se está acontecendo uma operação policial, se acontecer uma morte ou tiver um toque de recolher, as pessoas não conseguem ir trabalhar, viver a sua sociabilidade e usufruir do direito à cidade”, afirma Luciene.

Discurso x prática

“A guerra às drogas é uma estratégia equivocada, tanto do ponto de vista político, como de discurso, porque, além de não produzir cuidado, não diminui a violência e nem o tráfico de drogas”, afirma Bruna Rocha, que é fundadora da plataforma Semiótica Antirracista e integrante do Programa Corra pro Abraço, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS).

O programa trabalha com a redução de danos e promoção do cuidado de pessoas que apresentam uso excessivo de álcool e outras drogas, através da garantia de direitos, como acesso à educação, justiça, saúde e recuperação de documentos. Segundo Bruna, há um imaginário racista e conivente com a violência contra pessoas negras que atravessa toda a narrativa de guerra às drogas, fazendo com que seja, na verdade, uma guerra a pessoas e territórios e não às substâncias.

A pesquisa “Mesmo que me negue sou parte de você” também aponta falhas na cobertura midiática. Segundo o estudo, os meios de comunicação privilegiam notícias de ações de patrulhamento, somando 801 no período analisado, mas pouco noticia os efeitos letais destas ações.

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) afirma que atua de forma preventiva e repressiva contra o comércio de entorpecentes e que, desde o início do ano, mais de 15 toneladas foram apreendidas. No que diz respeito à letalidade policial, a SSP-BA ressalta que no primeiro semestre de 2021 o número de mortes em decorrência de ações da polícia diminuiu 33%, se comparado ao mesmo período do ano passado.

Em setembro deste ano, o secretário de segurança pública, Ricardo Mandarino, chegou a afirmar que apesar de não “suportar drogas”, o comércio deveria ser regulamentado, com política de vendas semelhante ao cigarro para combater o tráfico. Questionada, a SSP-BA afirmou que os estados não têm autonomia para esse tipo de decisão.

Já a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia (Sepromi-BA) reconheceu, através de nota, que o racismo é um problema estrutural e secular, afetando diariamente as relações sociais e limitando o acesso às políticas públicas em diversos campos. Afirmou ainda que a secretaria tem feito investimentos visando a inclusão e combate ao racismo e exemplificou com o Edital da Década Afrodescendente, que viabilizou um conjunto de projetos.

Procuradas para comentar o estudo, tanto a Secretaria de Municipal de Reparação (Semur), quanto a Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia (SJDHDS) não retornaram até a finalização desta reportagem.

O sonho do pentacampeonato não terá como se concretizar em 2022. Dono de quatro títulos, o Vitória está fora da Copa do Nordeste do ano que vem. Na noite desta quinta-feira (18), o Leão perdeu para o Botafogo-PB nos pênaltis e deixou escapar a vaga no torneio regional.

Ao invés de um jogador rubro-negro se consagrar no Barradão, um reserva do Botafogo-PB roubou a cena nos capítulos finais do embate. No banco até os acréscimos, o goleiro Paulo Gianezini colocou as luvas no finalzinho do tempo regulamentar, quando o placar de 2x2 encaminhou a decisão para os pênaltis. Ele defendeu a cobrança de Renan Luís e ainda converteu o da classificação.

Como o jogo de ida tinha terminado empatado em 1x1, em João Pessoa, o novo empate levou a disputa da vaga para as penalidades. Nessa ordem, converteram Raul Prata, Manoel, Thalisson Kelven, David e Wallace pelo Vitória. Pelo Botafogo-PB, Sávio, Esquerdinha, Cleyton, Tsunami e Welton Felipe marcaram. Na cobrança alternada, Renan Luís bateu e Paulo Gianezini defendeu. Na sequência, o próprio goleiro do Belo cobrou, fez 6x5 e garantiu a classificação da equipe paraibana.

