Segunda-feira, 28 de Setembro 2020
5:53:00pm
O Jornal da Cidade

O Jornal da Cidade

O Ministério da Educação (MEC) divulgou, nesta terça-feira (15), os resultados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) de 2019 e os números não são animadores: a Bahia teve o terceiro pior desempenho do Brasil entre os alunos do Ensino Médio. Empatado com o Rio Grande do Norte, a nota dos baianos - 3,5 - só foi pior do que a dos estudantes do Amapá e Pará (3,4) e está longe da meta estipulada para este ano, que era de 4,5. A média brasileira foi de 4,2, também abaixo do previsto, de 5,0.

Nos anos finais do Ensino Fundamental, a Bahia ocupa o penúltimo lugar no ranking, ao lado de Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará, com uma nota de 4,1. A avaliação está abaixo do planejamento estadual, de 4,5. A pior média foi do Amapá, de 4,0, e somente sete estados conseguiram alcançar o objetivo.

No que tange aos anos iniciais do Ensino Fundamental, o cenário melhora um pouco - o estado baiano subiu e ficou com a sexta pior avaliação, com uma nota de 5,3, isto é, 5 décimos acima do objetivo do estado, de 4,7. Os piores resultados estão no Rio Grande do Norte (5,2), Sergipe (5,1), Maranhão (5,0), Pará e Amapá (4,9). O Brasil atingiu a média desejada somente nos anos iniciais, registrando 5,9. Já no anos finais, a nota ficou em 4,9 - três décimos abaixo da meta.

Por outro lado, mesmo ainda que esteja em posições ruins, a Bahia vem melhorando nos últimos anos. O secretário de educação da Bahia Jerônimo Rodrigues ressalta para os esforços feitos na rede estadual de ensino no últimos anos, que se mostraram nos números: na rede estadual de ensino, a nota foi de 2,7 para 3,2 entre os alunos do Ensino Médio. “Nós investimos na formação de professores, temos agora um coordenador pedagógico e reativamos o sistema estadual de avaliação. Somos o estado que mais cresceu no Nordeste”, ratifica o secretário.

O Ideb é um índice utilizado pelo MEC para avaliar o desempenho dos estudantes de escolas públicas - redes estadual, municipal, e federal - e privadas, em três níveis: no 5º ano, que se refere às notas dos anos iniciais do Ensino Fundamental, no 9º ano (anos finais do Ensino Fundamental), e no 3º ano do Ensino Médio. O índice, que vai de 0 a 10, é calculado com base na aprovação escolar e nos exames do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), ao qual os alunos são submetidos a provas de Matemática e Língua Portuguesa.

Ao final da matéria, você encontra as escolas baianas com as piores e melhores avaliações. A melhor nota, de 7,1, foi do Colégio Militar, e a pior foi do colégio estadual Batista Neves, de 2,3. No relatório divulgado pelo Ministério, somentes as escolas públicas estaduais estavam com os dados do Ideb 2019 atualizados. Os idebs mencionados de caráter nacional referem-se aos dados totais, que incluem escolas públicas e privadas da zonas urbana e rural. Já os regionais incluem as escolas da redes pública e privada somente da zona urbana.

A pesquisadora e gestora de projetos educacionais Patrícia Mota Guedes, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento do Itaú Social, alerta que, apesar dos números não tão promissores, existe uma luz no fim do túnel, pois o Ideb baiano vem aumentando nos últimos anos nos três níveis. “É preciso olhar a evolução daquele estado em relação a suas metas. Nesse sentido, temos algumas boa notícias, porque a Bahia superou a meta do Ideb para os anos iniciais”, analisa a pesquisadora.

Guedes sinaliza ainda que, apesar da importância do índice, existem alguns critérios subjetivos de avaliação que escapam aos números. “É um termômetro importante, mas sozinho não dá os caminhos necessários para apoiar os professores, para fazer um planejamento pedagógico, para analisar a granularidade das diferenças em sala de aula”, pontua.

Educar em tempo integral

Para progredir no ranking e na qualidade do nível de ensino, a sugestão do presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Bahia (APLB), o professor Rui Oliveira, é investir mais em escolas de tempo integral, a fim de fixar a aprendizagem em sala de aula com atividades lúdicas no turno oposto. Além disso, com esse método, a defasagem entre os alunos poderia ser reduzida, acredita o professor.

“Os alunos do fundamental vêm com muitas dificuldades e deficiências, e você pode corrigir esse contratempo com escolas de tempo integral. Educação não se resume a sala de aula e a escola é um espaço onde vai tornar você um homem crítico”, defendeu o professor e presidente da APLB. Oliveira citou como exemplo Pernambuco, estado que tem investido nessa prática e ganhou destaque no Nordeste, assim como o Ceará.

Salvador cresce no Ideb
Mais uma vez, Salvador cresce em qualidade de educação. De acordo com o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2019 divulgado nesta terça-feira (15) pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), no Ensino Fundamental I, Salvador cresceu de 5,3 em 2017 para 5,6 em 2019 - índice superior à meta estabelecida para 2021. No Ensino Fundamental II, esses números passaram de 3,9 em 2017 para 4,3 em 2019, ultrapassando a meta estabelecida pelo MEC. Se comparados a 2013, os índices dos dois segmentos registraram crescimento acima de 40%. Salvador está entre as três capitais que mais avançaram no IDEB nos dois segmentos nesse período.

O município subiu duas posições no ranking entre as capitais passando para o 16° lugar no Ensino Fundamental II. E avançou uma posição no Fundamental I, ficando no 15° lugar. Em 2013, Salvador estava na última colocação. "São conquistas a serem comemoradas. Salvador vem mudando o cenário da educação municipal desde 2013 e o Ideb é reflexo disso", comemora o secretário municipal da Educação, Bruno Barral. A cada dois anos o ensino das escolas públicas de todo o Brasil é avaliado nos aspectos aprendizagem dos alunos (através da Prova Brasil) e rendimento escolar (taxa de aprovação), que compõem o cálculo do Ideb.

Na avaliação de Barral, o resultado positivo é fruto de uma série de ações adotadas pela Prefeitura desde o início da primeira gestão do prefeito ACM Neto. Ele cita os investimentos na requalificação da infraestrutura escolares, que resultou em mais de 60% das unidades completamente reformadas, construídas ou reconstruídas. "O ambiente físico das escolas é um fator que influencia na aprendizagem. Assim, além das obras investimos também na instalação de ar condicionado, no mobiliário, em parques infantis. Tudo para que alunos se sintam bem, em um ambiente agradável e acolhedor", diz.

Na parte pedagógica, entre outras ações, o trabalho focou na construção do material próprio Nossa Rede, que valoriza a cultura e hábitos locais o que traz identificação e pertencimento, refletindo no aprendizado. Para corrigir a distorção idade/ano, foram implantados os programas Se liga e Acelera, junto com o Instituto Ayrton Senna. No combate à evasão, a Prefeitura e o Parque Social criaram o Agente da Educação.

