Vem de zap: plataforma permite pagamentos de até R$ 1 mil

Vem de zap: plataforma permite pagamentos de até R$ 1 mil

O WhatsApp é o aplicativo mais usado pelos brasileiros e, agora, terá mais uma funcionalidade: você poderá fazer pagamentos através dele. Após a autorização do Banco Central (BC), na última sexta-feira (30), a empresa anunciou, na terça-feira (4), que a função estará disponível no Brasil nos próximos dias. Não haverá taxas de transferências - é como se fosse o Pix, só que dentro do próprio aplicativo.

O limite por transação é de R$ 1 mil. Cada usuário pode receber até 20 operações por dia, sendo o total de R$ 5 mil por mês - o limite pode ser menor a depender do banco. Neste primeiro momento, só é permitido fazer pagamentos entre pessoas físicas. Quando aprovado pelo BC, a empresa expandirá para pessoas jurídicas, mas não informou data.

Os bancos parceiros, portanto, habilitados para oferecer o serviço, são o Banco do Brasil, Banco Inter, Bradesco, Itaú, Mercado Pago, Next, Nubank, Sicredi e Woop Sicredi, com as bandeiras Visa e Mastercard. O modelo, operado pela Cielo, só permite que se pague com cartões de débito, pré-pagos ou de dupla função, crédito e débito. Ainda não é autorizado por cartão de crédito.

As transações são habilitadas pelo Facebook Pay e, segundo a empresa, são protegidos por várias camadas de segurança, como a senha do Facebook Pay ou a biometria, em dispositivos compatíveis. O serviço não vale para o WhatsApp Web.

Segundo o WhatsApp, este serviço já está disponível para usuários na Índia desde novembro de 2020 e espera expandir a capacidade para outros países no futuro. Ainda não é possível fazer transações internacionais.

Ansiosos e desconfiados
A nova funcionalidade dividiu opiniões. O engenheiro de produção Daniel Jones, 23, acompanhou a negociação da empresa com o Banco Central, que acontece desde o ano passado, e não vê a hora de usar o serviço. Para fazer transações, ele hoje usa o Nubank, pelo Pix.

“Já estava acompanhando a tramitação faz um tempo, e usaria pela segurança e pela praticidade. Hoje, a gente tem que abrir aplicativo do banco, colocar senha, código de acesso, tem outra conta. Pelo WhatsApp seria algo bem mais simples, porque é uma plataforma mais fácil de usar e não é tão pesada”, avalia.

Já a estudante de economia da Universidade Federal da Bahia (Ufba) Carolina Reitermajer, 23, não usaria porque acha desnecessário. Ela realiza transferências ou pelo Pix ou pelo aplicativo do Banco do Brasil, onde tem conta.

“Acho desnecessário você sair entregando informação para tudo quanto é site. Dar CPF, número de conta bancária, são rastros digitais desnecessários. Já basta o aplicativo do banco. E não acho o WhatsApp uma plataforma confiável, nenhum site que pede suas informações é, confiável”, explica Carolina, desconfiada.

A estudante de biologia da Ufba Beatriz Barreto, 23, também não tem interesse, por medo de cair em algum golpe. “Não acho que seja seguro. Existem vários golpes de WhatsApp, todo dia estão noticiando um novo na televisão. Então só facilitaria o acesso dos golpistas aos seu dinheiro, sua conta bancária, a te extorquir”, pondera Beatriz.

Segurança
O advogado e professor Diogo Guanabara, coordenador da pós-graduação de Direito Digital da Faculdade Baiana de Direito, assegura que a aplicação é confiável, porque as informações bancárias não estarão disponíveis no aplicativo.

“A ferramenta está inserida em um contexto de autorização do Banco Central, que permite que o WhatsApp atue como um iniciador de pagamentos. Ele não vai virar um banco. Você não tem como abrir uma conta e botar dinheiro lá dentro. Ele vai fazer uma ligação com o banco, a partir do qual vai transacionar as informações”, esclarece.

Ele acrescenta que a iniciativa foi criada a partir da lógica do open banking, uma lei que permite que mais pessoas tenham acesso ao mundo da bancarização. “O WhatsApp, através do Facebook Pay, está agora querendo facilitar micro pagamentos de forma rápida e segura. Até então, no Brasil, é um setor muito regulado, muito seguro, mas de difícil penetração na vida popular, porque muitas pessoas não têm contas bancárias. Esse modelo tenta distribuir melhor essa presença dos bancos", explica Guanabara.

