Sexta-feira, 19th Julho 2019
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Vaticano cogita permitir que homens casados se tornem padres na Amazônia

Vaticano cogita permitir que homens casados se tornem padres na Amazônia

O Vaticano emitiu, nesta segunda-feira (17), um documento que recomenda à Igreja Católica que considere ordenar homens mais velhos, casados e que tenham famílias constituídas, como padres em regiões remotas da Amazônia. A medida se aplicaria àqueles que tiverem, de preferência, ascendência indígena.

O documento também pede que seja identificado algum tipo de ministério oficial que possa ser conferido às mulheres.

Segundo agências internacionais, o documento é a menção mais direta em um documento do Vaticano à possibilidade de que homens casados possam ser padres. Hoje, eles podem exercer a função de diáconos — o diaconato é um dos ministérios da Igreja.

"Afirmando que o celibato é uma dádiva para a Igreja, pede-se que, para as áreas mais remotas da região, se estude a possibilidade da ordenação sacerdotal de pessoas idosas, de preferência indígenas, respeitadas e reconhecidas por sua comunidade, mesmo que já tenham uma família constituída e estável, com a finalidade de assegurar os Sacramentos que acompanhem e sustentem a vida cristã", diz o documento.
O Papa Francisco afirmou, em entrevista ao jornal alemão "Die Zeit" há cerca de dois anos, que era preciso "refletir" sobre a possibilidade de ordenar os chamados "Viri probati", expressão em latim para "homens provados" que se refere a homens maduros envolvidos na Igreja e casados.

"Também teríamos que definir que tarefas eles poderiam desempenhar, por exemplo, em comunidades remotas", afirmou Francisco.

Fonte: G1/Bahia

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  • Papa aceita demissão de bispo de Limeira, suspeito de acobertar abusos de menores

    O papa Francisco aceitou a renúncia do bispo brasileiro de Limeira (SP), monsenhor Vilson Dias de Oliveira, informou nesta sexta-feira (17) a Santa Sé em um comunicado. Dom Vilson é suspeito de tentar extorquir dinheiro de membros do clero (teria pedido, por exemplo, R$ 50 mil a um padre para colocar armários em casa), de aumentar seu patrimônio com recursos desviados da igreja e de acobertar o padre Pedro Leandro Ricardo, afastado da Basílica de Santo Antônio, em Americana (SP), após a Folha revelar denúncias de abuso contra menores, em janeiro.

    Suspeita-se que dom Vilson tenha feito vista grossa para os crimes do padre, que, em troca, silenciaria sobre as infrações do superior. Os dois negam as acusações. Em carta de despedida, o bispo reconheceu suas "limitações", apontando que que "nesses últimos meses enfrentamos todo tipo de cruzes, por meio de ataques à nossa Igreja Particular de Limeira, a mim e a vários presbíteros".

    "Hoje me despeço de vocês como bispo diocesano e peço minha renúncia por amor à Igreja de Cristo e pelo bem desta diocese", escreveu. O Vaticano anunciou que dom Orlando Brandes, arcebispo de Aparecida, será o administrador apostólico "sede vacante" da diocese.

    Dom Vilson e o padre também são alvo de ação do Ministério Público. A pedido da Promotoria, a Polícia Civil de Americana abriu um inquérito para investigar acusações contra os sacerdotes católicos. Em janeiro, a Folha de S.Paulo conversou com quatro pessoas citadas no inquérito, entre supostas vítimas e seus parentes. Elas citaram cinco garotos que teriam sido alvo de Leandro em paróquias por que passou -entre avanços que não prosperaram e casos consentidos.

    As quatro pessoas com quem a reportagem conversou pediram anonimato -os nomes dos menores foram trocados para preservar suas identidades. O pai de Alexandre, hoje com 17 anos, fala pelo filho. Segundo ele, a rotina do padre com o menor de idade, iniciada em torno de 2015, incluía abraços apertados e carícias indevidas. Alexandre era um dos meninos que ajudavam o clérigo na missa, chamados de coroinhas e acólitos.

    O pai afirma que, traumatizado, o rapaz criou aversão àquela paróquia e sua depressão foi tamanha que a família se preocupou que ele pudesse se matar -chegaram a trancar um aposento onde armazenavam produtos para o orquidário da casa, como agrotóxicos, com medo que o garoto pudesse tomá-los.