O secretário cita, ainda, a Prova Salvador (Prosa) que consiste na avaliação dos alunos por uma consultoria externa. São aplicadas duas provas, uma no início do ano e outra no final. "Com base nesses dados, a Smed, em trabalho conjunto com professores, coordenadores e gestores, constroi estratégias para melhorar o aprendizado. Podemos dizer que é um trabalho cirúrgico, que se debruça em cada um dos descritores para que o processo educacional ganhe cada vez mais qualidade."

A Smed adquiriu material didático específico voltado para o Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) tanto para alunos quanto para professores. O material tem como foco a compreensão leitora e o desenvolvimento da competência matemática. Segundo Barral, outro instrumento importante nesse processo foi a implantação do Sistema de Monitoramento e Acompanhamento (SMA), que permite o acompanhamento individual dos alunos em vários aspectos além das notas, como frequência e livros lidos. "É mais um instrumento que traz informações importantes para o planejamento e tomada de decisões pedagógicas e que compõe esse arcabouço de ações e projetos que estão fazendo de Salvador a capital que mais avança em educação", conclui.

ENSINO FUNDAMENTAL Anos Iniciais - Nota nacional: 5,9 (meta: 5,7)
Alunos são: 79,2% da rede municipal e 20,5% (privada) e 0,3% estadual.
Bahia - 5,3 (meta 4,7) - sexto pior estado do Brasil. Somente 53,8% dos municípios baianos atingiram a meta.
Ranking nacional ordem decrescente - São Paulo (6,7), Distrito Federal, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais (6,5), Ceará (6,4), Goiás (6,2), Espírito Santo (6,1), Rio Grande do Sul (6,0), Mato Grosso e Acre (5,9), Rio de Janeiro (5,8), Mato Grosso do Sul, Piauí e Roraima (5,7), Alagoas, Tocantins, Rondônia (5,6), Pernambuco e Amazonas (5,5), Paraíba (5,4), Bahia (5,3), Rio Grande do Norte (5,2), Sergipe (5,1), Maranhão (5,0), Pará e Amapá (4,9)
IDEB nacional últimos anos - 2005 (3,8), 2007 (4,2), 2009 (4,6), 2011 (5,0), 2013 (5,2), 2015 (5,5), 2017 (5,8) e 2019 (5,9)
IDEB Bahia últimos anos - 2,7 (2005) 3,4 (2007) 3,8 (2009) 4,2 (2011) 4,3 (2013) 4,7 (2015) 5,1 (2017), 5,3 (2019)

ENSINO FUNDAMENTAL Anos Finais - Nota nacional: 4,9 (meta: 5,2)
Alunos são: 71,1% rede municipal, 15,3% rede estadual e 13,5% escolas privadas.
BAHIA - 4,1 (Meta: 4,5). Somente 17,1% dos municípios baianos atingiram a meta. Bahia só perde para Amapá e empata com Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará.
Ranking nacional ordem decrescente - São Paulo (5,5), Ceara (5,4), Goiás e Paraná (5,3), Distrito Federal e Santa Catarina (5,1), Espírito Santo e Piauí (5,0), Rio de Janeiro, Minas Gerais, Acre e Rondônia (4,9), Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande so Sul, Pernambuco (4,8), Alagoas, Tocantins (4,7) Amazonas (4,6), Paraíba e Roraima (4,3), Maranhão (4,2), Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Pará (4,1), Amapá (4,0,).
IDEB nacional últimos anos - 2005 (3,5), 2007 (3,8), 2009 (4,0), 2011 (4,1), 2013 (4,2), 2015 (4,5), 2017 (4,7) e 2019 (4,9)
IDEB Bahia últimos anos - 2,8 (2005) 3,0 (2007) 3,1 (2009) 3,3 (2011) 3,4 (2013) 3,7 (2015) 3,7 (2017), 4,1 (2019)

ENSINO MÉDIO - Nota nacional: 4,2 (meta: 5,0)
Alunos são: 87,3% rede estadual, 2,7% Federal, 9,4% rede privada, 0,6% rede municipal.
Bahia - 3,5 (meta 4,5) - só perdeu para Amapá e Pará, empatou com Rio Grande do Norte.
Ranking nacional - Goiás e Espírito Santo (4,8), Paraná (4,7), São Paulo (4,6), Distrito Federal e Pernambuco (4,5), Ceará (4,4), Rondônia (4,3), Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e Minas Gerais (4,2), Rio de Janeiro (4,1), Paraíba, Tocantins e Piauí (4,0), Alagoas, Roraima e Acre (3,9), Maranhão (3,8), Sergipe (3,7), Mato Grosso e Amazonas (3,6), Bahia e Rio Grande do Norte (3,5), Amapá e Pará (3,4).
IDEB nacional últimos anos - 2005 (3,4), 2007 (3,5), 2009 (3,6), 2011 (3,7), 2013 (3,7), 2015 (3,7), 2017 (3,8) e 2019 (4,2)
IDEB Bahia últimos anos - 2,9 (2005) 3,0 (2007) 3,3 (2009) 3,2 (2011) 3,0 (2013) 3,1 (2015) 3,0, (2017) 3,5 (2019)

TOP 10 Escolas com maior nota pelo ideb 2019
COLÉGIO MILITAR DE SALVADOR - 7,1
COLEGIO DA POLICIA MILITAR - UNIDADE II CPM LOBATO - 5,5
CENTRO ESTADUAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL EM MÚSICA - 4,9
COLEGIO DA POLICIA MILITAR - CPM JOAO FLORENCIO GOMES - 4,7
COLEGIO ESTADUAL CPM LUIZ TARQUINIO - 4,6
COLEGIO ESTADUAL YPIRANGA - TEMPO INTEGRAL - 4,4
COLÉGIO ESTADUAL PROFESSORA ELISABETH CHAVES VELOSO - 4,2
COLEGIO ESTADUAL PROFESSORA MARIA ANITA - 4,2
COLÉGIO ESTADUAL CONSELHEIRO VICENTE PACHECO DE OLIVEIRA - TEMPO INTEGRAL - 4.1
COLEGIO ESTADUAL SATELITE - 4,1