No tempo regulamentar, Vitória e Botafogo-PB foram para campo com propostas bem distintas. Bastante preocupada com a marcação, a equipe paraibana se postou fechada e apostou apenas nos contra-ataques. O esquema do adversário dificultou inicialmente o trabalho do Vitória, que tinha mais posse de bola, mas esbarrava no bloqueio e não conseguia produzir, até Raul Prata esbanjar habilidade e abrir o placar aos 28 minutos. Com novo contexto, o Leão aproveitou a empolgação e ampliou o marcador três minutos depois com Fernando Neto.

No segundo tempo, as posturas se inverteram. O Vitória voltou do intervalo apático, vacilou e deixou o adversário empatar um jogo que parecia resolvido. Propositivo, o Botafogo precisou de quatro minutos para igualar o marcador. Diminuiu aos 18 com Willian Machado e deixou tudo igual aos 22, com tento anotado por Welton Felipe após falha do goleiro Lucas Arcanjo.

O jogo

A primeira jogada perigosa da partida foi protagonizada pelo Botafogo-PB. Welton recebeu próximo à entrada da área, bateu seguro de chapa e deu trabalho ao goleiro Lucas Arcanjo, que levou a melhor no lance após saltar e fazer boa defesa. O Vitória respondeu com David. O camisa 9 cabeceou após cruzamento de Roberto na esquerda, mas mandou para fora.

O gol rubro-negro saiu em jogada trabalhada pelo lado direito do campo. Aos 28 minutos, Fabinho serviu Raul Prata e o lateral direito foi efetivo. Dominou o redonda, cortou e chutou forte com a canhota. Placar aberto no Barradão: 1x0.

O torcedor ainda comemorava quando o Vitória ampliou o marcador aos 31 minutos. Em jogada ensaiada, Bruno Oliveira cruzou da direita e Fernando Neto, dentro da área, cabeceou. A bola desviou no volante adversário Pablo e acabou no fundo da rede: 2x0.

Precisando reverter o resultado ou ao menos empatar o jogo para levar a decisão aos pênaltis, o Botafogo-PB partiu para cima no segundo tempo. O chute de Welton subiu demais e passou por cima do travessão, mas aos 18 minutos a equipe paraibana acertou a pontaria. Esquerdinha, que tinha acabado de deixar o banco de reservas, cobrou escanteio na medida, Willian Machado subiu e, de cabeça, diminuiu o placar: 2x1.

Depois do baque, o Vitória tentou responder com Eduardo, que encheu o pé de fora da área, mas errou a meta. Quem encontrou o caminho do gol novamente foi o Botafogo-PB. O empate do time visitante foi computado aos 22 minutos. Lembra de Esquerdinha? A jogada mais uma vez começou com ele. Com liberdade, mandou uma bomba de fora da área e viu Lucas Arcanjo defender sem firmeza. O goleiro rubro-negro falhou ao dar rebote e Welton não perdoou: 2x2. O resultado levou a decisão para os pênaltis.

Próximo jogo

O Vitória volta a campo na segunda-feira (22), às 18h, quando vira a chave para disputar a penúltima rodada da Série B do Brasileiro, contra o CRB, no estádio Rei Pelé, em Maceió. Com 40 pontos, o rubro-negro ocupa a 18ª colocação e luta contra o rebaixamento à terceira divisão nacional.

FICHA TÉCNICA

Vitória 2x2 Botafogo-PB - Pré-Copa do Nordeste

Vitória: Lucas Arcanjo, Raul Prata, Wallace, Thalisson Kelven e Roberto (Renan Luís); João Pedro, Fernando Neto (Manoel), Eduardo (Cedric) e Bruno Oliveira (Alisson Santos); Fabinho (Soares) e David e Marcinho. Técnico: Wagner Lopes.

Botafogo-PB: Lucas Ferreira (Paulo Gianezini), Sávio, Daniel Felipe, Willian Machado e Tsunami; Tinga (Amaral), Pablo e Juninho (Esquerdinha); Welton Felipe, Éderson (Cleyton) e Luã (Marcos Aurélio). Técnico: Gerson Gusmão.