    Rodolfo, 34, disse à Folha que seu caso foi mais antigo, no começo dos anos 2000 -era então adolescente. O comportamento do padre Leandro extrapolava e muito o campo do afeto inocente, afirmou o ex-acólito. "Passava a mão, fazia piadinha."

    Às vezes acontecia de ele e outros rapazes viajarem com o padre, diz. Uma vez, de Kombi, foram todos para um convento de freiras. As investidas podiam começar no carro, afirma. "Isso de apalpar, deslizava a mão 'sem querer' na troca da marcha."

    Em 2013, uma moradora de Araras acusou a relação de Leandro com meninos da paróquia local numa carta com firma reconhecida em cartório. Disse que foi procurada cinco anos antes pela mãe de um jovem que havia saído de casa em 2002 para "morar e ser namorado do padre Leandro". Teria, ao menos no começo da relação, cerca de 14 anos.

    Dom Vilson, disse ela, ficou a par da situação, mas nada fez. Em uma carta enviada por denunciantes à Cúria Romana, Dom Vilson é acusado de ser complacente com Leandro e remover padres que não estiverem dispostos a compactuar com seus pedidos de dinheiro para causas próprias.

    Após as denúncias, padre Leandro foi suspenso "para dar continuidade ao processo de investigação", afirmou o advogado da Diocese de Limeira, Virgílio Ribeiro, em janeiro. O processo está sob sigilo e corre "há algum tempo" internamente, afirma. "O bispo de Limeira jamais pactuou ou pactuaria com qualquer ato que confronta as leis que regem a Igreja", disse Ribeiro.

    Fonte: Folha Press

  • Segundo milagre atribuído a Irmã Dulce é reconhecido e ela será proclamada santa, diz Vaticano

    Um segundo milagre atribuído à Irmã Dulce, conhecida como “O Anjo bom da Bahia”, foi reconhecido por meio de decreto e, com isso, ela será proclamada Santa, informou, na manhã desta terça-feira (14), o site "Vatican News", canal oficial de comunicação do Vaticano.

    Ela será a primeira mulher nascida no Brasil a ser canonizada e será chamada de Santa Dulce dos Pobres, pelas obras de caridade e de assistência prestadas aos mais pobres e necessitados.

    O novo milagre reconhecido tem relação com uma pessoa que dormiu cega e acordou enxergando, informou ao G1 a Arquidiocese de Salvador. A informação também foi confirmada pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). Ainda não foi divulgado, no entanto, quem foi a pessoa que recebeu a graça, nem de onde ela é e quando o caso aconteceu.

    "Com o Decreto autorizado pelo Santo Padre reconhecendo o milagre atribuído à intercessão de Irmã Dulce, a Baeta será proximamente proclamada santa em solene celebração de canonizações", informou o "Vatican News".

    O primeiro atribuído à Irmã Dulce, que levou à sua beatificação, em 22 de maio de 2011, trata da recuperação de uma paciente que teve uma grave hemorragia pós-parto e cujo sangramento subitamente parou, sem intervenção médica.

    De acordo com o "Vatican News", o Papa Francisco recebeu em audiência, na segunda-feira (13), o prefeito do Congregação das Causas dos Santos, cardeal Angelo Becciu, o qual autorizou o Dicastério vaticano a promulgar o decreto sobre Irmã Dulce. A data da celebração de canonizações não foi divulgada.

    Entre outros decretos promulgados, houve destaque também para o que reconhece as virtudes heroicas do Servo de Deus Salvador Pinzetta, Frade Menor Capuchinho nascido em Casca, no Rio Grande do Sul, em 1911 e falecido em 1972.

    Três graças alcançadas por devotos, após orações a Irmã Dulce, estavam sendo analisadas pelo Vaticano, com vista no processo de canonização da religiosa. Esses três casos foram enviados ao Vaticano pelas Obras Sociais Irmã Dulce (OSID), em 2014, após análise de profissionais da própria instituição.

    Processo de canonização

    madre tereza e irma Dulce

    Irmã Dulce (à direita) ao lado de Madre Teresa de Calcutá. — Foto: Reprodução/TV Bahia

    Após a beatificação da freira, iniciou-se o processo para buscar a canonização, quando a pessoa passa a ser considerada santa pela Igreja Católica. Para a beatificação, é necessária comprovação de um milagre, que no caso de Irmã Dulce ocorreu em outubro de 2010.