TOP 12 escolas com menor nota no ideb 2019
COLEGIO ESTADUAL BATISTA NEVES - 2,3.
COLEGIO ESTADUAL ALBERTO SANTOS DUMONT - 2,4
COLEGIO ESTADUAL HELENA CELESTINO MAGALHAES - TEMPO INTEGRAL - 2,6
COLEGIO ESTADUAL DOUTOR JOAO PEDRO DOS SANTOS - 2,7
COLEGIO ESTADUAL ANA CRISTINA PRAZERES MATA PIRES - 2,7
COLEGIO ESTADUAL RAYMUNDO MATTA - 2,8
COLEGIO ESTADUAL SARA VIOLETA DE MELLO KERTESZ - 2,8
COLEGIO ESTADUAL ALIPIO FRANCA - 2,9
COLEGIO ESTADUAL PROFESSORA NOEMIA REGO - 2,9
COLEGIO ESTADUAL POLIVALENTE SAN DIEGO - 3,0
COLEGIO ESTADUAL PROFESSOR CARLOS ALBERTO CERQUEIRA - 3,0
COLEGIO ESTADUAL SETE DE SETEMBRO - 3,0

A tão sonhada vacina para a covid-19 deve demorar. Ela só deve começar a ser aplicada nos baianos a partir de março de 2021. A estimativa foi feita por Fábio Vilas-Boas, secretário da Saúde da Bahia, nesta terça-feira (15) no programa Saúde & Bem-Estar, apresentado pelo jornalista Jorge Gauthier no Instagram do jornal CORREIO (@correio24horas). Apesar da Bahia ter a parceria com a Rússia em andamento para a distribuição de 50 milhões de doses da vacina, o secretário destacou que o prazo para o início da imunização ainda depende da aprovação e registro da vacina junto à Anvisa. Além disso, reforçou que, na rede pública, a vacina não terá como contemplar todos os baianos. “A prioridade serão as pessoas que são grupos de risco”.

Vilas-Boas destacou ainda que não acha seguro o retorno das aulas sem vacina, que os hospitais de campanha devem ser desativados progressivamente e reforçou a necessidade das pessoas continuarem usando as máscaras pois há um risco de uma segunda onda da pandemia a exemplo do que já aconteceu em países da Europa. O secretário falou também do legado de infraestrutura para a saúde do estado com a intenção de manutenção de 60% dos atuais leitos de UTI.

Confira os principais pontos da entrevista e confira a live completa abaixo:

Estamos completando 6 meses do início da pandemia no estado e ultrapassamos ontem os 6 mil mortos. Quais os principais acertos e o que poderia ter sido feito diferente?

Nós nos programamos com muita antecedência. Desde janeiro o estado foi preparado para a pandemia. Primeiro, cuidamos da parte diagnóstica, com o Laboratório Central do Estado para podermos fazer o mais importante: obter o diagnóstico correto. Por conta disso, pudemos tomar decisões de maneira rápida, com bases diárias. Isso impediu que houvesse um lockdown geral do estado, o que causaria uma fadiga precoce e possível desobediência da população, que colaborou desde o início, respeitando as medidas preventivas. Foi fundamental a junção do governo, prefeituras, população e apoio da imprensa durante este período.

Estamos entre os últimos estados do Brasil em número de taxa de letalidade - somos o 22°. Ninguém ficou sem atendimento por falta de estrutura em nenhuma cidade do estado. Se nós pudéssemos ter previsto a pandemia com antecedência, teríamos adquirido equipamentos mais precocemente, não teríamos tido momentos onde ficamos ‘apertados’. Apesar disso, mesmo com dificuldades, essa impossibilidade de prever a pandemia e correria para organizar tudo, não gerou consequências graves.

Há uma percepção de que a população tem relaxado ultimamente, que esqueceu da pandemia. Muitas aglomerações e muitas vezes sem máscara. Dá uma sensação de ‘enxugando gelo’?

Se você for a São Paulo ou ao Rio de Janeiro, você vai ver uma fração das pessoas fazendo uso de máscaras. O que a gente vê na Bahia, de forma universal, é algo daqui. A gente não percebe porque não estamos saindo daqui. São Paulo só decretou o uso obrigatório de máscara há cerca de 2 meses. Na Bahia, foi desde março. Movimentamos a indústria têxtil para ter quantidade suficiente de máscaras para obrigar o seu uso universal nas ruas e ambientes públicos já nas primeiras semanas.

Quando vejo uma pequena parcela da população começando a desrespeitar o distanciamento, fico preocupado porque esse grupo pode colocar em risco pessoas que não se expuseram ao vírus. É lamentável algumas situações, como paredões e pessoas andando em lojas sem máscaras. Mas as prefeituras têm trabalhado para dissolver estes focos de rebeldia. Em comércios, tem sempre alguém na porta que não deixa você entrar sem o uso da máscara. Existe uma consciência coletiva aqui que não existe em outros estados do Brasil.

Não é hora de relaxar, se nós hoje estamos com taxas de internação menores do que 50%, foi fruto de esforço coletivo. Não é hora de colocar tudo a perder. É importante frisar que ainda há regiões com taxas maiores, pois a pandemia é heterogênea. Temos que estar atentos e observando sinais de retomada. É possível que haja uma segunda onda da doença, pois foi o que aconteceu em todo o mundo. Estamos preparados, com leitos disponíveis, caso isso aconteça.

Há um desejo/pensamento das pessoas de que teremos vacina em outubro. Qual o cronograma real de planejamento em relação à vacina? Qual o panorama atual?

As vacinas estão em fase de teste. Todos os fabricantes, seja a alemã da Pfizer, seja a vacina de Oxford, as vacinas russa e chinesa, nenhuma está aprovada para uso em lugar nenhum do mundo, ainda. E todos os fabricantes, confiantes, já estão produzindo e estocando. Caso dê certo, eles estarão alguns meses na frente. Quando a vacina estiver aprovada, lá em novembro, a prioridade de vacinação será para aqueles que enfrentam um maior risco. A primeira será população do Hemisfério Norte, que estará confinada em casa com temperaturas muito frias fora. Depois, a população do Hemisfério Sul, que tem o seu inverno no meio do ano. É impossível vacinar a população toda rapidamente. Os grupos de risco serão prioridade.

Na Bahia, teve uma ação inteligente e oportuna do [governador] Rui Costa: quando todos tinham preconceito com a vacina russa, devido a propagandas enganosas do Ocidente, ele firmou uma parceira com ela. Através da Bahia, o Brasil terá prioridade de 50 milhões de doses. E ela só será vendida no país depois de aprovada pela Anvisa. A agência só aprova a partir de resultados clínicos positivos. A previsão mais racional é que a vacinação comece aqui apenas em março de 2021. E será uma vacina de duas doses - com intervalo estimado de 21 dias entre as doses. O que é preocupante, pois aderência à segunda dose, que acontecerá cerca de um mês depois, geralmente é menor. E vai faltar seringa no mundo, mas a Bahia já está se preparando.

Vai ter vacina para todos os baianos?

A vacina é apenas para o grupo de risco, que tem maior chance de morrer. Não haverá vacina para todo mundo em um primeiro momento, é desnecessário. Segue a mesma lógica da gripe H1N1. No Brasil a vacina será gratuita, a partir do Programa de Imunização Nacional.