Estádio: Barradão
Gol: Raul Prata, aos 28 minutos, e Fernando Neto, aos 31, do 1º tempo; Willian Machado, aos 18 minutos, e Welton Felipe, aos 22, do 2º tempo
Cartão amarelo: Eduardo e Esquerdinha
Público: 3.596 pagantes
Renda: R$ 36.192,00
Arbitragem: Fábio Augusto Santos Sá Junior, Rodrigo Guimarães Pereira e Wendel Augusto Lino de Jesus Melo (Trio de SE).

O momento mais esperado pelos estudantes que querem ingressar no ensino superior está chegando. O primeiro dia da versão impressa e digital do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é nesse domingo (21). Mas a quatro dias da prova, será que ainda dá para absorver conteúdos? O ideal é revisar ou fazer exercícios? Apesar do prazo curto para a prova, não é hora para desespero e nem exagero nos estudos. É para desacelerar!

Manuela Daidone, 18 anos, é aluna do Colégio Oficina e vai fazer o Enem este ano buscando o curso de Medicina. Ela optou por diminuir o ritmo de estudo nesta semana para driblar o nervosismo e a ansiedade. “Confesso que estou nervosa, então, agora eu diminuí o meu ritmo. Vou resolver questões porque acho que parar não é o ideal, mas minha rotina vai ser mais tranquila. Vou também assistir a filmes que eu possa usar para repertório na redação porque é uma maneira mais leve de estudar e nada de ficar até de madrugada.

Segundo Kátia Vasconcelos, pedagoga e diretora do Colégio Bernoulli, unidade Pituba, Manuela fez uma boa escolha. Ela diz que controlar a ansiedade agora é muito importante e que, para isso, é preciso saber equilibrar as coisas. Ficar estudando até de madrugada não vai ajudar. Os alunos podem revisar assuntos que acreditem ser necessários, mas não é ideal aprender algo do zero porque não vão conseguir uma resposta tão positiva”, orienta.

O diretor executivo das Unidades Escolares do Bernoulli Educação, Marcos Raggazzi, completa que é hora de resolver questões, fazer simulados e provas de edições passadas. Para a revisão dos conteúdos, a dica é priorizar. “Se o aluno ainda tem muito conteúdo para estudar, é importante que ele faça um planejamento e revise os conteúdos que são os mais recorrentes na prova do Enem”.

Bernardo Queiroz, 18 anos, está focado na resolução de questões. Ele é estudante do Colégio São Paulo e vai fazer o Enem este ano para cursar Engenharia Civil. ““Durante o ano, eu não deixei o assunto acumular, então, nessa reta final, estou assistindo às aulas e resolvendo exercícios. O que era para ser aprendido já foi”. Ele também conta que não quer exagerar nos estudos e revela preocupação com as horas de sono. “Eu busco administrar o meu tempo, não fico até tarde porque não quero ficar fissurado nos estudos para não acabar mais nervoso. Durmo por volta das 10h e acordo às 6h, tentando sempre completar as 8h de sono”, diz.

O professor de História do Colégio Antonio Vieira Carlos Nazaré também defende a realização de simulados e provas de edições anteriores nessa reta final. “O foco agora deve ser na parte prática, ou seja, resolução de exercícios, porque o tempo é muito curto para a parte teórica, é muito difícil que o aluno absorva o que não aprendeu ao longo do ano. Quanto mais exercícios, melhor, e sempre com foco no que mais cai na prova”, aconselha.

Para a preparação da redação, o professor do Montessoriano Josimar Mota afirma que o importante é revisar regras e buscar dicas importantes. “O momento é de rever a estrutura do texto, buscar repertórios coringas, revisar as situações que levem à nota zero e revisar as cinco competências específicas que o Enem usa para corrigir a redação. A estrutura é aquilo de introdução, desenvolvimento e conclusão, mas é importante relembrar o que precisa estar em cada uma dessas partes e em cada um dos parágrafos”, opina.

Preparo psicológico
Maria Fernanda Aras, 18 anos, é aluna do Colégio Anchieta e vai fazer o Enem para cursar Direito. Ela já fez uma redação esta semana e agora vai focar na busca por repertórios coringas. Além disso, ela criou estratégias para equilibrar revisão de conteúdo e preparação emocional. “Estou focando na parte emocional, tentando relaxar mais, fazer uma preparação leve, acreditando em tudo que já fiz durante o ano. Estou essa semana olhando os resumos que fiz ao longo do ano, revisando os assuntos que eu costumo errar e também os assuntos que mais caem nas provas”, conta.