    Já para a canonização, é preciso que o Vaticano reconheça mais um milagre, com a exigência de que esse milagre tenha ocorrido após a beatificação, o que foi reconhecido agora.

    O Vaticano tem quatro exigências quanto à veracidade da graça, até ser considerada milagre: ser preternatural (a ciência não consegue explicar), instantâneo (acontecer imediatamente após a oração), duradouro e perfeito.

    Frei Galvão, conhecido pelas pílulas milagrosas que, segundo a fé católica, têm poder de cura e que nasceu em 1739, em Guaratinguetá, no interior de São Paulo, foi o primeiro santo nascido no Brasil a ser canonizado, em 11 de maio de 2007, pelo então Papa Bento XVI.

    Madre Paulina, que morava em Santa Catarina, também foi canonizada e ficou conhecida como a primeira santa do Brasil. Ela, no entanto, nasceu na Itália e só veio morar no país com a família aos 10 anos. Com isso, Irmã Dulce se tornará a primeira santa nascida no Brasil.

    Primeiro milagre reconhecido

    A primeira graça de Irmã Dulce reconhecida como milagre, e que possibilitou a sua beatificação, pelo vaticano ocorreu em 2001, nove anos após a morte de Irmã Dulce. Foi um caso de pós-parto de uma moradora da cidade de Malhador, no interior de Sergipe.

    De acordo com o médico Sandro Barral, um dos investigadores e peritos que confirmaram o milagre, a paciente apresentava um quadro de forte hemorragia não controlável. Em um período de 18h, a mulher chegou a passar por três cirurgias, mas o sangramento não cessava. Contudo, sem nenhuma intervenção médica, e após pedir a intercessão de Irmã Dulce, a hemorragia subitamente parou e a paciente se recuperou.

    De acordo com informações da Osid, a abertura do processo de beatificação começou em 17 de janeiro de 2000. No ano seguinte foi anunciada a graça, e em 2002 o processo foi levado para análise do Vaticano. A Congregação para a Causa dos Santos do Vaticano reconheceu o milagre em 26 de outubro de 2010.

    Em 22 de maio de 2011, foi realizada no Parque de Exposições de Salvador a cerimônia de beatificação de Irmã Dulce, que passou a ser chamada como "Bem-aventurada Dulce dos Pobres".

    Na cerimônia, foi lido o decreto apostólico do então Papa Bento XVI inscrevendo Irmã Dulce na lista dos santos e beatos da Igreja Católica, propondo-a como exemplo cristão para todos os fiéis.

    História e legado

    Irma Dulce e familia

    Irmã Dulce, ainda criança, à esquerda da foto, com a família. — Foto: Reprodução/Site da Osid

    Irmã Dulce, cujo nome de batismo era Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes, é recordada por sua obras de caridade e de assistência aos pobres e necessitados. Religiosa da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, a beata nasceu em Salvador em 26 de maio de 1914.

    Desde cedo manifestou interesse pela vida religiosa. Aos 13 anos de idade, passou a acolher mendigos e doentes em sua casa, transformando a residência da família – na Rua da Independência, 61, no bairro de Nazaré - em um centro de atendimento. A casa ficou conhecida como "A Portaria de São Francisco", por conta do grande número de carentes que se aglomeravam a sua porta.

    Em 1933, a jovem ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, no Convento de Nossa Senhora do Carmo, cidade de São Cristóvão, em Sergipe. No mesmo ano recebeu o hábito e adotou o nome de Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe, que se chamava Dulce Maria de Souza Brito Lopes Pontes e morreu quando a freira tinha 7 anos.

    No ano de 1935, já de volta a Salvador, dava assistência à comunidade pobre de Alagados, conjunto de palafitas que se consolidara na parte interna do bairro de Itapagipe. Nessa mesma época, começa a atender também os operários que eram numerosos naquele bairro, criando um posto médico e fundando, em 1936, a União Operária São Francisco – primeira organização operária católica do estado, que depois deu origem ao Círculo Operário da Bahia.

    Em 1939, Irmã Dulce invade cinco casas na localidade da Ilha do Rato, na capital baiana, para abrigar doentes que recolhia nas ruas de Salvador. Expulsa do lugar, ela peregrina durante uma década, levando os seus doentes por vários locais da cidade.