É possível voltar às aulas de uma forma segura ainda este ano?

Depende da escola e da região. Eu não sei como a educação poderá montar um esquema de calendário homogêneo para regiões heterogêneas. Uma série de variáveis precisa ser avaliada: taxas de ocupação de leitos, escolas com ar condicionado split - que renova o ar da própria sala -, disponibilidade de pias para lavar as mãos… De acordo com uma pesquisa recente feita por nós no Subúrbio de Salvador há 5% de alunos e professores assintomáticos com o vírus. Na escola isso seria uma alta taxa de transmissão.

Como estão sendo planejadas as ações em caso de segunda onda do vírus como já tem acontecido em países da Europa e até mesmo uma terceira onda na Ásia?

Estamos mantendo uma reserva ampla de leitos de UTI. Estamos desmobilizando leitos, mas a infraestrutura está presente. Não faz sentido pagar 100 leitos e usar 10, 20. Então eles serão transformados em leitos para outras doenças - como cirurgias eletivas, que estão voltando a ser feitas. Caso haja uma segunda onda, os leitos serão reativados e não haverá necessidade de obras físicas, como no início da pandemia no Brasil, entre abril e junho. Hoje, o mercado brasileiro conseguiu atingir uma capacidade de suprimentos suficiente para conseguir atender à demanda da pandemia.

Qual será o efeito da disseminação do coronavírus com as eleições municipais de novembro?

Nós fizemos um planejamento da reabertura durante 45 dias. Vai existir risco. Mas se a população seguir as determinações, o risco é pequeno. O fato de ir votar com máscara e respeitando o distanciamento, torna o risco pequeno. O vírus depende de gotículas. Estas ficam retidas dentro da máscara. A pessoa com máscaras não consegue expeli-las para fora. Espero que no momento da eleição não seja permitido o acesso sem máscara. E os candidatos que forem flagrados patrocinando ou tomando parte de eventos que desrespeitem as determinações de saúde serão punidos.

Quando os hospitais de campanha serão desativados se continuarmos nessa progressão de menor taxa de transmissão? E o que vai ser feito com os equipamentos?

Existem dois tipos de hospital: o de campanha, que é provisório, e leitos de UTI construídos dentro de hospitais. Os de campanha foram o montado na Fonte Nova, com 100 leitos de UTI e 90 de enfermaria; uma tenda do lado de fora do hospital do subúrbio, com 60 leitos; e outro em Teixeira de Freitas, com 100 leitos. Foram criados leitos de UTI nos hospitais Ernesto Simões; Couto Maia; Clériston Andrade; Alaíde Costa. Estamos avaliando quais e quantos leitos das UTIs novas que foram criadas serão mantidos como leitos de UTI regulares daqui para frente. Temos que ver como bancar isso: cada leito custa R$1,6 mil por dia. Espero conseguir deixar um legado positivo de expansão de UTIs no estado. Antes da pandemia tínhamos 1,3 mil leitos de UTI no estado. Hoje são cerca de 2600 sem contar os contratados pela prefeitura de Salvador.

Quantos desses 2600 leitos de UTI podem ser mantidos pós-pandemia?

O governo abriu cerca de mil leitos e pretende manter cerca de 60% deles. Abrimos novas UTIs em várias cidades do interior da Bahia. Investimentos que podem ser mantidos para sempre. A infraestrutura de oxigênio não vai ser retirado dos hospitais e dos lugares onde foi montada. Assim, caso haja uma nova pandemia, estaremos prontos. A chance de acontecer uma nova pandemia é real. A questão não é se vai acontecer, mas quando. Isso será consequência do processo de urbanização acelerado atual na China. E estaremos preparados. Esse vírus veio para nos ensinar. Ele teve a taxa de mortalidade relativamente baixa, mas não sabemos como será o próximo.

Qual será o maior gargalo da saúde pública depois da pandemia?

O acúmulo de cirurgias eletivas. Uma quantidade muito grande de procedimentos que precisam ser feitos. Nós temos um sistema criado - lista única - organizando as demandas. Há prédios com centenas de pessoas gerando indicadores e dados. Com base nessas informações, estamos organizando este momento. Em 2021, a infraestrutura de hospitais da Bahia vai dar um salto. Todos os hospitais do Governo do Estado estão sendo reformados e muitos estão sendo ampliados. Teremos capacidade de absorver essa demandas reprimidas de forma tranquila.

Em relação à saúde mental, como estamos no preparando para o momento pós-pandemia?

Nós nos preocupamos muito com isso. há linhas de suporte psicológico para quem está confinado em casa. Nós estamos lidando com isso e vamos lidar com as consequências neurológicas da Covid. O vírus tem modificado o funcionamento do sistema nervoso central e causado sequelas. Ele não é tão benigno como achado no começo da pandemia.

Há um aumento de taxas de transmissão na região Oeste. Existe expectativa de aumento em função da volta do transporte intermunicipal liberado recentemente?

Oeste está com 76% de taxa de ocupação. Tem leitos sobrando no Hospital do Oeste. Foram construídos 30 novos leitos. Leitos de enfermagem foram transformados em leitos de UTI. Por conta disso, hoje, a situação está tranquila. Existirá o risco de aumentar. Mas há riscos e benefícios. Chega um momento que a sociedade não aguenta. Teriam transportes clandestinos e perigosos. É melhor que seja feito de maneira legal, fiscalizada e segura.

Surpreendida com a soltura do influenciador digital Iuri dos Santos Abrão Silva, apelidado de Iuri Sheik, que agora responde em liberdade pela morte de William Oliveira, 28, a auxiliar de cozinha Nélia de Oliveira, 51 anos, foi tomada mais uma vez pelo pânico e decidiu às pressas mudar de casa pela terceira vez. “A gente tem medo e por isso vive se mudando. Ele é frio e já demonstrou isso matando o meu filho. Poderá se vingar na gente. Já me mudei duas vezes e agora vou sair de novo”, disse ela, na manhã dessa terça-feira (15), ao CORREIO.

Nélia afirmou que a preocupação maior dela é com as três netas, fruto de dois relacionamentos de William, empresário morto a tiros no São João de 2019, na cidade de Santo Antônio de Jesus. “Temo pela vida de minhas netas. São crianças e não têm como se defender. Meu filho, que era maior e mais forte que ele não teve chance de defesa, imagina elas. Ele é um assassino confesso. Tirou a vida do meu filho porque tinha muita inveja dele, porque meu filho era mais querido, porque as pessoas sabiam que o meu filho era um homem de caráter, honesto e trabalhador, ao contrário de quem o matou covardemente. Todo mundo sabe, mas tem medo de falar dele”, desabafou.