A psicóloga Priscila Pardo, membro da Federação Brasileira de Terapias Cognitivas (FBTC), ressalta que o fator psicológico pode ser determinante para indicar quem vai ter um bom desempenho e quem não vai. A mente afeta o corpo, gerando ansiedade e sintomas físicos que podem atrapalhar bastante na hora da prova. “Para esta semana, é momento de buscar estratégias para relaxar, se desligar, porque o conteúdo que tinha que ser absorvido já foi. Pode ser ir para a praia, meditar, estar com a família ou com os amigos”, recomenda Priscila.

O psicólogo social e clínico Ricardo Moura completa que a ansiedade desestrutura o candidato e dá algumas dicas para driblá-la. “Uma coisa que pode aliviar isso na véspera da prova é já deixar tudo preparado, como a roupa, a sacola, e também visitar o local de prova para já saber o caminho, identificar onde é. Quando a ansiedade bater, é importante trabalhar a respiração, existem diversos exercícios na internet e também vídeos e áudios de meditação guiada que vão trazer o aluno para o presente e prepará-lo para aquele acontecimento intenso”, orienta.

Moura também destaca a importância da atividade física, do cuidado com o sono e dos momentos de lazer para o dia que antecede a prova. “A atividade física é fundamental para liberar endorfina e melhorar o foco e concentração. É fundamental cuidar do sono, não ficar acordado até tarde para poder ter disposição para o dia seguinte. Pegue leve e priorize o lazer”, finaliza o psicólogo.

Manuela Daidone já sabe o que vai fazer no sábado. Os livros vão ficar de lado. “Não vou estudar para não despertar a ansiedade. Vou ficar mais tranquila, distrair a cabeça. Se precisar, tanto para o sábado quanto para o domingo, aprendi algumas técnicas de respiração, sei que é bom fechar os olhos e respirar fundo. Também funciona para mim os óleos essenciais e escutar música”.

Maria Fernanda Aras também vai parar os estudos na sexta. “No sábado eu vou sair com a minha família, com o meu namorado e descansar, dormir cedo”, conta. Bernardo Queiroz também tem programação com a família. “Eu pretendo ficar com a minha família, fazer uma programação leve, comer algo que eu goste e descansar”, diz.

Orientações para os dias de prova

Primeiro dia

Prova: 90 questões objetivas, sendo 45 questões das disciplinas de Linguagens, Códigos e suas Tecnologias e outras 45 questões das disciplinas de Ciências Humanas e suas Tecnologias, além da redação dissertativa-argumentativa.
Abertura dos portões: 12 horas (horário de Brasília)
Fechamento dos portões: 13h (horário de Brasília)
Duração da prova: 5 horas e 30 minutos - das 13 horas e 30 minutos às 19 horas. (Quem quiser levar o caderno de questões para casa deve sair da sala a partir das 18h30)

Segundo dia

Prova: 90 questões de Ciências da Natureza e suas Tecnologias e Matemática e suas Tecnologias, tendo cada uma das áreas 45 questões objetivas.
Abertura dos portões: 12 horas (horário de Brasília)
Fechamento dos portões: 13h (horário de Brasília)
Duração da prova: 5 horas - das 13 horas e 30 minutos às 18 horas e 30 minutos.(Quem quiser levar o caderno de questões para casa deve sair da sala a partir das 18h)

Além do documento oficial de identificação com foto e da caneta esferográfica de tinta preta, fabricada em material transparente, a máscara de proteção facial é item obrigatório.