Como usar
Para usar a nova função, é necessário estar com o aplicativo atualizado. Para fazer as transações, o usuário deve adicionar um cartão habilitado para débito de um dos bancos participantes, verificá-lo, e colocar os valores serão transferidos entre contas bancárias.

Primeiro, abra a conversa com o contato que deseja enviar a quantia, clique em anexar, pagamento, continue – aprovando os termos de serviço e política de privacidade – e crie seu PIN ou senha do Facebook Pay (se ainda não tiver).

Se quiser, é possível cadastrar a biometria, para dar mais segurança ao processo e não ter que inserir a senha de novo manualmente. Em seguida, insira seu nome, sobrenome e CPF e toque em avançar para adicionar os dados do seu cartão. Salve os dados e pronto. Também é possível configurar o Facebook Pay pelo aplicativo – em mais opções, configurações, facebook pay, continuar.

Cuidado com o golpe
A advogada especialista em direito digital, Maria Clara Seixas, explica que toda facilidade de transação é motivo de desconfiança, ainda mais em um contexto de vazamentos de conversas e golpes pelo aplicativo.

“Ao surgir a facilidade de pagamentos, algumas das principais preocupações que surgiram estão relacionadas aos riscos de privacidade, bem como a possibilidade de aumento dos já conhecidos golpes dentro da plataforma em razão da capilaridade da ferramenta”, alerta.

Por isso, a principal forma de evitar golpes com esse novo serviço é tentar impedir clonagens. “É fundamental que o usuário do aplicativo se certifique que está de fato conversando com seus contatos, sempre desconfiando de solicitações de transferência de dinheiro e verificando por meio de ligação quem está do outro lado do aplicativo interagindo com ele”, aconselha a especialista.

Segundo ela, a maioria dos golpes envolvem não questões técnicas, de quebra de barreiras de segurança, mas pelo uso da engenharia social. “Isso leva o usuário a repassar para terceiros o seu código de WhatsApp recebido por SMS. Estar sempre atento a qualquer repasse de informações de acesso a terceiros é a principal prevenção”, recomenda.

Maria Clara orienta que é sempre recomendável ter o fator de dupla autenticação habilitado no WhatsApp e manter o aplicativo sempre atualizado.

O advogado Diogo Guanabara completa: “É importante entender que isso não vai estar amplamente possível para todos os usuários, vai vir aos poucos. O banco que vai habilitar essa função e permitir, por meio de um comunicado oficial. Por isso, não se deve clicar em nenhum link que um suposto gerente passa parar você ou passar nenhum tipo de código”.

Sobre a transferência incorreta para um usuário, o WhatsApp disse que “não consegue recuperar um pagamento depois de enviado. É recomendado solicitar a devolução da quantia ao destinatário”.

Porém, a empresa tranquiliza que, em caso de invasão de conta, como o golpista instala o perfil em um dispositivo diferente, ele não conseguirá realizar pagamentos, pois é necessário o uso do PIN do Facebook Pay ou da biometria para confirmar a transação.

Além disso, se a conta do WhatsApp for instalada em um novo aparelho, as informações de pagamentos são automaticamente redefinidas (reset), evitando que golpistas tenham acesso à sua conta do Facebook Pay.

Setor bancário
Em nota, o Banco Central disse que a autorização poderá "abrir novas perspectivas de redução de custos para os usuários de serviços de pagamentos”.

Já a Federação Brasileira de Bancos (Febrabran) afirma que vê com naturalidade a criação de novas opções e operações de pagamento. “Estão em linha com a nossa visão de que competição é a melhor ferramenta para estimular inovação, aumentar os benefícios ao usuário e reduzir custos para a sociedade”, diz a entidade.

A Febrabran também ressaltou que as regulamentações sejam “iguais para todos os participantes do sistema financeiro, criando condições homogêneas tanto aos bancos já estabelecidos quanto aos novos competidores que estejam entrando no mercado”.