Iuri Sheik teve habeas corpus concedido pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ) e deixou o Complexo da Mata Escura no início da tarde dessa segunda-feira (14). Ele estava preso de maneira preventiva desde junho do ano passado por uma acusação de homicídio. O habeas corpus foi deferido pelo desembargador Eserval Rocha, do TJ-BA.

“Como é que o Ministério Público diz uma coisa e a Justiça faz outra? Na semana retrasada, a Justiça havia negado o habeas corpus. Todo mês ele pedia, alegando pneumonia, por conta do coronavírus. Quero que a Justiça seja justa!”, desabafou mais uma vez a mãe de William.

Através de uma nota, a assessoria do Ministério Público do Estado informou que "a decisão judicial será analisada para a adoção das medidas que se fizerem cabíveis".

Autor confesso, Iuri Sheik deixou a cadeia por volta das 12h30, indo a pé até o carro de um advogado, que o esperava em frente à prisão. "A Justiça baiana vai saber a verdade", disse ele assim que saiu. Questionado se estava arrependido, ele respondeu: "Jamais. Deus é comigo". As declarações do influenciador digital à imprensa revoltaram Nélia. “Ele é arrogante, zombando de nossa família. Foi por isso que meu filho não quis cumprimentá-lo, não quis dar a mão a ele, porque ele é arrogante e sempre teve inveja de William. Meu filho era bonito por dentro e por fora, uma pessoa simples. Não tinha besteira. Meu filho só não ficou rico, porque era uma pessoa bondosa, ajudava todo mundo”, disse a mãe do empresário.

O medo de sofrer uma represália não paira somente em Nélia, mas sim na família toda. William deixou três filhas, duas delas de um relacionamento. As irmãs de dez e oito anos tomaram conhecimento da notícia através da imprensa. “Fiquei sabendo que ele (Iuri) estava soltou por uma de minhas filhas. É um medo, desespero. Estamos todos com medo. Esperamos que a justiça fosse feita. Minhas filhas voltaram a ter pânico e terão que retomar os tratamentos médicos. A mais nova não desgruda de mim desde ontem. Estamos em pânico do que ele pode fazer solto agora”, declarou a mãe das meninas, Eniele Santos, 32.

O CORREIO tentou entrevistar Iuri Sheik, sem sucesso. A reportagem havia combinado com um dos defensores de Iuri, o advogado Victor Valente, de entrevistar o digital influencer às 10h30 desta terça-feira (15), mas eles desistiram de se manifestar sobre o caso.

Relembre

O influenciador digital foi acusado, e confessou, ter atirado contra William Oliveira, 28 anos, ex-sócio da banda de pagode Black Style. O fato aconteceu na noite de 23 de junho de 2019, em uma festa de paredão em Santo Antônio de Jesus, no Recôncavo Baiano. A vítima foi atingida no peito duas vezes, chegou a ser internada, mas morreu três dias depois. William deixou três filhas: a mais velha de 13 anos, uma de 11 e a caçula, que na época tinha apenas 40 dias de vida.

Conforme noticiado pelo CORREIO na data do ocorrido, Iuri teria disparado contra William porque este tinha recusado a cumprimentá-lo. “Inicialmente, a versão que chegou para nós foi que havia acontecido uma briga de trânsito. No entanto, foi ouvindo as testemunhas que chegamos à nova versão do fato. Todos ouvidos até agora contam que Iuri estendeu a mão e William disse: ‘não vou dar a mão porque não gosto de você’. Então, Iuri foi no carro, pegou a arma e atirou”, contou o delegado Edilson Magalhães.

A recusa de William seria por causa de uma rixa antiga com o digital influencer. “Parece que foi coisa de fofoca, picuinha no meio artístico. O porquê da rixa não é o mais importante. O importante é o fato do cara ter atirado porque o outro não o cumprimentou. Isso é o fato imediato. Temos testemunhas que viram ele atirando”, complementou Magalhães.

O prefeito de Camaçari, Elinaldo Araújo (Democratas), testou positivo para coronavírus nesta terça-feira (15) e ficará em isolamento domiciliar pelos próximos 15 dias. Ele fez um novo teste nesta segunda-feira (14) após apresentar alguns sintomas, como febre e tosse.

Com o resultado, Elinaldo está seguindo todas as orientações médicas e acompanhando os sintomas, que inicialmente são leves. “Me sinto bem e estou em isolamento social desde ontem para evitar uma possível contaminação de outras pessoas. Minha família também está em isolamento. Agora, vou seguir as orientações médicas e acompanhar atentamente a evolução do quadro”, disse o prefeito.

Ele informou que seguirá com suas atividades na gestão de maneira virtual, seguindo todas as orientações médicas. “Obviamente, preciso repousar e me cuidar, pois agora sinto na pele os efeitos da covid-19. Contudo, sigo atento e farei o que puder para continuar trabalhando por Camaçari”, afirmou.

“Estou na linha de frente desta pandemia desde o começo e sabia que este era um risco. Sabemos que o vírus ainda está entre nós e, por isso, ainda devemos nos manter vigilantes, usar máscara e evitar aglomerações. Nós que estamos na linha de frente estamos mais suscetíveis, mas quem não está pode e deve se cuidar ainda mais”, complementou.

Fonte: Ascom / PMC

Toda semana é uma preocupação nova para a feira do soteropolitano. Depois do aumento expressivo no preço do arroz, agora, os cidadãos estão com a pulga atrás da orelha por outro motivo: a limitação da venda de arroz, óleo e leite, que passam por racionamento nas unidades dos grandes mercados de Salvador. Na maioria desses estabelecimentos, só se pode comprar até 10kg de arroz, 12 unidades de garrafas de óleo de soja, 10 unidades do leite de caixa e 5 pacotes do leite em pó de 200g. Em alguns casos, até o feijão, que está com os preços nas alturas, passa por racionamento de vendas.

O CORREIO foi às lojas para conferir onde a limitação ocorre, a causa do racionamento e o que os soteropolitanos acham do caso. Os entrevistados contaram que já tinham percebido as alterações nas prateleiras e, em sua maioria, afirmaram estar preocupados com a possibilidade da escassez dos itens nos estoques ser a causa para a imposição do limite de compras. Um cliente, que não quis se identificar, opinou que os mercados estão fazendo isso para evitar que as pessoas extrapolem nas compras do que já está em falta. "Provavelmente, tem algo em falta pra eles fazerem isso. O povo é todo desordenado e, quando vê um negócio em falta, corre todo afobado pra estocar. O que faz o mercado tomar esse tipo de atitude. Aqui, as pessoas levam a sério o 'farinha pouca, meu pirão primeiro", diz.