10 dicas para a hora da prova:

-Chegue com antecedência para que possa encontrar sua sala de prova, encher a garrafinha, ir ao banheiro, enfim, se preparar melhor para começar a realizar a prova do Enem.
-Lembre de não levar objetos metálicos no bolso pois você deverá passar por detectores de metal ao ir ao banheiro
-Não esqueça de desligar o celular antes de colocar na embalagem que será entregue pelo aplicador da prova
-É importante saber quais áreas da prova terão mais peso na composição da nota para o curso que você deseja. Na hora da prova, dê mais atenção a elas
-Lembre-se que é importante dedicar cerca de 1h para elaborar o rascunho e passar a limpo a redação. Ela geralmente tem bastante peso na nota, então pode ser melhor fazê-la primeiro, com a cabeça mais ‘fresca’
-Fique atento a todos os detalhes das questões, principalmente a fonte e a data dos textos, que podem dar dicas ou até mesmo as respostas
-Resolva as questões mais fáceis primeiro, com textos mais objetivos o mais rápido possível, e deixe o tempo que sobrar para as questões mais difíceis, mais trabalhosas
-As questões se dividem entre texto, comando e alternativas. Comece a leitura pelo comando, identificando o que a questão quer do candidato, porque só com isso pode ser possível responder a questão e evitar uma leitura desnecessária de texto
-Ao resolver a questão, vá eliminando as alternativas aos poucos. As questões costumam ter uma ou duas alternativas sem muito sentido e também alternativas verdadeiras, mas que não respondem ao que o enunciado pergunta. Lembre-se de estar respondendo ao que a prova está te perguntando
-Não deixe questões em branco e tente, ao máximo, não fazer chutes
-Na editoria Revisão Enem do CORREIO, no link https://www.correio24horas.com.br/revisao/, você encontra matérias especiais, informações sobre o Enem e dicas de preparação, de realização da prova e de aplicação para o Sisu.

Confira os aulões gratuitos que acontecem antes do Enem

A Secretaria da Educação do Estado da Bahia (SEC) realiza, até o dia 26 de novembro, a maratona de aulões do Enem 2021, na página do YouTube do EMITec, no canal TV Educa Bahia e na página da Rede Enem. A ação, realizada em parceria com a Rede Enem, integra aulões das disciplinas das quatro áreas de conhecimento e de Redação.

As aulas acontecem às segundas, quartas e sextas, às 17h. Para acompanhar os aulões, ao vivo, é preciso realizar a inscrição por meio do link: https://bityli.com/rlYcGB. Os links para baixar e-Books e fazer simulados estão no endereço https://cursoenemgratuito.com.br/bahia/. O conteúdo também fica salvo no canal do YouTube.

O projeto IngreSSAr, promovido pela Prefeitura, por meio da Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Infância e Juventude (SPMJ), vai promover um aulão de revisão na sexta-feira (19), das 9h às 17h, no Espaço Moriah Hall (ao lado da FTC), na Paralela. A atividade é gratuita e, para participar, basta fazer a inscrição no site ingressar.salvador.ba.gov.br. Até a quinta-feira (18), as aulas de preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e o vestibular têm transmissão às 7h30 e reprise às 13h, na Band Bahia, canal 7.2 da TV aberta, ou no próprio site do programa.
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No próximo sábado (20) a Unijorge vai promover a 4ª edição do Missão Enem, um mega aulão gratuito de revisão com uma equipe de professores das principais escolas do ensino médio de Salvador, que vão tirar dúvidas e dar dicas para a prova. O evento será realizado das 8h às 13h30, no auditório Zélia Gattai, na Unijorge campus Paralela, nos formatos presencial e on-line. Ainda estão disponíveis as inscrições para assistir a transmissão on-line, que ocorrerá de forma simultânea, ao vivo. Os interessados podem realizar a inscrição no site: https://transformauj.com.br/circuitoenem.

Para ajudar os estudantes na reta final de preparação, o Diretor Executivo Pedagógico das Unidades Escolares do Bernoulli Educação, o professor Marcos Raggazzi, vai compartilhar informações e dicas importantes para os estudantes se darem bem no exame em duas lives. O encontro virtual terá a participação do Coordenador do Pré-vestibular Edmundo Castilho Filho. A live é gratuita e vai acontecer nesta quinta-feira (18), às 19h50. A live vai ser transmitida pelo canal do Youtube do Bernoulli e vai abordar estratégias de prova, técnicas de relaxamento e de atitude mental, além de dicas sobre o que revisar na semana entre as provas.