Passo a passo:

Adicione uma única vez um cartão de débito, um cartão múltiplo com função débito ou um cartão pré-pago
Abra a conversa com o contato para o qual você deseja enviar o dinheiro, toque em Anexar e depois em Pagamento.
Aperte continuar na tela do Facebook Pay para aceitar os Termos de Serviço e a Política de Privacidade do Pagamentos no WhatsApp, os Termos de Serviço e a Política de Privacidade do Facebook, os Termos de Serviço e a Política de Privacidade do Facebook Pagamentos e os Termos de Serviço e Política de Privacidade da Cielo
Crie um PIN de 6 dígitos para o Facebook Pay
Insira seu PIN do Facebook Pay novamente para confirmá-lo e toque em avançar
Para usar sua impressão digital ao invés de inserir seu PIN manualmente, toque em
USAR IMPRESSÃO DIGITAL. Caso contrário, toque em Pular para inserir seu PIN manualmente.
Insira seu nome, sobrenome e CPF. Em seguida, toque em Avançar.
Adicione os dados do seu cartão, incluindo o número do seu cartão de débito, a data de validade e o código CVV.
Toque em SALVAR.
Você também pode configurar o Facebook Pay no WhatsApp. Para isso, toque em Mais opções > Configurações > Pagamentos > Facebook Pay > CONTINUAR.

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    “Decidi trocar para não ficar tanto tempo com o carro e tive a oportunidade de vender por um preço maior que comprei, então preferi vender”, conta a administradora.

    Ela ainda está incerta sobre qual modelo comprará, mas pensa no HB20, ou usado ou zero, a depender do valor. Desde que se mudou para Abrantes, na cidade de Camaçari, Região Metropolitana de Salvador (RMS), passou a usar menos o automóvel, pois teve uma filha e decidiu dar uma pausa no trabalho.

    O gastrônomo Esmeraldo Camurugi, 30 anos, foi outro que lucrou com o carro velho. Ele vendeu o Nissan March, adquirido em 2020, por R$ 3 mil a mais que o valor de compra. Agora, ele tem um Caoa Chery Tiggo 5x, comprado por R$ 87 mil. “Quis mudar de categoria, queria um SUV”, explica Camurugi. O veículo, na verdade, será usado por sua esposa, Andreza.

    “Ela usa para trabalhar, no dia-a-dia. Como moro em Lauro de Freitas e trabalho em Salvador, prefiro ir de metrô porque é mais barato. Pago R$ 300 por mês e o carro é em torno de R$ 800 só de gasolina, porque o deslocamento, por dia, gira em torno de 50km ida e volta. Quando pega engarrafamento, o carro bebe mais”, esclarece o gastrônomo.

    Crescimento
    Todos os cenários mostram como o mercado de usados e seminovos está aquecido. No comparativo julho e junho deste ano, ainda de acordo com a pesquisa da Assoveba, o crescimento das vendas foi de 11,6%. Já na comparação julho de 2021 com julho de 2020, a alta foi de 11,1%. Dos nove estados do Nordeste, a Bahia ficou em sexto lugar em julho de 2021.

    Os veículos mais vendidos são os mais velhinhos, com tempo de uso superior a 13 anos (43%). Em segundo lugar, são usados entre 9 e 12 anos (22,7%). Já os seminovos, com até três anos de uso, tiveram queda nas vendas em julho, na comparação com junho de 2021 (-16%). Ou seja, a preferência do público baiano é pelos mais rodados.

    Justamente o que o militar Danilo Azevedo, 35, gosta de comprar: sempre entre os anos 2008 e 2011. Para fazer uma renda extra, ele compra veículos bem usados, reforma, e vende mais caro. Só neste ano, ele fez isso com seis carros. “Não sou revendedor, mas estou sempre comprando e revendendo. Ajeito eles para ganhar algo em cima. Normalmente, pago R$ 20 mil na compra, mais R$ 3 mil de conserto, e vendo por uns R$ 30 mil”, narra Azevedo.

    O militar afirma que o preço dos usados está em torno de R$ 4 mil acima da tabela FIPE. Antes da pandemia da covid-19, eles eram vendidos R$ 4 mil abaixo da tabela.

    “Com a pandemia, muita gente preferiu não vender o carro, então ficou escasso o mercado. Os valores aumentaram muito também, cerca de 20%”, acrescenta.

    Seminovos em falta
    Segundo o presidente da Assoveba, Ari Pinheiro Júnior, os carros usados estão em falta, tamanha a procura. “A falta de fabricação do carro zero fez com que o carro seminovo vivesse esse momento de alta nas vendas. Não estamos conseguindo repor o estoque com velocidade. Como não tem carro zero, não tem seminovo, porque é um ciclo: quando você compra o zero, você dá o seminovo de entrada. Como esse ciclo não está acontecendo, estamos tendo dificuldade de achar”, relata Júnior.