Limitar a comercialização desses produtos não é uma ação ocasionada apenas pela escassez como se pode imaginar. Entre os produtos com venda racionada, só o óleo de soja não está largamente disponível nas distribuidoras. Para os outros, existem fatores diferentes que influenciam no processo de limitação de venda nas grandes redes. É o que garante Joel Feldman, presidente da Associação Bahiana de Supermercados (Abase). "Em alguns casos, a limitação pode acontecer por conta de promoções para que a maioria dos clientes possam ter acesso às ofertas. Normalmente, a limitação está ligada a essa tentativa de evitar que o comerciante de mercados menores leve todos os produtos em promoção, por exemplo", explica.

Fator promocional
No caso do Extra, na Vasco da Gama, é justamente essa a justificativa que se vê nos cartazes que informam a limitação de compra: "Para que todos aproveitem essa oferta". O problema é que a oferta informada não é percebida, de fato, nos preços dos produtos. No local, encontra-se o preço das marcas de óleo de soja praticamente tabelado: a maioria saindo por R$ 6,99. Esse é o maior preço entre os mercados visitados pela reportagem do CORREIO, que passou por Big Bompreço, Rede Mix e teve acesso aos valores do Bompreço. O arroz, que não está barato em nenhum lugar, lá, não sai por menos de R$ 4,79, enquanto, em outros estabelecimentos como o Big Bompreço, é possível encontrar o arroz da mesma marca por menos de R$ 3,99. No caso do feijão, que também tem venda limitada, só dá pra sair com um quilo do produto ao desembolsar, no mínimo, R$ 6,89.

O Extra foi procurado pela nossa reportagem para explicar quais motivos levaram a rede a limitar a venda desses produtos e confirmar se isso estaria associado a uma promoção por parte da empresa. Por meio de assessoria, a rede informou que a limitação ocorre para que todos possam adquirir arroz, óleo, feijão, leite em caixa e leite em pó, que são os produtos limitados pelo mercado. "O Extra informa que, para que um maior número de clientes possa se abastecer, a rede está limitando a compra dos produtos em lojas por tempo indeterminado", declara.

Sobre o arroz, Joel acredita que a ação de limitar esteja ligada diretamente ao preço do grão, o que faz com que o mercado tenha menos do produto em estoque e queira distribuir de maneira mais uniforme o que se tem para comercialização. "O arroz subiu muito de preço porque há uma preferência pela exportação do produto, que é algo mais rentável, neste momento, para o produtor. Então, os mercados daqui têm menos potencial de adquirir esse item para comercializar", declara.

O que acham os clientes
Cláudia Alves, 35 anos, cuidadora de idosos, acredita que a limitação do arroz, por exemplo, em nada significa uma preocupação com o consumidor. "Isso aí é pressão deles pro povo achar que o arroz tá acabando e comprar mesmo com o preço nas alturas. Pra mim, não cola. Eles estão é exportando tudo e, no pouco que fica aqui, botam pra lenhar nos preços. Todos esses limitados aí subiram. Eu mesmo que não compro. Sei substituir, optar por outra coisa. Não tem arroz, vai macarrão e tá tudo em ordem", fala.

Quem também tem evitado adquirir os itens em limitação é Regina da Silva, 52, dona de casa que afirma que vai esperar o preço cair para voltar a tomar leite, mas admite que, ao saber da limitação, ficou com receio que estes itens fiquem em falta por muito tempo. Segundo ela, só não se rendeu e comprou bastante para não atrapalhar os outros. "Engraçado que limitaram o que mais subiu de preço. Achei estranho e logo pensei que estivesse acabando. O que mais seria, né? Mas não saí comprando desesperada com medo de acabar não. A gente fica naquela dúvida, mas não vou fazer isso e pensar só em mim porque, se eu fizer isso, tem gente que não vai conseguir comprar", conta.

Outra cliente, que preferiu não revelar sua identidade, não teve a mesma resiliência de Regina. Foi ao mercado sem pensar em óleo, mas, ao ver a limitação, quis garantir a presença do produto na sua residência por um tempo, mesmo com o preço acima do normal. "Eu nem ia comprar, falando a verdade. Não uso muito o óleo de soja. Mas tô vendo esse negócio de limitação. Vai que acaba, né? Então, vou garantir dois ou três pra não ter problema. Melhor prevenir do que remediar", argumenta.

Preços
A reportagem do CORREIO registrou os valores dos produtos em racionamento no Walmart, localizado na Joana Angélica, no Extra, da Vasco da Gama e no Rede Mix, da Rua Amazonas, na Pituba, que não estipulou nenhuma limitação para arroz, feijão, óleo, leite em pó ou de caxia. Apesar disso, a rede informou, através de nota, que está limitando a venda de óleo de soja, sendo permitida a compra de cinco unidades nos supermercados e dez unidades nos atacados. A seguir, os preços de cada um dos mercados visitados:

Big Bompreço
Arroz:

Emoções, R$ 3,99,

Cammil, R$ 4,29

Pop, R$ 3,75

Óleo:

Soya, R$ 5,99

Liza, R$ 6,49

Primor R$ 5,99

Leite de caixa:

Piracanjuba, R$ 5,39

Betânia, R$ 4,19

Damare, R$ 4,39

Extra
Arroz:

Emoções, R$ 4,79

Cammil, R$ 4,99

Tio João, R$ 4,99

Feijão:

Kicaldo, R$ 6,89

Cammil, R$ 9,49

Líder, R$ 6,89

Óleo:

Soya, R$ 6,99

Liza, R$ 6,99

ABC, R$ 6,99

Leite em pó (200g):

CCGL, R$ 5,99

Regina, R$ 5,99

La Serenissima, R$ 6,99

Rede Mix
Arroz:

Emoções, R$ 4,29

Cammil, R$ 4,29

Tio João, R$ 6,99

Óleo:

Soya, R$ 5,69

Primor R$ 5,69

Leite em pó (800g):

Itambé, R$ 20,98

Camponesa, R$ 21,98

Betânia, R$ 20,98

 

A Bahia registrou, nas últimas 24 horas, 41 mortes, 2.213 casos de covid-19 (taxa de crescimento de +0,8%) e 2.237 curados (+0,8%). Os dados são da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab). Dos 285.448 casos confirmados desde o início da pandemia, 272.127 já são considerados curados e 7.281 encontram-se ativos. O número total de óbitos por covid-19 na Bahia é de 6.040, representando uma letalidade de 2,12%.

Os casos confirmados ocorreram em 416 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (28,93%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 100.000 habitantes foram: Ibirataia (6.191,22), Almadina (6.131,04), Itabuna (5.493,78), Madre de Deus (5.082,25), Dário Meira (5.023,34).

O boletim epidemiológico contabiliza ainda 559.941 casos descartados e 68.741 em investigação. Estes dados representam notificações oficiais compiladas pelo Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde da Bahia (Cievs-BA), em conjunto com os Cievs municipais e as bases de dados do Ministério da Saúde até as 17 horas desta terça-feira (15).