As festas literárias se caracterizam por promover encontros entre os amantes da literatura e de diversas artes. Não se restringem às mesas literárias ou à venda de livros. Por isso, precisa-se celebrar a volta da Flipelô - Festa Literária do Pelourinho, que começa nesta quarta (17) e vai até domingo, com praticamente todas as atividades gratuitas. O evento, que ganhou edição virtual no ano passado, volta a ser realizado presencialmente.

Além das tradicionais mesas que reúnem os autores, há exibição de peças de teatro, apresentações musicais, atrações gastronômicas, cinema... tudo no Centro Histórico. Entre as participações mais aguardadas, está a de Itamar Vieira Júnior, autor de Torto Arado, que vendeu mais de cem mil exemplares e venceu prêmios importantes como o Jabuti e o Oceanos.

A Flipelô é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado e, por isso, sempre escolhe um homenageado que tenha ligação com o autor que levou a Bahia para o mundo, através de clássicos como Capitães da Areia e Jubiabá. Desta vez, o escolhido é o alagoano Graciliano Ramos (1892-1953), autor de obras-primas como Vidas Secas e São Bernardo.

"Graciliano escreveu apenas quatro romances, que são conceituados como de altíssima importância, sobretudo Vidas Secas. Ele é o escritor da concisão, o escritor que pensa a palavra não para enfeitar, mas para dizer", diz José Inácio Vieira de Melo, poeta e curador da Flipelô desde a primeira edição, em 2017.

Nesta conversa com o CORREIO, José Inácio fala sobre o seu trabalho de curadoria e sua experiência na função também em quatro edições da Bienal do Livro da Bahia. O poeta não economiza elogios a Itamar Vieira Júnior, que, para ele é autor de um clássico, Torto Arado. "O livro dá conta do Brasil desde que surgiu até hoje, apresentando nossos problemas".

O que é uma festa literária e em que ela se distingue de outros eventos literários, como bienais e feiras do livro?
Festa literária é uma nomenclatura, que tanto poderia ser festa, como festival, como feira... e a Bienal do Livro, que não acontece mais [na Bahia, foi até 2013]? A Bienal era tudo isso, até porque era anual e se chamava Feira do Livro. Mas festival ou festa trazem um ânimo. É para festejar, mas festejar o que? Festejar as letras. A Bienal levava as grandes editoras e trazia as celebridades. A empresa que realizava a Bienal aqui levava os mesmos autores para as diversas bienais que ela realizava, em MG, RJ... eram os mesmos nomes e abria-se um pequeno espaço para autores locais. Outra coisa: não pagavam aos autores. Quem bancava a participação de autores como João Ubaldo Ribeiro, Ignácio de Loyola Brandão, Marina Colassanti, eram as editoras. Os autores locais não recebiam nada. A ideia era de que o autor tinha uma oportunidade de colocar o nome dele numa vitrine, como se o autor não tivesse conta para pagar, não tivesse família...

As festas literárias acontecem em cidades do interior e cidades históricos, como Parati, que é a primeira.

Por que não é no Rio de Janeiro [capital]? Porque ali ficam todos circulando, o povo e os autores. E a partir desses encontros de autores com autores de outras regiões ou países, surgem obras primas. É uma festa mesmo. O diferencial da Festa para a vitrine que são as bienais é o aconchego, a intimidade, é trazer o autor para perto. É a celebração do autor e da obra.