    Essa é uma dificuldade para o empresário Daniel Júnior, proprietário da Danautos. “Estamos com dificuldade de comprar carro, principalmente carro bom. O estoque de usados consigo manter em apenas 70% do estoque normal. Mas o problema é que as fábricas ainda estão voltando aos poucos a produção e isso fez o preço subir demais, até 25%. E o seminovo acompanhou”, pontua Daniel Júnior.

    O presidente da Assoveba também relata a subida de preços. “A gente está comprando mais caro, porque a tabela FIPE está aumentando todo mês, pelo menos 2 a 3%, coisa que nunca tinha visto antes”, afirma. Os modelos de seminovos mais difíceis de serem encontrados, por agora, são o HB20 e o Ônix, que aumentaram cerca de R$ 8 a 10 mil, isto é, 20% em relação ao valor de 2018 e 2019.

    Mesmo com os valores altos, o gerente de seminovos da Guebor, na Bonocô, Marco Aurélio, diz que consegue manter o estoque. Os custos, no entanto, estão mais altos.

    “Estamos com muita dificuldade de encontrar veículos, mas estamos conseguindo manter o estoque Estamos pagando mais caro, para não deixar faltar, só que a escassez está geral”, conta.

    Aurélio diz que não há previsão de os valores voltarem ao normal antes de 2022. “Não tem previsão, até porque todo mês os preços estão tendo reajuste do carro zero e, consequentemente, aumenta a FIPE e os preços dos usados”, explica. Os modelos mais procurados, agora, são os mais baratos. “Como todos os preços aumentaram, todo mundo quer carro barato, de R$ 30 mil. Mas, seminovo não acha por esse preço, só de, no mínimo, R$ 35 mil”, acrescenta o gerente.

    Ari Pinheiro Júnior pontua, contudo, que essa alta de vendas registrada em 2021 é fruto do comparativo com 2020, que foi um ano atípico, devido à pandemia da covid-19. “Em 2020, a gente passou muito tempo com a loja fechada e agora a gente está recuperando esse tempo perdido. Ainda não está normal que nem 2018, 2019, mas está melhor. Se compararmos com esses anos, teremos queda de cerca de 10% nas vendas”, completa.

    Produção de veículos cai mais de um terço em 2020
    Em 2020, a produção de veículos novos teve o pior ano da indústria desde 2003, quando 1.428.270 carros foram fabricados. Ano passado, esse número foi de 1.607.175, cerca de 34% a menos que em 2019, quando 2.448.490 exemplares foram produzidos. Consequentemente, o número de licenciamento de veículos também caiu: saiu de 76.008, em 2019, para 57.202, em 2020, o que representa uma queda de 24,8%. Os dados são do anuário de 2021 da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).

    De acordo com Gleidemilton Campos, gerente de vendas da Hyundai da Avenida Paralela, algumas fábricas pararam por falta de insumos. “Temos várias fábricas paradas, como a GM [General Motors], que ficou quatro meses sem produzir e deixamos de ter o Ônix, que é um veículo de entrada. Isso afetou uma grande fatia do mercado. A própria Ford, em Camaçari, que fechou, e lá se vai o Ford KA e Fiesta; a Hyundai, que parou por duas semanas por falta de insumos; e a Volkswagen, que está com produção bem limitada, diria que 30%”, alerta Campos.

    O gerente conta que, no caso da Hyundai, a produção está 60% do que era em 2020. Os principais produtos em falta são os de eletroeletrônicos.

    “Os semicondutores, que são os chips, acabaram indo para os eletrônicos e os veículos ficaram em segundo plano. Na pandemia, se vendeu muito mais videogame, celular, computador e tablet, então as fábricas não deram conta. Acabou faltando para os carros”, esclarece Campos.

    O gerente da Hyundai também fala da dificuldade de encontrar veículos seminovos na praça. Em um ano, os preços subiram, segundo ele, no mínimo, 18%. O preço de um HB20 zero, por exemplo, que custava R$ 44 mil há três anos, é o mesmo hoje para um usado. “Os usados estão com preço de carro zero. Cheguei até a fazer campanha aqui na loja, para o pessoal trazer seu seminovo e a gente paga o mesmo valor da nota fiscal, porque a tabela FIPE subiu demais”, afirma.

    Modelos mais vendidos em julho 2021 (fonte: Assoveba)
    Gol - 9,53%
    Palio - 7,22%
    Uno - 6,63%
    Celta - 4,84%
    Siena - 3,72%
    Ka - 3,65%
    HB20 - 3,62%
    Ônix - 3,42%
    Fiesta - 3,17%
    Corolla - 3,08%

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