Na Bahia, 24.568 profissionais da saúde foram confirmados para covid-19.

Mortes
O boletim epidemiológico desta terça-feira contabiliza 41 óbitos que ocorreram em diversas datas, conforme tabela abaixo. A existência de registros tardios e/ou acúmulo de casos deve-se a sobrecarga das equipes de investigação, pois há doenças de notificação compulsória para além da Covid-19.

Outro motivo é o aprofundamento das investigações epidemiológicas por parte das vigilâncias municipais e estadual a fim de evitar distorções ou equívocos, como desconsiderar a causa do óbito um traumatismo craniano ou um câncer em estágio terminal, ainda que a pessoa esteja infectada pelo coronavírus.

O número total de óbitos por covid-19 na Bahia desde o início da pandemia é de 6.040, representando uma letalidade de 2,12%. Dentre os óbitos, 55,83% ocorreram no sexo masculino e 44,17% no sexo feminino. Em relação ao quesito raça e cor, 52,70% corresponderam a parda, seguidos por branca com 16,75%, preta com 15,50%, amarela com 0,84%, indígena com 0,10% e não há informação em 14,11% dos óbitos. O percentual de casos com comorbidade foi de 74,80%, com maior percentual de doenças cardíacas e crônicas (76,07%).

Após seis meses de atividades suspensas, os cinemas de Salvador se preparam para reabrir ao público, mediante o cumprimento dos protocolos de segurança para coibir a disseminação do coronavírus. A partir desta quinta-feira (17), voltarão a funcionar os complexos UCI Orient dos shoppings da Bahia, Barra e Paralela, além do Cine Imperial no Shopping Center Lapa. Outras empresas do setor seguem se adequando às determinações para retornar com as operações.

Na UCI Orient, os complexos cinematográficos estão prontos para receber os clientes da forma segura. Segundo informações da Prefeitura, a higienização foi intensificada no foyer e áreas comuns às salas de exibição, bem como nos assentos, principalmente em superfícies de contato. Além disso, dispensers de álcool em gel ficarão espalhados nos ambientes dos cinemas. Já as bilheterias e bombonieres estarão equipadas com escudos de acrílico de proteção.

Os funcionários usarão protetor facial durante o expediente. Na bomboniere, na bilheteria, nos terminais de autoatendimento e no acesso às salas marcadores de piso indicarão as posições ideais de cada cliente para o distanciamento. Na entrada das salas, os clientes passarão por tapetes higienizadores.

Seguindo os novos protocolos, com o intuito de evitar aglomerações e para que a limpeza das salas seja realizada no tempo adequado, haverá limitação da capacidade de público para 50% ou até 100 pessoas em cada sala, aumento do intervalo entre os filmes e distanciamento entre as poltronas.

As vendas serão controladas por um sistema que bloqueia automaticamente os assentos próximos aos já ocupados. Além disso, as poltronas que não puderem ser utilizadas também estarão sinalizadas e fisicamente isoladas. Haverá terminais de autoatendimento disponíveis nos complexos para compra de ingressos e itens da bomboniere. No caso de pagamentos presenciais no balcão, a UCI Orient indica o uso de cartões pelo método de aproximação.

Center Lapa
A reabertura das salas do Cine Imperial, no Center Lapa, nesta quinta (17), também envolve uma série de preparativos. “Estamos trabalhando administrativamente desde a sexta (11) para implantar as novas medidas, que envolvem isolamento de poltronas e abertura de venda online, o que ano era prática nossa antes da pandemia. Reforçamos a comunicação visual para alertar a todos os cidadãos sobre os protocolos de saúde, adquirimos tapetes sanitizantes e estamos colocando marcação de distanciamento no chão”, ressalta a proprietária do Cine Imperial, Gabriela Palma.

A empresária explica que os kits de alimentos comprados no espaço serão entregues lacrados. Os funcionários irão informar os clientes sobre o consumo dos lanches, que só poderá ocorrer dentro das salas. “Estamos preparando um treinamento bem grande para que os colaboradores estejam aptos para orientar à população nessa nova abordagem”, acrescenta.

Na primeira semana de funcionamento, as salas do Cine Imperial exibirão grandes sucessos da telona como parte do "Festival de Volta Para o Cinema", iniciativa do movimento #JuntosPeloCinema, que reúne mais de 200 profissionais de diferentes empresas, entre estúdios, distribuidores, exibidores e fornecedores do segmento, com intuito de estimular o retorno dos amantes à sétima arte.

O presidente Jair Bolsonaro descartou criar o Renda Brasil, programa estudado pela equipe econômica para ser um substituto do Bolsa Família quando acabar o pagamento do auxílio emergencial aos afetados pela pandemia de covid-19, em mais um capítulo da fritura pública de Paulo Guedes, o último superministro a resistir no cargo. Em um vídeo publicado nas redes sociais na manhã desta terça-feira, o mandatário afirmou que “não tem coração” quem propõe suspender o reajuste da aposentadoria para possibilitar o projeto, insinuando que a ideia —publicada nesta terça por vários jornais— foi vazada por alguém da equipe econômica de Guedes sem que o mandatário a tivesse aprovado antes.

“No meu Governo, até 2022, está proibido falar a palavra Renda Brasil. Vamos continuar com o Bolsa Família e ponto final”, afirmou Bolsonaro, após ler uma sequência de manchetes de jornais brasileiros que vinculavam a criação do programa ao congelamento do reajuste da aposentadoria e à revisão de benefícios destinados a idosos e pessoas com deficiência em famílias de baixa renda. “Jamais vamos congelar salários de aposentados, bem como jamais vamos fazer com que o auxílio para idosos e pobres com deficiência seja reduzido para qualquer coisa que seja.”

Embora Bolsonaro tenha ordenado que Paulo Guedes viabilizasse um programa para deixar como marca de seu Governo —apagando uma herança fortemente vinculada às Administrações petistas—, as alternativas que a equipe econômica apresentaram não agradaram o mandatário, que não vem escondendo sua insatisfação com Guedes. Mais recentemente, estaria a proposta de congelar por dois anos aposentadorias e pensões, além de desvincular o reajuste do salário mínimo das aposentadorias mais baixas e endurecer as regras para conceder o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Bolsonaro não desmentiu que isso tenha sido cogitado pela equipe econômica, mas reiterou que isso não passou por seu crivo.

Já em agosto, ainda na tentativa de satisfazer o desejo do presidente de extinguir o Bolsa Família e criar o Renda Brasil com um valor superior ao programa existente, Guedes cogitou acabar com o abono salarial para quem recebia até dois salários mínimos, extinguir o programa Farmácia Popular e recriar um novo imposto sobre movimentações financeiras (similar à CPMF), como forma de não furar o teto de gastos do orçamento. Na ocasião, Bolsonaro se negou a apresentar a proposta ao Congresso e, repetindo uma frase que usou nesta terça novamente, disse que não ia "tirar dinheiro dos pobres para dar para os paupérrimos”.