Qual a importância de Graciliano Ramos, homenageado desta edição?
A Flipelô tem o hábito de homenagear celebridades ligadas a Jorge Amado, porque a festa é realizada pela Fundação Casa de Jorge Amado. Já foram homenageados Zélia Gattai, João Ubaldo Ribeiro, Castro Alves, que Jorge Amado adorava. E agora, o homenageado é Graciliano Ramos, por quem ele tinha imensa admiração e passou a fazer parte da família, porque James Amado, irmão de Jorge, casou com a filha de Graciliano, unindo as famílias. Além disso, a importância da obra de Graciliano. Jorge, ainda jovem, viajou a Alagoas para conhecer aquele cara que fez um relatório para o Governo do estado de AL, que despertou interessado de toda a mídia. Estavam começando José Lins do Rêgo, Jorge de Lima, Rachel de Queirós e outros. Eram todos mais jovens que ele e começaram a chamá-lo de Mestre Graça. Todos esses autores tiveram uma vasta obra, mas Graciliano escreveu apenas quatro romances, que são conceituados como de altíssima importância, sobretudo Vidas Secas, que teve tradução para o mundo inteiro. Ele é o escritor da concisão, o escritor que pensa a palavra não para enfeitar, mas para dizer.

Como funciona o trabalho de curadoria no seu caso?
Faço a curadoria da Flipelô desde que surgiu. Participei da gênese da Flipelô, ao lado de Myriam Fraga, então diretora executiva da Fundação Casa de Jorge Amado. Ângela [Fraga, atual diretora da Fundação] me disse que teríamos uma comissão de curadoria para a Flipelô, composta por ela própria, Bete Capinan e por mim. Sempre as consulto, mas o trabalho de escolha é meu, com sugestões delas. 90% cabe a mim.

A diversidade em eventos culturais é essencial. Como a curadoria dá conta disso?
A diversidade é fundamental, se não, não tem sentido. Não existe isso de botar o que eu gosto. O gosto sai de cena. A gente precisa ficar atento ao que está acontecendo no momento. Dia 20 é Dia da Consciência Negra e não podemos fazer de conta que não acontece. Procuramos novas vozes, vozes já consagradas e damos espaço à mulher, porque a literatura é um ambiente machista.

Os povos originários, a gente fazia de conta que não existia. Mas está mudando, tanto que Daniel Munduruku concorre a uma vaga na Academia Brasileira de Letras.

Como os autores costumam reagir quando são convidados para a Flipelô? São receptivos ao convite?
Sou convidado para eventos fora do país e conheço autores importantes em seu país, mas não são conhecidos aqui. Quando chego lá, faço convite para os eventos de que faço curadoria. Quando o convite é feito, as pessoas ficam maravilhadas. Ainda mais, sendo remunerado! Todos recebem [remuneração]. Jamais alguém recusou o convite. Apenas por questão de saúde. Teve uma que me disse chorando que não poderia vir porque para ela, era uma pena não poder conhecer a terra de Jorge Amado.

Você circula por eventos literários internacionais. O que os autores estrangeiros pensam de Jorge Amado?
Os estrangeiros têm encantamento por Jorge Amado. Como nós temos por Gabriel Garcia Márquez, que nos mostra um mundo extraordinário. Jorge Amado tem, para um colombiano, a mesma dimensão que Garcia Marquez tem pra gente. Eu fui para o México representando o Brasil num grande evento. Quando dizia que era da Bahia, pensavam logo em Jorge Amado. Mas o Brasil era também lembrado, por incrível que pareça, por Lêdo Ivo [poeta alagoano], incrivelmente conhecido no meio literário do México. Nem aqui no Brasil, ele tem esse reconhecimento.

Um dos autores mais esperados da edição deste ano é Itamar Vieira Júnior. Qual sua opinião sobre ele como autor e sobre Torto Arado?
Itamar escreveu um clássico, uma obra-prima. Não há como não se render. Estava conversando com [o poeta] Luiz Antônio Cajazeira Ramos e falávamos de Itamar. O conhecemos no mesmo dia, numa festa literária - olha aí a importância da festa literária. Como o mediador da mesa onde eu estava, demorou, fomos conversar. Itamar era um sujeito tímido, simples, duma bondade... já tinha ganhado o Prêmio Leya, em Portugal. Liguei pra Itamar e disse "Você escreveu um clássico" e previ que ganharia o Jabuti e o Oceanos. O cinema quer comprar, a TV quer comprar... Itamar não é de fazer marketing, como eu. É funcionário público, tímido, mas a obra se sustenta por si própria.

Pode colocar em pé de igualdade a Vidas Secas. Dá conta do Brasil desde que surgiu até hoje, apresentando nossos problemas.