    Por fim, em 1949, Irmã Dulce ocupa um galinheiro ao lado do Convento Santo Antônio, após autorização da sua superiora, com os primeiros 70 doentes. A iniciativa deu origem à tradição propagada há décadas pelo povo baiano de que a freira construiu o maior hospital da Bahia a partir de um simples galinheiro.

    Já em 1959, é instalada oficialmente a Associação Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), e no ano seguinte é inaugurado o Albergue Santo Antônio.

    A Osid atualmente é um dos maiores complexos de saúde com atendimento 100% gratuito do Brasil, com 3,5 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), entre idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pacientes sociais, crianças e adolescentes em situação de risco social,dependentes de substâncias psicoativas e pessoas em situação de rua.

    Segundo a instituição, nos últimos 25 anos a entidade contabiliza 60 milhões de atendimentos ambulatoriais e mais de 280 mil cirurgias realizadas, o que dá uma média de aproximadamente 30 cirurgias por dia.

    Irmã Dulce faleceu no dia 13 de março de 1992, aos 77 anos, no Convento Santo Antônio, em Salvador.

    Fonte: G1/Bahia

  • Papa abre cúpula contra abusos sexuais anunciando “medidas concretas e eficazes”

    O Papa Francisco iniciou nesta quinta-feira, 21,  a cúpula sobre os abusos sexuais, que se realiza no Vaticano até o próximo domingo, 24. Diante de uma plateia de 190 líderes religiosos (entre presidentes de conferências episcopais, representantes de igrejas orientais, chefes de dicastérios e bispos sem dioceses), Francisco recordou o objetivo do encontro histórico. "Eu os convoquei para que juntos possamos ouvir o grito dos pequenos que pedem justiça".

    Em uma apresentação curta e austera, o próprio Papa enfatizou a necessidade de mudar o rumo e estancar a hemorragia que dessangra a Igreja Católica, com ações precisas. "Nossos corações estão cobertos pelo peso da responsabilidade pastoral e eclesial que nos obriga a discutir em conjunto, de modo sinodal, sincero e profundo, como lidar com este mal que aflige a Igreja e a humanidade. O povo santo de Deus olha para nós e não espera só condenações simples e óbvias, mas todas as medidas concretas e eficazes que são necessárias. É preciso ser específico.”

    Além disso, Francisco anunciou aos participantes que lhes preparou por escrito algumas linhas básicas fundamentadas em reflexões anteriores enviadas por conferências episcopais e sobre as quais agora devem trabalhar. Uma espécie de lista de medidas urgentes que cada diocese tem de gravar a fogo em sua maneira de proceder. "Um ponto de partida que vem de vocês e em vossa direção. Mas isso não diminui a necessidade da criatividade, que deve vir de vocês nesta reunião. [...] Que a Virgem Maria nos ilumine para tentar curar as graves feridas que escândalos de pedofilia têm causado nos pequenos e nos crentes.”

    Desse modo, com uma oração e um vídeo com depoimentos de vítimas, começou nesta quinta-feira no Vaticano a histórica cúpula contra os abusos sexuais na Igreja. Com uma organização semelhante à de um sínodo de três dias, os 190 participantes se reúnem na Sala Paulo VI do Vaticano sob o mesmo esquema e três temas centrais: a responsabilidade dos bispos, a prestação de contas e a transparência.

    A cada dia haverá várias apresentações, 10 grupos de trabalho divididos por idiomas e uma sessão de conclusões. Na manhã desta quinta-feira foi a vez do cardeal filipino, Luis Antonio Tagle, e do arcebispo de Malta, Charles Scicluna. O segundo, secretário da Congregação para a Doutrina da Fé e principal especialista nas investigações de casos de abuso, deu uma aula magistral de direito e procedimentos básicos a serem seguidos pelos bispos quando detectam um caso. A intervenção, rica em dados e citações da documentação existente, mostra a carência de conhecimento das normas em algumas dioceses. Mas o arcebispo destacou que o papel da vítima nos processos é muito limitado e tem que ser expandido.

    No domingo de manhã, o Papa dará uma declaração de encerramento em que poderá haver um anúncio que atenda à demanda das vítimas de algumas medidas concretas após a cúpula. A convocação representa um ponto de virada para a hierarquia católica, que por décadas encobriu os casos de pedofilia. As vítimas pressionam para que o discurso do Papa de "tolerância zero" seja posto em prática.

    Fonte: El Pais Brasil

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