“Quem porventura vir a propor para mim uma medida como essa eu só posso dar um cartão vermelho para essa pessoa. É gente que não tem um mínimo de coração, não tem o mínimo entendimento de como vivem os aposentados no Brasil”, completou o presidente.

Publicamente, Guedes tentou negar o desgaste. “O cartão vermelho não foi para mim”, declarou o ministro, e acrescentou que em sua opinião “a reação do presidente foi política, correta”. No entanto, sua equipe segue sob fogo, especialmente o secretário especial Waldery Rodrigues, que defendeu publicamente nos últimos dias ideias como o congelamento do salário mínimo como forma de abrir espaço no orçamento para o Renda Brasil.

Equilíbrio
Horas antes da publicação do vídeo nas redes sociais, o ministro da Economia foi chamado de emergência por Bolsonaro e teve de adiar sua participação em um evento inicialmente marcado para 9h, segundo apurou a Reuters. Nem o Planalto nem a Economia divulgaram o tema do encontro, mas em seguida à reunião Bolsonaro gravou o vídeo em seu gabinete.

Paulo Guedes tenta se equilibrar no cargo enquanto o Brasil atravessa uma turbulência econômica sem precedentes, o que exige da equipe do ultraliberal propostas que aumentem as mãos do Estado sobre a economia. O estudo do Renda Brasil ocorria em paralelo à análise de como manter o auxílio emergencial (estendido até dezembro no valor de 300 reais mensais). O pagamento do benefício é um dos pilares que sustentam a popularidade de Bolsonaro mesmo em meio à turbulenta gestão da crise da covid-19, que matou mais de 132.000 pessoas no país.

A ideia do Governo era apresentar o Renda Brasil em janeiro de 2021, quando já não há previsão de pagamento do auxílio aos afetados pela pandemia. Entretanto, a União não tem recursos para sustentar o Renda Brasil sem ferir a regra do teto de gastos, o que jogou Guedes ao centro de um nebuloso xadrez político e econômico.

Mesmo o anúncio da manutenção do auxílio emergencial até dezembro (no valor de 300 reais, ante os 600 reais pagos nos meses anteriores), não foi capaz de frear o tombo do PIB brasileiro, cujo recuo histórico no segundo trimestre colocou o Brasil diante de uma recessão. Além disso, mais de três milhões de brasileiros perderam o emprego entre março e agosto em decorrência da pandemia, e milhares de negócios fecharam as portas sem sentir o cheiro do auxílio prometido às pequenas empresas ―o que aumenta a pressão sobre o ministro e sua administração.

Mesmo com Guedes se segurando ao cargo, crescem as apostas nos bastidores de que ele deva ser substituído pelo ministro do Desenvolvimento Social, Rogério Marinho, que relatou a reforma trabalhista durante o Governo Michel Temer e tem o apoio da classe política ao seu lado.

O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) informou que as perícias médicas estão suspensas até que adequações sejam feitas das agências da Previdência, para garantir a segurança dos peritos e beneficiários contra riscos de infecção pelo novo coronavírus (covid-19). Na segunda (14), diversas unidades retomaram o atendimento presencial, suspenso em março em razão da pandemia.

Os médicos peritos, entretanto, decidiram não retomar as atividades por falta de segurança e todas as perícias médicas agendadas foram suspensas. De acordo o INSS, novas inspeções serão feitas nesta segunda (15) e terça (16) para viabilizar o rápido retorno dos peritos.

De acordo com a Associação Nacional dos Peritos Médicos Federais, durante vistorias nas agências na semana passada, ficou constatado que das mais de 800 unidades que oferecem perícia pelo Brasil, apenas 12 tinham estrutura para retorno seguro neste período de pandemia. “Abrir apenas estas agências e manter fechadas as demais é inviável do ponto de vista gerencial e operacional, e causaria potencial caos nas cidades devido a riscos de sobrecarga de demanda”, explicou, em comunicado.

Os peritos continuam em trabalho remoto, atendendo os pedidos de antecipação e demais solicitações que já vêm sendo feitas ao longo da pandemia.

Mesmo sem o serviço de perícia, segundo o INSS, a retomada gradual inclui a avaliação social, cumprimento de exigências, reabilitação profissional e justificação administrativa. Todos esses serviços devem ser agendados com antecedência pelos canais remotos. “Segurados não agendados não serão atendidos a fim de evitar aglomerações, conforme determinações do Ministério da Saúde”, destacou o INSS.

O segurado deve acessar o portal covid.inss.gov.br para saber qual agência está aberta e se já oferece a perícia. Caso positivo, é necessário fazer a remarcação pelo Meu INSS ou pelo telefone 135.

(Com informações da Agência Brasil)

Após sucessivas tentativas de acordo, os Correios anunciaram que aguardam decisão judicial sobre a greve para normalizar as atividades operacionais. Segundo nota divulgada pela empresa, as negociações estavam sendo feitas desde julho e visavam preservar a saúde financeira da estatal com cortes de privilégios e “adequação à realidade do país”. O julgamento da ação de dissídio coletivo está marcado para a próxima segunda-feira (21), segundo informações da Agência Brasil.

Em comunicado, os Correios afirmam que os termos exigidos pelos funcionários para a retomada regular das atividades põem em risco a economia que vinha sendo aplicada. A empresa registra prejuízo acumulado de R$ 2,4 bilhões e esperava economizar cerca de R$ 800 milhões ao ano. Segundo a estatal, esse valor, em três anos, cobriria o déficit financeiro atual.

“É evidente, portanto, que não há margem para propostas incompatíveis com a situação econômica atual da instituição e do país, o que exclui de qualquer negociação a possibilidade de conceder reajustes”, registra a nota.

A empresa lamenta ainda o contexto da pandemia e afirma que a explosão do e-commerce – o comércio eletrônico, que depende exclusivamente do serviço de transporte e logística para a entrega de mercadorias, – seria uma forma de “alavancar o negócio em um dos poucos setores com capacidade para crescer neste período.”

Ainda de acordo com a Agência Brasil, apesar de ter parte do contingente funcional paralisado desde o dia 17 de agosto, os Correios registraram nas últimas quatro semanas mais de 187 milhões de cartas e encomendas entregues em todo o país.

Movimento contra privatização

Segundo a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas dos Correios e Similares (Fentect), parte dos trabalhadores decidiu cruzar os braços em protesto contra a proposta de privatização da estatal e pela manutenção de benefícios trabalhistas. Os funcionários pedem ainda reajustes salariais.

A Agência Brasil diz ter procurado a Fentect, mas ainda aguardava manifestação da federação até a publicação da reportagem.